Nesse cap tive ajuda do meu irmão para escrever as torturas: Brigada!

Não foi betado.


Capítulo 2 – Cinderela

O chão estava quase limpo, quando sua madrasta Rosmerta entrou pela porta com as filhas Padma e Parvati. Os sapatos enlameados sujando tudo o que Hermione havia se esforçado tanto para que brilhasse e assim não fosse castigada.

Já estava acostumada, desde que o pai morrera a alguns anos deixando-a sozinha com sua segunda esposa, Hermione era tratada como escrava, não ganhava boas roupas, comia apenas o suficiente para não morrer de fome e sempre que fazia algo que incomodava sua madrasta era punida severamente.

Para uma mulher linda como Rosmerta, com seus cachos dourados e olhos azuis que lembravam um querubim, ela sabia ser muito cruel.

Suspirando ajoelhou-se no chão limpando a lama antes que secasse. Rosmerta ignorou completamente a enteada conversando com as filhas como se não houvesse outra pessoa na casa.

- O príncipe vai dar um baile essa noite para escolher sua futura esposa. Vocês precisam estar deslumbrantes.

- Sim mamãe, com certeza o príncipe irá me escolher.

- Padma, quem irá casar com o príncipe sou eu, mas depois que for princesa posso lhe arranjar um bom casamento com um duque.

- Isso é o que veremos querida irmã.

O sorriso maldoso no rosto de Parvati assustava Hermione, mas Padma apenas retribuiu com o mesmo sorriso, como um espelho.

- Um baile? Posso ir madrasta?

Hermione falou baixo olhando para Rosmerta que a olhou enojada. Levantou a mão e desceu com força extraordinária no rosto de sua enteada que caiu para trás, os olhos marejados de lágrimas com uma mão sobre o rosto machucado.

- Garota intrometida. Quantas vezes já falei para não escutar nossas conversas?

Segurando Hermione pelos cabelos, Rosmerta arrastava a jovem pela sala que chorava pedindo para que parasse fazendo apenas com que sua madrasta puxasse com mais força. Logo pararam no meio da sala, Hermione tentava se soltar enquanto as irmãs rindo levantavam o tapete mostrando um alçapão escondido.

- Não, por favor, aí não!

Hermione chorava e gritava puxando seus cabelos das mãos de Rosmerta que esperava Padma levantar a porta do alçapão. Com um sorriso sádico puxou a enteada e a jogou no buraco.

- Não! Por favor! Me deixe sair!

Mas a porta foi fechada abandonando-a na escuridão.

Naquele buraco os fantasmas a atormentavam, suas feições apodrecidas, suas vozes sarcásticas riam de sua desgraça enquanto chorava segurando os joelhos encolhida pedindo para que parassem que a deixassem em paz. Mas eles apenas riam mais.

Na primeira vez que foi jogada no porão gritara durante um longo tempo, pedira desculpas, faria qualquer coisa para sair de lá. Apenas descobriu que quanto mais gritava, mais tempo passava lá dentro.

Não demorou para começar a ver coisas na escuridão, escutar sons que foram tomando forma, toques que pareciam reais, sua esperança que esvaia-se por seus dedos a cada vez que entrava no buraco até sobrar apenas o desespero, dor e raiva.

Hermione sabia que estava perdendo a sanidade, seus olhos começavam a perder o foco. Entregava-se à escuridão de bom grado se lhe trouxesse alguma paz.

- Pobre criança.

Levantou a cabeça procurando a voz no escuro. O alçapão ainda fechado tiraram a esperança de que sua madrasta tivesse voltado e lhe trouxe um novo medo.

O que quer que tenha falado estava ali com ela. Uma voz mais real do que todas as outras que já havia escutado, tão fria quanto a de sua madrasta e sem vida quanto os sons que escutava no escuro.

- Quem está aí?

- Há muitos anos acompanho seu sofrimento criança. As surras, maltratos e torturas. De uma posição especial como filha do patrão, você passou a valer menos que os porcos. Mas eu posso mudar isso.

- C... Como?

- Posso lhe dar tudo que sempre quis. Tirá-la desse buraco, leva-la ao baile. Você só precisa me servir na outra vida, é um preço pequeno a pagar por tudo que vou lhe oferecer.

Neste instante o ódio que Hermione sentia fez com que toda inocência que ainda resistia em seu interior se perdesse no instante que respondeu.

- Quero que minha madrasta e minhas irmãs sejam punidas.

- Posso fazer isso também. Precisa apenas aceitar meus termos.

- Quem é você?

- Sou uma amiga, pode me chamar de Bellatrix.

Notando sua indecisão a voz continuou.

- Neste momento suas irmãs estão se preparando para o baile usando lindos vestidos, sapatos finos, as lindas joias que um dia pertenceram a sua mãe agora adorando seus belos cabelos e realçando seus bustos. Anéis ricamente ornados que foram presentes de seu pai agora enfeitando sua madrasta.

A dor em seu peito apenas aumentava enquanto visualizava as lindas joias de sua querida mãe nas mãos das pessoas que a humilhavam diariamente. Sentia raiva, mas naquele instante seus olhos brilharam perigosamente.

Bellatrix soube então que ela estava pronta.

- Me servir é um pequeno preço para sair daqui, não acha?

- Elas serão punidas?

- Tem minha palavra. Temos um trato?

-... Sim.

No rosto fantasmagórico de Bellatrix um sorriso vitorioso e terrível surgiu.

Naquela noite Hermione foi ao baile lindamente produzida. Seu vestido branco com pedras de diamante brilhavam quando a luz batia fazendo muitas pessoas segurarem o folego. Seu cabelo caia perfeitamente sobre seus ombros e em seus pés sapatos de cristal que ressoavam a cada passo que dava.

O príncipe Ronald caiu aos seus pés, não dançou com nenhuma outra pessoa, recusou-se a deixa-la. Deveria voltar antes da meia noite, era parte do trato com Bellatrix, sendo assim quando o grande relógio no salão mostrou faltarem dez minutos para seu tempo acabar, Hermione despediu-se. O príncipe não queria deixa-la ir, precisou correr deixando um de seus sapatos para trás.

Mal chegara em casa e a mágica que lhe garantiu o mais belo vestido do baile se perdeu deixando apenas o velho e encardido vestido que sempre usava.

No dia seguinte era como se nada tivesse acontecido, sua madrasta e suas irmãs a humilhavam como sempre. Mas naquele dia seria diferente. Preparou o chá da tarde que seria servido no jardim durante o piquenique da família.

Enquanto sua Rosmerta sentava com as filhas debaixo do frondoso carvalho que ficava atrás da casa, Bellatrix apareceu ao lado de Hermione que recolhia a roupa do varal olhando ressentida para as três mulheres.

- O príncipe está procurando a dona do sapato.

- Você prometeu que elas seriam punidas.

- Que criança vingativa. Não se preocupe. Elas serão.

- Eu quero puni-las.

A voz de Hermione pingava loucura, Bellatrix apenas sorriu mais, aproximando-se da jovem que agora lhe pertencia por todo o sempre e sussurrou em seu ouvido.

Rosmerta ria de algo que Padma falara enquanto mordia um pãozinho recheado com carne. Quando baixou os olhos para a mão viu que seu almoço se movia lentamente, como se estivesse tentando arrastar-se para longe antes que mais mordidas fossem dadas. Sentiu em sua boca que a carne ainda se remexia, contorcia-se como se estivesse com dor inimaginável. Levantou horrorizada cuspindo o que ainda tinha na boca enquanto as filhas gritavam.

No alto, a céu azul sobre a casa começava a dar lugar para o breu, nuvens negras como a noite rodeavam a casa vagarosamente, como que se divertindo com a situação em que três das moradoras da casa se encontravam. Em pouco tempo o céu tornou-se negro, risadas ecoavam pela terra da qual Rosmerta era dona, risadas que vinham de lugar algum, mas que ecoavam em todos os cantos de seu terreno.

Uma sombra esgueirou-se em volta das três mulheres que a pouco estavam reunidas para um almoço calmo e caloroso entre mãe e filhas. Uma risada como que de uma criança chegou a seus ouvidos, mas havia algo errado, não apenas não tinham crianças na casa, como esta risada parecia vazia, sem sentimento algum por trás dela. Tentando vencer a escuridão que se apoderara da casa, Padma forçou seus olhos, suas pálpebras quase se fecharam conforme a moça tentava enxergar o vulto que as rondava.

Um som de surpresa lhe escapou à garganta, ali em sua frente, estava Hermione. Mas não era a Hermione dos tempos atuais, não, a Hermione que olhava agora diretamente para ela e ria era a criança de anos atrás, pouco tempo antes de seu pai morrer; quando ainda era feliz de verdade, ainda tinha vida em seus olhos; porém algo estava errado, ela tinha um sorriso que transmitia seu desejo de vingança, a loucura à qual a garota se entregou após anos como escrava pessoal dela, sua irmã e sua mãe.

Padma sentiu algo puxando suas pernas em direção à criança, porém não havia nada perto dela. Desespero agarrou-se em sua alma quando a criança começou a mudar, seus olhos se tornavam negros como o breu que encobria a todos, seus dentes se tornavam presas afiadas e sedentas por sangue, seu cabelo esvoaçava em um vento inexistente, parecendo uma cobra sorrateira, espreitando a vítima desavisada. Padma tentava com todas suas forças se arrastar para longe do demônio que sua irmã se tornara, porém quanto mais resistia mais forte a força parecia puxá-la.

- Hehehehe... Vamos brincar irmã? Se você não gritar eu vou embora... Que tal?

Padma olhou nos olhos da garota, o nada lhe fitava de volta, era como se os costumeiros olhos castanhos cheios de vida que Hermione tinha durante toda sua vida dessem lugar para a loucura e o vazio da escuridão. Balançando sua cabeça positivamente; não confiava em suas cordas vocais para produzir barulho algum no momento; a moça de pele morena se rendeu aos tratos do que parecia ser a memória de sua irmã. Talvez...talvez isto fosse apenas um sonho, uma punição por tirar o lindo brilho dos olhos da garota que agora soltava risinhos insanos enquanto tomava seu braço em suas mãos, unhas que antes eram curtas e inofensivas cresceram em uma velocidade horripilante e tornaram-se tremendamente afiadas, cortando a pele de Padma e parando pouco antes de chegar à seus músculos. Em um primeiro momento, a moça havia resistido o desejo de urrar de dor, porém isto apenas serviu para fazer com que Hermione sorrisse sinistramente, as presas afiadas da moça aparecendo conforme seus lábios se abriam.

- Não... Não, não, não... Padma, minha querida irmã Padma... Você achou que era apenas isso? Hehehehe... Nãããão, você tem que aguentar isso...

As palavras mal saíam de sua boca, quando Hermione puxou suas mãos com uma força que só poderia ser obra de algo sobrenatural, e a pele morena da qual Padma tanto se orgulhava, separava-se se seu corpo, expondo os músculos que existiam abaixo daquela camada de pele.

O urro de dor que tinha o tom inconfundível de sua irmã, Padma, fez com que Parvati se lançasse em direção ao som, ela era sua gêmea, e assim sendo Parvati tinha com ela um vínculo maior que aquele que tinha com sua mãe. Ela precisava achar sua irmã, corria e corria, porém parecia que não chegava a lugar algum por mais que corresse, sabia que não estava mais perto de sua mãe, sabia disso, porém não estava nem perto de sua amada irmã. Os gritos contínuos de Padma cessaram, e sentia algo tomar conta de seu coração. O medo que tinha de perder a pessoa que sempre a entendera como se fossem a mesma pessoa fez com que as batidas em seu peito aumentassem de força até que conseguisse senti-las em seus ouvidos.

Mais risadas invadiam seus ouvidos, Parvati conhecia esta voz, sabia que era Hermione, mas não conseguia entender, como aquela garota conseguia rir durante esse pesadelo. Sabia que não era sonho, em nenhum de seus sonhos se separava de sua amada irmã Padma, estavam sempre juntas, fosse pesadelo ou não. Continuou em frente, apesar do cansaço, não percebendo que já estivera correndo pelo que parecia ser meia hora, quando suas pernas se recusaram a carregar seu peso um centímetro que fosse adiante. Tropeçara sobre si mesma e caíra ao chão, seus braços sendo o único motivo pelo qual seu rosto não teve um encontro imediato e dolorido com o chão.

Apoiava seu peso nos braços e fazia menção de levantar-se, porém suas pernas se recusavam a obedecer mais ordens, não se moveriam novamente tão cedo, os músculos de suas pernas estavam exauridos, nem mesmo espasmos, comuns após exercícios, lhes tiravam a inércia. Suspirou pesadamente; quando foi que ficara tão cansada? E olhou adiante.

Seus olhos arregalaram-se, sua boca abriu para que gritasse de medo, dor, desespero, porém som algum lhe subia a garganta. A sua frente estava o que um dia foi sua irmã, sua pele sendo usada para suspendê-la como se fosse marionete, seus olhos haviam sido arrancados de sua face, assim como seus dentes. A única parte que mantinha pele era sua cabeça; e este era o único motivo pelo qual Parvati conseguiu reconhece-la. Fitava sem olhar, sua mente não conseguia compreender o que acontecia, parecia que haviam assombrado o corpo inerte de sua irmã quando notou que sua cabeça moveu-se lentamente, estava como se fitasse o chão, porém pouco a pouco erguia a cabeça, como que para olhar a irmã nos olhos.

Tentou se afastar, tentou se erguer, porém novamente suas pernas lhe negavam obediência e caíra em seus braços, porém desta vez quando tentou apoiar-se com os braços, sentiu algo lhe segurava os braços, e fazia com que seu corpo virasse para olhar para Padma, enquanto sua irmã lentamente se levantava. Com passos embaraçados, quase tropeçando em seus próprios pés, Padma se aproximava de sua irmã e levantava um de seus braços; no lugar de mãos haviam colocado lâminas presas por seus pulsos, e a marionete que foi Padma fazia movimentos verticais com o braço, como se cortasse salada.

Os olhos de Parvati se arregalaram, as laminas estavam cada vez mais perto de seu corpo, e a antecipação aos cortes que com certeza receberia em breve lhe fez lutar contra a força que lhe prendia no ar, imóvel. Seu corpo se contorcia, seus braços tentavam dobrar-se para que pudesse se defender, e suas pernas se mantinham inúteis. Parvati ouviu a risada de Hermione novamente, desta vez ao seu lado e virou a cabeça, lágrimas já caiam de seus olhos, simples medo dava lugar ao desespero quando ela viu a figura de uma Hermione criança, porém suas feição estavam mudadas, como se ela estivesse possuída.

- Me lembro das vezes que você e a Padma fizeram com que eu apanhasse...dez cintadas por malcriação, lembra? Não serão cintadas... Mas creio que o efeito será o mesmo, né?

E com isso a criança virou-se, procurado por sua querida madrasta, era hora de brincar.

- Nãããããããããão!

O grito de sua segunda filha chegava a seus ouvidos, porém não dera ouvidos àquilo, pois seu marido se aproximava com uma Hermione criança a seu lado. Não conseguia compreender o que acontecia, porém tinha certeza que os seres que apareciam em sua frente não eram o seu falecido; e rico; marido e sua enteada; escrava; não podiam ser. O homem e a garota tinham olhos completamente negros, presas afiadas no lugar dos dentes e garras no lugar de unhas. Rosmerta tentou se afastar, mas bateu contra uma superfície dura, onde em seguida se encontrou presa, seus braços e pernas completamente abertos. Pelos cantos de seus olhos via homens se aproximando e gritaria, se pudesse. Algo mantinha sua boca impossibilitada de se mover, mantendo-a aberta.

- Como foi que disseste à minha filha?...Ah, sim... Não te preocupes, Rosmerta, tu te acostumarás...

A voz de seu marido a fez olhar novamente para frente, e via que tanto ele quanto sua enteada estavam sorrindo maldosamente para ela enquanto os homens se posicionavam em sua frente e às suas costas. Notou que tinham laminas serradas envolvidas à genitália. Sentiu o primeiro invadir seu ânus e chorou com a dor que fluiu em seu corpo, o seguinte lhe invadiu a vagina e Rosmerta tentava se mover para escapar deles, desespero agora lhe envolvia a alma, sabia agora o motivo pelo qual não podia mover sua boca, lembrava-se de que, quando sua enteada completou seus treze anos, para ter certeza que homem algum a aceitaria; não podia perder sua escrava, afinal; vendeu o corpo da moça para alguns dos ricaços que viviam próximos ao palácio, e tinha dito as mesmas palavras direcionadas a ele por seu finado marido.

O som da risada dos dois era o único som que se ouvia enquanto o último homem movia o quadril e sua boca era rasgada pela lâmina que o homem tinha em volta de seu pênis.

Momentos após os homens finalizarem, Rosmerta abriu os olhos e notou que estava sentada à mesa novamente, seus olhos percorriam os corpos de suas filhas e após um momento de confusão, sorriu...um pesadelo? Uma Ilusão?

Enquanto o céu escurecia novamente escutou uma risada.

- Pesadelo? Não, não, não... Isto é sua punição... Sim... Hermione que teve a ideia... Torturá-las antes de matar você e suas filhas seria muito rápido, e assim ela pediu que, uma vez que estivessem mortas, suas almas ficassem presas aqui, no porão onde tantas vezes a prendeu... E que ficassem sofrendo para sempre, cada uma sofrerá o castigo da outra até que comece a repetir. Genial, não?

Enquanto a risada insana de Bellatrix soava no ar, Rosmerta olhou ao redor, e não conseguia mais enxergar nada, apenas as risadinhas de uma criança e o início dos gritos de Padma.

Hermione jogara o corpo de sua madrasta, o último dos três que estavam estirados no quintal dos fundos da casa, para dentro do porão e fechara a porta, dando as costas ao local e dirigindo-se à seu novo quarto, que era o mesmo que pertencera a seu pai. Tomou um banho na luxuosa banheira do banheiro e sentou-se à frente da penteadeira, um sorriso sereno em seus lábios quando apareceu a imagem de Bellatrix, escovando seu cabelo delicadamente com o mesmo sorriso em seus lábios.

- Toque de gênio, envenenar a bebida de sua madrasta e irmãs... Garanto-lhe que elas estão sofrendo...

O sorriso no rosto de Hermione cresceu e tomou uma qualidade insana enquanto cantarolava um tom sem propósito.

Logo o príncipe Ronald apareceu, Hermione calçou o sapato e ao notar que servia perfeitamente Ronald enlaçou sua cintura em um abraço e levou-a para o palácio.

FIM


Próximo: Capítulo 3 – João e Maria