Grissom entrou no laboratório pensativo. Encontrou com Nick e Sara no corredor, mas não disse nada, apenas foi para sua sala e fechou-se lá dentro. Sara achou estranha a atitude dele e resolveu verificar o que estava acontecendo.
Por mais que a intenção dela fosse boa, grissom foi extremamente ríspido, e pediu que ela o deixasse sozinho.
Na sexta feira era a folga dele. Sara perguntou se ele queria ficar com ela, pelo menos até o horário do expediente dela começar, mas Grissom respondeu um grande não. E por mais que ela tentasse saber o motivo, grissom nada disse. Aquela atitude não deixou a jovem contente.
Naquela atípica sexta-feira, Grissom chegou cedo em casa, fez uma mala com o básico que iria precisar e depois saiu. Foi até a casa do amigo para combinar os últimos detalhes – ele havia aceitado a proposta.
Depois de meia hora de conversa, o amigo o levou até a poucas quadras do manicômio. Precisou inventar uma grande historia, para que o pessoal do local acreditasse que ele não era são. Contou coisas absurdas, fingiu tiques nervosos, entre outras coisas. O atendente o levou direto para o diretor que ao ver o estado dele, achou que interná-lo seria a melhor forma de poder ajudá-lo.
A primeira etapa estava concluída. Foi classificado como portador de transtorno da personalidade obsessivo- compulsivo. Foi internado como Gil Gregory. Na verdade, só teria de ser Grissom, carregando um pouco nas tintas. Indo a caminho de seu quarto ainda achou a idéia do amigo, insana, típica de um sujeito, que lidava com loucos!
Ele saíra sem falar com ninguém e sem se despedir. Bem que gostaria de ter falado com Sara, mas sabia que ela tentaria dissuadi-lo, e como essa idéia, não tinha pé nem cabeça, não seria muito difícil, ela conseguir.
De qualquer forma, seria bom ouvir sua voz. Ainda mais depois de ter saído tão cedo da casa dela, depois dela ter quase implorado para ele ficar mais a seu lado. Sentiu uma pontada de remorso, pega o celular, e pensa em ligar-lhe. Mas a intenção é interceptada pelo atendente que o acompanha.
"Não, Sr. Gregory! Nada de telefones, nem chamadas perturbadoras". – Falou, tirando o telefone, como se tira um brinquedo de um menino malcriado.
Grissom teve de ter muito auto controle, para não falar uns desaforos para ele. A sua atitude hostil, foi encarada como natural, no seu caso. Quando chegaram no quarto o atendente estancou, dizendo um "é aqui!". Passou um uniforme, que trazia, para as mãos de Grissom, dizendo:
"Acho que é do seu tamanho. Espero que sirva. Vista-o e depois conheceremos o resto das instalações, Sr. Gregory".
Grissom colocou o uniforme e, sentiu-se ridículo dentro dele. Parecia um enorme pijama verde. Mais uma vez, pensou na idéia amalucada de Sam e mais amalucada, a sua, em aceitá-la!
"Aqui no térreo ficam a secretaria, diretoria, a parte administrativa, você sabe. Aqui é o refeitório, a biblioteca..., aqui você sai para os nossos jardins, lá em cima, entre outras coisas, ficam os médicos. E, você vai passar por eles agora, a fim de ser medicado".
Grissom subiu a escadaria depois do atendente. Lá em cima, foi apresentado ao neurologista. Dr. Parker, com quem se simpatizou, afinal.
"Sr. Gregory, vou examiná-lo e fazer um monte de perguntas, seja o mais preciso possível, para eu poder medicá-lo corretamente".
O médico com a ajuda da enfermeira Jansen fez um exame clínico detalhado. Depois, já devidamente acomodados na sala do médico, começou a bateria de perguntas. A primeira o surpreendeu.
"É casado, Sr. Gregory?"
"Não. Não entendo o que..."
"É pertinente, Sr. Gregory, porque um dos remédios que estou para lhe prescrever, tem a ver com desordens na sua vida sexual, então se houvesse uma Sra. Gregory, eu teria que ter uma conversa com ela..."
Pensou imediatamente em Sara, ela era o mais parecido com uma esposa que tinha tido. Não nutria ilusões sobre casamento. Achava sinceramente que a essa altura da vida não se casaria mais.
Amava muito Sara, mas não se via preparado para dividir seu espaço com ninguém. Entendia o que Sara almejava na última noite que passaram juntos, mas não se sentia pronto a dividir seu espaço. Não ainda. Isto, se um dia estaria..
"É hipertenso? Tem algum distúrbio renal? Sofreu algum dano cardíaco? Teve algum problema de saúde que não nos reportou?" Continuava o Dr. Parker, com seu interrogatório infindável.
Quando as perguntas foram por outro caminho, Grissom percebeu, que estavam tentando diagnosticar sua "doença", então sentiu que devia responder afirmativamente, a todas as perguntas.
"Você verifica repetidamente o gás, as torneiras e os interruptores após desligá-los? Não toca em corrimões, maçanetas, dinheiro, etc, sem depois lavar bem as mãos? Preocupa-se com o alinhamento das coisas e fica aflito quando elas estão fora de lugar? Precisa contar, enquanto faz as coisas?"
"Sim!" Respondia Grissom a tudo, não se esquecendo de acrescentar, o tique nervoso que não espantava o médico, mas seria no mínimo curioso para quem o conhecesse!
O Dr. Parker lhe prescreveu duas drágeas de clomipramina, uma de tarde e, outra à noite, que seriam dados pela enfermeira Jansen.
"Vamos começar com 150 mg, e vamos ver no que vai dar" disse o médico confiante. "Você pode sentir algum efeito colateral como: secura na boca, sonolência, suores, dificuldade para urinar e até alucinação. Preste bem atenção e reporte-me em nossa próxima consulta"
"Que será?..."
"na próxima segunda, Sr. Gregory. No começo é sempre bom acompanhar os doentes de perto... Agora você passará pelo Dr. Fox, que é o nosso psiquiatra"
O Dr. Fox era o oposto do seu colega: era um homem magro, de cabelos brancos, e um andar meio curvado. O aperto de mão era flácido, e Grissom achou que ele tinha jeito de quem levava o mundo nas costas. Além de parecer muito desanimado para ser um psiquiatra.
O Dr. Fox olhou bem sua ficha e, começou a falar, numa voz tão severa quanto seu semblante:
" O senhor sofre de TOC (transtorno de personalidade obsessivo- compulsivo), é recomendável fazer psicoterapia de grupo, duas vezes por semana e, entre uma sessão e outra, fará uns exercícios que vou lhe ensinar"
"Que bom! O senhor vê melhoras pra mim?"
"Daqui uns seis meses o senhor, fazendo tudo certinho, com a ajuda da medicação que o Dr. Parker prescreveu, estará melhor!"
"Seis meses... Estaria fora dali terça feira, o mais tardar", pensou Grissom, dando um sorrizinho que o Dr. Fox, não entendeu. Aliás, o psiquiatra não tinha nem o bom-humor, nem a jovialidade, do Dr. Parker: o Dr. Fox era um homem seco, endurecido pelos anos e pelo trabalho. Nem sempre acertava, mas contava a seu favor, uma pequena margem de erros.
Conversou um pouco ainda com o médico e ao sair do consultório, o atendente já estava a sua espera.
"Aqui temos a recreação" disse apontando, para um enorme salão – temos também, uma TV - disse apontando para o fim do salão, onde umas pessoas se aboletavam numas poltronas,
Grissom viu duas portas fechadas e indagou o que eram.
"São os quartos do encarregado Smart e do atendente da noite, Stevens, que moram aqui" disse o atendente.
"Aí será mais difícil de investigar!", pensou Grissom, entusiasmado com o desafio. Ao descerem observou que a enfermaria ficava logo após os consultórios. Mas ele pensou que o melhor era começar a investigar a parte administrativa. Algum enguiço, se realmente tivesse, seria encontrado ali.
Ficou pelo jardim até a hora do jantar conhecendo alguns internos. Um se acercou dele e, puxou conversa. Chamava atenção nele, o fato que sempre se virava para trás, como de estivesse sendo perseguido:
"Sabe, o John..."
"Quem? Me desculpe mas sou novo aqui, ainda não conheço os nomes..."
" O enfermeiro negro!"
Grissom virou-se, procurando e, confessou ao outro que ainda não havia visto ninguém assim.
""Eles" querem me pegar, porque sei demais!"
Grissom, bem no fundo se divertia, com a situação, contudo sua aparência era compenetrada, também porque ele devia fingir ter uma doença mental que não possuía.
" "Eles"?! Quem são "eles"?"
"O pessoal do governo... Como eles conspiram, contra o presidente, e sabem que eu sei, puseram o John, para me vigiar!"
Grissom resolveu concordar com tudo o que ele falasse, mesmo que fosse absurdo, pois não queria arrumar confusão. Queria acabar logo com essa investigação e voltar pra Sara.
Não gostaria de admitir, mas sentia muita falta dela!
TBC
