(Cap. 3) Encontro
Notas do capítulo
Primeiramente, valeu a todos que tão lendo e deixando reviews. Finalmente o encontro dos Js. Então é isso: Deep Love — Prenda a respiração e mergulhe de cabeça!
I
Foram obrigados a chegar meia hora mais cedo para terminarem os preparativos para receber o novo Diretor Administrativo. Na noite anterior, já haviam ficado até tarde dando uma faxina geral no escritório e ajudando a transformar a ex-sala de lazer da firma na sala do novo diretor. Agora Beaver queria ensaiá-los para parecerem mais profissionais do que já eram. Queria que todos se tratassem pelo sobrenome, como ele próprio, é somente ele, fazia desde que fundara a empresa. Aquilo parecia ridículo.
Todos estavam estressados e mal humorados com a mudança geral da organização da empresa, sem falar da perda da sala de lazer, e com o novo chefe. Principalmente porque o cara tinha fama de ser um mala.
De todos, Jared era o mais insatisfeito. Fora obrigado a aposentar os tênis de corrida, os jeans desbotados, as camisas de tecido leve e as jaquetas descoladas. Só se lembrava de usar terno em duas ocasiões em toda a sua vida: em sua formatura e no enterro da mãe. Sentia-se péssimo estando todo engomado. Já estava começando a suar, ainda que a temperatura lá fora estivesse quase uns 6 graus centígrados, quando o novo chefe chegou.
Não sabia explicar o que aconteceu consigo. O coração acelerou. A boca se abriu em espanto. Os olhos o seguiram, o estudaram, o devoraram. Por um momento, ele não teve certeza de quem seria aquela pessoa que acabava de entrar no escritório. Beaver o enlaçava pelos ombros num abraço amistoso. Todos do escritório o receberam com aplausos mornos, estimulados por um olhar feio do chefe. Mas Jared não conseguiu aplaudir. Não conseguiu nem mesmo desgrudar os olhos dele. As sardas pelo rosto, a boca carnuda, os cílios muito longos para um homem, os olhos verdes sob os óculos de grau, o corpo bem definido sob o terno caro. Tudo nele o fazia se lembrar de alguém cujo rosto o atormentara tanto que ele teve que fugir de Los Angeles. Um rosto sempre presente em sua infância. Um rosto que desnorteava, novamente.
—Padalecki?! —Jared escutou o grito do chefe.
—O quê? —Olhou aparvalhado para Beaver que parecia estar falando com ele há um bom tempo.
—Eu estava aqui falando com o Sr. Ackles que você é o nosso arquiteto mais promissor. —Disse Beaver sorrindo amavelmente na esperança de que aquela atitude fizesse Ackles esquecer o grito que fora obrigado a dar para chamar a atenção do rapaz.
—Ah, não... —Disse Jared tentando voltar a terra. —Isso é gentileza do Jim... —Jared viu o homem olhar torto para ele. —Quero dizer... do Beaver... —Beaver o olhou ainda mais feio. —Do ... do Sr. Beaver.
—Sr. Beaver. — o novo diretor se voltou para o chefe. —Vejo que na Vitória a relação entre superiores e subordinados é bem flexível...
—Bem... —Beaver ficou vermelho.
—Isso terá que mudar. —Ackles afirmou. —Empresas provincianas ainda mantêm relações hierárquicas bastante relaxadas, como, aliás, estou vendo aqui, mas grandes empresas adotaram, acertadamente, relações internas mais firmes e hierarquias mais sólidas. Isso aumenta o profissionalismo da empresa e melhora a sua imagem no mercado.
—Claro... Perfeitamente... —Beaver parecia bastante constrangido.
—A Vitória no momento... —Disse Ackles se dirigindo a todos os funcionários — é uma empresa provinciana. —Todos arregalaram os olhos —Masolhos - Mas dentro de pouco tempo, ela estará competindo páreo a páreo com os maiores escritórios de arquitetura do país. Um pouco mais de tempo e todo o cenário internacional conhecerá o nome Vitória.
Todos ficaram parados olhando para ele boquiabertos. Beaver iniciou uma ovação morna que foi acompanhada por todos ali, menos, é claro, jared. O promissor arquiteto da Vitória só conseguiu bufar, infelizmente, alto.
—Algum problema, Sr. Padalecki? —Ackles perguntou, fazendo as palmas morrerem. Agora todos olhavam de Jared para Ackles e vice versa. Até mesmo Chad, que conhecia bem o temperamento de Jared, parecia chocado.
—Bom, é que... —Jared poderia ter simplesmente se desculpado e assim ter evitado um péssimo inicio de relacionamento com Ackles. Poderia, mas... — Você fala como se fosse o super homem. Um homem sozinho não pode transformar uma empresa da noite para o dia. Nem mesmo eu, que geralmente assumo a maioria dos projetos, poderia fazer com que a vitória, de uma hora para outra, se tornasse uma grande empresa.
Um pesado silêncio se abateu sobre todas as cabeças ali reunidas. Cabeças que continuavam indo de Ackles, com uma expressão indecifrável, para Jared, com uma expressão que poderia estar dizendo: "Vai encarar, novato?" e vice versa. Enfim, Ackles, deixou aflorar um sorrisinho que tanto poderia ser de escárnio quanto de constrangimento.
—Tem toda razão, Sr. Padalecki. —Ele disse calmamente. Jared desarmou a expressão de desafio e ouviram-se vários suspiros aliviados vindos de vários pontos do escritório. —O senhor não poderia transformar a Vitória em uma grande empresa, mas eu posso. —Ackles completou. —É por isso que estou aqui. Por que posso e vou.
Jared abriu a boca para dizer um desaforo bem grande, mas Beaver lhe lançou um olhar que dizia claramente que seu cargo na empresa estaria em risco se ele dissesse o que estava pensando. Puto de raiva, com uma vontade insana de degolar o novo chefe e com uma cara que fez muitos desviarem o olhar, ele engoliu o desaforo e se calou.
—Então... —Beaver tentou consertar a situação. —Venha conhecer sua sala, Sr. Ackles. Todos aqui fizeram questão de ajudarem a arrumá-la...
Quando Beaver sumiu de vista com Ackles, Jared deu um soco sobre sua mesa de trabalho.
—Calma, Jay. —Chad pediu. —Lembre-se, o cara é um gênio.
—É, mas é um gênio cretino e arrogante.
—Mas todos nós já sabíamos disso, não é mesmo? —Chad o lembrou — A fama do cara é tão ruim que o precedeu. Lá na Lorren todos o odiavam. O único motivo dele nunca ter sido mandado embora é que ele é um gênio.
—Estou começando a odiar a vinda desse cara pra cá... —Jared bufou.
—Você já odiava antes, lembra? — Chad gentilmente depositou sobre a mesa do amigo um chocolate, tinha comprado para comer depois do almoço, e esperou que a formiga atacasse. Enquanto Jared, de péssimo humor, enfiava todo o doce, de uma vez só, vejam bem, na boca, Chad tentava acalmá-lo —Se começar a dar mais importância que o necessário a esse episódio, a sua convivência aqui com o Ackles vai ser horrível.
—E o que o Senhor sugere que eu faça, Sr. Morris? —Jared debochou.
—Deixar pra lá...? —Chad tentou, mas, ao ver Jared bufar de novo, entendeu que era necessário mais conversa. —Olha, cara, pense que é temporário.
—Temporário? —Jared o encarou —Sério?
—A gente espera o Ackles levar a Vitória lá para o topo e depois... —Chad cortou o ar com a mão. —Chute na bunda do Mané...
—Chad, você acha mesmo que o Jim iria mandar o cara embora depois da empresa crescer...?
—Bom...
—Ou você é um idiota ou acha que eu sou. Essa é a única explicação para vir com essa conversinha...
—Olha, Jay...
—Chega, Chad. —Jared se ajeitou diante da mesa e puxou uma maquete para mais perto —Eu entendo. Você é meu amigo e está tentando fazer eu me sentir melhor. Obrigado. Sou muito grato a você, mas...
—Ah, não, cara! —Chad revirou os olhos. —Não vem com "mas".
—Eu vou descobrir porque esse cretino filho duma puta veio para cá...
—Jared! —Chad exclamou tão alto que várias cabeças se viraram para olhá-lo. Constrangido, ele baixou a voz. —Você não continua pensando nessa loucura, não é?
—Tenho um conhecido que trabalha na Lorren... —Jared cochichou. —Ele deve saber por que esse cretino veio pra cá...
—Jared... —
—Por boa coisa não deve ter sido. Aposto.
Notas finais do capítulo
Críiticas, sugestões, elógioselogios (é pedir demais?... Deixem review...
Beijos!
