Ron entrou em um dos pátios do Castelo. Lá estavam dois cavaleiros vestindo suas armaduras completas e em um instigante duelo de espadas.
O Mago Dumbledore também estava lá, Ron reconheceu. O menino que encontraram nos escombros da aldeia o acompanhava, os olhos vidrados acompanhando o duelo. O menino sequer piscava ou desviava o olhar.
O titilar provocado pelo choque das espadas era algo com o qual os ouvidos de Ron já estavam acostumados.
Os cavaleiros lutavam de igual para igual, ainda que um deles fosse mais esguio e mais baixo que o outro. A agilidade deste era a sua vantagem.
As espadas se encontravam num ritmo curioso, em cima, em baixo, em cima, então um dos cavaleiros atacava, ao que o outro defendia sem dificuldade.
– Esta ficando lento, Potter – fala o cavaleiro menor, que vestia a armadura com o Brasão de Gárgulas ao arrancar a espada das mãos do cavaleiro com Brasão de Espadas.
Foi como se o ataque e desarme despertasse o cavaleiro com Brasão de Espadas que tivera que se recompor e improvisar novo ataque, mas o cavaleiro de Gárgulas parecia estar preparado.
Sem aviso, o cavaleiro menor, investiu ataques seguidos, um após o outro, fazendo com que o adversário recuasse alguns muitos passos. Numa defesa impressionante, após se recompor daquela sequência, eis que o cavaleiro de Excalibur girou sobre os próprios calcanhares e parou com a lâmina da espada estendida perpendicularmente à nuca do cavaleiro menor. A resposta foi um ágil movimento em que este último segurou o seu braço e girou também sobre os próprios calcanhares, quase copiando o movimento do outro, mas atacou-o com uma simples – e forte – cotovelada na altura da nuca, desconcertando-o. Mais um rápido movimento e estava novamente cara a cara com ele, a ponta da espada apontada para o seu queixo.
E foi assim que a luta terminou.
Ron aplaudiu o embate enquanto o cavaleiro menor, que o vencera, arrancava o elmo da cabeça, revelando sua identidade, os cabelos compridos ondulando por suas costas até a altura da cintura.
– Eu apenas me distraí, Granger – justifica-se o Cavaleiro com o Brasão de Espada.
– Sim, claro que se distraiu – ironiza a guerreira.
Ron então se aproximou.
– Mestre Dumbledore que falar com os dois – fala Ron apontando o mago que os observava.
– Sobre o que seria? – pergunta a guerreira que atendia pelo nome de Hermione Granger.
– Homens do Lorde das Trevas atacaram a aldeia de Camponeses de Westerminster. Eu estava por perto quando aconteceu e fui com meus homens para lá. A aldeia foi destruída por alguma magia muito poderosa e apenas aquele menino sobreviveu.
– E por que precisa de nós? – pergunta o cavaleiro de Excalibur, Harry Potter.
– Esse garoto não é um simples camponês. Achamos que foi ele quem destruiu a aldeia – Ron explica aos sussurros. – E, também, ele pode ser o menino de quem fala a profecia.
– Tem certeza? – pergunta Hermione.
– Não, mas a magia que senti emanar dele, sinto apenas de vocês dois – responde Ron.
– Leve-o para o Grande Salão – Hermione ordena. – Devemos examiná-lo, sir Potter.
– De acordo, lady Granger – concorda o cavaleiro de Excalibur. – Irei apenas retirar a armadura primeiro.
– Também farei isso e nos encontramos no Grande Salão – finaliza Hermione.
– Pensei que tivesse dito que ia retirar a armadura – Harry provocou quando adentrou o Grande Salão, uma sobrancelha arqueada que claramente denunciava o seu sarcasmo.
Hermione despira a armadura e, em seu lugar adotara, o traje dos cavaleiros da Casa de Gárgulas. Era um traje pesado, trabalhado em couro e tachas de ferro. Fora costurado sob medida na forma de um vestido, diferentemente do traje masculino adotado pelos demais cavaleiros. Seus cabelos estavam soltos, uma tiara de bronze coroando-lhe a cabeça com detalhe em flor-de-lótus. Na altura do peito, o brasão da Casa de Gárgulas se destacava. A espada se encontrava presa em sua cintura.
– Sou uma dama, mas isso não me tira a condição de guerreira, Potter – respondeu com dignidade.
Harry, por sua vez, vestia as costumeiras calças de tecido, botas de caça e adereços em couro para proteger-lhe o tronco. Duas espadas estavam cruzadas e seguras em um suporte que traçava o centro de seu peito e terminava nas costas. As mesmas tachas que se via em todo o corpete da roupa de Hermione eram vistas em locais estratégicos de suas vestes.
– Menino, qual o seu nome? – pergunta Harry em um tom duro ao se aproximar do menino.
– Lancelot Scath, senhor – responde o menino assustado.
– Quanto anos tem, meu jovem? – pergunta Hermione no mesmo tom que Harry.
– Oito, minha senhora – fala o menino de pronto.
– E onde estão seus pais? – torna a questionar Harry.
– Eles foram mortos pelos homens que atacaram minha aldeia – conta o menino, a voz segura, mas em seu rosto ainda era possível ver os resquícios de lágrimas – Cortaram a cabeça da minha mãe na minha frente – fala o jovem com os punhos cerrados.
– E como sobreviveu? – pergunta Hermione.
– Eu não sei – responde o menino.
– Como não sabe? Você explodiu um vilarejo inteiro, matou mais de cem Comensais da Morte e simplesmente não sabe? – Harry explode. – Que tal "eu derrotei a todos com a minha magia"?
– Calma, sir Potter – pede Hermione.
– Calma? Você me pede calma quando um menino de oito anos explode um vilarejo inteiro com magia e simplesmente não sabe como? – Harry continua, exaltado. – E se ele explodir o castelo? Hogwarts é o único lugar em que o Lorde das Trevas não consegue entrar. Essa fortaleza não pode ser explodida.
– Eu sei que não pode e não será – Hermione garante, seu tom é firme. – Mas ele é apenas um garoto que acabou de perder os pais. Lembra-se de quando fizemos magia involuntária pela primeira vez? Infelizmente, eu quase te matei. Se eu soubesse realmente usar a magia, não teria falhado – fala Hermione de modo irônico.
– Quer resolver isso lá fora? – pergunta Harry, claramente afetado pelo comentário da morena.
– Não, obrigada. Ao que me consta, acabei de vencê-lo e, no momento, precisamos descobrir a qual de nós o menino pertence.
– E o que você sugere, Srta. da Sabedoria? – faz Harry com impaciência.
– Chamar lady Luna – sentencia Hermione. – E pedir para que ela veja o passado dele. Assim quem sabe, possamos descobrir de quem ele descende.
† – † – †
Assim que Luna entrou no salão, seus olhos confrontaram os do menino.
– Mandou me chamar, lady Granger? – pergunta Luna.
– Sim, lady Luna – fala Hermione. – Este garoto foi achado em Westerminster e precisamos saber com qual de nós dois – fala apontando para ela e Harry – esse menino compartilha laços de sangue.
– Qual seu nome, meu jovem ? – pergunta Luna, paciente.
– Lancelot Scath – responde o jovem.
– E qual o nome de seus pais? Você sabe se pertence a algum clã? – torna a questionar Luna.
– Não senhora, não sei – responde o garotinho. – Minha mãe se chamava Marian e meu pai Elric.
– Sabe de mais alguma coisa sobre sua família? – Luna insiste.
– Não, senhora.
– Então deixe-me entender, você não possuía parentes vivos no vilarejo além de seus pais?
– Tinha meu vovô – fala o menino. – Mas ele morreu há muito tempo
– E qual o nome de seu vovô? – pergunta Luna gentil.
– Amis – fala o menino
– Amis Scath? – Luna arqueia uma sobrancelha.
– Não, Amis Edgan – o menino corrige.
– Não pode ser – exclama Dumbledore. – Não pode ser ele...
– O que foi, Mestre Dumbledore? – Harry questiona.
– Esse nome, Amis Edgan é o nome do primo do avô de lady Granger que desapareceu na noite em que o Lorde das Trevas ascendeu do inferno – fala Dumbledore.
– Tem certeza? – fala Hermione.
– Sim, eu me lembro muito bem daquela noite – Dumbledore responde, o olhar distante, embora a sua voz seja firme. – Foi a mesma noite em que os salvei da morte.
– Então este menino é... – Hermione começa, logo retomando a frase: – Ele pertence ao meu clã?
– Sim, Hermione, ao que tudo indica, este menino é o ultimo guerreiro de Gárgula, como determina a tradição – fala Luna.
– Então pode haver mais descendentes do meu clã vivos? Ou do dela? – pergunta Harry.
– Receio que não, Harry, o único que o corpo não foi encontrado foi o de Amis – nega Dumbledore.
– Então esse garoto é mesmo o último – fala Hermione.
– E, se a profecia for verdadeira, esse menino é aquele que será o maior guerreiro de todo o mundo – Luna conta.
– Então ele deve ser treinado – sentencia Harry.
E uma enorme discussão começou entre os ali presentes sobre o futuro que os aguardava.
– Seu treinamento começará amanhã pela manhã, meu jovem Lancelot – fala Hermione. – Como pertence à Casa de Gárgula, serei sua mentora. Eu mesma irei treiná-lo.
– Eu também desejo treiná-lo – Harry se coloca. – Porque se é desse garoto que todo nosso futuro depende, ele deve ser treinado pelo melhor.
– Concordo, por isso mesmo estou me encarregando dos treinos dele – rebate Hermione.
– Humpf, veremos que é o melhor logo, logo – resmunga Harry.
– Disse alguma coisa, sir Potter? – pergunta Mione irônica.
– Não – nega Harry de pronto. – Dumbledore, leve o menino para conhecer o castelo e explique-lhe as regras e todo o funcionamento daqui – solicita Harry se virando para sair. – E mande que alguém dê-lhe um banho e o vista com roupas decentes – finaliza se retirando.
Dumbledore então se aproxima do menino e o conduz direto para o banho. As roupas antigas são queimadas e novas lhes são dadas. Roupas com o brasão de seu clã.
† – † – †
– Venha, meu jovem – fala Dumbledore. – Irei te mostrar seu quarto.
Lancelot então acompanha Dumbledore em uma volta pelo castelo, depois que este lhe mostra seu quarto.
– Não se assuste com sir Harry – fala Dumbledore. – Ele é apenas um pouco duro com as pessoas. Harry foi criado no castelo, desde bebê. Seus pais foram mortos pelo Lorde das trevas e ele cresceu querendo vingança. Ficou com o coração de pedra e, quando a profecia foi revelada, seu coração já era tão duro que não havia como ele ser o Escolhido. Isso o endureceu mais ainda, porque tudo que ele quer é libertar estas terras.
– E lady Hermione? – questiona Lancelot.
– Ela foi criada junto com sir harry e treinada por mim, os dois foram. Ela é uma brava guerreira, como irá descobrir. A melhor em toda sua geração. A única que consegue controlar Harry, mas não espalhe. Os dois parecem se odiar, mas ninguém sabe o porquê. Eu acho que estimulei demais a competição entre eles quando jovens e Harry não suporta perder. Mas não se preocupe, eles não irão tentar se matar, eu espero – conta Dumbledore.
– Poderei chamá-la de tia? – Pergunta Lancelot
– Meu jovem Lance, só chame Hermione assim caso queira uma morte dolorosa. Ela não é do tipo maternal, pelo contrário, possui o coração tão duro quanto o de Harry.
– Certo – concorda Lance. – E quem era o cavaleiro que me salvou?
– Aquele é o Comandante Ronald Weasley – fala Dumbledore. – É um grande guerreiro e um dos poucos amigos daqueles dois problemáticos. Ele vem da Casa de Grifinória, um clã antigo famoso por sua coragem. Ele é casado com lady Luna, a guardiã das profecias e descendente da casa de Corvinal. Se busca uma jovem amável neste reino, ela é a mais doce de todas. Luna guarda as profecias de nosso reino e também conhece as famílias e histórias de nosso povo.
– Quem é aquele? – pergunta o menino indicando um jovem loiro que dava ordens perto dos estábulos.
– Oh, sim! Aquele é o Comandante Draco Malfoy – fala Dumbledore. – Ele ficou conhecido como traidor, mas é muito bem vindo aqui. Ele é do clã de Sonserina, o maior clã aliado ao Lorde das trevas, mas ele não é mau. Não gosta de ver o povo sofrer. E quando salvou Gina em batalha ao invés de matá-la, ele foi expulso. O que ninguém sabia era que ele e Gina já vinham se encontrando as escondidas depois que ele teve de atacar Hogwarts e foi derrotado justamente por Gina.
– Uau – exclama o garotinho. – Eles se gostam? Igual meus pais?
– Sim, Lance, eles são apaixonados. Draco a amou desde a primeira vez que a viu.
– E onde ela está? – Pergunta Lance
– Ginevra Weasley é a irmã do comandante Ron, e chefe da guarda de Hogwarts. Pode ser uma doce jovem, mas nunca a subestime. Ela explode facilmente. É uma ótima guerreira e com toda certeza irá te auxiliar a treinar. Nesse momento, deve estar junto a lady Granger resolvendo algum assunto do castelo.
– E quem é aquele ali? – pergunta agora indicando um rapaz bonito que estava no topo de uma torre dando ordem aos arqueiros.
– Aquele é o comandante Cedrico Diggory, líder dos arqueiros – fala Dumbledore. – Ele é da Casa de Lufa-Lufa e esta noivo da lady Cho Chang. Cho é filha um de nossos comandantes e auxilia curando os soldados feridos.
– Entendi, se eu me machucar, irei vê-la?
– Sim, mas ela não é a mais boazinha das enfermeiras – ri Dumbledore.
– Então sem machucados – Lance faz, sobressaltado.
– É bom, porque aqueles dois vão pegar pesado com você, meu jovem
– E já começa amanhã?
– Sim, não podemos perder tempo.
– E quem são elas? – pergunta Lance vendo duas moças se aproximarem junto com três rapazes.
– Lance, estes são sir Dino Thomas e sir Simas são cavaleiros. Sir Colin é o mensagem oficial de Hogwarts. E estas são lady Lila Brown e lady Parvati, ambas são feiticeiras – responde Dumbledore.
E assim o dia seguiu. Dumbledore explicou ao menino as regras do castelo e, depois que a noite caiu, Lance jantou na presença de Harry e Hermione. Depois foi conduzido ao seu quarto para que descansasse. A sua missão em Hogwarts estava apenas começando, e na manhã seguinte ele descobriria o caminho até que o seu destino fosse alcançado era cheio de desafios e percalços.
Continua...
