Uma decisão sábia


Naevia

Era madrugada quando fui acordada por uma voz queixosa em meu quarto. Levantei assustada procurando pela voz na escuridão e ao acender a luz do aposento vi Fineus Nigellus me encarando com cara de poucos amigos na moldura à minha frente.

-Ah, finalmente! Alvo quer vê-la imediatamente, princesa! – disse o velho sarcasticamente, saindo resmungando.

- Tá..."oi" pra você também... – eu disse, revirando os olhos.

Saltei da cama e fui em direção ao banheiro me arrumar para ver o diretor. Fosse o que fosse deveria ser urgente, para me chamar assim no meio da noite...

Saí do quarto com o máximo de empolgação que consegui reunir e corri até a sala do diretor, ouvindo resmungos das pinturas pelo barulho que me meus sapatos faziam no piso dos corredores. Ao chegar na entrada falei a senha e entrei abruptamente sem me dar conta da cara de preocupação e curiosidade que estampava o meu rosto naquele momento.

Quando adentrei a sala encontrei a cena mais improvável que eu poderia imaginar. Dumbledore estava sentado displicentemente em sua cadeira conversando animado com uma ruiva enquanto aguardava a minha chegada. Inconvenientemente, é claro, nenhum dos dois pareceu notar a minha presença. No entanto, foi a terceira figura que prendeu minha atenção por completo e eu duvido que ele não tenha me percebido ali também, embora estivesse de costas para mim, olhando pela janela.

Meu coração saltou até minha boca e voltou a se alojar no meu peito com um baque surdo. Meus olhos demoraram a se acostumar com a visão do elfo alto e loiro à minha frente. Meu cérebro a essa altura congelara totalmente! Eu não sabia o que fazer! Queria correr em direção a ele e despejar anos de sentimentos nunca expressados. Queria abraçá-lo e dizer que sentia muito por tudo o que acontecera no passado. Uma confusão de emoções me afligira naquele instante. Porém, depois de alguns segundos eu ouvi minha própria voz sair quase inaudível.

- Thranduil...? – eu disse, apreensiva.

Todos olharam na minha direção, mas foi Dumbledore quem falou primeiro.

- Ah, Naevia! Estávamos lhe aguardando! – disse ele, sorrindo para mim.

Tauriel se levantou com um sorriso enorme no rosto e me deu um abraço apertado e demorado.

- Nossa, Nae! Quanto tempo! Estava me perguntando quando iríamos te ver novamente.

Eu consegui sorrir de volta, ainda desnorteada, e olhei para Thranduil procurando por respostas. Seu olhos estavam fixos em mim e seu rosto delicado mantinha uma expressão fria e distante. Obviamente se preparara bem para aquele encontro. Ao contrário de mim.

- Viemos informar a você que há uma ameaça eminente de guerra ao seu mundo. Não sei se chegou ao seu conhecimento, mas Sauron retornou e está à procura de seu Anel de poder. Ele já possui os Nove anéis dados aos homens e três dos Sete anéis dos anões. Caso ele consiga o Um, não há garantias de que a guerra se manterá em Arda, podendo contaminar terras mais próximas. Sendo uma das governantes deste mundo e Protetora do Reino achei que fosse importante alertá-la do perigo. – disse ele por fim.

- Mas...existe alguém que saiba sobre o paradeiro do anel? – falei, me sentando em uma das cadeiras.

- Não sabemos ao certo, mas Legolas foi enviado a Valfenda para me representar em uma discussão sobre o assunto.

- Bom – eu disse, cautelosamente – me reunirei com meu irmão e com o Ministro da Magia para decidir as providências a serem tomadas por nossa parte. Sendo assim, Dumbledore já está avisado do perigo e ficará alerta para qualquer mudança por aqui.

Alvo concordou com a cabeça em resposta. Houve um silêncio momentâneo na sala.

- E quanto às baixas? – perguntei com o máximo de coragem que consegui, afinal eu precisava saber.

A expressão de Thranduil mudou por completo. Seu autocontrole vacilou e sua face se fechou em decepção. Depois de balançar a cabeça e suspirar respondeu ressentido:

- Não se preocupe, princesa, Thorin está seguro, se é o que quer saber. Enquanto você viver, ele viverá. Sabe disso. Estão ligados para sempre... – disse ele, sussurrando a última frase enquanto olhava para as próprias mãos.

Olhei para as minhas também tentando achar uma maneira de me redimir.

- Olha, eu quero ajudar. Se é um fato que a guerra vai chegar, então eu quero acabar com ela onde ela começou. Assim que informar ao Tom e ao Kingsley me juntarei a vocês. Precisarão mesmo da minha ajuda para voltar já que é bem provável que tenham feito uso da chave de portal que eu dei.

Me levantei e todos fizeram o mesmo. Parei, cara a cara com Thranduil e estendi minha mão para nos despedirmos. Ele aceitou e olhou dentro de meus olhos. Por um momento achei que ele diria mais alguma coisa, mas desfizemos o aperto e Alvo se aproximou de nós em seguida.

- Bom, meus caros, vejo que tudo está acertado! Saibam que podem se alojar aqui na escola pelo tempo que for necessário! Hogwarts sempre ajudará aqueles que a ela recorrerem. – disse o diretor, gentilmente – Vou lhes mostrar onde ficarão, vão adorar nossos banquetes matinais...

Sorri e deixei o professor tagarelando com os elfos sobre as tortas de abóboras que eram servidas no café da manhã. Me dirigi para a porta e antes de fechá-la, olhei uma última vez para a cena. Vi o rei me olhar com pesar e finalmente voltei ao meu quarto.