Título: God Save the Lover (Not the King)

Cap. 3: Ousada e Sensível

Tenho na ponta da língua a palavra pra descrever meu relacionamento com Edward: estranho. Se há alguém que aparenta ser mais frio e insensível do que ele é muito difícil de crer, e ao mesmo tempo ele consegue ser tão frágil. Ele possuía uma mágoa constante nos olhos - algo como rancor por alguém que lhe fez o maior mal do mundo. Edward esbanjava também uma aura tão calma que eu conseguia esquecer tudo quando estava perto dele. Perto dos cavalos ele parecia tão confortável e perto de mim ele era tão arisco, especialmente durante nosso "tempo junto" (interpretem da maneira que lhes convier).

Algo que eu nunca pude deixar de notar era como ele tomava todo o cuidado para não deixar que eu visse seu rosto durante o ato. E, mais importante que isso, após fazermos eu sempre sentia dores onde ele havia me segurado e podia perceber um roxo, como ele podia ser tão forte assim?

Não importava realmente, não tínhamos nada mesmo. Não é?

Às vezes quando ele me tocava eu sentia um calafrio que ia desde minha nuca até as pontas dos dedos. Chegava a me doer os pulmões de falta de ar. O pior era que eu não sabia se deveria ouvir meu lado sensato, o qual implorava que o toque cessasse, ou o lado sádico - recém-nascido -, esse demandava que jamais parasse. A dor era tão atormentadora, mas entorpecente ao mesmo tempo, que na maioria das vezes não parecia haver sofrimento algum, só deleite.

- Vossa Majestade? Rainha Isabella? - a voz continuava a me chamar, mas eu não queria dispersar minha atenção. Tarde demais.

-Sim? - respondi espantando o devaneio com um aceno de cabeça.

-Está na hora do discurso do Rei, vai acompanhá-lo? - perguntou-me a servente.

-Que outra escolha tenho eu? - sorri, não sei se o sorriso saiu mais triste do que pretendido.

Só sorri, só pareci bonita, acenei com a mão, dei olá para as pequenas criancinhas, cumprimentei as pessoas do povo que eu mal conhecia; que tédio era ouvir promessas que Jacob nem se esforçaria para cumprir.

-Ele é um mentiroso, um ridículo, isso sim! - eu gritava dentro do estábulo para Edward.

-Acalme-se, vão ouvi-la. - ele pousou a mão em meu ombro, o arrepio me percorreu a espinha.

-Que ouçam. Argh! Estou brava, será que não entendes? - o agarrei pela gola de sua blusa e puxando-o pra baixo aproximei nossos rostos, não acredito que por minha força tenha o movido um milímetro, mas sei que ele se esforçou para acompanhar meu movimento.

-Ignore-o. - ele sorriu. O sorriso saiu torto, belíssimo. Dentes brancos semi-expostos. Fora de tirar o fôlego.

Ele terminou com a distância e juntamos nossos lábios. Suas mãos jamais haviam sido tão carinhosas, acariciavam meu rosto com muita delicadeza e o beijo não possuía nada de voraz. Senti como se um fio de cabelo estivesse grudado em minha face, mas era mais quente e fez cócegas enquanto percorria a montanha formada pela maçã do rosto. Seu trajeto terminou em minha boca e, então, pude perceber o que era quando senti o gosto salgado: uma lágrima.

-Por que choras? - ele secou as lágrimas vertidas, agora em grande quantidade, com a manga da camisa.

-Nem eu sei.

Ele me deitou no feno a seu lado, me permitiu que usasse seu braço como travesseiro e assim ficamos num abraço. Ele acariciava-me o rosto, o cabelo, tudo com estrema cautela e sem olhar em meus olhos jamais.

-Eu só chorei duas vezes em minha vida. - enfim confessei. - Essa vez foi uma. A outra foi há três anos atrás, quando dei adeus à França.

-Eu chorei uma. - estaria ele realmente se abrindo comigo? - Quando perdi minha mãe. Eu a amei mais do que qualquer outra pessoa.

-Amava tanto assim tua mãe? - a curiosidade foi grande demais.

-E ainda mais.

-Por quê? - estava começando a parecer mal-educada.

-Acho que já falei demais por um dia, não? - o sorriso torto estava de volta, só que esse não conseguiu alcançar seus olhos.

Assim como seus olhos, ele era alguém difícil de se alcançar. Mas o que importava eram minhas lágrimas naquele momento. O que elas significavam eu não tinha certeza ainda, sei que eu não queria descobrir, pois tinha medo que minha suposição estivesse certa.

Passaram-se semanas sem que conversássemos novamente, nos víamos, acontecia, e acabava. Como deveria ter sido desde o começo. Eu tinha sido burra de me abrir, mesmo que tivesse sido um pouco com Edward, ele não necessitava saber de nada.

-Bella? - Jacob me chamou com tal intimidade que estranhei.

-Sim? - eu estava escrevendo uma carta para meus pais, para responder-lhe desencostei a pena do papel e a repousei no apoio.

-Venha cá. - fechei o tinteiro antes de obedecer ao pedido (ordem).

-O que aconteceu, Jacob? - fiquei em pé ao seu lado na escrivaninha dele.

-Nossas riquezas correm grande perigo. Sabes que não estamos nos melhores tempos: não estamos mais recebendo apoio do povo e a Câmara pretende se livrar de nós.

-Estou mais do que a par da situação. - respondi seca.

-E sabes que se cairmos, ficaremos sem nada, não? - me tratava como a um ser ignorante, senti-me ofendida.

-Estou ciente disso, também. - já estava sendo grossa.

-Preciso de um favor da sua família. - ele falou timidamente - Quero que eles guardem um pouco de nossa fortuna, para se realmente algo acontecer.

-Como assim? O que queres que eu faça? Acrescente ao final da carta: P.S: Jacob pede que guardem tal quantia em bens até tal data? - agora ele realmente me ofendia, e a minha família.

-Porque estas tão brava? Pedi algo demais? - parecia confuso.

-Insensato, que valeriam tais bens, se hoje mesmo tivestes o teu fim? - perguntei erguendo o queixo com escárnio.

-Nada, mas os teria até o último momento.

-E que tesouros tu tens para levar além? Um crucifixo que carrega em falsa fé? Uma oração decorada em latim? Ridículo. - falei irreverente, não era religiosa, mas nao tolerava a falsidade de Jacob até nisso.

-Fique atenta a esse seu modo de falar, não preciso tanto assim de você.

Meu rosto indiferente a ameaça parecia preocupá-lo, continuou:

- O que foi? Não acreditas em minha palavra? Não crês que posso me livrar de você?

-Além de não ter fé em sua palavra, também não o temo, pois eu sei que não é capaz. - a esta altura eu já estava fechando a porta do lado de fora do quarto.

O coração disparado queria sair pela garganta, apertei meu punho contra o peito como se tentando impedir que algo do tipo acontecesse. Quanta ousadia de minha parte. Eu não deveria ser submissa? Agora eu temia pelo que aconteceria, pois eu havia cutucado a fera com vara curta, será que ele seria capaz? Ele era loucamente apaixonado por mim, mas talvez não tolerasse minha insolência. A adrenalina que o medo injetou em meu sangue fazia meu corpo inteiro pulsar, eu tremia e mal conseguia caminhar.

Revirei o estábulo e o jardim em busca de Edward em vão. Fui atrás de Carlisle e enfim descobri que ele não havia comparecido ao trabalho.

-Vai castigá-lo por isso, senhora? - o homem de aparência jovial, mesmo que tivesse mais de trinta com toda certeza, perguntou-me.

-Isso o quê? Aconteceu algo? - sorri, ele sorriu de volta, agradecido.

Sentia a cumplicidade que havia entre os dois. Carlisle sabia o porquê de Edward não estar lá, mas eu não me atreveria a perguntar, era pessoal demais e levantaria suspeitas. Eu dizia isso e juro que não era apenas uma desculpa esfarrapada para conter a curiosidade, embora o fato de eu não saber afirmar se deveria (ou poderia) confiar em mim mesma e em minhas palavras - sentia isso desde que conheci Edward.

Fui atrás de meus filhos, eu tinha que ocupar meu tempo do contrário enlouqueceria.

Como quem os alimentava era uma das criadas e quem cuidava era outra eu não tinha muito com que me preocupar, mas gostava de estar presente e os levar para passear. Ainda mais se era para eles verem os cavalos que eles pareciam adorar assim como a mãe - aí estava, finalmente, algo que tinha relaçao com os cavalos mas não com ele, este habito já era presente desde antes de o conhecer.

Jasper era miúdo comparado a Emmet quando tinha os meses dele, por isso mesmo era certamente uma graça. Seu cabelo era de um castanho bem claro, talvez tivesse puxado de alguém da minha família, porque dos cabelos escuros de toda família de Jacob é que não havia de ser. Já Emmet que desde pequeno era grande, tinha cabelo mais escuro, mas nem por isso deixava de ser tão gracioso quanto o irmão. Tornar-se-ia um rapaz forte e esbelto, não restavam dúvidas.

Os dias passaram lentos sem a companhia de Edward e sem falar com Jacob. Não nos olhávamos diretamente e, se por um acaso infeliz, nossos olhares escondidos se encontravam, logo desviávamos e virávamos o rosto - jamais nenhum dos dois orgulhosos pediria perdão primeiro. Mesmo tendo meus filhos como distração, não passavam de alguns momentos ao sol mostrando-lhes flores e animais.

Ele ficou desaparecido durante quase uma semana, foram cinco dias arrastados e longos. Angustiados, eu poderia dizer.

Ao ver seu rosto no sexto dia eu mal podia acreditar que era ele mesmo, senti vontade de correr e abraçá-lo, mas só sorri de longe. Ele retribuiu e acrescentou um "bom-dia, majestade" que por mais estranho que possa parecer, não sôo frio nem falso. Quase me comovi.

Eu pude perceber ao ir me deitar naquele dia o quanto precisava de Edward para aliviar tudo. Dormi sem problemas e sem sonhos. Um sono profundo e uniforme que me deixou completamente descansada para o próximo dia. Por muitas vezes me senti tentada a perguntar o porquê do sumiço dele neste dia, mas resisti, porque senti que não importava. Curioso, mas não impossível (pois eu presenciei), era o fato de que sua aparência estava melhor - difícil era apenas acreditar que isso podia acontecer.

De qualquer modo, eu estava feliz com seu retorno.


Olá! )

Dessa vez não demorei tanto, não é verdade??

Eu ia deixar para atualizar na sexta, mas me senti em dívida e resolvi postar hoje mesmo.

Sabe, eu me sinto inferior... Acreditam que eu só li até o Lua Nova? E não porque só saiu até o Lua Nova no Brasil ( porque já tinha lido em ingles antes), mas porpura preguiça de passar do terceiro capítulo de Eclipse. T.T

Ahhaha

Beem, de qualquer forma está aqui o capítulo! Agradeço de todo o coração às reviews!

Deixem maais!

By the way: eu vou seguir o plano original de minha fic (Edward vampiro) porque se ele for humano terei de criar um final alternativo, e como essa e minha primeira vez escrevendo uma fic não me sinto apta a realizar tal façanha. xD

Beijos!

Louise.