Ron não precisou procurar muito para encontrar o quarto em que a mãe estava internada. Logo que ele e Ginny chegaram no hospital e foram mandados para o terceiro andar encontraram ao longe um monte de pessoas com cabelos muito vermelhos na frente de uma das portas fechadas. Entre eles um menino de pouca idade chorava enquanto seus cabelos, que mudavam de cor a cada soluço, eram afagados pelo senhor Weasley. Que não parecia assim tão melhor que a criança.
- Não foi culpa sua, Teddy. – ele consolava, falando tão baixo que o filho mais novo só notou quando cumprimentou o pai. – Não teve nada a ver com você.
Lá ele descobriu que a mãe tinha enfartado quando tentava tomar conta de Teddy, do bebê de Harry e Ginny e de uma panela de chocolate derretendo, matéria-prima para os bombons que ela queria mandar para Hermione. Estava melhorando pouco a pouco, mas o médico dera milhares de recomendações. Não estava mais na idade de cuidar tanto assim de todo mundo e esquecer de si mesma, e já tinha sido alertada por todo mundo. Por isso o próprio Ron queria fazer o jantar de recepção de Hermione. Por isso Ginny queria contratar uma babá para o filho. Mas o pequeno Teddy com o seu cabelo muito colorido ainda não conseguia parar de soluçar porque ele não tinha desculpas.
"Ele chora o dia inteiro. Ela diz que nada pode fazer parar, mas é só quando eu estou na rua. Logo que eu chego gritando que estou em casa ele começa a rir e sempre vem até mim. É a melhor hora do dia. O meu happy hour é com o meu filho nos braços", dizia o diário.
Mas Teddy não tinha o pai por perto.
Uma voz, vinda daquele diário, daquelas lembranças tão bonitas escritas a pena verde sobre papel de pergaminho, lhe disse que tinha que fazer algo muito importante agora. Algo que poderia mudar a vida daquela criança para sempre. Disse-lhe que isso era necessário para os dois – Ron e o pequeno metamorfomago que chorava, escondendo seu rosto no colo de Arthur.
O ruivo pôs sua mão levemente no ombro da criança e a puxou contra si, fazendo com que o filho de Lupin virasse para ele.
- Vem. – ele chamou do jeito mais compreensivo que conhecia. – Vamos dar uma volta.
O menino não questionou e acompanhou Ron pelos corredores, o cabelo se fixando em um tom castanho sem brilho, deixando o resto da família para trás.
Eles viraram na primeira curva que apareceu e o ruivo começou a falar.
- A gente não gosta de te ver chorando, Ted.
Mais soluços profundos vieram do garotinho que segurava a mão de Ron com força.
- Você não tem nada a ver com o que aconteceu com a mamãe. Ela já estava há algum tempo assim, estressada. Adultos se estressam com facilidade, sabe?
Parou de andar em um corredor onde não tinha ninguém nos bancos de espera. Sentou em um deles e chamou Ted para sentar com ele, ao que o garoto atendeu. Os pezinhos dele balançavam por não conseguir alcançar o chão.
- Eu sei... – o pequeno começou, soluçando mais uma vez depois. – Eu sei que ela não é minha avó, mas eu a chamo de vovó porque ela cuida de mim como a vovó Tonks. – ele explicou com a voz muito fina por causa das lágrimas.
- Claro. – Ron disse, passando a mão desajeitadamente nos cabelos castanhos dele. – E ela gosta de você como gosta dos netos. E eu gosto de você como gosto dos meus sobrinhos e... Como vou gostar dos meus filhos.
Teddy parou de soluçar por alguns instantes e olhou para o jovem ao seu lado.
- Você vai ter filhos também? – perguntou curioso.
- Acho que sim! – o ruivo respondeu feliz pelo menino ter parado de chorar. – E eu sei que a mamãe vai estar lá para pirar enquanto cuida deles!
- Ela vai ter um ajudante... – Ted disse, os cabelos perdendo lentamente a coloração castanha e se tornando azuis, depois verdes, e então vermelhos. – Essa cor fica bem em mim?
- Ela é a sua cara! – Ron exclamou, abraçando de repente o garoto. E ele, mesmo desajeitado e com os braços pequenos demais pata junta-los atrás das costas do ruivo, retribuiu. Se sentia da família. – Hora de parar de chorar, não é?
- É... – o menino respondeu, e com um pequeno salto saiu da cadeira. Entendeu a mão para Ron. – Vamos voltar?
Mas quando os dois voltaram não havia ninguém da família esperando-os. A porta que levava para o quarto da senhora Weasley estava aberta, e de lá, sendo expulsas pelos novos dez visitantes, três enfermeiras saiam. Os dois garotos viram a porta aberta, se olharam e começaram a correr para ver quem chegava primeiro a Molly.
Chegaram quase ao mesmo tempo e rindo. Ron deixou que o pequeno corresse até a cama primeiro, e este se atirou no colo da matriarca Weasley, beijando seu rosto e pedindo desculpas por ser tão travesso às vezes. Com lágrimas nos olhos ela disse que estava tudo bem, que ela o amava para sempre. E repetiu o mesmo para o filho mais novo quando ele chegou perto para lhe dar um beijo.
Como Molly precisava ficar mais um dia para se recuperar, eles revezaram horários para alguns descansarem e outros fazerem companhia a ela. O filho mais novo ficaria com o dia seguinte, na parte da tarde, antes de Hermione chegar, e deixaria um bilhete para ela caso chegasse mais cedo.
Deixaria.
