O Melhor Amigo Gay
Edward sempre foi o melhor amigo de Bella, mas quer uma novidade? Ele também é perdidamente apaixonado por ela. O problema? Ela pensa que ele é gay.
Quando Bella resolve contar para o seu melhor amigo, Edward, que vai se casar dentro de dois meses com Jacob Black, ele decide uma coisa... Fará de tudo para impedí-la e provar de todas as maneiras que a ama verdadeiramente.
Uma história as avessas, onde o cara é que parece estar sempre em apuros, a mocinha tem sempre o poder de livrá-lo e o seu rival, parece sempre se dar bem no final. Mas será que essa história tem um final convencional?
[N/A]: Oiie meus amores. Então, me perdoem por atrasar o dia de postagem de novo. O certo seria ontem, mas eu estava passando mal aí já viram né... Bom, queria deixar bem claro que nesse capitulo tem algumas referências. E peço que me perdoem, porque eu sinceramente sou péssima tanto com Moda quanto com Futebol Americano. Mas eu pesquisei muito e fiz o meu melhor para isso. Espero que gostem.
AGRADECENDO AS REVIEWS DE: Marina, FeePattinson, Beatriz Andrade, Lynn, Fliynn e Maggie. Obrigada amores. Vocês são maravilhosas. E respondendo a Maggie, Não flor. Eu não desisti de AGCL. Eu apenas ando sem ideias, mas assim que possivel postarei lá. Prometo. ^^
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Beijinhos de Sangue e Mordidinhas no Pescoço, Ina.
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Capitulo 2 - Por onde diabos você andou?
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~ 9 anos depois ~
2010, Boston, Massachusetts
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- James. James. James! – eu gritei com ele. Aparentemente o Sr. Mais uma tequila, não conseguia ficar com os olhos abertos essa manha.
- Que é, Eddie... – ele resmungou. – Não seja um pé no saco. Me deixe dormir e pare de gritar.
- Oh, não se preocupe. Eu pararei. Assim que me disser onde estão as chaves do meu carro. – James se revirou na cama e cobriu a cabeça com um travesseiro.
- Hey! – eu gritei mais uma vez apenas para irritá-lo. – As chaves! Agora! – e então puxei o travesseiro de cima da sua cabeça.
- Ta legal... só fale baixo. Tem gente de ressaca aqui. – James rolou pela cama e se pos de pé.
- Ai cara! – berrei e joguei o lençol em cima dele. – Se cubra pelo amor de Deus! Eu não mereço essa visão do inferno.
Mesmo de ressaca, James se enrolou no lençol como se fosse uma menininha e sorriu para mim.
- Ta legal, Cullen. Você sabe que ama esse filé mignon aqui.
Revirei meus olhos para ele, mas o empurrei para fora do quarto em direção a sala.
- Chaves. – resmunguei.
- Ta legal... chaves. – James coçou a cabeça e olhou ao redor. – Chaves, chaves, chaves. Onde eu as pus? Talvez...
Ele caminhou rapidamente pela sala e alcançou suas calças que estavam jogadas em cima de um sofá no canto.
- Er, não. – ele olhou para mim. – Já sei! Bancada da cozinha...
- Já olhei lá. James, isso é sério. Eu preciso ir trabalhar.
- Trabalhar? Eddie, hoje é sábado.
- Não me chame de Eddie. – disse fazendo careta e apontando um dedo para ele. – E hoje é segunda.
- Tanto faz, - James ainda perambulava pela casa. – Desde quando você trabalha?
- Se eu conseguir achar as minhas chaves, desde hoje. Eu começo hoje, esqueceu?
- Ah! – James bateu na própria testa, voltou até o sofá e meteu a mão no bolso interno do seu palitó. – Claro, como pude esquecer?!
Ele tirou as chaves de lá e me jogou enquanto soprava um beijo.
- Sorte, cadela. – ele resmungou.
- Que você morra, seu gayzinho. – resmunguei de volta sorrindo.
- Beija a minha bunda, Cullen. – James me deu o dedo do meio enquanto rebolava de volta para o quarto.
- Será que vocês poderiam parar de berrar feito duas garotinhas? Pelo amor de Deus! Tem gente que está com a cabeça prestes a explodir aqui. – Riley, nosso outro colega de quarto, por assim dizer, levantou sua cabeça de trás do sofá. Ele estava desmaiado ali não sei quanto tempo e para falar a verdade, eu nem tinha notado.
- Cala a boca, Riley! – eu gritei para ele. Em parte porque o irritaria, em parte porque ele estava me irritando. – Eu sei que não é da minha conta, mas você não deveria estar se arrumando para trabalhar?
- Cullen... – Riley resmungou. – Hoje é sábado!
Eu desatei a rir.
- Foi isso que James te disse para convencê-lo a sair ontem? Que hoje seria sábado? – Riley se arrastou do chão para cima do sofá.
- Mais ou menos isso. Bom, talvez. Não consigo me lembrar agora...
- Riley... – disse enfiando as chaves do meu carro no bolso da calça jeans, pegando minha pasta e andando até a porta. – Hoje é segunda.
Enquanto eu abria a porta e saia, ainda pude ver Riley dar um pulo gigantesco do sofá. Acho que nunca o vi tão desperto.
- Merda! – ele gritou. – James!
Então fechei a porta e desci os cinco lances de escada que tinham no nosso prédio. Assim que cheguei ao estacionamento, corri em direção ao meu Volvo. Queria ter certeza absoluta de que ele estava intacto depois de passar uma noite nas mãos do James e do Riley.
Era um milagre que tivessem chegado vivos em casa depois de beberem tanto.
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- ...Você teria algum problema de horário, Sr. Cullen? - Jessica me perguntava. Já tinha anos que eu não a via, mas de alguma forma, eu acho que ela não me reconheceu.
- Não, Srta. Jessica. Nenhum problema. Você pode avisar a sua chefe que qualquer horário que for designado a mim está bom. – Jessica deu um sorriso colgate, levantou-se de sua mesa e foi até a sala da diretora.
Quando ela voltou alguns minutos depois, anunciou que a diretora estava me esperando. Reuni minhas coisas e me levantei.
- Hum, Sr. Cullen. – Jessica me chamou. – Sei que isso pode lhe parecer estranho, mas olhei na sua ficha e vi que seu nome é Edward Cullen. – ela sorriu sem graça. – Por um acaso seria...?
Nem esperei que ela terminasse.
- Já faz muitos anos, Jessica. Mas você não mudou nada. – sorri educadamente enquanto Jessica me encarava perplexa.
- Mas onde diabos foi que você se meteu esses anos todos? – pude ouvir ela indagar a si mesma sobre mim até que entrei na sala e fechei a porta.
- Ora, ora, ora. Olha só o que os ventos trazem para mim. – a linda mulher sentada atrás da mesa exclamou. Dei a ela meu sorriso convencido e me aproximei a passos rápidos para abraçá-la.
Como sempre, assim que coloquei meus braços ao seu redor, ela trouxe suas mãos a minha bunda. E riu.
- Velhos hábitos, Anthony. São difíceis de morrer.
- Diga isso ao seu noivo e não a mim. – ela sorriu e se afastou.
- Não se preocupe. Ele sabe que a única coisa que sinto por você é um profundo amor platônico... pela sua bunda. – eu e ela gargalhamos.
- Okay. Mas agora tire suas mãos de cima dela e deixe que eu me sente nessa maravilhosa poltrona a sua frente.
Ela fez uma pequena reverencia em minha direção e eu me acomodei confortavelmente a frente dela.
- Não que eu esteja questionando os bons ventos, Anthony. Mas o que você está fazendo aqui? – eu sorri e sacudi minha cabeça de um lado para o outro.
- Imaginei que você não saberia. Apesar de ser a diretora da escola, tenho certeza de que não perde seu tempo entrevistando candidatos a vaga de professor de literatura. – ela arqueou uma sobrancelha.
- Você?
- Eu. Em carne e osso. – apontei para mim mesmo e dei de ombros.
- E o que aconteceu com o seu "projeto"? – ela fez aspas ao falar projeto, o que fez me lembrar que era assim mesmo que eu falava.
- Morreu. Antes mesmo de sair do papel.
- Lamento muito, Anthony. Sabe que sempre torci por você.
- Tudo bem. – dei de ombros. – Acho que é a vida. Sabia onde estava me metendo quando decidi fazer minha faculdade. Eu corri o risco... mas agora é hora da vida real.
- Vida real? Olha só, quem diria?! O senhor sonhador com os dois pés no chão! – ela gargalhou e piscou para mim. – O que te fez mudar de ideia?
- As contas que estão se acumulando na minha mesa de jantar.
- Não seja um mentiroso. E o Riley e o James? – ela disse batendo com a caneta na ponta da mesa.
- Ainda estão lá. Mas o Riley chega mais atrasado no trabalho do que na hora certa, é um milagre que ainda não tenha sido demitido. E James... bom, é o James. Nunca arruma um emprego. Ele diz que não precisa já que os pais têm dinheiro. E sinceramente? Eu não ligo contanto que ele pague a parte dele. – ela riu e sua risada pareceu reconfortante para mim.
- James... sinto saudades daquele louco. Ainda...?
- Tão gay como sempre. – eu disse balançando a cabeça em desalento.
- E você, Eddie? – fiz uma careta nesse apelido desprezível.
- Muito engraçadinha. Ha ha. – ela para algum crédito, pediu desculpas. – Sabe que não curto essas piadas e muito menos essas coisas.
- Okay. Tudo bem, vou ficar quieta. Presumo então que ainda esteja apaixonado por...
- Não.
- Não? – ela arqueou uma sobrancelha.
- Não. – reafirmei.
- Oras! Essa é uma novidade e tanto. Como isso aconteceu? – me remexi desconfortavelmente na cadeira.
- Bem... eu não sei exatamente. – vendo meu desconforto minha velha amiga apenas riu.
- Bom, deixamos isso para lá. A coordenadora pedagógica do colégio ficou muito impressionada com você e com o seu currículo. Mas sabendo de quem se trata agora, me pergunto se seria realmente pelo seu currículo que ela ficou impressionada... – e ela me deu um sorriso sarcástico.
- Engraçadinha. Saiba que eu não joguei charme nenhum para cima dela.
- Oh, Anthony. Não seja ingênuo. Sabe muito bem que nem precisa fazer isso... um piscada, uma piscadinha e ela cairia aos seus pés.
Revirei meus olhos.
- Não me enrole. Vou ficar com a vaga ou não? – ela riu e se levantou da cadeira.
- A vaga é sua. – então estendemos as mãos e nos cumprimentamos.
- Obrigado. Devo ir agora... tenho uma aula para dar. – disse entusiasticamente enquanto puxava o meu horário de aulas da sua mão.
Quando estava prestes a sair, sua voz me parou.
- E Edward?
- Sim? – me virei para vê-la.
- Bella volta hoje. – então ela sorriu e voltou sua atenção para os papeis em cima da sua mesa.
- Obrigada, Jane. – eu meio que resmunguei. Mas na verdade eu queria dizer, "Eu já sabia".
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- E não se esqueçam de lerem o primeiro capitulo de Sonhos de Uma Noite de Verão para a próxima aula. – eu gritava por cima do burburinho dos alunos se dispersando no corredor.
Meu primeiro dia de trabalho. No geral eu penso que me saí bem. Pelo menos não fui xingado nem atacado por ninguém.
Sorri satisfeito comigo mesmo e me virei para apagar o que escrevi no quadro negro.
- Você parece ter sido feito para essa sala de aula. – ao ouvir aquela voz fina e musical, me virei rapidamente em direção a entrada.
Parada na porta, encostada relaxadamente no batente, estava minha irmã. Meu coração se aqueceu. Parecia que eu não a via há anos, mas sabia que fazia apenas alguns meses.
- O que você faz aqui? – perguntei com um sorriso singelo no rosto.
- Vim visitar meu irmão mais bonito. – Alice disse com seus trejeitos de fada.
- Allie, eu sou o seu único irmão! – resmunguei enquanto largava o apagador e andava em sua direção.
- Exatamente por isso... – ela disse revirando os olhos. Quando eu a abracei, ela relaxou em meus braços. – Estava com saudades, Eddie. E já que não vai nos ver, eu vim até você.
- Sabe que odeio esse apelido. – disse fazendo uma careta. – E por favor, nem faz tanto tempo assim...
- Oito meses. – ela disse com uma cara emburrada.
- Okay, faz muito tempo. – disse coçando a nuca. – Mas você tem que entender que eu estava correndo atrás do meu sonho, pequena duende.
Ela me estirou a língua por causa do apelido infame, mas ficou calada.
- Eu entendo, Eddie. Mas no que isso adiantou? Você foi e voltou mais triste ainda... – ela resmungou fazendo um bico e sentando-se numa das cadeiras vazias.
- Eu não estou triste.
- Oh, por favor! Não adianta tentar me convencer do contrário. Posso ler sua alma, esqueceu? – ela bufou indignada. – Você pode não estar triste agora, afinal está aqui... no ambiente que tanto gosta. – ela disse abrindo os braços e olhando ao redor. – Mas feliz eu sei que não está.
- Alice! – eu resmunguei e cocei a testa. – Afinal de contas, o que diabos veio fazer aqui?
Ela não titubeou. Uma qualidade que admiro em minha irmã. Alice não é de fazer rodeios.
- Isabella volta hoje. – engoli em seco, mas nada disse.
- Você me ouviu, Edward? Disse que Isabella...
- E o que eu tenho a ver com isso? – disparei enquanto enfiava rapidamente tudo dentro da minha pasta.
- Ah, Edward! – Alice se aproximou e colocou a mão no meu ombro. – Sempre tão bom em mentir para os outros, mas não para você mesmo. – ela suspirou. – E nem para mim.
- Alice...
- Sou sua irmã. É meu dever saber quando está mentindo.
- Não me enrole, quero saber o que eu tenho a ver com a volta de Isabella.
- Fora o motivo óbvio? – quando fiz cara feia, Alice levantou as mãos num gesto de paz. – Okay. Não me mate, por favor.
- E porque eu te mata...
- MamãeepapaiconvidaramBellapa rajantaressanoiteláemcasa. – ela disse tudo de uma vez.
Respirei profundamente. Eu tinha levado um minuto para entender, mas quando entendi... quase surtei. E Alice tinha razão, eu iria matá-la.
- O que? Alice como diabos deixou isso acontecer?
- Hey, não culpe a mensageira! Eu não fiz nada.
Levei as mãos ao rosto e arrepiei mais ainda meus cabelos.
- Claro que não. Papai e mamãe sabiam muito bem que seria seguro se você trouxesse a informação... – disse desgostoso.
- Edward! Não é bem assim... eles só querem que fique feliz. Eles não sabem de nada. – Allie deu de ombros. – Além do mais, ela é sua melhor amiga em todo o mundo. Acharam que você poderia querer vê-la, sei lá.
- Depois de nove anos? Nove anos sem uma maldita de uma noticia decente sobre ela? Allie, nem você pode ser tão ingênua.
Alice apenas balançou a cabeça.
- Ela me ligou ontem.
- O que-que? – não era minha intenção, mas gaguejei.
- Edward! Você sabe que ela liga uma vez por mês para saber de você. Disse que está preocupada, que já tem tempo que não se falam, que você não responde aos emails dela.
- Claro, aquela porcaria que ela manda uma vez por mês? Ela nem se dignou a me telefonar. – joguei as mãos para o céu. – Esqueça os telefonemas! Ela nem se despediu de mim, Alice. Ela foi embora! Em-bo-ra! Entendeu agora?
- Edward! Acalme-se. – peguei minha pasta e andei em direção a porta.
- Não tenho nenhuma obrigação com ela. E não quero vê-la...
- Edward... – Alice implorou.
- Avise aos nossos pais que não aparecerei no jantar.
- Edward... – Alice praticamente tinha que correr para conseguir acompanhar meus passos. Estávamos agora em frente a sala dos professores.
- Só avise. – resmunguei enquanto coçava a testa.
- Você sabe que vai! – ela gritou quando ameacei entrar na sala. Esperei até que ela estivesse ao meu lado.
- Como pode ter tanta certeza? – desafiei.
- Simples. Você a ama. Alem do mais, você sempre faz o certo...
Então ela piscou para mim, me deu as costas e foi embora.
Pequena duende maligna!
Dessa vez, eu teria que provar que ela estava errada.
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- E como foi o primeiro dia de trabalho do meu garoto favorito? – James me cumprimentou assim que pus os pés no apartamento.
Ele estava na cozinha e para variar, estava preparando um drinque. Pelo amor de Deus! Eu acho que ele era a pessoa que tinha a melhor tolerância a álcool que eu conhecia.
- Hawr! – resmunguei. James riu e se apoiou na bancada de mármore que separava a sala da cozinha.
- E isso significa? – ele disse arqueando uma sobrancelha quando me joguei no sofá, isso fez com que ele viesse da cozinha para a sala. Fechei os olhos e suprimi o mundo ao meu redor.
Eu estava com uma baita dor de cabeça. O dia que tinha começado tão promissor, tinha se transformado numa grande catástrofe. E eram apenas cinco da tarde, imagine.
Estava tão tenso que quase pulei quando senti as mãos de James no meu ombro. Ele começou a massagear o ponto mais tenso. Levei minhas mãos ao rosto esfregando a testa.
- Eddie... – James resmungou atrás de mim. – Relaxe! Você está mais tenso que um cabo de alta tensão. O dia foi tão ruim assim?
- Ahwr! – resmunguei novamente e isso o fez rir. – E ainda vai piorar.
James bufou e podia apostar qualquer coisa que ele estava revirando os olhos.
- Por favor! Porque acha isso?
Nessa hora a porta se abriu, abri meus olhos e vi Riley entrando. Ele parou com a pasta na mão e nos encarou por vários minutos. E então começou a rir.
- Meninas! Começaram a festa sem me esperar... Que maldade!
James entrou no clima e abraçou minhas costas.
- O que posso fazer? Não consigo tirar as mãos desse ruivo lindo.
Eu quase sorri, mas meu humor estava sombrio demais para entrar na brincadeira. E os dois devem ter notado minha cara feia, pois na mesma hora pararam e me encararam.
- Qual o problema? – Riley perguntou fechando a porta com o pé e se jogando ao meu lado no sofá.
- Isso era o que eu estava tentando descobrir. – James fez uma careta imensa e se sentou no braço do sofá colocando o braço ao redor dos meus ombros.
- Vamos lá, Edward. O que aconteceu? – Riley perguntou com um tom de voz sério. – Foi algo no emprego?
Eu o conhecia há 9 anos e apesar dele ser quatro anos mais velho que eu, nunca o tinha visto tão sério. A verdade é que ele e James são meus melhores amigos e se preocupam comigo.
Às vezes até demais. Tanto a ponto de eu não conseguir esconder nada deles, por isso decidi nem tentar.
- Não, Riley. O emprego é maravilhoso. Meu primeiro dia foi bom.
- Então o que foi, ruivo? – James às vezes me tratava como uma criança, como agora, enquanto mexia nos meus cabelos e me chamava de ruivo. Suspirei.
- Bella voltou à cidade. – os dois prenderam a respiração, mas Riley foi o primeiro a falar.
- Eu já sabia... – nem perguntei como. Apesar de trabalhar num escritório de advocacia, Riley estava sempre antenado sobre tudo. É como dizem, as fofocas voam, até mesmo nos andares do RH de uma empresa de advocacia. Ou talvez, principalmente ali.
- Essa não é a pior parte. – levantei do sofá e caminhei até o corredor. Os dois não me seguiram, mas eu podia sentir a impaciência de ambos, mesmo a distancia.
- Edward! – James finalmente explodiu. Parei em frente à porta do meu quarto.
- Meu pais a convidaram para jantar. Essa noite.
Esperei alguma reação deles, mas ambos pareciam petrificados no lugar, aproveitei a deixa para fechar a porta e me lançar sobre a cama. Talvez se eu rezasse bastante um buraco negro se abriria no chão e eu seria sugado.
Como, meu senhor!, uma mulher pode me afetar tanto? E olha que eu ainda nem a encontrei...
Enfiei a cabeça no travesseiro e desejei morrer.
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Ouvi as vozes antes de despertar. Não sabia quanto tempo já estava dormindo, mas sinceramente, não fazia questão de acordar.
- Nós temos que fazer uma intervenção... – resmunguei com o barulho e isso fez a pessoa rir.
- Tem certeza? Não gosto de me meter na vida alheia.
- Sério, Riley? Porque pelo o que o Eddie contou foi você que desencadeou tudo com sua sessão psicológica.
- Eu? Quê? E você que tentou beijá-lo?!
- Hey! Um pequeno desvio de percurso. O erro não se repetiu.
- Porque o Edward não quis. – Riley começou a rir e eu desisti de continuar dormindo até porque esses dois eram bem escandalosos. Estavam aos berros já. Me sentei na cama e encarei os dois pares de olhos a minha frente.
- Parem de gritar. Já acordei. – resmunguei de mau humor.
- Eddie! – James soltou um gritinho histérico. – Eu queria ter te acordado. – e ele fez um bico enorme.
- Bom, se não estivesse aos gritos com Riley, talvez tivesse conseguido isso.
Riley não conseguia parar de rir. Não sei se pelo meu mau humor ou se pela cara de ofendido que James estava fazendo, mas ele já estava ficando vermelho feito um pimentão.
- Okay, vou superar minha indignação. – mas ainda sim, James me deu língua. – Bom, viemos aqui fazer uma intervenção.
- Intervenção? – suspirei. Boa coisa não sairia dali.
- Sim, Eddie. Mas antes que fale, foi ideia do James! – Riley que tinha parado de rir, ficou de pé e apontou acusadoramente para a gazela saltitante a minha frente.
- Hey! Não dedure os amigos. – James reclamou, mas acabou sorrindo. – E sim, é verdade. A ideia foi minha, mas foi necessária.
- O que foi necessário? – eu perguntei já me sentindo nervoso. Sabia por experiência própria que as ideias de James não eram muito confiáveis.
- Liguei para os seus pais. – levantei uma das sobrancelhas para ele. Tinha ligado para dizer o que exatamente? – E... disse que você iria ao jantar.
- Você disse o que?! – berrei com tudo.
Exatamente como eu previra, as ideias de James eram absurdas!
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- Eu sabia que viria. – foi a forma como a pequena duende maligna me recebeu quando abriu a porta.
Olhei ceticamente para ela. Era isso ou torcer seu pescoço no capacho de entrada da casa dos meus pais. Achei a primeira opção mais aceitável.
Bufei e passei por Alice sem nem cumprimentá-la. Como a casa ainda estava silenciosa presumi que Bella não tinha chego. Afinal de contas, eu estava 30 minutos adiantado.
Como para confirmar tal pensamento, minha mãe começou a descer as escadas que ficavam no final do corredor. Me aproximei e a encarei fixamente. Como sempre, ela estava deslumbrante, vestia apenas uma saia lápis preta, uma blusa de mangas cumpridas cinza e um sapato fechado de pouco salto. Mas aos meus olhos ela era perfeita.
Esme sorriu assim que me viu.
- Querido! – disse me estreitando num abraço. – Quanto tempo que não tenho a hora de vê-lo.
Dei um beijo estalado na sua bochecha.
- Não seja tão má comigo. Senti saudades... – e abri meu sorriso mais charmoso. Esme revirou os olhos.
- Não sorria assim. – ralhou comigo. – É uma covardia.
Coloquei meu braço ao redor de seus ombros e deixei que ela me atualizasse sobre as coisas.
- Seu pai está no hospital ainda, mas disse que chegaria a tempo. Alice... Bom, não faço a menor ideia onde esteja. – sorri.
- Foi a pequena duende do mal que me deixou entrar. – Esme franziu a testa.
- Edward! Não fale assim da sua irmã. – e depois sorriu. – Ela está nervosa por hoje. Tem anos que não vemos Bella...
Grunhi e fiz uma careta, mas nada disse.
- Querido, não acha que já está na hora de... – a cortei rapidamente.
- O Jasper vem? – minha mãe balançou a cabeça, mas preferiu não comentar sobre minha evasiva.
- Vem, querido. Ele estava viajando, mas chegou ontem. – fiquei animado.
Tinha alguns anos que não via Jasper, mais precisamente três, apesar dele namorar Alice desde que ela tinha quinze, nos encontrarmos se tornou cada vez mais raro. Primeiro porque ele viaja muito, segundo porque, eu confesso, quase não visito minha família.
Jasper era jogador de futebol americano desde que entrou para a faculdade, quando tinha apenas 17 anos. Desde então, ele começou uma boa carreira e hoje em dia é um dos jogadores mais bem pagos dos EUA. Mas para azar de Alice, ele viaja constantemente, que faz da pequena duende do mal uma pequena duende saudosa.
Como ele conseguia aguentá-la durante seis longos anos era algo que eu definitivamente ansiava por saber. Claro que eu também aguentava Alice, mas pelo amor de Deus! Nós somos irmãos. Não é como se eu pudesse pedir o divorcio.
Sorri com o meu pensamento e deixei que minha mãe me arrastasse até a cozinha. Assim que entrei no cômodo senti o cheiro do camarão e salivei.
- Mãe... – gemi. – Você fez camarão? – não era uma reclamação, pelo contrário. Eu estava feliz, era meu prato favorito e Esme sabia disso, por isso ela sorriu calorosamente para mim.
- Sim. Panquecas de camarão. Lembro-me perfeitamente de você e Bella entrando na cozinha e roubando algumas quando eu não estava olhando.
Também me lembrava disso. Devíamos ter uns oito ou nove anos. Era sempre Bella que começava as coisas e me convencia a executá-las. Mas o impressionante é que ela tinha razão, nunca nos pegaram. Pelo menos não no flagra.
Quando percebi que estava sorrindo balancei a cabeça.
Me lembrar tão amigavelmente assim de Bella era ruim. Eu não podia ir por esse caminho. Eu tinha que me manter firme. A mulher sumiu por nove anos, nove longos anos e apesar de eu saber que poderia me controlar na presença dela, era perturbador não ter a mínima ideia dos sentimentos conflitantes que ela poderia ou não me fazer sentir.
Então, nada de reviver velhos tempos. Eu deveria deixar as lembranças no lugar onde elas pertencem... o passado.
Mas minha querida mãe não achava isso, já que continuou tagarelando sobre as travessuras que eu e Bella aprontávamos e para completar, ainda me mostrou a sobremesa.
Cookies de chocolate. Os favoritos de Bella.
Eu tinha aprendido a fazê-los quando tinha 10 anos. Esme tinha me ensinado depois que insisti durante três dias. Queria fazer uma surpresa por conta do aniversário de Bella.
Ela tinha adorado.
As lembranças foram jogadas de lado quando a campainha soou.
Comecei a ficar mais tenso do que já estava e senti meus dedos das mãos gelarem.
- Querido, poderia abrir a porta para mim, por favor? – olhei para a minha mãe como se tivesse nascido uma segunda cabeça nela.
- Ta maluca? – soltei sem pensar e ela me deu um tapa na nuca.
- Não fale assim, Edward. E não, não estou maluca. Pedi para abrir a porta e não para matar alguém. Não faça essa cara.
Resmunguei e massageei minha cabeça. Os tapas de Esme eram fortes. A campainha soou outra vez.
Respirei fundo e segui pelo corredor. Sabia que apenas alguns passos me separavam de girar a maçaneta e dar de cara com Bella, mas aos meus olhos pareciam quilômetros.
Alice, que tinha me seguido e parado no pé da escada, bufou.
- Abra logo essa maldita porta. – resmungou para mim.
Tomei a maçaneta entre as mãos e com um clique surdo, a girei. Do outro lado da porta estava Bella, no auge dos seus 22 anos.
Seus cabelos cor de chocolate estavam enormes, batendo quase na bunda, seus olhos azuis ainda eram os mesmos, gentis e doces, e sua boca... Ah! Sua boca era vermelha e convidativa.
No momento que me viu, ela abriu um enorme sorriso. Não qualquer sorriso como Ah, que agradável surpresa te ver. Mas o meu sorriso, aquele que significava apenas uma coisa, Oh meu Deus! Como eu morri por dentro de saudades de você.
E assim, sem precisar dizer nada, eu sabia, sabia no fundo do meu coração que Bella realmente sentia minha falta e automaticamente me senti péssimo. Afinal de contas, sim, ela tinha ido embora. Mas eu fui o único a não responder os emails e os poucos telefonemas que ela me tinha feito. E ela era a minha melhor amiga. Como pude ser tão idiota?
Enquanto meu cérebro estava momentaneamente petrificado por causa dela, Bella alargou mais ainda seu sorriso e se lançou para frente rodeando seus braços quentes na minha cintura e descansando sua cabeça em meu peito.
Independente de quanto tempo se passava, Bella ainda era quase duas cabeças menor que eu e tê-la assim, entre meus braços, soava estupidamente familiar. Isso por que não nos víamos há anos.
Levou apenas um segundo para que minhas mãos possessivamente rodeassem sua cintura e percebi com desgosto que isso era um gesto involuntário. E eu achando que poderia me controlar em sua presença. Humpf!
Bella riu com o contato de pele com pele quando a abracei e um dos meus dedos acidentalmente roçou sua cintura por baixo da blusa. Apesar de estar relativamente frio em Boston, ela usava uma blusa creme meio bufante e uma saia azul marinha. Normalmente eu não repararia muito, principalmente por causa do largo sobretudo preto que ela usava por cima de tudo isso, mas como a frente dele estava aberta, acabei me pegando observando as curvas de Bella atentamente.
Suas pernas com toda a certeza não eram tão lindas e torneadas há nove anos, mas ainda eram brancas como a neve.
Para completar minha falta de controle total, Bella se apertou mais a mim forçando aqueles seios lindos e redondinhos contra o meu peito. Juro que tive que morder meu lábio inferior para não soltar um sonoro gemido. Meu Deus! Essa mulher seria a minha morte.
Depois de alguns segundos, ela se afastou - eu relutantemente tive que libertar meus braços ao redor dela - e olhou carinhosamente para mim.
- Eu estupidamente senti tanto a sua falta. – ela disse docemente. A mesma Bella de sempre. Inventando expressões tão estranhas, mas que sempre traduziam tão bem o que eu sentia.
- Eu também. – suspirei sem saber o que mais falar.
- Então porque nunca me respondeu? – ela disse com certo divertimento brilhando em seus olhos.
Graças a Deus, Alice veio ao meu socorro.
- Bella! – a pequena duende gritou, me empurrando para o lado e pulando em cima dela. Bella riu e circulou Alice num abraço meigo.
Meu coração batia desenfreadamente e infelizmente eu não poderia fazer nada pelas minhas pernas. Tive que me apoiar no batente da porta, pois sabia que corria o risco de a qualquer momento tombar no chão. Ou Alice não tinha notado isso ou ela tinha ficado repentinamente generosa e solidária, já que no segundo seguinte tomou o braço de Bella no seu e se ofereceu para levá-la para dentro.
Soube que era a segunda opção quando minha pequena irmã se virou para trás e sorriu maquiavelicamente para mim.
Mas ainda sim, fiquei aliviado por ver Bella se afastando. Não que eu não gostasse de tê-la ali, por mais masoquista que aquilo poderia parecer, mas eu precisava respirar regularmente. Coisa que não tinha feito desde que a vi.
Corri minhas mãos pelos cabelos sabendo que isso só os deixaria em um estado lamentável. Desde que soube que Bella estava voltando, tudo que fiz foi entrar em estado de negação. Eu negava que ainda a amava. Negava que queria vê-la. Negava que ela iria me procurar. E negava qualquer tipo de conselho que as pessoas tentavam me dar. Mas agora me via desesperado por um. Porque sinceramente? Eu não tinha a menor ideia do que fazer ou como agir ao redor dela.
Fiquei tanto tempo parado na porta, com ela ainda aberta, que me assustei quando uma mão grande pousou no meu ombro.
Olhei para o lado e me deparei com um par de olhos azuis. Jasper.
- Olá, Edward. – ele disse com um sorriso travesso. – Bella já chegou?
- Como... como você... – suspirei. – Ah, esquece! – Jasper nem teve a decência de disfarçar e riu na minha cara.
- Caro, cunhado, suas feições te denunciaram. – dei um soco em seu ombro, que tenho certeza que não fez nem coceguinhas, antes de apertar a sua mão.
- E aí, cara? – eu resmunguei sob minha respiração. – Faz alguns anos. Como vão as coisas?
Eu e Jasper entramos e finalmente fechei a porta. Apesar de não nos vermos a muito tempo, eu e ele tínhamos uma boa amizade. E sua presença me acalmava, o que facilitava as coisas para quando eu estivesse no mesmo cômodo que Bella.
- Bem. Estou prestes a fechar um bom contrato com uma liga grande. – ele sorriu mostrando todos os seus dentes. – E você?
- O de sempre. Tentado sobreviver. – falei desgostoso. Jasper riu e aproveitei a deixa para rir também.
- Não desanime, okay? Sei que você vai conseguir o que queria.
Acenei concordando e deixei que ele fosse na frente a procura de Alice. Assim que ele entrou na cozinha, ouviu-se um grito. Mesmo estando há quilômetros de distancia, tenho certeza que poderia ouvir Alice.
- Jasper! – ela se lançou contra ele apaixonadamente e eu ri enquanto parava na porta.
Eles não se viam há quase dois meses por causa do trabalho de Jasper e Alice estava quase enlouquecendo.
Era bonito ver o quanto eles se amavam, e eu confesso, às vezes sentia um pouco de inveja, mas desejava tudo de bom a eles.
Movi meu olhar quando senti alguém me observando e encarei os olhos profundos de Bella. Suas bochechas lentamente tomaram um tom de rosa e ela mordeu seu lábio inferior tentando disfarçar um sorriso. Ela já tinha tirado seu sobretudo e tinha a cabeça virava um pouco na direção de Esme, como se elas estivessem conversando sobre algo.
Tive que me controlar muito para domar o animal feroz dentro de mim e suspirando, sorri brevemente de volta antes de circular o balcão da cozinha e me aproximar de Esme.
Minha mãe estava fazendo alguma coisa, e quando cheguei perto percebi que cortava palmitos. Ela era uma tragédia fazendo isso, não sei como nunca tinha cortado nenhum de seus dedos.
- O que está fazendo? – perguntei o óbvio.
- Cortando palmitos. Vou fazer panquecas para Bella.
- Oh, por favor! – resmunguei. – Chegue para lá, eu vou cortá-los. Vá fazer sala ao Jasper e a Bella. – Esme sorriu e concordou, mas não sem antes sussurrar em meu ouvido.
- Bela maneira de se livrar dela... – e saiu dando risadinhas.
Ela chamou a todos para a sala de estar e eu suspirei aliviado por me livrar dessa atmosfera opressora. Quando julguei estar sozinho, arregacei as mangas da minha camisa social azul marinha e coloquei um pano de prato sobre o ombro.
- Gosto quando você cozinha. – a voz de Bella, bem atrás de mim, me fez pular.
- O que... o que... – gaguejei debilmente e levei uma respiração até falar de forma natural. – O que está fazendo aqui?
- Oras! Fui convidada para o jantar, Edward, seu tolinho. – Bella sorriu, mas eu apenas estreitei meus olhos para ela.
- Estou falando sério. Pensei que tinha ido com eles para a sala de estar.
- Disse a Esme que queria passar um tempo com você. – suspirei. Não havia jeito de me livrar dela.
- Então separe os ingredientes para as panquecas enquanto termino de cortar os palmitos. – Bella rapidamente vasculhou a cozinha e achou os itens necessários. Não é como se minha mãe tivesse mudado muita coisa nesses anos e Bella passou tempo demais ali para simplesmente não saber onde estava o que.
Quando terminei de juntar os ingredientes no liquidificador, Bella se queixou de seus pés e sentou-se no balcão da cozinha, bem de frente a mim.
- O que há de errado? – me ouvi perguntando quando ela fez uma careta.
- Meus pés. Sabia que não devia usar esses sapatos.
Um velho hábito que ela tinha desde pequena. Usar sapatos lindos, como ela os classificava, mas nada confortáveis.
- Apenas tire-os. Ninguém vai notar. – e me fazendo mergulhar em várias lembranças, Bella arrancou cada um dos sapatos de salto com os pés e começou a balançar as pernas livremente.
Ela parecia muito com a Bella de oito anos que invadia a cozinha atrás de cookies.
Balancei a cabeça e liguei o liquidificador, mas estava tão desligado que não percebi que não tinha posto a tampa.
- Edward! – Bella gritou assim que a mistura voou por todo o lado. Minhas mãos e a frente da minha camisa ficaram uma sujeira total e isso fez com que meus dedos escorregassem ao tentar girar o botão. Bella pulou do balcão e alcançou-o bem a tempo. Mais um pouco e a cozinha inteira ficaria imunda.
Ela olhou para mim com seus olhos arregalados e seus cabelos cheios da mistura grudenta e então começou a rir. E logo depois eu me juntei a ela.
- O que está... – Esme veio da sala e estacou na porta da cozinha assim que nos viu. – AimeuDeus! Crianças, o que vocês fizeram aqui?
Eu e Bella nos entreolhamos e rimos mais ainda. De repente, eu parecia ter nove anos de novo.
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- Você tinha que ter visto a cara de Esme... – Bella dizia a Alice assim que entrei na sala.
Eu tinha ficado tão sujo que tive que tomar um banho. Por sorte, apenas minha camisa foi caso perdido, eu tinha conseguido salvar as calças. A primeira vez que vejo Bella e quase que acabamos pelados e não de uma maneira divertida.
Sorri com o pensamento.
Minha mãe tinha me encaminhado para a sua suíte e me emprestado uma camisa do meu pai, por sorte vestíamos o mesmo numero. Já Bella tinha sumido no banheiro social seguida de Alice, que opinava profusamente sobre que roupas dela Bella poderia colocar.
No final, Bella optou por pegar apenas uma blusa azul clara de seda. Alice ficou um pouco desapontada, mas Bella contornou a situação dizendo que não havia necessidade de mudar a roupa inteira já que sua saia estava limpa. Creio que ela se saiu bem.
Quando voltei à sala de estar, Esme já tinha terminado de limpar a bagunça e fazer as panquecas. Também notei que meu pai tinha chego e conversava animadamente com Jasper.
Jasper estava numa negociação com o Giants¹, mas o Pittsburgh Steelers¹ não queria que um dos seus melhores jogadores saísse. Era algo complicado, mas pelo qual ele estava disposto a lutar.
Apesar de jogar nos Steelers desde o ultimo ano da faculdade, o sonho dele sempre foi jogar no New York Giants. Eu entendia que era um dos maiores times da liga e admitia, relutantemente, que era um dos melhores também. Mas meu coração sempre seria dos Patriots¹, então não podia entender porque Jasper nunca tinha tentado uma negociação com eles.
Jogando esse pensamento para o lado, me foquei em Bella, que conversava animadamente com minha mãe e irmã.
- Ah, querida. Você nem me contou como foi na Itália. – Esme disse amavelmente.
- Esme, foi fabuloso. A Itália é incrível... – Alice a interrompeu nesse ponto.
- Eu pretendo passar minha lua de mel lá. – segredou não tão baixo assim. Bella sorriu.
- Jasper a propôs?
- Não. – Alice soltou um risinho, mas depois bufou. – Ainda não.
- Em minha defesa... – Jasper começou – Devo dizer que é pelo simples fato de não querer morar num estado diferente da minha linda e adorável futura esposa. – Alice corou nesse ponto, o que devo dizer, foi surpreendente.
Bella fez mais alguns comentários a respeito disso, mas depois voltou a falar de sua carreira. Caso não tenha comentado, ela é modelo.
Quase um mês depois do meu aniversário de 14 anos, Bella foi para Nova York. Ela iria começar numa agencia de modelo e de lá para cá sua carreira só fez decolar. Um ano depois ela já estava desfilando para todas as marcas mais conhecidas em Nova York². Depois de dois anos, ela virou garota propaganda da Gap³, firmando um contrato durante três longos anos. Assim que completou dezoito, foi contratada para o seu primeiro desfile pela Chanel e então...ela se tornou uma figura mundialmente conhecida. Já desfilou para Jimmy Choo, Carolina Herrera, D&G, Prada e mais muitas outras que eu não tinha a menor ideia.
Isabella Swan tinha virado uma superstar. E era por esse motivo que eu simplesmente não fazia mais parte da vida dela.
Não haveria espaço para um simplório professor de literatura no mundo badalado de Isabella, a modelo internacional. Mas contrariando minhas expectativas, aqui estava ela, descalça, com os cabelos soltos e uma blusa de seda largada por fora da calça.
Tenho certeza que todos os tabloides do mundo estampariam Crime da Moda nas suas capas se a vissem assim, mas eu apenas achava que ela estava deslumbrante.
Como se notasse meu olhar, Bella virou a cabeça na minha direção e sorriu. E com isso, todo o ar foi expulso dos meus pulmões.
- E você, Edward? – ela me perguntou repentinamente. – O que anda fazendo da sua vida?
Rapidamente a sala caiu no silencio e eu me senti sufocado.
- Eu me formei na faculdade. Fiz literatura.
- Você sempre gostou de escrever. – Bella disse rindo. – Entendia literatura como ninguém.
- Isso ainda não mudou. – disse dando um sorriso convencido. – Mas eu não escrevo mais. Na verdade, atualmente estou dando aulas para o ensino médio de uma escola no centro da cidade.
O sorriso de Bella murchou lentamente.
- Oh! Porque não escreve? Eu gostava tanto de que escrevia. Sempre falei que você tinha futuro, lembra-se? – confirmei com a cabeça.
- Eu tentei assim que me formei, mas não deu certo. Mas estou contente com o que faço agora. – Bella acenou.
- Entendo. Bom, então também fico contente por você. Mas...
Quando Alice percebeu que Bella iria perguntar algo, interviu.
- Então, mamãe. Vamos começar esse jantar ou eu terei que morrer de fome? – Esme sorriu, mas a verdade é que todos estavam aliviados pelo assunto ter sido cortado. A única que parecia confusa foi Bella, mas infelizmente eu não poderia fazer nada por ela.
O resto do jantar transcorreu normalmente, apesar de eu transpirar mais do que uma pessoa numa frigideira.
Quando se aproximou a hora de Bella partir, eu recolhi seu casaco no armário e entreguei a ela.
- Está indo para o centro, Edward? – não queria confirmar nem negar, por isso não o fiz.
- Vou ficar mais um tempo com meus pais. Tem alguns meses que não os vejo. – Bella acenou compreensiva, mas vi seu semblante entristecer.
Apesar de eu sentir uma dor aguda no peito por estar deixando-a ir embora, eu não podia confiar em mim mesmo, sozinho, dentro de um carro, com essa mulher.
Nem no inferno que eu deixaria essa merda vir à tona. Sem contar que não sabia como Bella ia reagir ao saber que moro com James e Riley. Quem sabe o que se passaria por aquela cabeça coberta de fios castanhos tão macios.
- Edward. – ela disse parando na porta da frente.
Ela já tinha se despedido de todos e Esme e Alice a fizeram prometer que não sumiria. Depois de assegurar de que ficaria na cidade por bastante tempo, elas a deixaram partir. Bella não comentou o motivo de sua volta com ninguém e por incrível que pareça, nenhum de nós teve coragem de perguntar. Nem mesmo Alice.
- O que foi Bella? – sua testa estava franzida e ela parecia pensar muito em algo.
- Poderia me encontrar amanha na nossa cafeteria? – a ênfase que ela usou na palavra nossa me fez ter calafrios. Tinha anos que eu não ia aquela parte da cidade. Mais precisamente nove.
Estava relutante de aceitar. Afinal de contas, ver Bella com tanta frequência assim não faria bem ao meu coração. Principalmente quando ela partisse novamente e me deixasse em pedaços. Mas o semblante triste dela me convenceu.
- Tudo bem. A que horas?
Depois de eu aceitar, Bella me abraçou fortemente e murmurou três da tarde enquanto se afastava.
Eu ainda tinha um sorriso no rosto quando fechei a porta.
*Nota de Rodapé:
¹Pittsburgh Steelers, New York Giants e New England Patriots são times de Futebol Americano. Sendo o Pittsburgh Steelers um dos maiores e mais caros time da liga situado em Pittsburgh, Pennsilvânia; New York Giants situado em Nova York; e New England Patriots situado em Boston, Massachusetts que é onde o Edward mora, por isso esse amor dele. Os Steelers venceram o Super Bowl em 2005 e 2009, e na Fic, isso aconteceu com a ajuda de Jasper. XD Já o Patriots não vence desde 2004 e o Giants desde 2007.
²Marcas de roupas, algumas das marcas de oupas mais famosas dos EUA são a Abercombrie, Banana Republic, Old Navy, Gap, Coca-Cola, Puma, entre outros.
³Gap, é uma das marcas mais populares e mais descoladas dos EUA. Tem vários jeans e peças para o dia a dia que praticamente gritam GRIFE! e ao mesmo tempo CASUAL! Tem lojas espalhadas não só nos EUA, mas em vários outros países. Enfim, um dia ainda terei roupas da Gap. ^^
E então? Depende de vocês. Continuo ou não?
