III
but stay awhile and maybe then you'll see a different side of me

Ela não gostava de Avery e Mulciber.

Ele não a culpava; seus argumentos eram válidos. O espírito de Gryffindor embrenhara-se profundamente dentro de Lily e a cada dia ela tinha menos gosto pelos colegas de casa de Severus. Novamente – ele não a culpava. Era ela, afinal, que ouvia as provocações de "sangue-ruim" todos os dias. Gostaria de ser corajoso como ela e defendê-la, como ela o defendia. Mas ele não era como ela, e Lily sabia disso. Não parecia esperar que ele fosse.

E ela dizia que seus amigos eram assustadores e que suas ligações com artes das trevas estavam passando dos limites. Severus tinha vontade de dizer a ela que ser um Slytherin era assim mesmo e que ele não podia evitar, queria se desculpar – ironicamente – por não ser estupidamente radiante e idiota como Potter, mas que ele gostava mais dela, mais do que qualquer outro, mesmo não sendo um herói vestido em vermelho e dourado...

Mas as palavras pareciam pertencer à outra língua, complexa demais para ser falada, e então Severus permanecia em seu silêncio condescendente. Tinha medo de falar de mais, ou falar de menos. Tinha medo de dizer algo errado, de magoá-la e então perder a única pessoa que realmente lhe importava. Tinha medo, pois palavras eram extremamente perigosas e complicadas à sua vista, e ele nunca soube lidar tão bem assim com elas.

Por isso o silêncio, às vezes, era a melhor opção.

E quando ele fechava os olhos por um breve momento, ao abrir, Lily ainda estava ali.