"-Me leve pra casa dos meus pais." As palavras dela quebraram o silêncio de quase 10 minutos.

"-Tem certeza? Não acha melhor a gente ver se minha mãe aceita você morar lá com a gente por um tempo e " mas ela não deixou que ele terminasse a frase.

"-Eu não vou pedir pra voltar, Finn, vou pedir perdão."

Ele não teve coragem de dizer mais nada, sentia que nada seria o suficiente para amenizar a dor que ela sentia e tinha medo de dizer algo que a magoasse. Então apenas dirigiu até a casa dos Berry.

Ao chegar Finn não tinha muita certeza se deveria entrar com ela ou não, e na verdade não sabia se queria ou não entrar com ela. Mas as palavras dela mais cedo "enquanto você estiver do meu lado eu vou me recuperar" martelaram em sua cabeça e ele decidiu acompanhá-la.

"-Você não precisa ir comigo se não quiser." Ela disse quase como se fosse capaz de ler a mente dele, mas ele apenas segurou nas mãos dela e sorriu.

Dessa vez ela não apertava seus dedos, que ainda doíam, pelo contrário sua mão parecia não ter força alguma, como se não houvesse vida. Definitivamente era assim que ela se sentia, sem vida, Rachel sentia que poderia desmaiar a qualquer momento, mas se forçava a estar de pé, ela precisava falar com eles, ela precisava pedir perdão.

Ficaram parados a porta por alguns segundos, que pareceram horas para ambos até que Rachel decidiu tocar a campainha. Afinal, ela não morava mais ali e entrar seria uma falta de educação.

Hiram Berry foi quem abriu a porta, e ele não pode evitar um sorriso ao vê-la de volta.

"-Por que você tocou, Rach? Sabe que seu pai diz coisas sem pensar quando está nervoso." Ele abriu mais a porta e deu espaço para que o casal entrasse.

"- Pai, eu gostaria de conversar com vocês dois. Tenho algumas coisas a dizer." Ela tinha a voz embargada, mas não tinha lágrima nos olhos e nem parecia com vontade de chorar.

Menos de 5 minutos depois, os 4 estavam na sala. Leroy, Hiram estavam sentados em um dos sofás, Finn no outro e Rachel de pé, olhando para os pais. Ela mexia os dedos e mordia os lábios de forma nervosa, enquanto olhava para os pés.

"-Quando quiser, Rachel!" A voz de Leroy saiu cortante, ele parecia querer magoá-la, ou ao menos ela se sentiu assim. E isso a deu forças! Ela levantou a cabeça e os dois pais puderam perceber seu rosto. Hiram notou que a filha tinha os olhos muito inchados e se sentiu culpado por tê-la feito chorar. Le Roy percebeu que não havia brilho nos olhos da filha e sentiu um aperto no coração, onde estaria o constante brilho no olhar de Rachel?

"-Eu estou aqui para dizer que vocês estavam certos. Shelby Corcoran nunca foi minha mãe. "

"-E você precisou fugir no meio da madrugada para descobrir isso?" Leroy falou, enquanto entendia que Shelby provavelmente era a responsável pelo sumiço do brilho nos olhos de Rach.

"-Na verdade sim." Ela falou, a tristeza crescia em seus olhos. "-Eu pedi que vocês me ajudassem nisso, que me permitissem uma aproximação e vocês não me entenderam, gritaram comigo e me chamaram de injusta."

Tanto Hiram quanto Leroy Berry não tinham o que falar. Rachel estava certa.

"-Mas eu não os culpo. Vocês foram os melhores pais que uma menina poderia ter e por um instante não foram suficientes pra mim, eu precisava de uma mãe." Ela estava a ponto de chorar, sentia como se uma bola estivesse presa em sua garganta. "-E essa sensação de não ser o suficiente é péssima! Eu sei porque hoje descobri que eu não sou boa o suficiente pra ser filha da Shelby, ela preferiu me trocar por um bebê."

As lágrimas finalmente conseguiram seu espaço. Enquanto Rachel chorava feito criança os três homens na sala correram em sua direção, os três queria abraçá-la acalmá-la e depois de uns esbarrões desajeitados, Finn e Hiram deixaram que Leroy a acalmasse. Depois de longas explicações sobre como Rachel encontrou Shelby e tudo que havia se passado até então, os 4 jantaram juntos e Finn foi embora.

Ela já estava na cama quando os pais chegaram à porta para lhe desejar boa noite. Depois no corredor ela os ouviu discutirem algo sobre processos e sorriu. Afinal Shelby merecia um processo!

Depois de um sábado agitado e um domingo em que apenas dormiu, Rachel estava pronta para por seu plano em prática. Acordou cedo, fez seus exercícios vocais e foi à escola se sentindo incrivelmente bem. Seu plano era perfeito, nada ali poderia sair errado.

Seus olhos brilharam ao avistar Santana e Brittany no estacionamento.

"-Bom dia meninas!" O sorriso imenso em seu rosto contrastava com os olhos inchados.

"-Por que você está falando comigo Berry?" Santana perguntou sem ao menos olhar na direção de Rachel.

"-Porque eu sou a única pessoa capaz de lhe devolver o título de capitã das Cheerios." E essas palavras de Rachel despertaram a atenção da Santana.

"-Prossiga Berry"

"-Eu sei onde está a filha de Quinn e Noah."

Os olhos de Santana brilharam e as duas começaram uma animada conversa sobre um plano que beneficiaria as duas.