Axis Mundi
Babilónia…
Vanitas vanitatum, et omnia vanitas ¹
Era caso para aparecer nas manchetes dos primeiros jornais da semana. O Rato tinha sido encontrado morto. Não que não fosse de esperar, muito pelo contrario. O mestre era conhecido: nunca deixava nada para trás. Sem misericórdia.
E fora assim, esvaído em sangue que tinha sido encontrado no próprio apartamento. Arma branca era o veredicto do legista.
- Golpe certeiro que perfurou o baço. Forte hemorragia interna.
O corpo inerte sobre a mesa tinha acabado de ser tapado de novo com o lençol. O jovem de longos cabelos brancos preenchia as ultimas informações necessárias para concluir o caso. Certezas tinham sido trazidas com a autópsia. Certezas confirmadas pela presença do outro homem ali.
- Ataque cardíaco. – a voz calma saiu da penumbra onde o observador se encontrava.
- Pode escolher outra forma de morrer, não dá para fazer passar um assassinato de arma branca por um ataque cardíaco.
Detestava o cheiro. Detestava o fumo de cigarro. Geralmente expulsava quem entrasse na SUA sala de autópsias com tamanha ousadia. Mas aquela pessoa não era uma qualquer.
Milo saiu da penumbra, o cigarro aceso entre os lábios finos. Sorria.
- Arranje uma resposta qualquer para morte natural, não me interessa. – uma ultima tragada antes de jogar o cigarro no chão – manipule as provas como quiser, desde que o nome da família não apareça.
Os olhos acobreados separaram-se por breves minutos da folha branca, pousando-se no intruso. Sim, ele conseguia sempre arranjar uma solução para casos daqueles. Era sempre a ele que a família recorria depois de uma caçada.
- Não é simples. Tem muita burocracia, provas concretas, policia no assunto…
O sorriso de Milo alargou-se à medida que retirava um envelope do bolso interno do casaco. Tudo tinha um preço.
- Aqui tem para as despesas e uma compensação. – aproximou-se lentamente do legista, colocando o dinheiro no bolso da bata branca – esperamos os resultados Dr. Minos. O caso será encerrado rapidamente.
Minos fechou os olhos, jogando o relatório no lixo. Ninguém recusava nada ao Patriarca. Não seria ele o primeiro.
- Dois dias e o caso cairá no esquecimento.
- Perfeito!
Shaka seria colocado ocorrente do assunto. Quase tudo tinha um preço. O que não tinha, bastava arranjar uma moeda de troca.
Por essa razão Aioria falava tão calmamente ao celular. Ser gentil, para receber algo em troca mais tarde. Atravessou os portões da casa enquanto Shura esperava por ele com um sorriso divertido nos lábios.
- Estou aqui sim...- a voz monótona demonstrava total desentusiasmo por se encontrar de novo ali. Era sempre ele o encarregado de levar as doses recém chegadas para o Rosal, onde eram distribuídas pelos seis.
O celular no ouvido, arrastava os pés no suplício de quem ia a forca.
- Não se preocupe, Shura está esperando lá fora. Sim... encontramo-nos depois. Eu telefono depois.
Aioria suspirou, afagando o cabelo num gesto nervoso. Vida de comprometido não era fácil todos os dias.
Marin, uma belíssima ruiva, ponderada, respeitosa, digna.
Exactamente como ele próprio: ponderado, respeitoso e digno. Claro, do seu ponto de vista.
Sem precisar se anunciar, a porta foi-lhe imediatamente aberta. Passos firmes, pose imponente. Aioria respirou fundo ao entrar de novo naquele lugar..lúgubre.
"Requintado! Único!" - dizia ele – "Um mausoléu ao bom gosto!"
Um verdadeiro terror, isso sim! Gasto desnecessário do dinheiro. Uma calamidade em forma de casa!
Mas o que dizer daquele lugar quando o anfitrião era o próprio Dandy? Toda a mercadoria era ali escondida. Ninguém tinha direito a opinião própria.
Bela villa. Não exorbitante, não exageradamente grande. O interior mobilado por um decorador do mais alto grito. Klimt, Picasso, Miró cobriam paredes brancas. Escrivaninha de época. Tapetes do orientais, porcelana Ming. Boa musica de ambientação, Wisky, mas não um qualquer: Macallan Collection 26 para os habituados. Moët Chadron, Bulgari,Chrysler, Jaguar. Nomes reconhecidos, nomes de todos os dias.
Nada devia ser tocado, mal podia respirar naquele lugar sem que o anfitrião arranjasse algo... para implicar.
- Boa tarde Aioria. – a voz calma mas imponente do vulto que vinha ao seu encontro – Entre, tire os sapatos, sinta-se em casa!
Aioria franziu o cenho, observando o Dandy parar no meio do corredor.
- Na minha casa não tiro os sapatos.
Alto, o torso atlético parcialmente ocultado pelo robe de seda preta. Cabelo descolorado, caprichosamente preso. Pele dourada, pose inalcançável. O Dandy não perdia a calma.
- Não lhe disse para se sentir na SUA casa... disse?
O sorriso jocoso nos lábios finos e um breve sinal de mão para que o seguisse foram os últimos gestos que Aioria distinguiu antes de fazer o que lhe tinha sido mandado. Corroído, por mais uma vez ter não poder revidar.
Afinal, o Dandy era O Dandy. Não havia esconderijo melhor para deixar a mercadoria. O Dandy não podia ser corrigido, comentado ou mal dizido.
Com toda a calma que conseguia juntar, Aioria seguiu o anfitrião até à pequena sala de estar. Franziu o cenho com a cena que se desvendava a ele.
Não era omnipresente, mas pouco faltava. Mü, sentado no sofá, um sorriso calmo nos lábios finos. Divertido demais em brincar com os pequenos felinos para notar a entrada de intrusos no cómodo.
Os gatos ronronavam no seu colo, contorciam-se entre os dedos hábeis, emaranhavam-se entre os cabelos lavanda.
Conseguia contar três de volta do informador, fora uns tantos que deviam andar pela casa. Ah sim... porque os bichinhos estavam em casa! Asseados, calmos, mimados.
Aioria deu de ombros aproximando-se do sofá quando os seus olhos perceberam um pequeno pormenor na cena que lhe escapara momentos antes. Arregalou os olhos, fixando-os nos do Dandy.
- El...
- Shiuuuuu – sibilou o anfitrião em resposta, percebendo onde aquela conversa ia chegar.
Mü sorriu. Um falso sorriso calmo que dirigiu a Aioria enquanto este se sentava.
Porque sim, ele podia entrar ali calçado. Sem pedir permissão, à hora que quisesse, quando quisesse.
- Porque não me espanta...
Um novo olhar de soslaio da parte do informador, um sorriso de canto. Um miar seguido de um ronronar do animal sobre o seu colo, demonstrando puro deleite nas carícias oferecidas.
- Gatos são territoriais...eles parecem aceita-lo muito bem...bem demais aliás. – era a sua vez de jogar. O sorriso revidado, esperando a resposta que não tardaria.
- Cedric e Lawrence não se entregam a qualquer um...
Pergunta indirecta, resposta dúbia. Aioria apoiou uma perna sobre a outra, acomodando-se no sofá. Suportou o olhar felino de curiosidade, ao mesmo tempo pronto a atacar. Intrusos não eram facilmente tolerados naquele clima, e ele certamente era um deles.
- A mercadoria? – perguntou sorrindo sem desviar os olhos dos do pequeno animal que parecia proteger Mü.
- Brown Sugar. Desta vez do melhor no mercado! – o Dandy divertido com a cena, aproximou-se do moreno e oferecendo-lhe um copo – 200 por zona, será o suficiente. Bianco ou Rosso?
Aioria levantou uma sobrancelha, pegando no copo oferecido.
- Bianco. – respondeu encarando o Dandy inconformado - 200 só? Isso é muito pouco!
- Brown Sugar Aioria! Aniquila a coca do mercado, oferece do bom e do melhor e é vê-los subir em órbita com a categoria da mercadoria. Buissness. Dar um cheirinho do que podem ter se devidamente pago.
Aioria levou o copo aos lábios, sorvendo um pouco do Martini oferecido. Continuava pensando que aquilo seria arriscado demais... Retirar as doses normais do mercado, oferecer algo de grandioso. Talvez o Dandy não estivesse tão errado assim. O vício era mais forte, pedidos iam chover e os preços aumentar.
Passou a língua entre os lábios, sorrindo ao ver Cedric miar nocolo de Mü. Afinal para quê tantas duvidas, se o Dandy já tinha decidido? O Dandy não podia ser colocado em causa...
Tudo corria nos conformes, era só esperar as doses chegarem ao Rosal para serem distribuídas pelos boss. E era por essa razão que Kanon se encontrava sentado num dos bancos altos a frente do balcão. Perto do Francês que servia os pedidos dos últimos clientes do dia.
Distraído, jogava o pequeno pacote de cigarrilhas ao ar, vendo-o cair sobre a bancada de madeira.
- Não devia já ter fechado o café? – perguntava despreocupadamente, atento à forma como o pacote caía sobre o balcão.
- Clientes – indicou o Francês sem deixar de preparar os caffe latte, colocando-os sobre a mesa.
- Sabe Francês… podia ser mais comunicativo… - um sorriso de canto seguido de um olhar de esguelha para o ruivo.
Este pegou nas moedas que lhe tinham sido entregues, dirigindo-se à caixa. Os outros não iam tardar a chegar, precisava despachar os clientes o quanto antes. Não tinha tempo para brincadeiras ou palavras desnecessárias.
- Pare de atirar isso ao ar, não acredito que vá agradar ao italiano.
Kanon alargou o sorriso, pousando finalmente as restantes cigarrilhas sobre o balcão limpo. Era um jogo. Divertia-se com aqueles pequenos momentos antes que os interlocutores percebessem que faltava algo. Um carteira, um celular, o maço de cigarros. Qualquer coisa podia ser subtilizada com a maior das discrições. Pick pocket era um nome dado a esses especialistas. Mas Kanon não gostava do termo. Afinal ele retirava por puro divertimento.
Um ligeiro aceno de cabeça de despedida antes que o ultimo cliente saísse pela porta. O tilintar do sino era o sinal que o Francês esperava para finalmente dar o café como encerrado ao público.
Apenas ele e Kanon permaneciam ao balcão.
A chuva começava a cair miudinha. Reacção imediata, as pessoas na rua apressavam-se, começando a correr pela praça, tentando escapar-lhe. Não tardou para que um vulto atravessasse a praça a correr na direcção do Rosal, o sobretudo protegendo a cabeça.
- Cazzo! Chuva de novo!
Mask fechou a porta do café resmungando, jogando o sobretudo húmido sobre a o banco ao lado de Kanon. Este sorriu, voltando à brincadeira de jogar o pacote de cigarrilhas ao ar.
Esbaforido, o italiano apressou-se para o banheiro, tentando se secar minimamente.
- Boa tarde – o tilintar do sino indicava uma nova presença na porta.
Calmamente, fechava o chapéu de chuva molhado, colocando-o num canto. Os longos cabelos loiros sempre perfeitamente ondulados, Afrodite fechava a porta calmamente.
- Chegou Maomé seguido da montanha… timing perfeito!
Com um meio sorriso, Afrodite sentou-se ao lado do gémeo. Estrategicamente. Acenou para o Francês indicando que queria o mesmo de sempre, esperando Mask se manifestar.
- Odeio chuva… odeio odeio odeio… - o italiano regressava, abancando ao lado de Afrodite – dia nojento! E para coroar o todo, perdi as minhas cigarrilhas… MIDI RILLOS!
- Se fumasse cigarros normais, isso não acontecia… era só pedir ao Francês. – Kanon não perdia uma oportunidade. Lançou uma ultima vez o pacote ao ar, desta vez na direcção do italiano – E não sei como fuma esse tipo de coisa… é terrível como sabor…
Mask olhou pasmo o objecto cair perto do seu braço. Por breves segundos deixou-se cair na alegria de ter de novo o vicio nas suas mãos… mas logo a verdade caiu em massa.
- …você roubou as minhas cigarrilhas…
- Roubar é uma palavra muito forte! – continuando com o sorriso no canto dos lábios, Kanon bebericava o café duplo.
- Você ROUBOU AS MINHAS MIDI RILLOS!
- Já tem as suas Midi Rillos de volta, pode falar mais baixo… - no meio dos dois, Afrodite que tinha percebido o objecto nas mãos de Kanon à entrada, sentara-se num lugar estratégico para impedir qualquer tipo de briga. Kanon não era exaltado, mas no que tocava as midi rillos de Mask… era um assunto de morte.
- Você me paga cazzo!
- Briga é fora daqui. – o Francês não elevava a voz, mas o impacto de cada uma das suas palavras fazia-se sentir nos presentes.
Automaticamente Mask acalmou os ânimos, olhando de lado para o gémeo. Este continuava no seu ritual de beber o café como se nada fosse. Sabiam que não podiam brigar. Sobretudo não no Rosal. Era uma das regras primordiais entre eles: evitar brigas interiores fortalecia a imagem exterior. Kanon levava a situação ao limite mas nunca o ultrapassava.
Sempre no mesmo dia, sempre ao final da tarde, todos se juntavam para receber a mercadoria.
Milo entrou no Rosal calmamente, percebendo Kanon de novo muito perto da caixa. Não gostava nem um pouco daquilo. Os dotes de Kanon iam além do que a sua vista alcançava.
- Não me olhe assim, estou apenas bebendo o meu café calmamente. – recebeu um resmungo de Milo mas não se moveu.
- Sempre era ele?
De novo a voz de Afrodite acalmava os ânimos desviando o foco da conversa. Precisavam saber, ser colocados ocorrente do que se tinha passado naquela manhã.
- O mestre nunca deixa nada por fazer. Era ele sim. Arma branca, golpe no baço, hemorragia interna. – Milo sentou-se no mesmo lugar de sempre, retirando os cigarros do bolso do casaco. A primeira lufada veio num alívio – o Rato já era.
- Quem pegou no caso?
- Minos.
Afrodite esboçou um pequeno sorriso. O Mestre sabia realmente fazer as coisas. Nada tinha chegado ao departamento de Aioros e Saga, mas o cadáver tinha chegado direitinho onde devia.
- Ele teve o que merecia. O Frances quase foi preso por conta desse idiota!
O silêncio instalou-se na sala na expectativa de ouvir alguma coisa do ruivo. Ele quase tinha sido preso por conta de uma denúncia. Um mandato de busca não se arranjava do nada e as provas existiam. Eram fracas, mas estavam lá.
- Shaka sabe o que faz – a voz calma do francês cortou de uma vez o clima tenso.
Uma rede organizada de tráfico de droga e armas era a única coisa que a policia sabia existir. Onde, como, quem eram as perguntas chave às quais não arranjavam resposta. Mas graças aquele pequeno 'deslize', as suspeitas tinham nascido. O importante é que não passassem disso: suspeitas. A morte do Rato tinha acabado com a única testemunha real que as autoridades tinham, mas em contrapartida as suspeitas tornavam-se mais fortes.
A porta do Rosal fora aberta mais uma vez naquela noite, cedendo passagem aos últimos. Enquanto Shura fechava as pesadas cortinas vermelhas, Aioria tratava de deixar a mercadoria sobre a mesa onde estava Milo.
- Brown Sugar. O Dandy quer que diminuamos a dose, oferecendo o melhor do mercado. – as ultimas instruções eram dadas antes da entrega – Mü estava lá a mando do Patriarca para dar carta branca.
Milo pegou num pequeno pacote observando a mercadoria. O Dandy sabia escolhê-la. Devia ter custado uma pequena fortuna, mas valeria o dobro dessa.
- 200 por zona apenas… veremos depois como corre a situação.
Duzentos era pouco. Todos sabiam disso. Mas se o Patriarca queria arriscar, não estava nas posses de nenhum deles duvidar.
À porta fechada se faziam as partilhas tendo por certo que o Mestre e o Patriarca puxavam os cordelinhos para que não fossem interrompidos. A praça ficava vazia à medida que a chuva continuava a cair e a noite caía.
Um a um, os boss saíam do café em direcções diferentes, cada um com a dose que lhe incumbia. Cada um para um lado diferente da cidade.
Apenas algumas pessoas ainda trabalhavam aquela hora. No outro lado da cidade, a villa do Patriarca parecia adormecida. Apenas uma pequena luz era distinguível no escritório. A noite tornava a casa bem mais atordoante, isolada da civilização.
- Correu tudo nos conformes.
Sentado numa poltrona, o Patriarca fazia ondular o wisky no copo. Os olhos fixos no líquido transparente, tinha passado os últimos minutos a ouvir o relatório de Mü.
- As doses foram distribuídas sem problema?
Mü assentiu, recostando-se no sofá. Tinha sido um dia longo, atribulado. Mas desde quando os seus dias eram calmos? Observou atentamente o veteranoacabar de beber o wisky. Olhos nos olhos. Um meio sorriso nos lábios de ambos.
- E o assunto do Rosal, Shaka?
Sentado do outro lado do sofá, Shaka apreciava um copo de Baileys.
Calmo. Paciente. Orgulhoso.
Tinha conseguido impedir que o Francês fosse colocado atrás das grades. Tinha recuperado a arma deste apreendida. Tinha acabado com as suspeitas mais pesadas. Assassinado qualquer tentativa ofensiva das autoridades. Chacinado os vestígios de algo que pudessem comprometer a família.
Abriu calmamente os olhos fixando-os nos do Patriarca.
- O caso foi encerrado. O Rosal entregue ao Francês de novo. – pousou o copo sobre a mesa de centro, levantando-se calmamente. O que tinha a fazer ali estava feito. – Se não precisa mais da minha presença…
O veterano assentiu, um sorriso no canto dos lábios finos. Shaka ficava sempre desconfortável na sua presença. Desejoso de sair dali rapidamente.
Ele era bom. Perfeito no que fazia. Por essa razão não suportava ter a sua carreira nas mãos de uma única pessoa, que podia acabar com ela quando quisesse, onde quisesse.
Shaka detestava ser um mero boneco nas mãos do Patriarca.
- Pode ir Mü…
Odiava. Ter tudo à sua volta, tudo na sua vida manipulado pelo Patriarca. Este esfregava-lhe constantemente na cara o seu poder. Acções, gestos, ordens. Mas nada podia ser feito, teria que aguentar.
E mais uma vez depois do relatório ao Patriarca, ele e Mü saiam juntos da villa, regressando a casa. Sem uma troca de palavra. Apenas Mü esboçava um pequeno sorriso sentado ao lado do condutor no carro. Sabia que Shaka detestava a situação. Mas do mesmo modo sabia que nunca faria nada para o colocar em maus lençóis.
Na villa tudo ficava silencioso de novo. O Patriarca gostava do silêncio, era um óptimo elemento para o descanso psicológico.
Sentia que não estava sozinho. Fechou os olhos, o mesmo sorriso nos lábios rosados.
- Veio falar de trabalho?
O vulto que se escondia na penumbra aquele tempo todo avançou calmamente até ao bar. Pegou em dois copos, servindo-os de uma dose generosa de wisky.
- Devia ter mais cuidado como age com o Mü à frente do advogado… ele não me pareceu muito receptivo. – entregou o copo ao anfitrião, sentando-se ontem anteriormente estavam os outros dois – Vim falar de negócios…
Era raro o Mestre sair da própria casa. Apenas se deslocava a certos locais e a Villa era um deles. Mas para se deslocar por causa de negócios… era porque não podia esperar. Um peixe que não podia escapar.
- Fale… - sorvendo um pouco da bebida, o Patriarca acomodou-se na poltrona.
Algo lhe dizia que aquela conversa se alastraria até bem tarde. Muita coisa para falar, muito o que tratar. Pouco tempo juntos. Conhecia bem aquele olhar do mestre. Sabia bem como lidar com ele.
A chuva caía agora intensa na cidade. O Rosal fechado. A noite cerrada deixava a praça num clima lúgubre e perigoso.
Apenas um barulho de vidro partido conseguiu ser ouvido no silêncio da noite. Um grupo de jovens iniciantes, não sabiam as consequências futuras que teriam os seus actos. Despreocupados. Aproveitando uma alta de adrenalina por estarem em grupo.
Tão rapidamente entraram como saíram, felizes pelo pouco dinheiro que tinham conseguido da caixa. Tinha sido fácil demais. Bom demais. Sem suspeitas.
O dia amanheceria como qualquer outro, a chuva dando lugar ao sol. Apenas algo naquele quadro ficaria diferente: o assalto do Rosal.
Cantinho (mafioso) ariano:
¹ Vanitas vanitatum, et omnia vanitasVaidade, tudo é vaidade.
Desta vez, uma pequena dedicatória à minha querida beta, os gatinhos estão lá de propósito. Ela vai entender.
Aldebaran finalmente apareceu enquanto gente. Só o consegui ver como o Aldebaran do Episodio G, alto, moreno e cabelo descolorado!
E entra uma personagem secundária, Minos enquanto legista era algo que eu realmente queria colocar! A ideia veio de algumas arts que eu tenho por aqui, em que ele sempre aparece craneos humanos etc... macabro
Os capítulos estão demorando cada vez mais a sair... mas já deixando uma brecha para o próximo, acho que a inspiração não vai demorar.
