Já se passara uma semana desde o jantar em sua casa. Regina e Marian haviam se encontrado algumas vezes. Regina gostava dela. Era adorável e inteligente; coincidentemente também entendia conceitos de tributação e isso interessou muito à prefeita. Logo Regina a contratou para prestar consultoria alguns dias da semana.
Já era cinco da tarde e Regina encerrou as atividades. Ela estava fechando a janela quando ele lhe veio à mente. Novamente.
Robin.
Ela se sentia culpada por todas as vezes em que fantasiava sobre ele, sobre ser agarrada por ele, beijada por ele. Mas era tão errado! Meu Deus! Ela estava falando de um homem casado, e ela própria também era muito bem casada. Mas infelizmente, a lógica não era páreo para o desejo que a consumia, que queimava lentamente e ia crescendo a cada segundo. Ela não conseguia esquecer a maneira como Robin a encarava sempre que se encontravam. Como se fosse rasgar as roupas dela e possuí-la na frente de todos.
A última porta havia sido trancada, e então ela caminhou tranquilamente até o carro. Com apenas uma manobra, ela seguiu pela avenida.
Robin resmungava, a cabeça enfiada embaixo do capô levantado do seu carro. Porcaria de lata velha. Ele já havia alertado Marian várias vezes sobre a necessidade de comprar um carro novo, mas ela sempre o vencia. 'Prioridades, Robbie' era a fala preferida dela. Ou ela tinha muita sensatez ou muita falta dela, porque independente de quem fosse a culpa, ele estava no meio-fio com um carro quebrado, e sem nada por perto além do matagal que cercava a estrada.
Afastando-se do carro tentou fazer uma ligação, mas não havia sinal. Ele não teria nenhuma escolha a não ser caminhar, afinal, tanto sua casa como a cidade estavam longe e não havia nenhum sinal de vida à vista. Robin fechou o carro e abaixou o capô, trancando-o e então se pôs à caminhar na direção do centro da cidade.
Ele havia caminhado cerca de 100 metros quando um par de faróis surgiram na sua frente, e o carro foi reduzindo a velocidade até parar do seu lado.
"Robin?"
Ele sorriu discretamente e sentiu-se o filho da puta mais sortudo do mundo.
"Prefeita."
"O que aconteceu com o seu carro?"
"Não tenho a mínima ideia."
"E você está indo para onde? Sua casa não é do outro lado?"
Robin pensou em indagar como é que ela sabia onde eles moravam. Mas ela poderia recuar e fugir, e ele odiaria isso.
"Eu estava pensando em buscar um mecânico."
"O único mecânico da cidade é o senhor Giuseppe e ele já deve estar na casa dele. A oficina fecha às cinco."
Robin colocou as mãos no bolso e olhou para ela. Ela apertou um botão no painel, e destravou a porta.
"Entre, eu te deixo na sua casa."
Regina e Robin pareciam inquietos. Uma música melancólica tocava ao fundo, e Regina suspirou.
"Isso precisa acabar, Robin."
"Desculpe?"
Ele olhou para ela e ela olhou para ele por alguns segundos.
"Você sabe o quê. Essa 'coisa' entre nós."
"Você não fez nada, Regina." - A voz dele estava baixa e controlada.
"Nem vou fazer. Não vamos fazer nada."
Robin respirou fundo.
"Pare o carro."
"O quê?"
"Pare o maldito carro, Regina!"
"Não vou parar. E abaixe o tom para falar comigo."
Robin puxou o volante para si mesmo, o que fez o carro dançar na estrada por alguns metros. Regina freou bruscamente e jogou o carro para o acostamento.
"Você tem algum problema? Quer nos matar?"
E dito isso, ela saiu do carro. Estava incrivelmente irritada. O que estava acontecendo? Desde quando um homem que acabara de conhecer ia gritar com ela e lhe dizer o que fazer?
"Eu tenho um problema mesmo." - Respondeu ele, que estava tão irritado quanto ela. "Você é o meu problema. Você, e seu maldito sorriso, você e esses vestidos grudados no seu corpo, você e essa sua voz que me atormenta o tempo todo. Você acha que eu quero desejar você? Acha que quero pensar em você quando estou transando com a minha mulher? Eu não queria desejar você, Regina! Só que eu não consigo parar!"
A situação havia saído do controle.
"Saia da minha cidade imediatamente. Eu não quero você aqui, Robin! Vai embora!"
"Não sem antes fazer isso."
Antes que pudesse se defender, Regina sentiu Robin a pegando pela nuca e puxando-a para um beijo visceral. A língua entrou quente e forte dentro da boca dela, as mãos dela se perderem pelo cabelo dele e ele a segurou, fechando a distância entre seus corpos. Suas bocas brigavam com desespero, como se dependessem disso para continuarem vivos. Robin puxou o cabelo dela para baixo com força, e Regina gemeu quando sentiu a língua dele em contato com a sua pele, as unhas dela já tinham trilhado o caminho até a costa dele, por baixo da camiseta, sentindo sua pele quente e macia.
"Robin... não.. nós não..." - dizia ela entre gemidos, mas não havia convicção nenhuma em sua voz.
Robin voltou a beijá-la e a suspendeu, colocando-a sobre o capô do carro e encaixando-se entre suas pernas. Robin não parou de beijá-la enquanto abria seu casaco, a sensação das duas línguas se tocando era extasiante e excitante demais para ele pensar em parar. Regina gemeu ao sentir os lábios dele chegando ao seu colo, as mãos dele massageando apressadamente seus seios por cima da camisa. Ela não se importava com o fato de estar sendo despida e pressionada contra o capô do seu carro pelo marido da sua consultora.
Como assim? É claro que ela se importava!
Regina o empurrou para longe, e desceu do carro. Robin ficou parado, sem entender nada. Ela fechou o casaco e entrou no carro, ligando o motor.
"Regina?"
Ela abaixou o vidro e sem sequer olhar para ele, ordenou.
"Entre no carro."
"Regina..."
"Entre no carro, Robin!"
Sem hesitar, ele entrou no carro e ela acelerou violentamente.
Estacionados na frente da casa dele, Regina observava através da janela esperando que ele saísse do carro. Mas Robin não se mexia.
"Regina, precisamos falar..."
"Não precisamos falar sobre nada. Isso não devia ter acontecido."
"Mas aconteceu."
"Mas não deveria ter acontecido. E é por isso que você vai se mudar daqui. Você tem que ir embora, Robin."
"Isso não é justo, Regina."
"Não é pra ser justo, é para ser certo. Isso é fazer a coisa certa."
"E se eu não quiser?"
Ela suspirou e abaixou a cabeça, olhando para o volante.
"Robin, me ajude. Estou tentando fazer o que é certo."
"Eu posso até ficar longe de você, se é o que quer. Mas eu não vou embora."
Ela o encarou e ele devolveu o olhar, e parecia que o mundo tinha parado para eles. Ela sentiu ele deslizando os dedos pelo pescoço dela, chegando até sua nuca, mas não o impediu. Os movimentos dele eram carinhosos e ela gostava da sensação de tê-lo a tocando. Robin se debruçou e roçou seus lábios nos dela, sentindo-a respirar, sentindo a vontade de beijá-la batendo forte contra o seu peito, mas manteve o controle. Ele depositou um beijo na bochecha dela.
"Boa noite, prefeita."
E saiu do carro.
