Capítulo 3: Retaliação
"Quem é você?" perguntou Rui.
"Ah, bom, não me apresentei. Chamo-me Agatha Lewinski e sou a líder da organização."
"Que organização?"
"Hum, boa pergunta." disse Agatha, começando a caminhar de um lado para o outro. "Acho que posso responder a isso."
"É melhor não lhe darmos muitas informações, Agatha."
"Eu é que sei, porque quem manda sou eu, Hayley. Reduz-te à tua insignificância."
Hayley bufou, mas calou-se. Agatha voltou a sua atenção novamente para Rui e Maria Goreti.
"A organização tem muitas funções, sabem? Mas especializamo-nos nos assaltos a bancos. É sempre algo bastante lucrativo. E o nosso último golpe foi um sucesso." explicou Agatha. "É a primeira vez que actuamos neste país e tínhamos um objectivo."
"Então assaltaram o banco e a mala com o dinheiro que veio parar à porta da minha casa foi o dinheiro roubado?" perguntou Rui.
"Uma parte do dinheiro, sim. Arranjámos uma cúmplice aqui em Portugal e ela ajudou-nos no assalto. Mas depois, a estúpida traiu-nos e fugiu com a mala com o dinheiro."
"Mas o que é que isso tem a ver connosco?" perguntou Rui. "Só por a mala ter aparecido à nossa porta?"
"Oh, não apareceu à vossa porta por acaso. A pessoa que era nossa cúmplice chama-se Albertina Camelo. Já ouviste falar dela?"
Rui e Maria Goreti entreolharam-se, chocados. Depois, Rui falou.
"Eu tenho uma tia, irmã da minha mãe, que..."
"Exactamente, é a tua tia, rapaz." disse Agatha. "Ela traiu-nos e fugiu. Começámos a procurá-la e descobrimos rapidamente que ela tinha família na cidade. Eu mandei dois dos membros da organização vigiarem a casa, não fosse a Albertina aparecer por lá. E afinal, eu tinha razão."
"Mas nós não a vimos."
"Pois não. Os meus homens estavam à espreita. Viram-na chegar à casa, apressadamente. Bateu à porta e os meus homens apareceram. Ela fugiu e deixou a mala para trás. Burros como são, foram atrás dela em vez de pegarem logo na mala." explicou Agatha. "Não a conseguiram apanhar, porque ela os despistou. Quando voltaram para a casa, a mala já não estava no mesmo lugar."
"Eu tinha ido à porta e trouxe-a para dentro..."
"Os meus homens esperaram que algumas pessoas saíssem da casa e depois avançaram, para recuperarem a mala. Porém, parece que houve complicações. Os teus familiares fugiram novamente com a mala. E vocês estão aqui como seguro. Se eles não nos devolverem a mala com o dinheiro, vocês morrem."
"Vocês vão matar-nos na mesma, pá. Não nos enganam." disse Maria Goreti.
Agatha sorriu-lhe.
"Provavelmente sim, mas nunca se sabe o futuro." disse ela. "Agora, pelo que os meus homens me disseram, numa chamada que me fizeram, os vossos familiares vão encontrar-se com eles no parque para lhes darem a mala. Se não o fizerem, então vocês estarão definitivamente mortos, podem ter a certeza."
Rui cerrou os punhos. Tinha de pensar em alguma maneira para sair dali com a sua avó, mas não via como.
A Mala
O táxi de Rufino Capuchinho estava já parado à entrada do parque da cidade, no espaço destinado ao estacionamento. Dentro do táxi, Gabriela estava a tentar convencer os pais a seguirem o plano que ela delineara. Dulcineia abanou a cabeça negativamente.
"Não, filha, nem pensar, não vamos fazer nada disso." disse ela.
"Mas mãe, é uma boa ideia!" exclamou Gabriela. "Aliás, é uma excelente ideia. Eles falaram em devolvermos a mala, não é? Portanto, é isso que vamos fazer. Mas tiramos de lá todo o dinheiro."
Rufino não parecia nada satisfeito.
"A tua mãe tem razão, Gabriela, não vamos fazer o que estás a dizer. Isso pode fazer com que o Rui e a tua avó sejam mortos, filha, tens de compreender isso."
"Temos de seguir as exigências que eles fizeram." disse Dulcineia. "Não quero que nada de mal aconteça ao meu filho. Tu também devias estar preocupada com o teu irmão."
"E estou, mas não é só com ele que estou preocupada. Vocês acham que nós lhes vamos entregar a mala e fica tudo resolvido? Dão-nos o Rui de volta e pronto? Vocês não vêem filmes?" perguntou Gabriela, agarrando firmemente a mala com o dinheiro. "Eles vão é matar-nos na mesma. Portanto, acho que devíamos seguir o meu plano. Tiramos o dinheiro da mala e arranjamos alguém que me acompanhe a mim e à mãe até ao pé daqueles homens. Afinal, eles ainda nunca te viram, pai. Podem não saber como és e podemos enganá-los."
"E no que é que isso vai ajudar?" perguntou Rufino. "Vais meter um homem inocente no meio disto? E se fossem matar-nos, iriam matar-te a ti e à tua mãe e eu ficava aqui à espera no táxi, com o dinheiro, sem fazer nada? Nem pensar. Vamos seguir à risca o que eles mandaram e pronto."
Gabriela bufou, furiosa, mas acenou afirmativamente com a cabeça. De seguida, os três saíram do táxi e começaram a caminhar em direcção ao lago. Nesse dia o parque estava quase deserto. O sol brilhava no céu e as árvores tinham um tom verdejante, mas Gabriela sentia o estômago às voltas.
"Vamos direitos a uma armadilha, de certeza absoluta. Estas pessoas mafiosas não têm respeito pela vida de ninguém. Já tentaram matar-me a mim e à minha mãe e lá vamos nós, feitas tontas, com o meu pai atrás, como se lhes darmos a mala com o dinheiro fosse resolver alguma coisa. Mas eu não me vou deixar morrer assim. Se ao menos houvesse mais gente no parque, poderia ser que eles tivessem medo de nos tentarem matar à vista de todos. Mas assim..."
Pouco depois, os três chegaram à beira do lago. O lago era bastante grande e a água era de um tom esverdeado. Havia alguns peixes no lago, bem como patos, que nadavam calmamente de um lado para o outro.
"Eles não estão aqui." disse Dulcineia, preocupada. "Se é perto do lago, podem estar mais para diante ou assim. O lago é tão grande."
Porém, antes que os três se mexessem para darem a volta ao lago, Eugene e Alvin saíram do meio das árvores. Eugene trazia a sua pistola na mão e apontava-a à família.
"Ora, cá estão vocês como combinado." disse ele. "Muito bem, estou satisfeito."
"Temos aqui a mala com o dinheiro, mas onde é que está o meu filho e a minha mãe?" perguntou Rufino.
"Ah, não estão aqui. Estão num lugar seguro."
"Mas combinámos que os dariam de volta quando tivessem a mala!"
"Sim, é verdade. Mas se eu disse que eles estariam aqui no parque, peço desculpa, não é bem assim." disse Eugene. "Agora, passem para cá a mala."
Gabriela não parecia nada inclinada a querer dar-lhes a mala. Como esperara, aqueles dois não estavam a cumprir o combinado. Dulcineia arrancou a mala das mãos da filha, deu um passo em frente e estendeu a mala a Eugene. Ele aproximou-se e pegou na mala com a mão livre.
"Obrigado pela cooperação." disse ele.
"Pronto, agora poderes ligar à Hayley para libertar o rapaz e a velhota." disse Alvin.
"Sim. Quero o meu filho de volta e se tiver mesmo de ser, devolva também a minha sogra." disse Dulcineia.
Eugene sorriu maliciosamente e deu alguns passos atrás.
"Lamento, mas não podemos deixar vivas pessoas que possam prejudicar a nossa organização por saberem demais." disse ele.
"Mas nós não sabemos nada! Só sabemos que queriam a mala com o dinheiro!" exclamou Rufino.
"Isso é o que vocês dizem, mas ela pode ter entrado em contacto convosco e ter-vos contado tudo ou poderia contar-vos no futuro. Não irei deixar isso acontecer."
Eugene continuava de arma em punho. Apontou a pistola a Gabriela. Era a mais jovem, logo poderia tentar fugir e iludi-los, como já fizera antes. Também era uma vingança pessoal por lhe ter dado com um vaso na cabeça.
"Agora, morram."
Mas no momento seguinte, ouviu-se um tiro que não saíra da arma de Eugene. A sua arma caiu no chão e ele agarrou-se ao braço direito, de onde começara a escorrer sangue. Alguém o tinha baleado.
Gabriela começou a olhar à sua volta, tentando perceber quem disparara. Alvin tirou a sua pistola do bolso e tentou também ele perceber o mesmo. Dulcineia aproximou-se mais de Rufino, pois estava amedrontada.
"Alvin, pousa já a arma no chão antes que leves um tiro também." disse uma voz, surgindo de umas árvores ali perto.
A figura que surgiu era a de uma mulher de cerca de cinquenta anos e cabelo castanho quase lhe chegando aos ombros. Dulcineia soltou uma exclamação ao reconhecer a sua irmã, Albertina. As duas tinham semelhanças, apesar de Albertina ser mais velha, mais alta, mais magra e empunhar nesse momento uma pistola apontada ao peito de Alvin. Ele hesitou, mas acabou por pousar a sua arma no chão. Albertina aproximou-se do grupo. Eugene continuava agarrado ao braço e a mala com o dinheiro ficara agora caída no chão.
"Albertina, mas que raio estás aqui a fazer, mana?" perguntou Dulcineia. "E porque é que tens uma arma?"
"E como é que conheces estes homens, tia?" perguntou Gabriela.
"É uma longa história, mas agora não há tempo para explicações." respondeu Albertina, tirando alguns pedaços de corda de uma bolsa que trazia a tiracolo. "Vamos mas é amarrá-los."
"Você não poder amarrar-nos. Nós não ir deixar!" exclamou Alvin.
"Não tens escolha, Alvin. Ou fazes isso ou morres, estamos entendidos?"
Alvin hesitou, mas deixou-se ficar quieto. Albertina estendeu um pedaço de corda a Rufino e Rufino aproximou-se de Alvin, amarrando-lhe as mãos atrás das costas. Gabriela pegou nuns pedaços de corda e tentou fazer o mesmo a Eugene, mas ele debateu-se.
"Não! Não podem fazer-nos isto!" gritou ele, tentando agredir Gabriela.
"Ei, quieto!" exclamou Gabriela, antes de dar um soco com toda a força na cara de Eugene.
Ele gemeu de dor e Gabriela agitou a mão, que agora lhe doía bastante, mas tinha ficado satisfeita com aquele murro. Conseguiu amarrar as mãos de Eugene atrás das costas. Albertina aproximou-se deles e tirou uma tira de pano da bolsa, envolvendo de seguida a tira no braço de Eugene, onde a bala lhe tinha acertado.
"Não quero que sangres até morreres." disse ela, olhando para Eugene. "Pelo menos para já. Agora, Eugene, Alvin, vocês vêm connosco e se tentarem alguma coisa, morrem os dois. Gabriela, pega nas armas deles, mas tem cuidado para não as disparares sem querer. Dulcineia, pega na mala com o dinheiro. Venham comigo."
Albertina empurrou Alvin e Eugene, para que eles caminhassem à sua frente e, sempre com a pistola perto das costas deles, indicou-lhes por onde deviam caminhar. Rufino, Dulcineia e Gabriela seguiram Albertina e pouco depois, passando por um trilho deserto, chegaram até a um local onde estava estacionada uma carrinha negra. Albertina abriu as portas traseiras e fez sinal a Eugene e Alvin para entrarem.
"Dêem-me só um momento." disse ela, olhando para os seus familiares.
Depois entrou na carrinha e amarrou também os pés de Eugene e Alvin e amordaçou-os. Quando saiu da carrinha, fechou as portas traseiras.
"Eles estão tratados." disse Albertina, arrumando a arma num bolso e colocando o dispositivo de segurança, para que não disparasse sem querer.
"Acho que nos deves explicações, Albertina. Muitas." disse Rufino. "O que é isto tudo? Tu andas metida com esta gente?"
"Mana, também quero saber." disse Dulcineia.
"Resumindo, tenho uma vida algo secreta que vocês não sabem. Este pessoal assalta bancos e não só. Eu ajudei-os num assalto e roubei a mala que tens nas tuas mãos, Dulcineia." respondeu Albertina, aproximando-se de Gabriela e pegando nas armas que ela segurava, colocando-lhes de seguida a patilha de segurança também. "Deixei-a à porta da vossa casa, porque tive de fugir... fiz mal em ter-vos envolvido e peço desculpa."
"Acho bem que peças, porque o meu filho e a minha sogra correm perigo de vida." disse Dulcineia, zangada.
"Eu sei. Foram raptados. Eu estava a voltar à vossa casa novamente quando te vi e à Gabriela a fugirem com o Rufino no táxi. Calculei que o Eugene iria fazer algo para conseguir a mala de volta e provavelmente tentaria entrar em contacto convosco através duma maneira óbvia: o táxi. Portanto, fui até à central de táxis. Cheguei lá tarde demais. Uma jovem foi morta, mas as chamadas ficam todas gravadas, portanto, ouvi o que o Eugene tinha dito e vim até aqui."
"O que fazemos agora?" perguntou Gabriela. "Temos de salvar o meu irmão e a minha avó."
"Agora vamos até ao quartel-general deste pessoal. Lamento ter de vos envolver mais, mas sozinha talvez não consiga salvá-los."
"Nós ajudamos." disse Rufino. "Pela nossa família."
A Mala
Passaram-se alguns minutos. No quartel-general dos mafiosos liderados por Agatha, o armazém na zona industrial da cidade, Agatha estava bastante impaciente, andando de um lado para o outro. Hayley estava alerta, olhando para Rui e Maria Goreti, que estavam sentados a um canto e muito quietos.
"Algo correu mal." disse Agatha. "O Eugene e o Alvin nunca mais deram notícias e já nos deviam ter contactado a indicar se tinham conseguido a mala e tinham eliminado os outros membros da família."
"Talvez tenha havido algum atraso ou algum problema nos telemóveis deles." disse Hayley. "It's possible."
"Eu vou tentar contactá-los novamente, de qualquer maneira, acaba com a velha ou o rapaz." disse Agatha, acenando com a cabeça na direcção de Rui e Maria Goreti. "Não precisamos dos dois e se os outros membros da família nos tentaram passar a perna, já não irão ver mais o rapaz e a velha com vida."
Hayley acenou afirmativamente. Agatha entrou na divisão de onde tinha saído anteriormente e depois fechou a porta atrás de si. Hayley sorriu maliciosamente e preparou-se para matar.
No seu canto, Rui e Maria Goreti estavam bastante preocupados.
"Algo se passa." disse Rui. "Elas estão as duas nervosas e tal líder até desapareceu de vista agora. Avó, talvez a nossa família não tenha devolvido a mala com o dinheiro."
"Eles não iam fazer isso. Eles sabem que estamos em perigo de vida. De certeza que iam devolver o dinheiro para nos salvarem." disse Maria Goreti. "Mas acho que nem isso nos salva. Vão matar-nos na mesma."
"Não quero morrer, avó."
"Eu sei, meu querido, nem eu quero que tu morras. Eu já vivi a minha vida, mas tu ainda tens muita coisa pela frente." disse ela. "Se ao menos tivéssemos alguma maneira de escapar..."
"Já olhei para todo o lado e considerei todas as possibilidades, mas não há saída. As janelas são muito altas e pequenas e o portão está do outro lado do armazém. Para lá chegarmos, teríamos de conseguir passar por aquela louca, mas ela está armada e matava-nos logo."
Avó e neto ficaram silenciosos ao verem Hayley aproximar-se, com um olhar frio e a bambolear-se, com a sua arma na mão. Quando chegou perto deles, parou.
"Então, como se estão a sentir? Bem, espero eu." disse Hayley, sorrindo maliciosamente. "Parece que os vossos familiares podem ter causado alguns problemas, sabem? Ainda não temos noticias dos nossos outros agentes, pelo que a Agatha está a assumir que algo correu mal. Por isso, lamento dizer-vos... hum, well, I'm lying, não lamento nada. Um de vocês vai morrer agora."
Hayley levantou a arma na direcção de Rui, mas Maria Goreti levantou-se e colocou-se à frente do neto.
"Não mate o meu neto, mate-me antes a mim." disse ela. "Não faça mal ao Rui."
"Avó..."
"Não digas nada, Rui." pediu Maria Goreti.
Hayley abanou a cabeça, depois agarrou Maria Goreti por um braço e afastou-a de Rui. De seguida, lançou Maria Goreti ao chão. Ela gemeu de dor.
"Bye bye, velhota." disse Hayley, antes de disparar a arma.
Com um tiro certeiro na cabeça, Maria Goreti teve morte imediata. Rui soltou um grito, levantando-se.
"Não! Não!" gritou ele, correndo para a avó e ajoelhando-se ao lado dela. "Não, avó..."
Hayley começou a rir-se.
"Acho tanta graça quando as pessoas ficam assim tão tristes e chorosas."
Rui olhou para Hayley, com um olhar furioso. Jurou a si mesmo que ia matá-la pelo que ela tinha feito a Maria Goreti e a Crisália.
A Mala
Na carrinha de Albertina, ela conduzia o mais rápido possível, pelo trânsito da cidade.
"Já estamos quase a chegar ou não?" perguntou Dulcineia, impaciente.
"Estamos quase lá." respondeu Albertina, à irmã. "Lembrem-se que temos de estar a postos."
Albertina tinha dado a Rufino uma pistola, pois ele andara na tropa e sabia manejar armas. Iriam tomar de assalto o armazém.
"Como é que podemos ter a certeza de que eles foram para o tal armazém, tia?" perguntou Gabriela. "Quer dizer, tu já conheces esse lugar e se fosse eu, teria mudado a minha base de operações para outro lugar."
"Não há maneira certa de saber ao certo se estarão lá ou não, mas quase de certeza que sim. Afinal, foi muito dinheiro roubado e deslocá-lo assim de repente de um lugar para o outro é complicado." respondeu Albertina.
"Podíamos tentar arrancar informações aqueles dois que temos nas traseiras da carrinha." sugeriu Rufino.
"Eles não iriam cooperar, pelo menos não de imediato e estaríamos a perder tempo precioso." disse Albertina. "Agatha, a líder do grupo, não demorará muito a aperceber-se de que algo se passou, visto que não vai conseguir contactar o Eugene e o Alvin. Portanto, esperemos chegar a tempo ao armazém para salvar o Rui e a tua mãe, Rufino."
A Mala
De volta ao armazém, Rui fechou os olhos à avó e murmurou uma prece por ela.
"Isto não devia ter acontecido." pensou ele. "Não é justo a minha avó ter morrido. Ainda por cima, o alvo principal era eu, mas ela sacrificou-se por mim e aquela cabra está toda feliz por a ter matado. Pois eu hei-de arranjar maneira de acabar com ela."
"Rapazinho, agora levanta-te mas é daí. A tua avó morreu, foi-se, she's gone. Volta para o canto."
"E se não voltar?" perguntou Rui, levantando-se. "Você vai matar-me na mesma, portanto porque é que eu tenho de lhe obedecer?"
"Ora, ora, agora é que estás armado em corajoso?" perguntou Hayley, zangada. "Vai já para o teu canto antes que eu te mate neste preciso momento."
Rui ficou parado durante um segundo e depois começou a caminhar para o canto. Hayley revirou os olhos e voltou-se para olhar para Maria Goreti, morta no chão. Nesse momento, Rui virou-se e correu para Hayley. Ela virou-se mas já não foi a tempo e ele atirou-se contra ela, fazendo os dois caírem no chão, bem como a arma de Hayley.
Hayley tentou levantar-se e pegar na arma, mas logo depois Rui deu-lhe um murro com toda a força na cabeça. Hayley gemeu, Rui conseguiu levantar-se e pegou na arma, apontando-a a Hayley. Lentamente, ela levantou-se.
"Hum, que espertinho, eu distraí-me e tu atacaste-me. Mas de que te serve teres essa arma apontada a mim?" perguntou Hayley. "You're just a stupid kid. Não és um assassino, portanto, não vais matar-me."
Hayley deu um passo em direcção a Rui e ele deu um passo atrás.
"Não venha na minha direcção. Eu disparo, ouviu?"
"Ah, que medo." disse Hayley, sorrindo. "Tu nem deves saber disparar uma arma, rapaz. Dá-me já a arma e pode ser que eu te poupe a vida.
"Não! Você matou a minha avó, a Crisália, disparou sobre outras pessoas... não vai escapar impune."
Hayley bufou, zangada e ia pôr uma mão no bolso do casaco, para tirar de lá a outra arma, mas Rui avisou-a.
"Quieta! Mais um movimento e eu disparo!" ameaçou ele.
"Estúpido, isso são ameaças vãs. Eu é que te vou matar, a ti e à tua família toda!"
Antes que Hayley pudesse pôr a mão no bolso, Rui disparou. A bala acertou na barriga de Hayley. Ela arregalou os olhos e caiu ao chão. Pôs a mão na barriga, de onde agora escorria imenso sangue. Rui aproximou-se, ainda com a arma na mão.
"Tu atiraste sobre mim!" exclamou ela. "Tu vais morrer por isto. Vou fazer-te sofrer imenso antes de dares o último suspiro e..."
Em rápida sucessão, Rui disparou mais três tiros à queima-roupa. Todos acertaram no peito de Hayley, salpicando Rui de sangue.
"Ah... I was wrong... damn..." disse Hayley, antes de deixar de se mover e ficar com os olhos vítreos.
Com a manga da camisola, Rui limpou um pouco de sangue que lhe tinha acertado numa bochecha.
"Esta foi por ti avó e pela Crisália." pensou ele. "Eu nunca disparara uma arma, nem tenho muita pontaria, mas quando se está mesmo ao pé da pessoa sobre quem se quer disparar, não é preciso ter pontaria."
Rui suspirou. Acabara por matar uma pessoa, mas estranhamente não sentia qualquer tipo de remorsos naquele momento. Ainda se encontrava em perigo e Hayley era uma pessoa detestável que tivera o que merecia.
A porta de uma divisão abriu-se e Agatha saiu de lá.
"Mas o que se passa?" perguntou ela.
Vendo Hayley não chão, com sangue à sua volta e Rui com a arma na mão, Agatha percebeu de imediato o que se passara. Rui ficou assustado. Apontou a arma a Agatha e premiu o gatilho, mas nada aconteceu, pois ficara sem balas. Agatha abanou a cabeça, tirou uma arma do bolso e apontou-a a Rui.
"Com que então mataste a Hayley. Não esperava isto vindo de ti. Ah, claro, ela matou a tua avó e tu retaliaste e conseguiste matá-la. Espantoso." disse Agatha. "Mas é pena teres ficado sem balas, não é?"
"Ela merecia morrer e você vai presa, ouviu?"
"Não te ponhas com ameaças, rapaz. Quem manda aqui sou eu e eu é que tenho uma arma, carregada, nas mãos. Se eu quiser, estás morto dentro de um segundo." disse Agatha. "A Hayley sempre foi muito estúpida e convencida. Descuidada, também. Agora, teve o que merecia. Mas como mostraste bravura, rapaz, não te vou matar já. Vamos por partes."
Agatha apontou a arma à perna direita de Rui e disparou. Ele gritou quando a bala lhe acertou na perna. Caiu no chão e começou a gemer.
"Dói, não dói?" perguntou Agatha, aproximando-se do rapaz caído. "Mas ainda vai doer mais. Tenho muitas partes do teu corpo que posso balear antes de te matar de vez."
Nesse momento, Agatha e Rui ouviram o barulho de um carro a parar fora do armazém. Agatha ergueu uma sobrancelha.
"Será que são o Eugene e o Alvin?" perguntou-se ela. "Não os consegui contactar, mas talvez já tenham consigo a mala."
Continua…
