Capítulo III- Severo Snape

Quando a aula de Herbologia terminou, todos saíram em direção ao Salão Principal. Neville ia acompanhando Sarah, mas foi retido na estufa por uma aluna do sétimo ano da Lufa-Lufa. Sarah pensou em como poderiam achar seu padrinho assim, bonito. Bem, até bonitinho ele era, mas estava a anos-luz de ser interessante.

As gêmeas Weasley e Pâmela Wood alcançaram Sarah que estava caminhando sozinha.

- Ei, Granger! – chamou Pâmela Wood.

Sarah esperou as três se aproximarem com uma expressão feroz no rosto.

- É verdade que o professor Longbotton é seu padrinho? – perguntou uma das gêmeas.

- Sim, é verdade.

- E você pode nos dizer se ele é casado? – perguntou a outra.

- Quem? Neville?- debochou Sarah - Não é casado.

- E tem namorada?

- Não, não tem. Vocês estão perguntando isso, porque não o conhecem direito. Se conhecessem, se perguntariam quem namoraria o Neville. E além do mais, só para que vocês saibam, ele morre de amor por uma ex-colega de colégio...

- Mesmo? Quem seria ela? – perguntou Pâmela.

- Bem, é... Não, não vou contar para vocês.

- Não é sua mãe? – quis saber uma das gêmeas.

- Evidente que não.

- Mas vocês moram na mesma casa, não moram?- perguntou a outra gêmea.

- Sim moramos. Eu, minha mãe, meu padrinho Neville e a avó dele. Mais alguma pergunta? – perguntou Sarah mordaz.

As três somente se olharam e Sarah deu de ombros e saiu em direção ao almoço pensando em como aquelas garotas eram cretinas.


Na manhã seguinte, enquanto tomavam café, todos os alunos do primeiro ano da Grifinória estavam comentando sua preocupação, pois teriam a primeira aula de Poções. Ou melhor, quase todos, pois Sarah não via nenhum problema no fato. Não que seu padrinho Neville, não tivesse tentado assustá-la, contando milhares de histórias envolvendo Snape, do tempo que era estudante. Isso antes dela entrar em Hogwarts. Neville parecia aterrorizado só em citar o nome de Snape. Sua mãe, ao contrário jamais falara uma só silaba sobre o assunto.

As gêmeas Weasley também contavam histórias do tempo que seu pai, Percy e sua Penélope eram alunos. Pâmela também contava sobre o tempo que seus pais jogavam pela Grifinória (Olívio Wood e Katie Bell) e que eles sofriam horrores nas mãos dos sonserinos durante os jogos. Resumindo, todas as histórias tinham o mesmo enredo: Snape era muito odiado por ser injusto, defendendo sempre a Sonserina.

A disposição das classes era igual em todas as aulas. Sonserinos à direita e Grifinórios à esquerda. Sarah sentou-se no seu habitual canto ao fundo da sala. E distribuiu seu caldeirão, sua balança e os ingredientes a seu lado. Quando Severo Snape lhe chamou, diferentemente de todos os outros professores, não disse que sua mãe havia sido a melhor aluna da Grifinória no último século..

Sarah deu Graças a Deus por isso. Não suportava mais ouvir tal afirmação. Ela era repetida tanto quando conseguia cumprir as tarefas e quando não respondia as perguntas. Pensando um pouco, Sarah chegou a conclusão de que iria agradecer ao professor por não ter tocado no assunto, aproveitando para perguntar se ele poderia autografar os livros.

Era inegável a diferença com que Snape tratava os alunos de sua casa e os alunos da Grifinória. Mas com Sarah, Snape não era totalmente letal. Talvez não esperasse dela o mesmo desempenho que os outros esperavam. Na verdade, isso acontecia mais nas aulas de Minerva Mcgonagall. Segundo Sarah, Minerva queria ver sua mãe ali e não ela própria.

Snape estava dando sua aula, enquanto fazia eventuais perguntas a cerca dos temas enfocados. Sarah sempre sabia a resposta, porém não se manifestava, apenas anotava tudo no livro teórico, com uma pena altamente fosforescente. Sua mãe sempre lhe chamara atenção por isso, argumentando que ela estragava os livros desta forma. Mas, Sarah justificava sua atitude dizendo que assim sinalizava os pontos mais importantes para num caso de consulta não ter que reler todo o livro em busca do que estava necessitando no momento.

Sarah estava cortando algumas folhas de cactus e não percebeu que Snape se aproximara de sua mesa... Observando a poção que ela fazia, não encontrou nada para criticar, apenas disse friamente:

- Sua Poção está perfeita, Srta. Sarah.

- Senhorita Sarah? – perguntou ela, olhando-o e pensando que jamais encontrara alguém além dela, que tivesse os olhos tão negros e tão frios , mas incrivelmente Snape os tinha. Ela se surpreendera pois todos os outros professores e colegas lhe chamavam de Srta. Granger...

- Sim. Se lhe chamar de Srta. Granger, terei que lembrar de sua mãe (eu não quero lembrar de sua mãe, pensou ele) e você não é ela, é? – falou ele, olhando friamente para a menina que estava cozinhando a Poção. Ela lhe devolveu o olhar gelado e Snape, dando de ombros, foi inspecionar a poção de um grupo de Sonserinos sentados na frente da sala.

A aula de Poções transcorreu normalmente. Sarah estava achando a melhor aula da semana, pois poderia simplesmente sentar-se em seu canto e não ser atormentada com a velha ladainha de sempre..

Snape quis saber se alguém conhecia o motivo pelo qual era necessário se utilizar água de deserto em certas Poções. Sarah obviamente sabia, mas, não falou nada, nem se quer ergueu a mão e ninguém respondeu. Snape passou os olhos pela classe e foi caminhando em direção ao quadro-negro, enquanto perguntava em um tom baixo e letal.

- Srta. Sarah, poderia explicar o porquê?

- Sim, professor. – respondeu ela com relutância, de cabeça baixa, enquanto sentia os olhares presos nela. – É porque está água possui propriedades regenerativas, de forma que dependendo do tipo da Poção em que for utilizada, ela consegue recuperá-la, para um segundo uso, caso seja necessário.

- Muito bem, senhorita Sarah. – falou ele, olhando-a – Poderia citar exemplos?

- Claro, professor. – respondeu ela, ironicamente. – Poção da Morte, Poção do Morto Vivo, Poção do Insurgimento.

- Bom. – falou ele - seguindo o que a Srta. Sarah falou.....

Sarah desligou-se, dificilmente Snape diria alguma coisa que ela já não soubesse.

Como Poções era uma tortura generalizada, no final do período todos estavam ansiosos para irem embora, pois esta seria a última aula da semana. Cinco minutos antes da sineta tocar, Snape mandara fazer uma redação de 3 pergaminhos sobre a Poção do Morto Vivo para a próxima aula, aproveitando para descontar 10 pontos das gêmeas Weasley que conseguiram derreter um caldeirão, sob as risadas dos alunos da Sonserina e de Sarah Granger, que as achava patéticas.

O quarteto da Sonserina, observava Sarah rindo no final da sala, enquanto comentavam que ela poderia ajudar as colegas ao invés de rir.

Quando os alunos foram dispensados, Sarah ficou mais um instante pois, precisava falar com o professor.

- Professor Snape, posso lhe fazer uma pergunta? – questionou Sarah Granger, estacionada na frente da mesa do professor.

- Pois não, senhorita Sarah. – retrucou ele. Já chegara a conclusão de que com a menina, não adiantaria seu jeito letal, mesmo porque ela parecia simpatizar com ele.

- Queria lhe agradecer por não ter dito que a minha mãe.... – ela parou, e continuou só gesticulando.- passei a semana inteira escutando isso.

- Não se preocupe, senhorita Sarah. Você é bem diferente de sua mãe.- ele comentou friamente.

- Ótimo. Mas de qualquer forma, obrigada. E professor, eu posso fazer os pergaminhos copiando de seus livros??? – questionou ela, com um sorriso mau.

Snape apenas olhou para Sarah surpreso, pois não conseguia perceber o que uma menina de 11 anos poderia querer com seus livros.

- Obrigado professor.

- Obrigado?

- Sim. Quem cala consente. – disse ela sorrindo friamente , juntando seu material e saindo da sala, sob o olhar desconfiado do temido professor de Poções.

Snape ficou apenas observando Sarah sair da sala, pensando que a menina seria, realmente páreo duro. E teve que rir..


William Malfoy recebera uma coruja do pai naquela manhã e ficara pensativo sobre o que ele lhe dissera. Draco falara, que para serem um grupo forte, teriam que estar em numero ímpar e no momento, pensava William, eles eram quatro. Como a hipótese de alguém sair do grupo era incogitável, teriam que encontrar alguém para formar um quinteto.. Dentro da própria Sonserina, eles já não eram o grupo mais respeitável possível, pois quase todos os temiam por serem filhos de Comensais da Morte. Ao ver Sarah Granger se divertindo com os erros dos grifinórios, na aula de Poções, lhe ocorrera a possibilidade, que talvez a mais Sonserina das Grifinórias pudesse ser o quinto elemento. Arrumando esta pessoa, formariam um pentagrama, que era um símbolo muito forte das Trevas... William decidiu que iria falar com Avery, Macnair e Louise para ver o que eles pensavam a respeito.


O final de semana foi pior do que Sarah poderia ter imaginado. Não tinha amigos na Grifinória por três motivos: um era o fato de já ser considerada uma sabe-tudo, porque a noticia sobre sua mãe, já havia se espalhado; o segundo era que Sarah não tinha o hábito de ficar no salão Comunal discutindo as novidades e por isso era considerada esquiva; e o terceiro e mais importante motivo, fora o de que o Chapéu Seletor cogitara enviá-la para a Sonserina, e só isso servia para ser mal vista na Grifinória. Sarah tinha certeza de que todos pensavam desta forma, pois quando ela entrava no Salão Comunal, todos paravam para observá-la, como se não a considerassem digna de estar ali. Sarah, porém era a criatura mais indiferente nestes fatos, mesmo porque não fazia nenhuma questão de se misturar.

No domingo à tarde depois de já ter feito todos os deveres, ela pegou um livro, uma pena, um pergaminho e a carta que sua mãe lhe enviara, e saiu em direção a margem do lago.

Era um Domingo bonito e várias pessoas estavam por aí circulando. Mesmo assim, ela conseguiu arrumar um cantinho isolado e sentou-se na grama, relendo a carta de sua mãe:

"Sarah, minha filha.

Como você está? Está gostando da escola? Sabe eu e sua avó estamos com muitas saudades. Espero sinceramente que você não comece a aprontar das suas por aí. Modere suas idéias, ou não conseguirá ficar um ano em Hogwarts. Qualquer problema que você tenha procure a professora Minerva. Ela sempre poderá ajudar você, minha filha. No banco tudo continua igual. Dennis andou fazendo alguns balancetes errados, mas já consertei. Rony e Harry estiveram aqui e lhe deixaram lembranças.

Escreva-me filha. Sei muito bem como você é, mas não me deixe sem notícias.

Beijos da sua mãe,

Hermione."

Sarah olhou hipocritamente para carta. Sua mãe, a alta executiva Hermione Granger, estava satisfeita por ela estar na Grifinória, por isso ela preferiu ser falsa...

"Mãe,

Fiquei feliz em estar na Grifinória. È uma casa honrada, e todos são muito legais. ( ela fez um magnifico sorriso de desdém ao escrever isso). Na verdade, é tudo muito diferente da escola trouxa, mas eu sinto saudades da matemática. Será que a senhora não poderia conseguir alguns livros para mim estudar? As aulas são legais, e todos os professores lembraram que a senhora foi a melhor aluna da Grifinória do último século (Sarah escreveu isso sob protestos!). Bom, para falar a verdade nem todos. O prof. Snape não disse nada e sem dúvida as melhores aulas foram as dele, se bem que desastres sempre acontecem. As idiotas das Weasley conseguiram derreter um caldeirão. Mas tinham que ser elas. Que patéticas.

Pois é, não lembrei de pedir para o professor Snape se ele poderia autografar meus livros.. Vou pedir.

As aulas de Neville, quero dizer do padrinho, são boas, mãe. As garotas acham ele bonito, mas claro que ele continua estabanado. Na aula desta semana, tinha uma moça da Lufa-Lufa esperando por ele antes do almoço. Bem que ele poderia desistir da Lilá, não é? Sabe, umas colegas me perguntaram se o padrinho não namorava a senhora, mãe... Será que eles acham que a senhora é uma ameba?

A escola no geral é bem legal. A srta. Pince da biblioteca mandou um abraço para você, mãe. E mais, me acompanhou para mim conhecer a sessão reservada. Ela não deixou que eu tocasse em nenhum livro, mas eu por hora somente queria conhecer o lugar.

Não se preocupe comigo, está tudo sob controle, até agora não consegui matar ninguém. Mas é só uma questão de tempo. ( brincadeirinha, mãe!)

Dê um recado para aquele pobretão metido a auror para mim? Diga-lhe que estou estudando bons feitiços para transformar ele em uma lagartixa manca. Brincadeirinha mãe, mas sabe que não deixa de ser uma boa idéia?

E no banco como vão as coisas? O tio Dennis é realmente metido em trapalhadas. Dê um beijo na vovó Margarida por mim.

Estou com saudades, mas aparecerei ali no Natal. Quem sabe até lá a senhora tenha decidido adquirir um elfo doméstico.

Beijos, de sua filha

Sarah."

Sarah releu o pergaminho e achou-o bom, sua mãe ficaria tranqüila, achando que ela estava adorando tudo e assim a manteria sob controle por um tempo. Depois, gradativamente iria falando de suas insatisfações. Na verdade sentia muita saudade da velha senhora Longbotton. A avó fazia todas as suas vontades, tratando-a como uma verdadeira neta. Quando era criança e sua mãe fazia faculdade, passava a maior parte do tempo somente ela e a Sra. Longbotton. Hermione sempre dissera que isso gerava uma séria de atribulações para vovó Margarida, mas a Sra. Longbotton adorava Sarah, fazendo todas as suas vontades.

Depois de escrever a carta, Sarah deitou-se no gramado e começou a ler um livro sobre "Venenos trouxas no Mundo Mágico e seus antídotos". Era o mais recente livro de Severo Snape e a critica a respeito fora extremamente benéfica. Sarah lembrou-se com um meio sorriso que sua mãe nunca lhe permitira adquirir livros interessantes sobre magia negra, maldições e similares. Mas os proibidos mesmo eram os escritos por Severo Snape, justamente aqueles que Sarah mais gostava. Porém, a Sra. Longbotton, que sempre fazia tudo o que Sarah queria, os comprava escondido. Mas, Hermione acabou por descobrir, mas persuadida pela velha senhora e com muita relutância acabou autorizando-as a comprar.

O sol já havia sumido e começava a esfriar, porém Sarah, continuava deitada na beira do lago, pensando em somente ler mais um capítulo. Continuou a leitura, até que uma voz grave lhe chamou baixinho:

- Senhorita Sarah...

Sarah olhou o professor Snape, parado a seu lado, e disse:

- Boa Noite, professor.

- O que a senhorita está fazendo aqui?- perguntou ele, sentando-se ao lado dela.- Já está quase na hora do jantar..

- Estava lendo, não vi as horas passarem. –respondeu ela, mostrando a capa do livro, o que arrancou um sorriso de Snape.

- Sexta-feira, pensei que a senhorita estivesse brincando, quando disse que iria copiar dos meus livros.

- Eu tenho todos os seus livros. - respondeu ela, alcançando o pergaminho que havia escrito. – Por favor, leia essa carta que minha mãe me enviou e depois a resposta que escrevi e me diga se está convincente. Snape abriu o primeiro pergaminho e reconheceu a bela letra de Hermione.

Quando terminou a leitura, ele apenas fez um comentário:

- Típico!

Snape abriu o segundo pergaminho e começou a ler a carta, sob o olhar de expectativa da menina.

- A senhorita é hipócrita. – falou ele, enrolando novamente o pergaminho.

- Certamente.

- O que é matemática? – questionou ele.

- È a ciência que estuda nos números, as contas... – respondeu ela, com uma expressão surpresa.

- Não sabia que tinha esse nome no mundo dos trouxas. E eu autografo todos os livros sim, basta você me levar eles. – retrucou ele, devolvendo o pergaminho.

- Mesmo? Obrigada. – disse ela. - Mas eu posso escolher a mensagem que o senhor vai escrever?

- Qual seria essa mensagem? – quis saber ele, supondo quer deveria ser algo presunçoso.

- Bem, poderia ser: "À Sarah Granger, minha aluna favorita, por ser tão inteligente e capacitada, dedico esta obra. Com um abraço de seu professor favorito, Severo Snape." o que o senhor acha?? Snape apenas ria. Era engraçado, poucas tinham sido as pessoas em sua vida, que haviam lhe feito sorrir, e a menina Sarah tinha o mesmo Dom de Hermione neste caso.

- É pode ser. Mas, quem disse que a senhorita é minha aluna favorita? – quis saber ele.

- Ainda não sou, mas serei. Tenha certeza. Tudo bem, eu aceito algo como "À Sarah Granger, minha menos odiada aluna....." . – disse ela, em tom de brincadeira.

- E a lagartixa manca??? De onde a senhorita tirou isso?

- Na verdade, eu tinha pensando em lesma gosmenta, mas lagartixa manca é mais legal, heheheehehe. Já imaginou uma lagartixa manca ruiva???

Sarah riu e Snape se permitiu um sorriso.

- Eu não imaginava, que a senhorita estava tão contente assim de estar aqui... A carta está bem convincente nesse ponto.. mas sua mãe.. bem, ela não costuma se convencer facilmente... – falou ele, em voz baixa.

- Até o senhor sabe disso? Pois é, mas acho que está crível. – comentou Sarah.

- Realmente. – falou Snape, levantando-se. – Vamos jantar, senhorita Sarah.

Sarah só assentiu com a cabeça, recolheu suas coisas e foi junto com o professor de Poções até o Salão principal.