Sailor Moon Pertence à Naoko Takeuchi e a empresas associadas a ela.

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Capítulo 2: Reflexos da Alma – Parte 2

Agosto de 2017

Crystal Tokyo, Japão

- Há – exclamou feliz Hotaru ao constatar que ninguém tinha mexido na sua torta, torta a qual sua Tia Makoto havia feito especialmente para ela. Nem seu pai que adorava doces se atreveu a toca-la, afinal era sua torta favorita.

Hoje sua melhor amiga vinha passar a noite, embora fosse normal que isso ocorresse, ela não podia evitar ficar um pouco excitada. Elas iriam brincar com as bonecas que sua amiga traria e assistir filme de terror escondidas sob o cobertor, na esperança que seus pais não descobrissem. Afinal já não eram, mas crianças, já tinham nove e oito anos respectivamente e adoravam assistir filmes de terror, mesmo que seus pais proibissem...

- Só mais uma hora – Hotaru olhou para o relógio e sorriu.

- Eu não vou deixar Michiru tocar em um estádio! - Gritou uma voz muito irritada e Hotaru suspirou profundamente.

- Porque não? Ela e uma violinista, Haruka! Ela precisa de sua música e dos shows, mesmo que você não queira! - Retrucou outra voz também muito irritada, Hotaru deu de ombros e foi em direção as vozes. Ela já estava acostumada a esse tipo de "brigas", afinal, as duas pessoas que estavam discutindo na sala de estar da casa, nunca se deram muito bem. Ela adorava seu pai e seu Tio Seiya, mas não tinha como negar que os dois juntos sempre foi motivo de confusões.

- Eu não vou deixar a minha esposa grávida, fazer shows ate que nosso filho nasça! E nem você e nem Minako podem dizer o contrario! – Gritou Haruka fechando os punhos num intuito de conter a raiva.

- Você não pode impedi-la! – Seiya respondeu. Hotaru suspirou e encostou-se na parede para assisti-los. – Onde estavam Tia Minako ou mamãe quando se precisava delas? - Pensou Hotaru chateada.

- Estou apenas preocupada com a saúde dela e de nosso filho!

- O seu filho? Mas como você...

- SIM, nosso filho!

- Mas vocês são duas mulheres... como...

- Você não esta no seu planeta Seiya, a medicina evoluiu muito na terra nos últimos anos...

- Nani?

Hotaru revirou os olhos, como duas pessoas podiam ser tão cabeça duras? As brigas estavam ficando cada vez piores, antes eram apenas inofensivas, mas desde o mês passado Seiya estava cada vez mais irritadiço. Qualquer pequeno problema era motivo de guerra para ele, e infelizmente Haruka tinha o pavio muito curto para atura-lo.

- Talvez seja porque sua família foi embora...Hotaru pensou afinal desde que a princesa Kakyuu decidiu voltar ao seu planeta, Seiya sempre estava triste e com um humor terrível. E esse humor só piorou quando Taiki e Yaten decidiram acompanhar a sua princesa, apenas Seiya quis ficar na Terra, por motivos que ele nunca revelou. Uma vez ela tinha escutado sem querer uma conversa de seus pais, eles falavam que o motivo de Seiya não voltar para seu planeta natal e que ele tinha esperanças que a Rainha Usagi retribuísse o seu amor. Hotaru não tinha entendido na ocasião, Rainha Usagi sempre foi muito agradável com todas as pessoas que conhecia e as pessoas do seu reino, então não havia duvidas que ela gostava de Seiya também. Então uma vez ela relatou tal fato para a Rainha, a qual a abraçara e falara que ela entenderia quando fosse mais velha.

- Deixa de ser idiota!

- Você que e uma Idiota

Eles pareciam dois tigres, prontos pra pular um no pescoço do outro, mas naquele instante um leão se pôs entre eles, com um olhar que parecia querer incinerá-los, os recriminando como se fossem duas crianças pequenas que fizeram algo muito errado.

- Haruka! Seiya! – Rei olhos para eles com raiva. Vocês podem parar de se comportar como crianças? E tão difícil!? Vocês estão me atrapalhando, tenho que estudar, mas não consigo me concentrar com vocês brigando o tempo todo!

Nesse ponto Haruka começou a rir e Hotaru teve quer rir também ao ver sua Tia Rei ficando da cor de uma maça de tão corada.

- Você quis dizer, que você quer humilhar a concorrência, certo Rei? Porque não temos duvidas que você vá ganhar o estagio.

A Senshi do fogo tossiu para disfarçar o embaraço.

- Eu não teria tanta certeza, não enquanto Aka-chan transformar minhas noites em dias – Ela bocejou e foi em direção ao jardim, onde ela teria um pouco de paz, pelo menos por enquanto.

Akari

Hotaru sorriu ao lembrar-se da sua sobrinha, uma bela garotinha de cabelos negros e olhos avelãs, filha de Tia Rei que tinha acabado de completar dois anos.

Os amigos de Rei haviam ficado chocados quando a, na época, estudante de advocacia lhes dissera que estava grávida, sem dizer quem era o pai ou ao menos como tinha ocorrido, mas mesmo assim, todas as suas amigas tinham se apaixonado pela garotinha de olhos penetrantes e espirito rebelde. Sua Tia Minako sempre culpava seu pai por isso, já que ela tinha passado muito tempo ao redor de Akari. Hotaru lembrava que seu pai tinha gargalhado e falado que Minako não ficava muito atrás, já que ela não conseguia dizer não a Aka-chan.

Hotaru observou como a mulher de cabelos negros andou em direção ao jardim. Sua Tia Rei queria terminar os estudos no ano passado, mas depois que sua filha nasceu ela precisou trancar a faculdade por um ano, ano que ela passou junto a eles. Tia Minako também ficava com eles, quando não estava em turnê, ela não perdia chance de ficar perto de Rei e Akari, que adorava a cantora quase como se fosse sua mãe.

O nascimento de Akari, fez com que Hotaru deseja-se ter uma irmãzinha, assim como seus pais queriam outro filho, então eles começaram um tratamento no hospital e agora sua mãe estava gravida. Hotaru ainda não entendia como acontecera, mas a única coisa que interessava e que ela teria uma irmãzinha e isso era tudo o que importava. Sua melhor amiga tinha ficado com ciúmes, mas mesmo assim ela estava tão feliz quanto Hotaru.

- Não! E isso e a ultima coisa que você ira ouvir de mim! – Haruka disse e olhou em direção a sua filha. – Que horas temos que ir pegar Chibiusa? – perguntou enquanto acaricia os cabelos negros de sua filha, que simplesmente sorriu feliz.

- Conhecendo Anjinha, ainda temos meia hora – Hotaru riu olhando novamente para o relógio no pulso. – Podemos ir daqui a 10 minutos? – Ela estava ansiosa para mostrar o seu novo baralho de cartas, que sua Tia Minako tinha trouxera da Inglaterra onde tivera sua ultima turnê.

- Claro. Pegue seu casaco e seus sapatos. – Disse Haruka enquanto andava em direção à cozinha, para fazer um café para se acalmar. Precisava se controlar, quase batera em Seiya de novo, ela tinha prometido a sua esposa que não perderia o controle novamente, da ultima vez quase usou seus poderes na frente de Hotaru, ela não podia saber quem eram eles, quem ela era, nunca...

Seiya fechou os punhos e olhou o céu pela janela. Hotaru correu para o seu quarto para buscar o seu casaco, ela era esperta o suficiente para não incomodá-lo. Mesmo sendo verão ela não queria correr o risco de pegar uma gripe por causa do vento.

- Anjinha... – Ela sorriu e olho para o espelho para tentar pentear o cabelo bagunçado, embora tentasse sempre ficava bagunçado. Como uma moleca, como sua mãe dizia com pesar na voz.

Mas um reflexo da luz no espelho fez com que Hotaru congela-se em medo. No espelho uma sombra rastejou lentamente em direção a uma pessoa, ela não conseguia ver o rosto, nem os olhos da pessoa, mas ela conhecia aquele físico.

- Por favor... – Ela prendeu a respiração e balançou a cabeça não querendo acreditar quando viu a pessoa sendo engolida pela sombra.

- Não – Hotaru jogou o casaco em cima do espelho cobrindo- o e correu em direção ao quarto dos seus pais.

- MAMÃE! - Seu grito escoou por toda a casa, enquanto as lagrimas desciam dos olhos negros.

- Não, ela não – Ela abriu a porta dos seus pais sem ao menos bater.

- MAMÃE! – gritou novamente, tentando abrir a porta da suíte de seus pais, mas a porta estava trancada, e tentou forçá-la, mas não era forte o suficiente. – MAMÃE! – gritou enquanto chutava a porta, mas ninguém respondia.

- Não, por favor, não a leve de mim. – Hotaru chorava enquanto tentava em vão abrir a porta, ate sentir braços fortes a afastando da porta. Ela levantou a cabeça e olhou para o seu pai que estava muito pálido.

- Michi? – Haruka bateu na porta, mas ninguém responde. – Querida, você esta bem? – tentou novamente, mas não obteve resposta.

- MICHIRU! – Haruka gritou e olhou diretamente para os olhos aterrorizados de sua filha. Temendo que algo terrível tivesse acontecido.

- Querida? Se puder me ouvir, afaste-se da porta. Estou entrando! - Haruka afastou sua filha da porta, tomou impulso e chutou a porta com força, quebrando a fechadura desta imediatamente. No mesmo instante Rei e Seiya entravam correndo no quarto alarmados pelo barulho.

- Michi? – Haruka não viu o sangue que cobria os tapetes e manchava os azulejos brancos da suíte, ela não ouviu os soluços de Hotaru e os suspiros chocados dos outros. Ela só viu sua Michi, seu anjo, caída no meio de um mar de sangue, segurando sua barriga gemendo de dor. Lagrimas desciam silenciosas pelas bochechas de Michiru enquanto Haruka abraçava sua esposa que tremia.

- Querida? – Haruka sussurrou, enquanto Rei pegava Hotaru nos braços e a retirava dali.

Seiya sentiu a garganta secar e viu quando Rei ia em direção as escadas com Hotaru em braços, certamente para chamar Ami e uma ambulância.

- Michi? – Haruka embalava em seus braços a sua esposa com ternura enquanto beijava as suas bochechas molhadas de lagrimas, também sentindo como as lagrimas escorriam pelo seu próprio rosto.

- Gomem, Ruka... – Michiru conseguiu falar entre soluços. – Eu perdi, nosso bebê...

Notas do Autor:

*Bandeirinha Branca*, por favor antes que matem a autora, foi por uma causa justa juro! E como pedido de paz essa semana mesmo estou colocando o capitulo 3, bye.