Havia ainda um terceiro Cavaleiro de Ouro com postura peculiar, era Shura de Capricórnio, que também deixava os braços ao longo do corpo, mas rígidos, não largados, prontos para serem literalmente desembainhados. Portanto, suas mãos não se fechavam em punho, ficavam esticadas, os dedos juntos. Quando Afrodite de Peixes abriu a porta, a luz que transbordou do interior de seus aposentos para o espaço do Templo refletiu ofuscantemente no gume das mãos de Shura. Ficou encarando o Cavaleiro de Capricórnio e este a ele até que foi o espanhol quem tomou a palavra em primeiro lugar:

- Você merecia um bom espancamento pela falta de respeito com a necessidade alheia de repouso.

Afrodite, com seu jeito de homme fatale, como diria Kamus (ou talvez empregasse a expressão tradicional mesmo) ergueu uma sobrancelha, deu um mero sorrisinho de aristocrata afetado e respondeu esnobemente:

- Então encontrou uma desculpa.

- Eu não sou sádico como Máscara da Morte, meu motivo é o mais justo possível - devolveu Shura prontamente a provocação - Lamento que sua arruaça não tenha atrapalhado o sono dele pois aí quem teria pretexto seria ele e você ficaria mais satisfeito.

Afrodite não esperava por essa. Não ficou tão chocado com o fato de Shura estar dizendo algo com aquele tipo de insinuação por trás, mas porque sentiu que suas palavras correspondiam de alguma forma ao misterioso conteúdo de sua inquietação, sua agitação, por que não dizer, sua fogosidade. Sentiu latejar as profundezas de seu corpo ao considerar a hipótese levantada por Shura - ao considerar a hipótese de aquele sadismo do Máscara da Morte de Câncer, que experimentara no treino do dia, se repetir com ele. Seu lábio tremeu e seu olhar se transtornou por um instante, mas imediatamente retomou as maneiras de aristocrata afetado.

- Vamos resolver o problema e deixar especulações de lado. Você veio aqui porque o som está atrapalhandoé isso? Pois bem - disse do seu jeitinho requintado - eu vou diminuir o volume. Viu? Não é difícil, Shura, podemos resolver esse tipo de problema sem agressões físicas nem verbais.

- Não, Afrodite. Agora você me tirou o sono. Isso não vai ficar assim. Se bastasse que você diminuísse o volume, eu não teria me dado o trabalho de vir até aqui, teria feito cosmicamente a solicitação. Mas o que você merece é ser punido para garantir que isso nunca mais se repita.

Afrodite estranhou muito aquele tipo de reação. Shura olhava para ele com uma espécie de avidez como a de um lobo encarando o coelho antes de se atirar para cima dele; do esgar perigoso do espanhol parecia prestes a escorrer um filamento de saliva. O Cavaleiro de Peixes achou aquilo tão incomum e a fome de Shura tão impetuosa - pois algo de extraordinário se evidenciava contra o pano das calças e era corroborado por um filete de sangue descendo de uma narina - que não teve reflexo para conjurar uma rosa antes que o Cavaleiro de Capricórnio avançasse para cima dele, o qual via de regra costumava ser com efeito extremamente rápido e preciso em seus movimentos.

Uma languidez anormal tomou conta do corpo de Afrodite quando Shura o virou de rosto para o chão crispando a mão em seus cabelos perfumados, constatando de perto o cheiro inebriante, farejando sofregamente sua nuca, erguendo-lhe a camisa do pijama e descobrindo-lhe as costas alvas e macias como as de um menino, tudo de uma forma muito violenta, e o Cavaleiro de Peixes não sabia de que maneira aquilo tudo se desfecharia em uma punição conforme intencionado pelo Cavaleiro de Capricórnio, pois suas mãos deslizavam parecendo não querer mais nada do que reconhecer o território, com uma sofreguidão e insistência que dir-se-iam denotar quase que incredulidade diante do que confirmava várias e várias vezes, voluptuosamente; primeiro sentira o cabelo, havia cheirado o pescoço, e as mãos desciam, desciam, sendo que Afrodite mantinha a testa apertada contra o chão, as palmas das mãos jazendo trêmulas sobre o pavimento, e embaçava o piso frio com sua respiração ofegante, sentindo aquela pressão enorme como que tentando desesperadamente abrir passagem contra os panos, até que começou a ouvir o chão craquear e a transformação deste em uma superfície de gelo resfriou o arrebatamento que se apertava contra o mesmo.

- Espero estar interrompendo algo - ouviu a voz de Kamus à porta. Shura, que estivera hesitando e lutando contra a percepção do que realmente queria fazer, tomou um susto que sua firmeza e preparo como Cavaleiro de Ouro não o teriam deixado experimentar em outra circunstância, todavia ele estava assustado consigo próprio em primeiro lugar, e saiu de cima de Afrodite num átimo, mas mantendo uma perna ajoelhada e a outra formando um esquadro com o chão, um antebraço apoiado sobre a coxa da mesma. Não se permitiu permanecer embaraçado, ergueu a cabeça perfurando com os seus os olhos de Kamus; nesse interregno, Afrodite, desconcertado, sustentava-se nos braços e nos joelhos enquanto se erguia lentamente do chão escorregadio:

- Kamus... - Shura ia manter sua atitude de macho e pretendia fazer alguma ameaça ou desafiar o Cavaleiro de Ouro de Aquário de qualquer outra forma, mas sem saber exatamente o que dizer para isso, deixou sair simplesmenteÉ realmente necessário transformar num iglu todo lugar em que você chega?

- As coisas estavam esquentando demais por aqui.

Afrodite meio que se arrastou até o pé de sua cama e cuidadosamente sentou-se encostando ali, trazendo os joelhos mais ou menos próximo do peito; passou um braço transversalmente junto ao peito meio que se abraçando, a outra mão queimando no assoalho do aposento recentemente convertido em iglu - o gelo de Kamus subira pelas paredes e os cristais cintilavam no teto. Afrodite ficou intimamente grato por aquele ambiente. O ar frio lhe fazia bem, o gelando por inteiro, aplacando sua febre interior.

Estava um tanto confuso, não queria levantar o rosto que se quedava com as faces em fogo, não obstante o clima ártico. Nada em sua existência de Cavaleiro - a qual inclusive iniciara tão precocemente, com árduos treinos e estudos desde tenra infância - o havia preparado para uma situação daquela. A despeito de todos os esforços em contrário, em meio àquela confusa e perturbadora situação interior uma determinada consciência começou a tomar contornos mais nítidos dentro dele; sempre havia admirado o Cavaleiro de Ouro de Câncer com um ardor que chegava a ser incômodo, mas naquele dia no treino não pôde evitar de perceber mais conscientemente o porquê do incômodo, e a passividade com que se deixou tocar por Shura o escandalizava agora nesse momento de reflexão em que tremia por inteiro, e o frio gerado por Kamus não chegava ao ponto de servir de desculpa para seus tremores pois sua natureza de Cavaleiro requeria temperaturas mais baixas do que aquela para reagir defensivamente ao frio. Desejou que Kamus esfriasse ainda mais seu quarto. Ouvia Shura ainda reclamar com o Cavaleiro de Aquário:

- Estou cheio de você transformar tudo quanto é canto em frigorífico, Kamus - esbravejava olhando desde o chão para Kamus, por baixo das sobrancelhas, como um lobo de tocaia.

- Não tente mudar de assunto e desviar a atenção. Levante-se e me encare olhos nos olhos como um homem, Shura.

- Sim, está bem - protestou Shura impondo-se mais e mais à medida que se levantava - mas vou encará-lo olhos nos olhos como um pingüim, Kamus, graças à sua vocação para psicopata. Você já ouviu falar em piromania?

- Não era a música que o impedia de dormir, não é- Kamus procurava sobrepor sua voz firme às vociferações do espanhol, mas este continuava à boa maneira latina, sem dar a vez na discussão:

- ...pois com você o princípio é o mesmo, mas com elemento diverso.

Kamus pegou mais pesado para definir de uma vez por todas a matéria real:

- Você estava com ciúme, por isso resolveu ... puni-lo - Kamus pronunciou a última palavra com um deboche que denunciava o caráter de falso pretexto que a revestia.

- Ciúme- Shura esboçou um sorriso sarcástico - De onde você foi me tirar essa? Eu mesmo lhe digo de onde você tirou essa, está falando de si mesmo, foi você quem se intrometeu em minha conversa com Afrodite por ciúmes dele, só pode ser isso, por isso vem para cima de mim com essa história de ciúmes.

- Não mude de assunto.

- O assunto é o mesmo, se não tivesse querido se intrometer no meio dele, para começar não deveria ter vindo até aqui.

- Então você admite?

- Admito que Afrodite precisa de uma lição.

- O quê? Por atrair você?

- Não sei do que você está falandoé você que parece muito familiarizado com esse tipo de problema.

- E como você pretendia castigá-lo, tirando a roupa dele- Kamus continuava recolocando o foco nas atitudes do Cavaleiro de Capricórnio. E Shura só ficava mais e mais acalorado na maneira como discutia com Kamus.

- Pois eu ia enchê-lo de chibatadas.

- Ah, não precisa me dizer qual seria o instrumento de flagelo - encheu-se o Cavaleiro de Aquário de ares de zombaria, cortando a fala de Shura pelo meio.

Até então Kamus conservara o semblante inexorável como a parede de gelo eterno da Sibéria, mas desta vez as expressões no rosto austero se ressentiram da mordacidade.

Afrodite se quedou inerte. Ficava observando a discussão abraçando-se, as pernas encolhidas junto ao corpo, pensando se as acusações de Shura contra Kamus tinham alguma procedência, muito embora não quisesse entender completamente o que Capricórnio tinha querido dizer, mas de qualquer forma o Cavaleiro de Aquário não costumava demonstrar o que ia dentro dele, por isso Afrodite se sobressaltou diante da fúria brusca com que o francês se pôs entre o Cavaleiro espanhol e ele, ao Shura tomar o rumo da cama declarando que ia resolver com o Cavaleiro de Peixes o que precisava resolver, em um lugar longe daquela câmara frigorífica:

- E não impeça se não quiser sofrer dilacerantes conseqüências.

Foi quando Kamus se interpôs, empurrando o peito de Shura com as pontas dos dedos congelantes, o que irritou o espanhol sobremaneira, dando um repelão atroz na mão de cadáver do Cavaleiro de Aquário. Este dizia:

- Vamos resfriar os ânimos, Shura, pois não teria cabimento nós Cavaleiros perdermos tempo e energia brigando por uma bobagem.

- Ah é? Então saia do meu caminho.

- Você é muito esquentadinho para um capricorniano, marrano.

Shura arregalou os olhos positivamente incendiado de ira. Estava tão nervoso que falou baixo e rabujado, como se o aumento de um tom no volume de voz fosse desencadear uma avalanche de malditas vociferações:

- O que foi que você disse?

- Você ouviu o que eu disse.

- Pois eu não vou mais dizer nada... - ainda falou baixo, e depois explodiu, partindo para cima de Kamus- PORQUE CHEGA DE FALATÓRIO!

Nem Kamus nem Shura estavam dispostos a usar seus poderes especiais em uma briga que mais se adequaria para dois botequeiros. Sabiam que era um despropósito aqueles embates, mas o espanhol não ia dar braço a torcer, simplesmente dando meia-volta e "obedecendo" Kamus, e este não ia se deixar socar. A cena da luta mais parecia saída de um filme de caubói, talvez inconscientemente tivessem escolhido esse estilo por força de uma noção latejante lá no fundo de suas mentes esclarecidas, de que as razões para suas lutas e engalfinhamentos estúpidos mais fariam jus a um bar de ambientação do que a um Templo do Santuário. Em vez do Pó de Diamante, Kamus sentiu falta de uma garrafa de tequila para quebrar na cabeça de Shura, e já o Cavaleiro de Capricórnio não usaria sua Excalibur naquele arremedo abominável de faroeste, contentando-se com uma peixeira de cangaceiro; recolheu o gume de seus membros e usou as "mãos nuas".

Só que a briga estava ficando cada vez mais feia porque um não queria ficar por baixo do outro; os característicos jorros de sangue resultantes de chutes e porradas começaram a transformar as paredes em quadros de macabra arte abstrata e o chão em uma poça na qual Afrodite se afogava gritando para que os dois parassem com aquilo. Viu que ia ter de realizar uma intervenção muito objetiva, não haveria outro jeito, mas também tinha consciência de que não cabia alvejá-los com suas rosas mortais, então foi separar um do outro, ao mesmo tempo berrando em tom muito enérgico que eles estavam se portando como dois bêbados infelizes e não como Cavaleiros de Athena.

Shura tinha realmente se transformado em um mouro enfurecido, e foi completamente indiferente aos brados de Afrodite, talvez satisfeito de poder fazer aquele descarrego em vigorosos socos e pontapés contra Kamus, sendo que o Cavaleiro de Peixes, num dado momento, se colocou literalmente no meio dos dois, estendendo as mãos para o espanhol num gesto que reforçava o pedido para que parasse, mas o Cavaleiro de Capricórnio estava a meio caminho de uma violenta investida quando Afrodite se interpôs, de modo que Aquário abraçou o mesmo por trás e se jogou com ele para o lado, com o murro de Shura indo parar na parede maciça e atravessá-la até do outro lado. Kamus, na mesma hora, despachou ar congelante para prender o braço de Shura no buraco que se formara, criando um bloco de gelo mais espesso, de modo que pudesse ganhar tempo.

Agora foi ele que se esticou pelo corpo macio e fragrante de Afrodite, com este de bruços sob o Cavaleiro de Aquário, o qual lhe sussurrava ao ouvido em gemidos vorazes:

- Você precisa correr, Afrodite, receio que Shura intencione um mal jamais testemunhado pelo Santuário, e você pode ser o pivô dessa maldade, fazendo com que o Santuário caia numa desgraça e numa infâmia que poderiam torná-lo maldito e vulnerabilizá-lo aos assaltos de nossos inimigos - e à medida que ele falava, era possível a Afrodite sentir que só podia ser um perigo mesmo, pois Kamus se mostrava irremediável e perdidamente transtornado por aquele contato tão íntimo com o Cavaleiro da Suécia, que se não fosse por pijamas e cuecas poderia ter chegado a profundezas ainda mais íntimas, tão cabal era o resultado da influência daquele "pivô de maldade" no psiquismo e fisiologia dos Santos de Athena, nos quais se estimulava, por sinal de maneira irresistível, um inédito instinto de acasalamento.

Mas Shura conseguiu se desvencilhar do gelo de Kamus; se o Cavaleiro de Aquário assim o desejasse, poderia ter criado um congelamento definitivo, todavia em um caso como este somente restaria a Capricórnio amputar o braço gangrenado com a outra mão, justamente aquele que já havia sido decepado por Shiryu de Dragão da outra vez. Seria cruel demais com Shura, e Kamus era emocionalmente inexpugnável demais para ser cruel. Seu sangue, que pulsava normalmente no zero absoluto, entrou em ebulição ali em cima de Afrodite, e ele se apertava tanto ao Cavaleiro de Peixes que este pressentia que mais um pouco e Kamus, quente e suado, entraria em fusão atômica com ele. Sentiu ter sido aliviado do peso do Cavaleiro gigantesco e se virou para ver que era Shura quem havia puxado o francês, a fim de lhe mostrar que tinha conjurado a Excalibur e lhe dar a chance de reagir:

- Eu não apanho ninguém pelas costas - e sem esperar resposta nem ir além do justo e passar para a generosidade, pois isso era coisa para o Cavaleiro de Leão, não para o de Capricórnio, avançou com o golpe de Capricórnio, furioso, porque não tinha gostado nem um pouco da cena que acabara de desfazer, revoltado com Kamus.

Aquário deteve o fio da espada de Shura com o Execução Aurora, desferido em tempo, tendo em vista que formou uma barreira de ar frio que congelou a zero absoluto o espaço entre os dois, na qual se petrificou o braço do Cavaleiro de Capricórnio, e lá ficaria até fossilizar e virar petróleo, porquanto ninguém, no céu ou na terra, poderia quebrar aquele gelo. Kamus ainda consolou filhadaputamente:

- Veja pelo lado bom, pelo menos não é o mesmo braço que o Cavaleiro de Bronze de Dragão tinha cortado fora que ficou preso desta vez. - e ainda deu risada, se achando extremamente engraçado.

O sangue do espanhol ferveu de ódio, mas mesmo assim não era suficiente para derreter o gelo de Kamus. Afrodite ficou indignado e desfechou uma Rosa Sangrenta contra o francês, pois talvez tivesse sentido mais calor e carinho na tentativa de estupro de Shura no que na do Cavaleiro de Aquário.

Logo na primeira carga de sangue que a Rosa Branca de Afrodite absorveu, ela virou uma pedra de gelo absoluto e se partiu em fragmentos diamantinos que ainda se quebraram mais ao caírem aos pés de Kamus.

O Cavaleiro de Aquário ficou terrivelmente descontente com o golpe traiçoeiro de Afrodite de Peixes, e decidiu que ia puni-lo... Anunciou sua intenção ante os olhos lindos e perplexos do Cavaleiro sueco, a boca sensual e bem desenhada entreaberta em choque, e explicou a Shura que depois que ele visse tudo, iria desfazer a parede de gelo e o deixar ir livre.

- Pode ser que até lá seu braço tenha gangrenado por causa do frio, porque consigo pensar em muitas e muitas formas de punir este escandinavo.

A distância e localização do Cavaleiro de Aquário em relação a Shura não permitia ao mesmo o emprego da Excalibur no outro braço contra Kamus. O iceberg que o francês havia edificado impedia o desferimento do golpe. Só pôde trovejar para Afrodite:

- Corra, Afrodite, você sabe que ele vai barrar seus golpes com as leis da Física, suas rosas vikings não vão poder contra o poder esquimó desse filho da puta, vai, foge do Santuário... - e de repente Shura teve que se calar; Kamus tinha apontado um dedo para a boca do Cavaleiro de Capricórnio e a congelado com o zero absoluto:

- Agora fecha essa matraca, vocês espanhóis falam demais.

Afrodite via Kamus crescer à medida que se aproximava lentamente dele, sem pressa, seguro de sua vitória; entendeu tarde demais que o apelo do Cavaleiro de Aquário tinha sido o de um homem desesperado, mas que agora era tarde demais para atendê-lo. Kamus havia perdido a cabeça e ele também fora tolo demais tentando usar a Rosa Sangrenta contra o Cavaleiro do Gelo: tinha sido como ferir um animal selvagem sem conseguir matá-lo; se tivesse deixado o animal em paz quem sabe teria a chance de escapar, mas havia deitado todas as chances por terra provocando a fúria de um animal ferido. Era matar ou não espetar o bicho com espinhos. Mas não enfiara um caule inteiro de Rosa Sangrenta no coração de pedra de Kamus.

As formas frágeis de Afrodite, sua carne macia, machucável, só instigava o Cavaleiro da França. Afrodite ficou aterrorizado com a expressão faminta e cruel no rosto de Kamus, mas sabia que ele era plenamente capaz de ser razoável. Não, não era como Máscara da Morte; Kamus era extremamente racional, aquele horror que então presenciava era só um deslize surreal, só isso. Arrazoou:

- Kamus, pense bem no que vai fazer - foi recuando, ainda no chão, ao mesmo tempo estudando um meio de fugir daquele aposento, para ganhar tempo- Imagine só como ia ser nosso filho, uma coisa grotesca. Já pensou?