Autor: Rapousa
Beta:
Nanda Weasley
Par/Personagem:
Scorpius Malfoy/Hugo Weasley
Classificação:
NC-17
Resumo: Em um acidente com uma poção ainda não testada Scorpius e Hugo são obrigados a ficarem sempre juntos. Eles só não esperavam acabar gostando da presença um do outro.
Disclaimer:
JK é rica, eu sou pobre. Ela ganha dinheiro escrevendo, eu não.


Para Mandy XD


Parte III

Me sinto quase um escritor profissional após ler o que Malfoy chama de narrativa. Sério, eu dormi lendo o texto dele e ainda tive que ouvi-lo reclamando que babei em cima da folha. Pelo menos aquele texto serviu para me apagar por umas boas horas, eu estava realmente precisando. Mesmo acordando ao ser empurrado da cadeira para o chão, não faz muita diferença, meus pais me acordam assim de vez em quando, eu tenho o sono realmente pesado.

Viver com Scorpius Malfoy, não é tão difícil como eu imaginava, pelo menos é mais fácil do que meu pai fez parecer. Nunca vi o velho gritar tanto e parecer tão histérico. Ele fez um terrorismo tão grande que eu realmente acreditei que minha vida estava perdida e que era melhor arrancar o coração com as minhas próprias mãos do que ter que viver com Scorpius.

Ainda bem que eu preferi dar ouvidos à mamãe quando ela disse que era só esperar que a situação ia se resolver e que "ele parece um bom menino, para um Malfoy". No geral ela quase sempre tem razão, então fiquei com a opinião dela.

Lendo o Scorpius - ele sempre me olha torto quando o chamo assim – descrevendo os sintomas dessa porcaria que está nos unindo me lembrei como experimentamos todas aquelas sensações estranhas pela primeira vez.

Como eu disse anteriormente, caí sobre ele, espatifei a porcaria do vidro entre nós, o sonserino idiota que estivera tentado bloquear minha entrada apareceu atrás de mim. Me vi todo melecado e pensei mal humorado "Legal, mas uma mancha nas minhas vestes!", levantei e deixei os outros dois para trás, esquecendo novamente da presença deles. Acho que um deles me xingou ou veio atrás de mim, não sei. Eu só lembro do meu objetivo fixo e determinado, chegar ao banheiro e me aliviar.

Caí de cara no chão com a mão na porta de um dos boxes, apaguei completamente e não lembro de mais nada. Pelo menos não até acordar na enfermaria e dar de cara com os meus pais.

Cara, que droga. Por que os pais têm que ser chamados nessas horas? Eu ficaria muito mais em paz sem ver meu pai andando de um lado para o outro histérico e minha mãe com cara de choro me olhando como se eu tivesse um pé saindo da minha testa.

De uma coisa o Scorpius está meio certo, Hogwarts é cheia de Weasleys, e houve um mutirão deles querendo ver se estava tudo certo, droga, eu detesto essa atenção desnecessária. Ainda mais quando vêm aquelas primas e ficam querendo consolar passando a mão ou tocando na gente, efetuando milhares de contatos-físicos-não-autorizados que simplesmente me irritam. Eu poderia sinceramente passar sem isso. Pelo menos bastou rosnar a segunda vez e eles desistiram da idéia de me consolar.

A única pessoa além dos meus pais que conseguiu ficar do meu lado naquele momento foi a Lily. Mas a Lily sempre foi de longe a minha prima favorita, ela atende às normas do não-tocar-sem-permissão e sabe conversar sobre coisas interessantes.

Estávamos falando empolgados sobre quadribol quando eu ouvi algo semelhante a uma discussão esquizofrênica. Parecia que Scorpius conversava com ele mesmo, unicamente mudando a voz para um tom levemente mais grave quando interpretava a sua outra personalidade.

Claro que no final eu descobri que era o pai dele que estava falando com ele do outro lado do biombo que a enfermeira fez o favor de colocar ao redor da minha cama. Eu realmente não sabia que pai e filho eram tão parecidos. É engraçado pensar que provavelmente Scorpius vai ser meio careca quando ficar mais velho, já que o pai dele parece estar perdendo cabelos. Ainda bem que tenho os genes cabeludos da minha mãe e posso me gabar disso por aí.

A princípio ninguém sabia muito o que tinha acontecido de fato, nem a enfermeira tinha certeza do que se passava além de alguma espécie de feitiço que me grudava ao Malfoy Jr. (meu pai o chama assim, e eu gostei do apelido). E por isso éramos mantidos próximos um do outro, ainda assim eu já não estava me sentindo bem, mas na hora achei que fosse só um efeito colateral qualquer.

Só que meu pai não gosta do pai do Scorpius e nem o meu vô gosta do vô dele – ainda que essa informação pareça meio jogada, mas é porque você nunca assistiu os dois discutindo, hilário! Por isso nossos pais, depois de uma briga que eu nem sei como começou, e ignorando o que nossas mães diziam e a enfermeira recomendava, resolveram que não teria problema nos separarmos.

Bem, assim que eu levantei da cama fui para o banheiro tomar um banho, cara, eu me sentia ainda sujo daquela poção, e estava com uma dor muito incômoda no tórax, dando uma sensação de sufocamento. O pai do Scorpius o arrumava para levá-lo a um médico de sei-lá-aonde ver o que tinha acontecido como se todos já não soubéssemos.

Fui até o banheiro arfando, como se não conseguisse respirar direito, cheguei lá e tirei as minhas roupas de qualquer jeito jogando no chão como eu sempre fazia – para desespero da minha mãe -, abri o chuveiro e meti a cara embaixo da água. Não melhorou. Senti minhas pernas tremendo, meus braços sem forças e a sensação de que eu colocaria tudo para fora naquele instante.

Levemente inconsciente de meus movimentos eu me virei para sair. Aquele era o lugar errado de se estar, eu sabia. Aos tropeços eu tentei ir para a porta do banheiro, estava buscando o que estava me faltando, um pedaço de mim. Quando esticava a mão fracamente para abrir a porta, ela foi escancarada repentinamente e dessa vez foi Scorpius que acabou caindo sobre mim. Ele é dois anos mais velho, alguns dedos mais alto, mesmo que minhas pernas não estivessem virando geléia e ele não tivesse de fato pulado em mim, acho que não teria agüentado. Caímos abraçados no chão no mesmo instante, a dor havia sido tão grande e o alívio igualmente satisfatório que senti naquele momento meus olhos molhados. O Scorpius inclusive já havia corrido até mim chorando. A cara dele foi engraçada.

Ainda tive tempo de ouvir o pai dele gritando e correndo atrás do filho, sua cara pálida e fina apareceu na porta instantes depois, Scorpius grudado em mim e eu nele. Sei lá, era uma sensação de que deveríamos nos grudar ou nossos corações parariam de bater, meu corpo estava buscando o dele e o dele o meu.

Tá, a Lily ficou rindo por uns bons minutos quando eu comentei isso, mas não é como se estivéssemos apaixonados ou algo do tipo, a sensação é real e não é nem um pouco romântica ou fútil como dizem os livros, sentir que você vai morrer não é legal, é desesperador, e foi por isso que Scorpius pulou em cima de mim e eu o puxei para mais perto e nós choramos quando o contato se efetuou. Se bem que na verdade foi ele que chorou. Acho que esse foi um dos primeiro contatos-físicos-não-autorizados que trouxe com ele a sensação de alívio e não de invasão do meu espaço.

Claro que tudo isso soou extremamente gay, acrescentando ainda o fato de que eu estava nu e molhado com um cara me agarrando no chão de um banheiro. Mas droga, não era nada disso. E também, nem ligo mais, já descobriram o que é mesmo, então podemos deixar o teor gay da história de lado. Não importa que James e Lily digam ou os risinhos que Rose dá. E ainda tenho que aturar o Albus se divertindo horrores. Ele é meio que colega do Scorpius, os dois são do mesmo ano e parece que têm umas aulas em comum, então ele sempre arranja um motivo ou outro pra vir até nós e faz aquela cara sádica de quem está achando isso à piada do ano. Porque não aconteceu com ele!

De qualquer forma, diferente do que meu pai gritou, o pai do Scorpius sussurrou freneticamente e meus primos gostaram de dar a entender. Viver com o Malfoy Jr. não é nem de longe ruim.

E eu sei que você está lendo isso aqui, Scorpius, então, aproveito para avisar que eu não gosto da porcaria da sua insônia. Se você não consegue dormir o problema é seu, não fique me cutucando, tentando conversar ou me chutando. Apenas dê com a cabeça na parede e vê se apaga em paz. E não pense que eu não sei que você às vezes pula para a minha cama, eu sei que é mais confortável ficar junto, não precisa tratar isso como um segredo, não vou te expulsar, apenas não solte a sua frustração na minha bunda com seus chutes enquanto eu estou dormindo.

O engraçado é o quanto ficamos populares depois que isso ocorreu. Tem gente que diz que sempre soube. Agora o que eles sempre souberam é que eu não sei. Tipo, como alguém pode ter adivinhado com antecedência que uma poção doida ia fazer isso com a gente? Bando de idiotas.


N/A: Ok, ok. Esse capítulo foi menor que o anterior, acho xD Mas foi necessário, foi sim u,u Eu ia atualizar à sexta-feira, como padrão mas... mas... eu esqueci :X

Mas a Mandy carinhosamente (cofcof) me lembrou desse meu deslize, mas findis foi tenso pra mim mesmo. Anyway, mesmo que com um leve atraso, aí vai o capítulo novo \o/! Espero que estejam gostando. Se não estiverem, podem colocar a boca no trombone (ou os dedos no review). Se gostarem, também dêem suas opniões, sim? Eu gosto de toda e qualquer demonstração de: estou lendo/oi acompanho a sua história/prossiga!, ok ;)?

Agradecimentos: Mandy XD, Raw Potter, Anna Malfoy, thais Weasley Malfoy (booooom, vão ter situações descritas na medida do possível :P Descrita pelos dois, claro, mas tudo tem uma explicação, prometo.)