DISCLAIMER: Apenas a fanfic me pertence. Personagens, localizações, nomes, feitiços e artefatos pertencem a J. K. Rowling/Warner Bros ©.


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- Remus, pare de comer biscoitos antes do almoço - a mãe ralhou da sala e Remus revirou os olhos ao roubar mais dois e esconder o pote de volta em cima do armário. Pegava desde pequeno, mas agora sua altura lhe ajudava. A mãe não conseguiu se manter brava com ele e riu ao bater na cabeça do filho levemente com uma almofada e ele riu lhe passando um biscoito que ela aceitou rindo com cara de negação. Ele voltou pra sala e sentou no chão na base do sofá. O pai estava entretido com um livro na mesa, a cabeça enfiada embaixo da lâmpada. Remus não conseguia ler o título de onde estava, mas via desenhado numa folha uma flor roxa e comprida. Remus a encarou durante muito tempo antes de voltar a ouvir o rádio que estava dando as notícias de uma vila próxima. Enquanto a mãe acariciava os cabelos do filho começou a notar algumas cicatrizes no couro cabeludo. Não deixou o filho ver que ela estava contornando-as, apenas ficou em silêncio. Houve uma batida na porta bem lenta. Hope se virou para a porta e como ótima dona de casa desceu do sofá e ajeitou o avental em cima do vestido verde florido feito à mão. Ao andar, ajeitou o cabelo pra dentro do laço que mantinha as mechas juntas. Remus continuou mastigando o biscoito sem alterar nem feição, mas simplesmente se arrastou até a mesa de madeira antiga que o pai guardava um saquinho de pano com bolinhas de gude. Ele soltou as bolinhas no tapete de casa e as juntou para ficarem mais próximas a ele. Ele começou a preparar o seu campo de jogo e sentou de pernas de índio pra começar a atirar as bolinhas umas nas outras. Estava tão concentrado no jogo que não viu quando a mãe voltou para a sala e foi falar com o pai, mas ele com certeza notou quando o pai se levantou num grande pulo derrubando a cadeira e se jogando em cima da porta fechada.

- Hope, tranque a porta dos fundos! Ele veio pegar o Remus, corra! - ele disse baixinho. Enquanto a mãe corria para o fundo das casas, Remus se levantou, mas não fez absolutamente nada, ele continuou ali parado.

- Pai? - ele chamou - quem é? Por que o senhor acha que querem me levar? Pelo que eu… pelo que eu sou? - ele disse baixinho. O pai girou pra ele fazendo o sinal de silêncio, mas respondeu mesmo assim.

- Ele é um bruxo, Remus - ele explicou - Nenhum bruxo além de mim sabe sobre você. Bruxos não gostam de lobisomens. Ele não pode ter vindo com boas intenções, mesmo sendo uma boa pessoa - ele explicou - Nem ele irá tirar você de mim. - Remus engoliu em seco e deixou o pai trancar a porta e ir até a cozinha, tentar achar uma janela e ver se o tal bruxo continuava parado na porta, esperando pela oportunidade de entrar na casa. Remus engoliu em seco após dois minutos e forçou seu cérebro a retomar o controle do copo para fazê-lo se girar para voltar ao jogo. Precisava se distrair do barulho dos pais correndo de janela em janela. Eles não deixariam ninguém entrar. Certo? Errado. Ao virar, congelou, pois na sua frente havia um homem alto, com grande barba e cabelos brancos. Estava com uma túnica roxa e um chapéu pontudo, mas o que mais impressionou o menino foram os olhos de um extremo azul claro.

- Olá, pequeno Remus - o senhor disse com um sorriso caloroso - como vai você? - Remus não pode responder, apenas engoliu em seco mais uma vez e deu um passo para trás. Os pais provavelmente ainda não sabiam que ele estava dentro de casa. Precisava avisá-los. - Ah não - ele disse rindo e balançou a mão mostrando despreocupação - não precisa ter medo de mim. Aliás - ele continuou se sentando da mesma maneira que o menino estivera alguns instantes atrás - agradeceria se não gritasse por seus pais. Algumas ilusões irão mantê-los ocupados enquanto conversamos. Se importa? - ele disse pegando uma bolinha. Remus ainda assim não respondeu, mas balançou a cabeça e o senhor sorriu e atirou uma bolinha. Ele acertou em cheio. Remus não sorriu, apesar de ter gostado da jogada. Que cara estranho… Remus se sentou depois de alguns instantes e pegou uma bolinha também, não era sempre que tinha a oportunidade de jogar com alguém, já que o pai as mantinha por luxo e Remus aprendera a jogar sozinho. - Vamos lá, Sr. Lupin. - ele começou - meu nome é Albus Dumbledore. Sou diretor da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. - Remus arregalou os olhos - e vim fazer uma visita especial para você, afinal, você é um aluno especial… - ele deu uma piscadinha, e Remus sorriu. Não sabia por que, mas já sentia como se aquele senhor sentado jogando bolinhas de gude não iria lhe fazer nenhum mal.

- Você... realmente é um bruxo? – ele perguntou – como meu pai?

Dumbledore sorriu e na sua frente, bolinhas de gude começaram a dançar no ar, como se fossem fadas com inteligência própria. Remus não conseguiu se impedir de sorrir. Fazia tempo que o pai não fazia truques para encantá-lo assim. Ele estava prestes ao continuar quando ouviu um soluço atrás de si. Ambos viraram pra olhar os pais parados perto da porta de olhos arregalados.

- Remus - o pai chamou - venha aqui.

- Ah Sr. e Sra. Lupin, que prazer conhecê-los! - Albus Dumbledore disse sorrindo, mas sem se levantar. As bolinhas desceram ao chão. - estava eu começando a contar a minha jornada para o seu filho, mas fico feliz que tenham chego a ponto de ouvir também, me poupa mais um conto. Nenhum dos dois disse nada, mas Remus voltou sua atenção para o homem antes de olhar para o pai.

- Papai, ele é o diretor de Hogwarts. - ele disse sorrindo. Dumbledore sorriu ao ver a reação do menino.

- Sim Remus, eu sei - o pai respondeu baixinho e assentiu com a cabeça, sem tirar os olhos do homem de roxo na sala - Olá Prof. Dumbledore. Como vai?

- Muito bem, Lyall, obrigado. - ele respondeu sorrindo. - Vejo que fez um excelente trabalho ensinando seu garoto os princípios básicos de magia, ainda mais pensando que ele não poderia atender a escola, afinal, é um pensamento esperado considerando todos os pontos.

Remus voltou a olhar o senhor e engoliu em seco, se afastando lentamente ainda sentado.

- Você… você… - ele começou.

- Ah sim, Sr. Lupin - Dumbledore se dirigiu ao menino e depois aos pais - Eu sei da condição especial que o acompanha. Não deve ter sido nada fácil para ninguém nesta casa. E sinto muito por isso. - Ele disse finalizando o olhar em Hope. Ela abaixou a cabeça e concentrou as forças para não chorar. - Vim na verdade, como estava dizendo, para lhe oferecer uma sugestão. - dizendo isso então, Dumbledore se levantou, sem fraquejar por idade nem nada do tipo. Fez um gesto para que os pais viessem até ele e se sentasse. Eles obedeceram, e Dumbledore se sentou na poltrona que Hope gostava. - A minha sugestão é a seguinte. Remus é um bruxo, não há como negar isso. Mesmo sendo mestiço, a magia corre em seu sangue. Isso significa que ele tem uma vaga dentro de Hogwarts e eu planejo lhe dá-la.

Houve um pequeno silêncio na casa e Remus se levantou, sendo o primeiro a ter uma reação.

- O Senhor quer que eu frequente Hogwarts? – ele disse pausadamente - Mesmo sabendo pelo que eu passo? Eu poderia ser perigoso lá! - ele disse encantado. Dumbledore sorriu, mas antes que pudesse responder, Lyall esticou o braço e o passou pela cintura do filho, o puxando para si.

- É uma oferta… mais generosa do que um dia esperei receber, Prof. Dumbledore - ele disse com lágrimas nos olhos, não combinando absolutamente nada com os cabelos grisalhos e marcas de sorriso nos olhos - porém como isso poderia funcionar? Amo meu filho, mas reconheço que nos períodos de lua cheia ele pode se tornar uma criatura descontrolada. Ele poderia ferir alguns alunos! O que o mundo da magia iria pensar? Quantos pais mandariam os filhos para Hogwarts se soubessem que há um lobisomem no mesmo dormitório? E o preconceito que ele sofreria naquele lugar? - Remus começou a chorar. Sabia que o pai jamais o deixaria ir. Ele tinha consciência que falava aquilo pelo seu bem e que o pai desejava nada mais que o menino frequentasse a escola, mas ele tinha razão. Jamais poderia ir. Sua vida acadêmica simplesmente não tinha como acontecer.

- Na verdade Sr. Lupin - Dumbledore continuou - fiz questão eu mesmo de preparar várias coisas na escola para que fosse possível seu filho estudar lá. Deixe-me explicar. - ele começou. Esticou as mãos para frente e ali surgiu uma imagem fraca e pouco brilhosa, mas mostrava como um livro velho o que ele queria dizer - Fiz questão de encomendar o Salgueiro Lutador para nos ajudar. O plantamos bem em cima do túnel que iremos utilizar. É uma árvore temperamental - ele disse franzindo o cenho, seja lá o que isso queria dizer, Remus pensou - mas irá protegê-lo. No pé da árvore, há um botão. Isso o imobilizará para que Remus entre no túnel e chegue a seu destino final a salvo. - conforme ele falava, as imagens o acompanhavam - Compramos uma casa no vilarejo de Hogsmeade, acredito que conheça Lyall. Ela está abandonada. Lá, Remus passará as noites de lua cheia e retornará na manhã seguinte para ser tratado pelas enfermeiras da escola. Todas elas têm consciência do que ele é, mas esse segredo jamais sairá de nenhuma delas. É um segredo que estamos dispostos a manter.

Houve um eterno silêncio após a imagem desaparecer. Remus tinha parado de chorar, em parte encantado com as imagens e em outra com os planos do Professor poderia funcionar. Teria amigos.

- Pai, me deixe ir - ele pediu. Todos os olhos se alternaram pra ele. Ele estava congelado, com medo da resposta dura que poderia lhe responder. O pai encostou a cabeça em seu ombro, mas Hope continuou olhando para o senhor de barba branca.

- Senhor Dumbledore. – Hope chamou e ele a olhou carinhosamente – O senhor me garante, que ao deixar meu filho frequentar essa escola, ele estará seguro? Não somente de alunos, mas como de bruxos no geral que lhe desejam crueldade?

Dumbledore sorriu calmamente. – Com toda certeza, Sra. Lupin.

- Eu ainda tenho medo Remus. Mas devo admitir, é um bom plano. – Lyall disse baixinho. Remus esperou em silêncio e sentiu o rosto começando a ficar quente e corado pelo súbito ataque de choro. Dumbledore aguardou em silêncio e observou quando Hope pôs a mão na perna de Lyall, o incentivando. Ele suspirou. - Pode funcionar. Podemos testar os primeiros meses e se… - ele disse. Remus sorriu e o abraçou num pulo. Dumbledore sorriu e bateu as mãos numa comemoração, mas se surpreendeu quando a moça loira o abraçou pelo pescoço. - Obrigada. - ela chorou em seu peito. Dumbledore sorriu e a abraçou de volta. Quando soltaram, Dumbledore passou as últimas informações sobre como funcionava as voltas às aulas, as cartas e as compras no Beco Diagonal. Como Lyall já havia frequentado Hogwarts, sabia como funcionava. Faltavam poucos dias para o início das aulas em 1º de Setembro, mas daria tempo. Depois de tomar um chá e comer bolo de laranja feito por uma Hope chorosa, Dumbledore partiu com um sorriso, deixando para trás uma família sorridente e um menino que corria para fazer a mala de poucas roupas velhas que tinha.

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