Beta Reader – Akimi Tsuki
Ficwriter – Arika Uchiha
3
Salvamento, Nascimento, Carinho
Andavam há dois dias por cima da lama, usando chakra para se manterem à tona. Tinha as mãos atadas à frente e era assim que segurava a barriga e a protegia. Haviam parado apenas umas horas por noite, que tinham feito com que as costas lhe ficassem a doer ainda mais. Era alvo de chacota por parte dos ninjas, que ainda não tinham compreendido que ele não era gordo e que apenas estava à espera de um filho. Os ninjas idiotas julgavam-se heróis por terem capturado o tirano Maou Shinobi, que estava gordo por escravizar o seu povo, e era este que lhe enchia a pança. Como era gordo não precisava de comida, por isso, só lhe davam água.
Sasuke não estava preocupado com a falta de comida, era um ninja e aguentava bem a fome, mas o mesmo não acontecia com o bebé que cada vez se mexia mais, como a recordar que ele vivia e que precisa que o seu progenitor cuidasse de si.
Estavam à andar há três horas, já depois de a noite ter caído, quando finalmente chegaram a terra firme. O Maou suspirou aliviado por poder finalmente deixar de usar o seu chakra. Pois sentia desde que anoitecera que algo não estava bem. O bebé mexia-se menos. Estaria a morrer? E onde estava Naruto?
Olhou para o céu estrelado, por entre as copas das árvores. Fechou os olhos e concentrou-se para sentir a floresta e a energia ao seu redor, e encontrou algo que o animou. Estavam a ser seguidos. Então parou com uma pontada aguda no estômago. Dobrou-se sobre a barriga, esta estremecia, as contracções começaram. Gritou, nunca sentira dor igual.
– Hei! Que se passa contigo? - Um dos ninjas da água agarrou-lhe os cabelos e puxou-lhe a cabeça para trás. Sasuke caiu sobre os joelhos e colocou uma mão no braço do homem, que o largou com o choque eléctrico que levou. Outro aproximou-se ao ver a cena, e quando este era para o pontapear o moreno, Naruto chegou e mandou-o para longe.
– Sasuke? - Ajoelhou-se e puxou o marido na tentativa de o levar ao colo e fugir dali.
No entanto, os ninjas da água não estavam dispostos a perder o seu prisioneiro tão facilmente. O Uchiha era uma preciosa recompensa no seu país.
- Não queremos causar danos, vão embora, desistam do vosso prisioneiro. - Ouviu uma voz familiar, era alguém de Konoha.
- Respira, Sasuke. - Escutou Naruto a sussurra-lhe ao ouvido. Sentiu a sua mão ser agarrada por ele, mas não abriu os olhos. Tentou fazer aquilo que Naruto lhe pedia, mas a única coisa que lhe saia dos lábios eram esgares de dor. Quando é que aquilo iria terminar?
- Naruto! Cuidado! - Ouviu Karin gritar. A sua mão deixou de agarrar a do louro. A contracção parou e ele abriu os olhos. Á sua volta, protegendo-o, estavam todos os seus antigos colegas, batalhando contra os seus raptores, que apesar de inferiores a nível de jutsus eram persistentes.
– NARUTO! - Olhou para a sua direita viu Tenten ser arremessada contra uma árvore e Naruto a ser segurado pelo pescoço. Identificou o ninja que o estrangulava como sendo o líder daquele grupo de ninjas da água.
Levantou-se meio bambo. O marido estava à sua frente a ser morto e ele não fazia nada. Não podia usar jutsus ou poria em risco a vida do seu filho e a sua. Mas não podia ficar simplesmente a ver. Não havia mais ninguém que o pudesse salvar. Tinha que ser ele, Sasuke. Fez os sinais. Naruto gritava debatendo-se, tentando soltar-se, mas quanto mais se mexia mais fios de chakra o enrolavam e sugavam o seu chakra. Se aquilo continuasse a Kyuubi podia sair do seu controle.
- Técnica da Espada Relâmpago. - Da mão direita saiu uma lâmina de chakra afiada, que cresceu rapidamente até atingir o coração do alvo. Naruto caiu ao chão ileso. O inimigo estava morto. A dor regressou.
- Ahrrr! - Caiu de joelhos. Alguém o amparou, evitando a queda completa.
- Sasuke! - Gritou Naruto ao ver o marido cair, por sorte Neji agarrou-o antes do pior acontecer.
A escuridão chegou devido à falta de chakra.
oOo
Sasuke abriu os olhos. O que se passara? Onde estava? Aquele cheiro não lhe era estranho! Era um cheiro velho misturado com o familiar aroma de Naruto. Aquele quarto? Aquelas paredes?
Levantou-se alarmado, e sentiu uma dor cortante na barriga, ligeiramente abaixo do umbigo. Levantou a camisola, vendo uma cicatriz recente. Onde estava o seu bebé? O que tinha acontecido? Tentava controlar o pânico.
O quarto em que se encontrava era a suite principal da casa Uchiha, a casa onde nascera. A aparência tinha mudado, havia mobílias novas a preencher o que outrora fora o quarto dos pais. As persianas entreabertas deixavam passar a luz do sol. Havia duas camas de solteiro, aquela em que estava sentado, perto da porta, e outra perto da janela, lado a lado, separadas por uma mesa-de-cabeceira.
Ouviu um resmungo de bebé. Virou a cabeça atraído pelo som, abaixo da janela achava-se um pequeno berço branco. Não se via aquilo que certamente lá estava, pois só se viam cobertores rosas.
– Uma menina? - Pensou.
Por fim, a bebé começou realmente a chorar e o pai, levantando-se rapidamente apesar das dores, chegou ao pé do berço. Destapando-o viu uma criatura lindíssima, ainda muito vermelha do nascimento, mas sem rugas e umas bochechas gordinhas. Tinha um babygrou (n.a - é roupa de bebé) amarelo vestido, com uns ursinhos, que lhe ficava bastante largo e grande, afinal era prematura, tinha os olhos fechados, os punhos cerrados, pouco se mexia, com excepção das pernas frenéticas e dos berros soltos pela boca.
Agarrou naquele pequeno ser que há meses desejava conhecer, face a face. Pousou-a sobre o braço esquerdo encostando-a ao seu tronco. O choro cessou e a bebé abriu os olhos.
– Não te assustes! - Não parecia assustada, mas atenta. - Eu sou o teu papá! - Falava baixo e suavemente, enquanto limpava com as pontas dos dedos as pequenas lágrimas que a menina derramara. - Tem calma. Alguém virá por ti. Haverá sempre alguém. - A bebé fez uma careta com os lábios e o pai beijou-lhe a testa.
- Bebé! Ouvi-te e tenho aqui a papinha! - Ouviu uma voz de mulher vinda do lado de fora do quarto, entrando pela porta.
– Depois posso ir ver a academia? - Perguntou Nasasu entrado no quarto. - PAI! - Gritou animado, e por graças miraculosas não pôs a irmã a chorar outra vez.
Ino estagnou atrás do menino, com os olhos postos em Sasuke e um biberão (n.a. - mamadeira) na mão. A primeira coisa que lhe veio à cabeça, quando os olhos escuros a observaram, foi a ideia de que ia ser electrocutada, mas em vez disso o Uchiha mostrava um semblante sereno e sorriu-lhe levemente.
- Gomen Sasuke! Pensei que ainda estavas inconsciente. Aliás ainda devias estar na cama. - Disse, sorrindo também. - Anda Sasuke volta para a cama. - Tentava falar como uma amiga de longa data, mas os nervos atraiçoavam-na. Afinal como é que agimos com uma pessoa que já não vimos há anos, de quem gostamos e que sabemos que fez grandes coisas, tanto boas como más?
- Só se a médica me deixar dar comida à bebé.
- Sasuke eu sou?
– Ino! Eu sei. E também sei que és médica. Estava só na brincadeira. - Riu-se.
Aquele era Sasuke? Foi a primeira vez que o ouviu rir. Se aquele era Sasuke, e ela sabia que era, então estava a conhecer uma nova pessoa, um novo Sasuke.
– Ora que estupidez a minha! É claro que podes dar de comer à Oshi?
– Oshi?
- Pergunta ao Naruto. - Desmarcou-se Ino. - Mas o nome é bonito. - Acrescentou. - Uchiha Oshi.
- Se o nome está dado. Que fique assim.
Andou de volta à cama e sentou-se por cima das cobertas encostado à cabeceira da cama, com muito cuidado, pois tinha Oshi ao colo. Depois de comodamente instalado, Ino passou-lhe o biberão aquecido para as mãos, que ele experimentou antes de o dar à bebé, que quando o recebeu nos lábios se deliciou.
Ino perdeu-se nos seus pensamentos, estarrecida com a visão de ver o Uchiha a tomar conta da sua filha, e recordou os nascimentos dos seus filhos e lamentou que Choji não tivesse aquela atenção para com os seus.
- Nasasu não me falas? - Perguntou Sasuke sem olhar para o filho, mas sabendo que este o fitava com a frieza do ciúme, a mesma que ele sentira e tivera com a idade dele.
– Tenho que ter cuidado quando estou ao pé da Oshi. - Resmungou.
– Quem te disse isso?
– O papá.
– É verdade que tens de ter cuidado, mas isso não significa que não fales, nem que te aproximas da tua irmã. Anda cá. - Chamou.
Nasasu não esperou mais e subiu para cima da cama, o pai chamava-o para o seu colo e já lá iam meses desde que não estavam tão perto do pai, por causa da maldita gravidez, por causa da irmã.
Chegando para um dos lados da cama permitiu que o filho se sentasse ao seu lado.
– Pega no biberão da bebé. Vais sentir a Oshi a sugar o leite.
– Sugar? - Subitamente a frieza de Nasasu desapareceu e passou a ficar interessado naquilo que ia fazer.
– É o que a Oshi faz para beber o leite. - Os olhos da bebé estavam completamente abertos e pareciam querer observar o que se passava acima dela, quem lhe segurava o biberão. O irmão mais velho, ao lado do pai, agarrava com o máximo de concentração e cuidado, com as duas mãos o biberão e Sasuke colocou o braço livre em volta do filho e beijou-lhe a testa.
– Quanto tempo estive inconsciente?
– Cinco dias! - Respondeu Ino.
– Que aconteceu?
– De que te lembras?
– De ter lançado o jutso sobre o ninja da água que estava a estrangular Naruto. E depois uma dor intensa e escuridão.
– Depois disso os ninjas fugiram. O teu chakra tinha sumido. Se Naruto não tivesse reposto algum do dele em ti estarias morto, eu nem sequer sabia como é que se transferia chakra de um corpo para o outro. Entraste em trabalho de parto. Não houve outra hipótese senão fazer ali o parto. A bebé já estava completamente formada por isso não havia riscos para ela. Regressamos rapidamente á Aldeia Oculta do Som, então Tsunade tomou conta da tua saúde e transferimos-te para Konoha e aqui estás tu. Vou buscar qualquer coisa para comeres. E avisar a 5ª de que já recuperaste a consciência e, claro, o Naruto.
– Onde é que ele anda?
– Pelo que sei dividido em mil entre Konoha e a Aldeia Oculta do Som. Até há poucos minutos tinha aqui um dos seus clones, mas Nasasu socou-o e sinceramente não o censuro.
– Se tu não o censuras acho que também não o devo fazer. Arigatou Ino!
– De nada Sasuke. Trago já qualquer coisa para comeres. - Disse Ino saindo do quarto, meio em choque por ter tido uma simples conversa com Sasuke, uma conversa perfeitamente normal.
oOo
Naruto e Tsunade chegaram quando Sasuke comia o bom do ramen, que ao que parecia era aquilo que mais havia no frigorífico e na dispensa para se fazer no microondas.
– Sasu? - Foi calado por Sasuke, que rápida e silenciosamente se levantou e colocou uma mão na boca do marido.
– As crianças estão a dormir. - Avisou.
Tsunade soltou um silvo de riso abafado.
– Mas? ramen?
– Tens uma dose na dispensa que serviria para alimentar um elefante durante um mês. - Defendeu-se. Naruto fez-se amuado, mas o habituado Sasuke não lhe ligou nenhuma. Virou a sua atenção para Tsunade e fez uma vénia de respeito com a cabeça. - Obrigado por ter salvado a minha vida e da minha filha.
– De nada Maou, depois do que fez por Naruto? e por Konoha era o mínimo que podia fazer. - Sasuke mostrou-se espantado.
– O Naruto contou-me todos os vossos planos.
– Bem eu nasci aqui. Quando fui embora fiz mal a muitas pessoas. O que poderia eu fazer senão tentar compensar um pouco a aldeia?
– Evitaste uma guerra, acho mais que suficiente. Ainda protegeste a tua família ao contrário de mim. Se não te importares eu gostaria de te examinar.
– Claro.
– Deita-te sobre a cama de barriga para cima. - Ele obedeceu. - Dói-te alguma coisa?
– A zona da costura.
– Ardor, picada ou algo mais profundo, mais agudo? - Perguntou enquanto a sua mão passava a pouco centímetros da sua pele.
– Um misto de tudo. Conforme a posição.
– Estás proibido de fazer esforços e principalmente de andar.
– Ah?
– Ouve, és um homem. O teu corpo não estava adaptado para uma gravidez, e ao contrário de Naruto não tens a raposa dentro de ti, por isso, a tua recuperação é mais difícil. E além de tudo isso passaste por momentos difíceis. Terás de ficar mais algum tempo a recuperar. Goza melhor a tua paternidade. Bem eu tenho de ir. Gosto que tenhas dado a volta por cima Sasuke.
– Muito por causa da raposa.
Tsunade sorriu com o trocadilho e saiu deixando os Uchihas sozinhos.
– Tenho uma novidade para ti. - Anunciou Naruto, aproximando-se devagar da cama, fingindo cautela e com um ar misterioso.
– E o que é? - Puxou o louro para si, sentando-o entre as suas pernas.
– Tornei-me Hokage.
Sasuke sorriu docemente.
– Finalmente conseguiste o teu sonho.
– Não. O meu sonho és tu. E se morresses, morria contigo. - Naruto beijou o marido e depois enroscou-se contra o seu peito, obrigando a que este se encostasse novamente na cabeceira da cama, com os braços à volta do corpo do louro.
– Não é que não goste de ouvir as tuas declarações apaixonadas, mas se morresse preferia que ficasses a tomar conta de Nasasu e da Oshi.
De repente, um clone de Naruto entrou, sobressaltando Sasuke, sorriu e pegou em Nasasu, que estava profundamente adormecido em cima da cama de Naruto, e levou-o.
– Vou pô-lo no seu quarto. - Disse o clone ao sair do quarto e fechando a porta.
– Diz-me que tu não és um clone. - Pediu Sasuke apertando Naruto.
– Não. Eu sou o verdadeiro. - Confirmou. - Aquele era o último, por hoje acabei o meu trabalho. E agora o Hokage quer uma prenda. - Sorriu maroto e fez a camisola de Sasuke subir para lhe poder gravar uns dedos nos abdominais.
– Naruto! Eu não sei. Estou no antigo quarto dos meus pais, na minha antiga casa, não me sinto muito à vontade aqui. Nem sei como é que ainda não fugi.
– Foi por isso que pedi à Tsunade-sama para virmos para aqui. Achei que devias vir aqui recordar todos os bons momentos que aqui passaste e fazer novas recordações para não deixares esta casa cair nas trevas. Achei que esta casa, a tua família, todo o bairro Uchiha não deveria ficar com as marcas do sangue e da morte.
– Estás sempre a pensar em como melhorar a minha vida.
– OK! Eu confesso, fui um pouco egoísta em relação a este assunto. É que? sabes? duvido que o meu apartamento desse para quatro pessoas.
Sasuke gargalhou.
– Acho que o teu apartamento serviria perfeitamente, mas com certeza não queres voltar para aquele lugar solitário. Mas eu prometo-te que nunca mais estarás sozinho. A solidão é uma coisa horrível. - Beijou Naruto e abriu-lhe o zíper do blusão. - Eu amo-te! - Ouvir aquelas palavras da boca do moreno era como levar um choque eléctrico que faziam todos os pêlos se arrepiavam. - Queres uma prenda de que tipo?
– Quero sentir-te em mim! Já faz uns meses? - Naruto nunca era bom a expressar-se quando estava nos momentos mais quentes, no entanto Sasuke compreendeu o seu desejo.
– Os teus desejos são ordens! - Tirou-lhe o blusão, puxou a t-shirt preta do marido, retirando-a pela cabeça e atacou a boca do louro, mas apenas para a abandonar e começar a distribuir beijos pelo pescoço.
O raposa estava ajoelhado entre as pernas do moreno. E este obrigou-o a levantar o rabo para que pudesse beijar, lamber e apreciar o peito pelado de Naruto, ao mesmo tempo que as suas mãos apalpavam a carne sobre o tecido das calças pretas com riscas laterais laranjas. Não gostando da posição para continuar a sua tortura de carícias, empurrou o louro para que este continuasse sobre a cama e colocou-se sobre ele.
– Lamento, mas hoje será assim.
– Estás com dores?
– Estava?
– Podemos parar?
– Tarde de mais. Já estou em brasa! - Riu-se, beijando a cara de Naruto e passando uma língua pela linha do pescoço, foi descendo pelo corpo de pele bronzeada e de linhas conhecidas. Ele sabia como enlouquecer Naruto.
Continua...
