Livro 03
O Doutor e a Cowgirl
Rory acordou no meio da noite. Consultou o relógio, ainda era três da madrugada no horário da Inglaterra. Virou-se na cama e tentou voltar a dormir. Amy estava completamente adormecida ao seu lado, balbuciando palavras ininteligíveis enquanto abraçava o travesseiro. Ela estava tão linda, recortada contra a luz artificial da Tardis, que chegava dar pena se tivesse que acordá-la.
Nesse momento, ouviu um som, passos apressados vindo do corredor. Ficou curioso com o que poderia ser, mas a preguiça de levantar foi ainda maior. Desta forma, voltou a se deitar, ignorando o ocorrido. Ouviu novamente, agora mais pesados. A vontade de saber o que o Doutor poderia estar aprontando era ainda maior.
- Amy, Amy - chamou a esposa.
- Que é? - Ela perguntou mais dormindo do que acordada.
- Tem mais alguém na nave e o Doutor está correndo - ele disse.
A ruiva sentou-se imediatamente na cama, os cabelos bagunçados, a cara de quem ainda estava desligada, mas completamente acesa.
- Ponha seu robe, nós vamos ver o que é - ela declarou.
Logo os dois saiam do quarto, observando discretamente o corredor vazio e escuro da Tardis. Foram se esgueirando, porém não havia nem ao menos um som para seguir. Estava tudo muito silencioso. Então apenas foram andando em direção ao centro da nave, onde imaginaram que certamente veriam alguém.
- Acho que não foi nada - disse Rory. - Vamos voltar para o quarto e dormir.
- De forma alguma! - Amy respondeu. - Se ele está se divertindo com alguém eu tenho que saber.
- Deixe de ser uma sogra ciumenta - ele comentou cansado.
- Não estava me referindo a isso! - Ela nem pensara, sentindo-se corar furtivamente. - Ele pode estar tendo alguma das aventuras, salvando mundos, enfrentando inimigos, e nós estamos aqui dormindo!
Rory balançou a cabeça positivamente, concordando com a assertiva da esposa. Continuaram então a andar.
- Ouviu isso? - Amy perguntou, parando de andar para poder ouvir direito.
Um som suave, muito baixo, vinha da sala de controle principal da nave. Como algo metálico batendo, se chocando contra o vidro do centro, no meio da estação.
Foram chegando mais perto lentamente, até que Amy parou, segurando Rory pela gola do pijama.
- Eu não quero olhar, não depois do que aconteceu da ultima vez - ela disse. - Você olha.
E jogava o problema para Rory. Ele também não estava feliz, não havia sido nada agradável na ocasião anterior, porém, se a esposa estava pedindo, ele tinha que fazer.
Rory colocou a cabeça discretamente para o lado, observando dentro da sala de comando, e logo voltou, vermelho como um tomate.
- O que foi? - Amy perguntou nervosa. - O que foi?
Ela moveu-se para observar também o que se passava, porém Rory a segurou.
- Vamos voltar para o quarto - ele pediu quase numa súplica.
- De forma alguma! Quero ver também!
E, ao mesmo tempo, Amy e Rory espiraram para dentro da sala de controle da Tardis.
Havia um homem em pé, de costas, diante do centro de comando, de calças sociais e suspensórios, sem camisa ou sapatos, facilmente reconhecido para o Doutor pelos cabelos castanhos e o porte físico magro. Porém, ele não estava sozinho. Por cada lado de seu corpo saía uma perna feminina, com longas botas de couro, fechando-se atrás do corpo do homem, claramente uma mulher sentada sobre a mesa de comando. As mãos dela estavam para cima, chocando-se contra o centro de controle, produzido o ruído metálico, e então se abaixavam, envolvendo o pescoço do Doutor e, podia-se ver, estavam algemadas. Os dedos bagunçavam os cabelos dele, percorriam as costas e arranhavam. Se beijavam e ele envolvia a mulher com os braços.
Então as mãos dele deslizaram e foram para o meio das pernas, se afastando em seguida e abrindo ainda mais as pernas da mulher. Começou com movimentos ritmados, indo e vindo, invadindo a mulher.
Amy e Rory observavam, e foi o rapaz quem se afastou primeiro, puxando a esposa.
- Não devemos nos meter - ele disse constrangido.
- Ele não pode fazer isso no meio da nave, tem outras pessoas aqui! - Amy estava revoltada, mais ainda curiosa. - Ele é casado!
- E não é da nossa conta! - Rory a lembrava.
- Com a nossa filha! - Ela pontuava.
Era um ponto que Rory custava esquecer as vezes, porém, trazido, o inflamou como a um pai ciumento. O rapaz fez como se fosse irromper pela sala, mas Amy o deteve.
- Não sabemos quem está aí com ele - ela o lembrou.
- Não interessa! - Rory se irritava.
E enquanto discutiam, houve uma instabilidade. Talvez toda aquela ação sobre o painel de controle tenha feito a nave se esbarrar contra o vórtex temporal, pois a mesma aterrissou sem nenhuma delicadeza, colidindo contra o solo, derrubado Amy e Rory no corredor, de onde poderiam ser vistos da sala de controle.
- O que vocês estão fazendo? - O Doutor perguntou, voltando o rosto sobre o ombro para vê-los.
Ele mantinha-se junto aos controles, abraçando a companheira que se escondia em seu peito, tendo sido interrompido.
Amy e Rory se levantaram imediatamente, muito constrangidos, porém, já tendo sido jogados para dentro de toda a cena, não havia mais muito o eu fazer a não ser encarar as consequências.
- Não se faça de santo, nós vimos o que você estava fazendo - ela falou enfrentando-o. - Quem está aí?
- Ninguém! - O Doutor respondeu de forma automática, mas acabou levando um tapa no ombro, vindo da mulher.
- Ninguém? - Amy cruzava os braços indignada, dando alguns passos a frente.
E finalmente a mulher parou de se esconder. Fechando a pernas ao redor do corpo do Doutor para poder se prender e ganhar equilíbrio, empurrou-o só um pouco para o lado, visto que estava sem roupas, mostrando apenas o seu rosto.
- Oi, mãe - e River acenou com as mãos algemadas.
- Por Deus! - Rory protestou cobrindo o rosto e virando-se de costas.
- Vocês não podem fazer essas coisas na privacidade do quarto? - Amy perguntou transtornada. - Precisa ficar andando pela nave?!
- Transando pela nave! - Rory corrigiu. - Com a minha filha! - Acrescentou indignado.
- Desculpem-me se eu tenho uma vida sexual! - River falou irônica. - Mas como se você não soubesse, Amy, eu te contava de todos os rapazes que eu transava quando eu ainda era Mels.
- Nem me lembre disso! - A ruiva fez uma expressão de total desagrado.
- Por favor, não lembre... - Rory parecia nauseado com a ideia.
- É, Doutor, vamos para o quarto, meus pais são um verdadeiro corta-tesão - River falou irritada, afastando o Doutor de si.
- Não! - Amy gritou, não queria ver a filha e o Doutor nus. Retirou o próprio robe e o estendeu para ela, evitando olhar para a mesma, e depois se afastou.
O Doutor fechou as calças e River se cobriu. Logo estavam devidamente apresentáveis, deixaram o centro de controle.
- Estarei indo então para... Meu quarto - O Doutor informou, coçando os cabelos ainda sem graça.
- Mãe, pai, tem champanhe na geladeira, vão se divertir! - Disse River muito tranquila, saindo de braços dados com o Doutor.
Amy e Rory observavam tudo com desgosto.
- "Seja mãe", disseram, "vai ser legal", disseram. Pois ninguém me disse como era ter uma filha Time Lady psicopata com a linha temporal totalmente distinta da minha! - Amy comentou revoltada, parecendo uma louca. - Preciso de uma bebida.
Agarrou o marido pelo pulso e foi para a cozinha procurar a champanhe.
