República Tcheca ainda estava pensativa sobre a cena que havia visto: Áustria declarou à Hungria que estava namorando Eslováquia.
– Curioso... Não consigo imaginar como a minha irmã está se sentindo no momento... Será que eu deveria ter ido atrás dela e do Áustria? Ou é melhor eu não me intrometer... Hmm, o que eu faço? – Ela falava sozinha enquanto procurava a sala da sua próxima aula. – Nessas horas me pergunto onde está a Sérvia, acho que ela poderia me ajudar.
Depois de um tempo, a busca pela sala de aula mostrava-se em vão e aquilo já estava deixando República Tcheca irritada. Caminhando mais um pouco pelo extenso corredor, ela ouve uma voz familiar:
– Não precisavam ter vindo! Eu me preocupo com o longo caminho que precisam fazer para chegarem até mim. Por favor, tomem cuidado!
"Essa é a voz do Inglaterra." Pensa República Tcheca.
Ela por fim decide ir até onde estava Inglaterra e se depara com uma cena no mínimo perturbadora.
– Mas, de qualquer jeito, fico feliz de ter vocês aqui comigo! – Um animado Inglaterra estava falando... Sozinho!? Aquilo deixa a moça confusa e um pouco assustada
"Será que ele surtou? Pobrezinho..." Lamenta República Tcheca até que o próprio Inglaterra avista a moça e vai até ela com um ar simpático.
– República Tcheca, estava aqui há muito tempo? Eu fiquei sabendo que não haverá aula o resto do dia e... – Inglaterra nota que República Tcheca estava encarando-o um pouco surpresa e aquilo o deixa um pouco sem graça. – Tem alguma coisa no meu rosto?
– Ahh... Não, digo... Sim, é... Você tem o hábito de falar sozinho mesmo? Toma algum remédio ou coisa assim?
Aquelas palavras sinceras e sem graciosidade de República Tcheca atingem Inglaterra bem fundo, fazendo-o ficar um pouco irritado.
– Não fale isso, eu estava conversando com meus amigos! Você não está vendo eles aqui ao meu lado? Eles vão ficar ofendidos!
República Tcheca olha para onde Inglaterra indicava, mas não estava vendo nada. Ela leva uma das mãos até a cabeça e a coça delicadamente em sinal de total incompreensão. Ela percebia que o rapaz estava desolado e parecia que até um pouco magoado.
– Eu... Bom, eu li que fadas e outros animais místicos só aparecem para aqueles que são especiais. Existe até um ritual de invocação para aqueles que desejam ver essas criaturas, mas é um encanto muito difícil de fazer e... Eu não posso vê-los, mas acredito em você, Inglaterra.
República Tcheca não tinha muito o dom das palavras, mas tentou deixar o rapaz inglês um pouco mais confortável. Parecia ter surtido efeito, já que o semblante dele estava mais animado. Ele pega nas mãos de República Tcheca e sorri animadamente.
– Ah, que raro alguém saber sobre esse encantamento! Você gosta desse tipo de literatura? Eu tenho uma vasta coleção de livros e posso te mostrar, se quiser.
– Ah, obrigada. – Agora era a vez de República Tcheca ficar um pouco incomodada com aquela ação do Inglaterra, mas ela não podia negar que havia ficado curiosa com relação aos livros que ele comentara ter. – Será uma honra pode ver esses livros de ocultismo, Inglaterra.
– Ótimo, então vamos aproveitar que não haverá aula e vamos conversar mais sobre ocultismo.
– C-Claro... – Ela sorri, sem graça.
Em seguida, guiada pelo inglês, vai até o dormitório masculino, precisamente na pequena biblioteca que havia lá. No caminho, encontram um França que tinha um sorriso de orelha a orelha e uma Sérvia com as maçãs do rosto bem rubras.
– Ahh, estou encantado com o doce sabor sérvio! Que sorte eu tenho!
– F-França... Não fale essas coisas tão alto... – Pedia uma tímida Sérvia.
– França, Sérvia! Estavam olhando livros? – Pergunta o inocente Inglaterra.
– Sim, livros sobre o corpo humano... Não é, meu docinho balcã?
– F-França... – A moça de cabelos negros esconde o rosto com as mãos.
– Hmm, livros sobre o corpo humano? Que esquisito...
– Ah, acho que você não entendeu o que estava realmente acontecendo lá, Inglaterra. E Sérvia, sua saia do uniforme está ao avesso. – Comenta República Tcheca com a voz séria e uma expressão de repreensão para a amiga, que, timidamente, pede licença e procura algum local para poder arrumar seu uniforme.
– Eu não estou entendendo o clima que se formou aqui... – Inglaterra realmente não entendeu o que havia ocorrido na biblioteca. França e República Tcheca o olhavam, descrentes. Ele era muito lerdo para determinados assuntos.
– Ei, França, o que você pretende com a minha amiga? Não irei tolerar qualquer ação sua que a magoe...
– QUE? FRANÇA, VOCÊ ESTÁ NAMORANDO A SÉRVIA? – Inglaterra grita e França dá uma risada orgulhosa.
– Sim, a Sérvia agora é minha petite amie!
– Tenho pena da Sérvia, ela não sabe a furada que entrou... – Lamenta Inglaterra e República Tcheca concorda.
– AHH! Você é cruel, Inglaterra! – Diz França, choroso. – As coisas vão ser diferentes com ela... Ela... Ela é especial.
– De qualquer forma, França, sinta-se avisado. - República Tcheca olha friamente para um assustado França e em seguida entra na biblioteca, seguida por Inglaterra, que dava risadas debochadas do francês.
Na sala de música, Áustria e Eslováquia se divertiam conversando sobre peças musicais. O clima que haviam criado era ótimo, parecia que a cena transcorrida há algumas horas não havia acontecido.
– Não imaginava que Mozart havia feito isso. – Comenta Eslováquia, que fazia a manutenção do seu violino.
– Sim, é interessante estudar a biografia dos músicos clássicos, você consegue compreender muito melhor algumas das peças. – Áustria era bem didático e aquilo divertia Eslováquia que, em um momento de distração, deixou algumas linhas do violino caírem no chão e, ao mesmo tempo, ela e Áustria se abaixam para pegar as linhas. Aquela ação dos dois havia sido tão natural que, quando perceberam, seus rostos estavam bem próximos um do outro e aquilo deixa a moça com as delicadas maçãs do rosto bem rubras.
– M-Me desculpe, Áustria...
– Eslováquia... Aquilo que eu disse à Hungria... Me desculpe! – Áustria coloca a mão na nuca de Eslováquia e a empurra delicadamente, fazendo com que seus lábios se toquem, já que com aquele movimento a cabeça da moça foi forçada para a frente. Ela fica sem reação, apenas os belos olhos expressavam surpresa pela atitude do austríaco. Terminado o beijo, os dois se afastam um do outro, ambos ofegantes e muito envergonhados.
– Perdoe-me, mas... Se eu voltar atrás...
– Tudo bem, Áustria... Eu... Eu vou ajudar você. – Diz Eslováquia um pouco receosa. – N-Não se preocupe.
– Obrigado, Eslováquia, e perdoe-me por ser tão egoísta...
– C-Claro.
Por um tempo os dois ficam sem se falar, ou mesmo trocavam olhares, apenas se concentravam em tocar seus instrumentos, o que não estava dando certo, já que não havia sintonia entre o violino e o piano.
– É, pelo visto hoje teremos de suspender o ensaio... – Comenta Áustria fechando o teclado do piano. – Desculpe-me novamente por isso, Eslováquia...
– Tudo bem Áustria, já disse que não precisa se desculpar... – Respondia ela, enquanto deixava o violino sobre uma mesa próxima. De repente, a porta da sala é aberta com violência, revelando um Prússia aparentemente desorientado.
– ÁUSTRIA! COMO ASSIM VOCÊ ESTÁ NAMORANDO? DEIXA DE SER MENTIROSO!
Prússia entra na sala de música e se aproxima de Eslováquia, olhando-a de baixo para cima. Aquela atitude deixa Áustria irritado e ele se põe entre a violinista e um Prússia atrevido.
– Por favor, vá cuidar da sua namorada, que eu cuido da minha. – Pede Áustria e Prússia ri na cara dele, apontando o indicador e fazendo um sinal de negação com o dedo.
– Ahh vamos parar com essa brincadeira! – Enquanto Prússia tentava chatear Áustria, Eslováquia abraça o pianista e vira o corpo dele de frente para ela que cruza os braços no pescoço do pianista e ficando um pouco na ponta dos pés, o beija.
– COMO É!?
Prússia não acreditava no que via. Então era verdade mesmo o que Hungria havia lhe contado um pouco entristecida. Áustria então leva as mãos à cintura de Eslováquia e a puxa delicadamente para mais perto dele, intensificando o beijo.
Indignado e não acreditando no que via, Prússia resmunga algo e se vira para ir embora daquela sala, deixando o casal ainda aos beijos. Pelo visto as cartas foram lançadas para aquele tumultuado quadrado amoroso...
Enquanto isso, Sérvia caminhava pelos corredores da Academia, estava pensativa e um pouco envergonhada por República Tcheca ter comentado de sua saia, obviamente ela desconfiou do que estava acontecendo na biblioteca.
"O França é realmente inadequado..." Suspira a moça de longos cabelos negros. Ela estava tão distraída que não percebe que o chão logo à frente estava completamente molhado e cheio de espuma, o que faz com que ela caia e saia escorregando pelo corredor. – Ahhhh!
Sérvia só consegue parar quando sente seu corpo ser abraçado por braços fortes, o corpo da pessoa que a segurava bate na parede no final do corredor.
– Ahh... Aquele idiota do Itália... – Resmunga Alemanha que havia salvado Sérvia, mas bateu com as costas na parede.
– A-Alemanha... Você está bem? – Pergunta Sérvia preocupada, ela ainda estava sendo abraçada por Alemanha. – Obrigada por me salvar!
– Ahh, não se preocupe com isso, senhorita Sérvia. – Quando Alemanha percebe depois que ainda tinha Sérvia em seus braços, ele rapidamente a solta e fica ligeiramente envergonhado, ela era muito macia e leve.
– ALEMANHAAAAAAAA – Um Itália desesperado aparece correndo com um esfregão na mão. – DESCULPA!
– ITÁLIA, SEU IDIOTA! EU DISSE PARA COLOCAR A PLACA AVISANDO QUE O CHÃO ESTAVA MOLHADO!
– Ahhh, desculpa desculpa! Não briga comigo Alemanhaaa! – Itália tremia de medo e tinha a voz chorosa.
– Er... Seria muita intromissão eu perguntar por que vocês estão lavando o chão? – Pergunta Sérvia, que já havia se levantado e ajudava Alemanha a se levantar também.
– Bom... O professor pegou Itália comendo durante a aula. O castigo dele foi limpar o chão desse corredor aqui... – Comenta Alemanha ajeitando os seus óculos e seu uniforme.
– Mas, o que você faz aqui também Alemanha? – Pergunta Sérvia novamente.
– Ahh, o professor achou que o Alemanha estivesse me acobertando, já que eu tinha colocado meu lanche na pasta dele. – Itália explicava animado e Sérvia sorri sem graça. Pobre do Alemanha, entrou de gaiato na confusão do Itália.
– Bom, de qualquer forma, precisamos te levar na enfermaria, Alemanha. Suas costas devem estar doendo...
– Não é necessário, senhorita Sérvia, mas é melhor a senhorita trocar o uniforme, já que ele está bem molhado por causa do sabão e da água. Eu irei fazer o mesmo.
– Sim, você está certo Alemanha. E mais uma vez, obrigada por me salvar... – Diz ela com as maças do rosto levemente coradas ao lembrar-se de como Alemanha a protegeu em seus braços, o alemão também fica envergonhado pela cena que se seguiu alguns minutos atrás.
– Cuide-se, senhorita Sérvia... E você, Itália, termine de arrumar essa bagunça.
– Ve~...tudo bem Alemanha... – Itália respondia desanimado.
Já na biblioteca do dormitório masculino, sentados dentro um círculo feito de giz no chão, estavam República Tcheca e Inglaterra. A moça parecia um pouco incomodada com a situação que se seguia.
– Ei, Inglaterra... Tudo bem rabiscar o chão da biblioteca?
– Ah, não se preocupe, se a invocação der certo, o círculo irá sumir sozinho! E eu sei que vai dar certo, pois você está me ajudando na tradução deste pergaminho. Nossa, eu nunca imaginaria que ele estava em checo.
Segundo Inglaterra havia falado antes, ele possuía a maior magia do mundo, mas ela estava fragmentada em vários pergaminhos e livros espalhados por toda a parte. Nem ele mesmo sabia quantos fragmentos seriam necessários para completar sua magia, a magia da deusa Bretanha. Um dos pergaminhos recém-adquiridos era aquele que estava nas mãos de República Tcheca, ela ia traduzindo e Inglaterra dizia tudo o que ela pronunciava.
– Certo, República Tcheca! Já consigo sentir uma magia nos rodear pelo círculo! Qual é o próximo encanto?
– Vejamos... Aqui está dizendo que agora precisa... – Abruptamente a moça fica com as maçãs do rosto levemente coradas e para de ler o encantamento, deixando Inglaterra curioso e sem entender a vermelhidão dela.
– O que foi? Me diga, por favor!
– Aqui... Aqui está dizendo que o conjurador precisa... Beijar uma virgem para completar o encantamento... – República Tcheca suspira um pouco nervosa, ela também ajeita os óculos no rosto, enquanto um Inglaterra fica pensativo.
– República Tcheca... Desculpe-me por isso! – Inglaterra puxa República Tcheca pelo braço e ela cai nos braços dele. Logo, ele rouba um beijo dos lábios dela, que surpresa, não conseguiu se mover ao sentir os quentes lábios do Inglaterra sobre os seus. Depois de um tempo, Inglaterra interrompeu o beijo e afastou a moça de perto de si, só agora ele havia caído na real.
– AHH! FOI NO IMPULSO, PERDOE-ME! – Pede Inglaterra com as mãos juntas, em forma de prece.
– ... – República Tcheca apenas se levanta e ajeita os óculos novamente, a expressão dela ela séria e parecia ignorar o pedido de desculpas de Inglaterra.
– Mas... Agora eu percebi..não aconteceu nada! A magia não deu certo, por quê?
República Tcheca fica com as maçãs do rosto ainda mais avermelhadas e dá um soco sobre uma das mesas da pequena biblioteca, chamando atenção de Inglaterra, que ficou um pouco assustado.
– Você não esperou eu dizer... Eu não sou virgem, seu idiota.
Ela olhou para Inglaterra sobre os ombros com um olhar assassino que fez a espinha do inglês congelar de medo. Ele tinha certeza que naquele momento, ele conseguia ver a alma do Rússia se projetar sobre o corpo de República Tcheca. Ela havia falado de um jeito tão seco e tão direto que ele ficou simplesmente sem palavras...
