Always Keep Fighting
Capítulo 3
Depois do desabafo, Jensen realmente acordou na manhã seguinte se sentindo um pouco melhor. Afastou as cortinas do quarto e percebeu que o dia estava lindo e ensolarado. Depois de muito tempo, sentiu vontade de sair do quarto e respirar um pouco de ar puro, de sentir o calor do sol em sua pele.
Desceu para tomar o café da manhã junto com seus pais e até conversou um pouco com eles, depois saiu para uma caminhada rápida pela rua, antes de ir para a oficina trabalhar. Percebeu que todos os dias ia do seu quarto para a oficina, agindo mecanicamente, sequer reparava se chovia ou se fazia sol.
Voltou a consertar o carro que havia começado no dia anterior e quando percebeu, estava pensando em Jared. Sentiu uma curiosidade muito grande em saber quem ele era, e o motivo de ele fazer o que fazia. No fundo, se sentia envergonhado pelas coisas que tinha dito a ele na noite anterior. Queria ter a chance de falar com ele novamente e se desculpar.
Como não sabia quando ele estaria por lá, ligou para o número do CVV todas as noites e, ao não reconhecer a voz de Jared, dizia que era engano e desligava, frustrado.
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Jared passou o restante da semana angustiado, pensando no que teria acontecido a Dean depois daquela ligação. Seria normal pensar tanto em alguém que sequer conhecia?
Quando finalmente chegou a quinta-feira, sua noite de plantão no CVV, cada vez que o telefone tocava, o moreno mal podia conter sua ansiedade, esperando que fosse ele.
- CVV Centro de valorização da vida, aqui é o Jared. Em que posso ajuda-lo? - Atendeu ao telefone pela quinta vez naquela noite, e já não acreditava mais que Dean voltasse a ligar.
- Hey Jared, eu...
- Dean? – O moreno reconheceu a voz de imediato, sentindo um alívio muito grande ao ouvi-la.
- Sim, sou eu. – Jensen pigarreou. – Eu só liguei porque... Quero muito me desculpar com você.
- Se desculpar? Por quê?
- Pela maneira que eu... Eu não costumo ser assim, sabe. Não sei o que aconteceu, eu acabei descontando toda a minha frustração em você, e... Me desculpe.
- Tudo bem. Você não precisa se desculpar. Fico feliz que você tenha ligado novamente - Jared tentou disfarçar sua empolgação.
- Eu te assustei?
- Eu não diria que assustou, só me deixou preocupado – Sim, tinha assustado, e muito, mas Jared não achou prudente dizer aquilo.
- Eu não sei o que deu em mim, eu comecei a falar e de repente...
- Foi um desabafo.
- Sim. Eu até me senti melhor depois, mas também fiquei me sentindo péssimo por ter sido tão grosseiro com você. Eu geralmente sou gentil com as pessoas. Ou era...
- Eu sei disso. Quero dizer, é a impressão que eu tenho.
- Mesmo? – Jensen sorriu. - Por quê?
- Eu não sei dizer. Intuição minha, eu acho.
- Não entendo como você conseguiu intuir alguma coisa boa sobre mim depois daquilo. Eu realmente sinto muito. Foi uma semana ruim.
- Também já passei por maus momentos, Dean. Eu posso entender. E hoje? Está sendo um bom dia? – Jared ficou curioso.
- Sim. A semana toda tem sido boa, se for comparar com os últimos meses. De certa maneira, desabafar com você parece ter tirado um peso das minhas costas, embora nada tenha mudado.
- É bom saber – Jared tinha que segurar a sua curiosidade. Sentia uma vontade enorme de fazer milhares de perguntas, de saber mais sobre Dean, mas não seria ético. Não era para satisfazer a sua curiosidade que estava ali, afinal.
- Eu nem sempre fui assim, sabe? Eu olho pra trás e fico tentando me lembrar como era... Quando a vida não parecia ser um peso - Jensen ficou pensativo.
- E como era? Você consegue se lembrar?
- Sim, eu posso me lembrar – Jensen suspirou. - Eu morava sozinho, no meu próprio apartamento, que atualmente está alugado, tinha um ótimo emprego, amigos com quem eu gostava de sair pra beber, me divertir… Tinha um namorado lindo, e… Bom, acho que era isso.
- Você quer falar sobre isso?- Jared queria muito saber o que tinha acontecido para que a vida de Dean tivesse perdido o sentido, mas mais uma vez, não podia perguntar diretamente. Às vezes seu trabalho ali podia ser mesmo frustrante.
- Eu não sei… As coisas foram mudando, e você só se dá conta quando já é tarde demais. Eu não sei quando tudo começou… Eu fui promovido a chefe de departamento e parece que algumas pessoas não ficaram contentes com isso dentro da empresa, então começaram a me tratar de maneira diferente. Aí eu viajei a trabalho e quando voltei, pensei em fazer uma surpresa pro meu namorado. Eu tinha a chave do apartamento dele, então fui logo entrando, e… O encontrei com outro na cama - Jensen forçou uma risada. - Sempre achei que esse tipo de coisa só acontecia nas novelas, e de repente… meu mundo estava desabando. Eu só fui embora, sem dizer nada. Me senti tão humilhado, tão… Não dá pra descrever em palavras o que eu senti naquela hora.
- Eu imagino...
- Aí depois você começa a procurar por um motivo, algo que tenha feito de errado, começa a culpar a si mesmo, e… Dói. Dói demais. E se não bastasse toda a dor que eu estava passando, dias depois eu fui demitido. O que, coincidentemente, foi uma semana depois do meu gerente ter me visto com meu namorado em uma festa.
- E ele te demitiu assim, na cara dura? - Jared ficou incrédulo.
- Eles alegaram que precisavam de alguém com mais experiência no cargo, e que não podiam me rebaixar para o meu cargo anterior. Eu sabia o real motivo, mas decidi não processá-los por que… Por causa da minha família. Eu também não tinha provas, então resolvi deixar pra lá, afinal aquilo só me traria mais desgaste emocional. E eu pensei que fosse conseguir outro emprego fácil, mas… Para alguma vaga de chefia, diziam que eu tinha pouca experiência, e para uma vaga inferior, diziam que eu tinha muita qualificação. Depois de ser rejeitado várias vezes, eu mesmo acabei questionando a minha competência. A frustração só foi crescendo até eu me sentir um completo inútil, um fracassado. – Jensen suspirou e passou a mão pelos cabelos, antes de continuar.
- Eu não gosto de falar sobre isso, sabe. Não gosto de ficar me lamentando. Eu sei que tem muita gente com problemas piores do que os meus, com doenças, ou que perderam alguém, e eu… Quero dizer, existem coisas muito piores, eu não entendo porque às vezes eu me sinto como se… Como se as minhas forças tivessem se esgotado, e...
- Eu não acho que exista uma maneira de medir isso, Dean. É mais a maneira com que cada um consegue lidar com seus próprios problemas - Jared falou depois que Jensen interrompeu a frase e ficou em silêncio. - A minha mãe, por exemplo - Jared sorriu. - Ela tem uma facilidade enorme de lidar com tudo, de compreender, de buscar uma solução. Eu não sou assim, eu entro em desespero muito facilmente e geralmente é ela quem me acalma e me faz perceber que existe uma luz no fim do túnel.
- E por que você escolheu fazer isso? Eu digo, ficar ouvindo os problemas das pessoas? Deve ser um tanto angustiante, não?
- Houve uma tragédia na minha família, e... Foi uma maneira que nós encontramos de lidar com a perda. Ajudando outras pessoas. Ou tentando, pelo menos – Jared sorriu.
- Engraçado como é fácil me abrir com você. Eu nunca falei sobre essas coisas com ninguém. Até relatei os fatos, mas nunca falei sobre como eu me sentia em relação ao que aconteceu.
- Agora que eu descobri que tenho todo esse poder, vou querer saber todos os seus segredos – Jared brincou.
- Eu não tenho segredos – Jensen riu. – Talvez pelo fato de não nos conhecermos pessoalmente, seja tão fácil falar sobre qualquer coisa com você.
- Eu gosto de conversar com você, Dean.
- Jensen.
- O quê?
- O meu nome verdadeiro é Jensen. Dean foi um nome que inventei na hora, porque... Eu não sei por que.
- Jensen. É um bonito nome.
- Não é bonito, é um nome estranho.
- É um nome forte. Combina com a sua voz. Eu gosto - Jared falou com sinceridade.
- Se você está dizendo... – Jensen sorriu, um pouco sem graça. – Obrigado. Agora me fale um pouco sobre você, Jared.
- Sobre mim? Você vai se arrepender de ter perguntado – Jared brincou, e então contou a ele um pouco sobre o que fazia, seu emprego, o trabalho voluntário, sua família... Era muito fácil falar com Jensen. Já gostava muito dele, sem nem mesmo conhecê-lo pessoalmente.
À partir daquela noite, passaram a conversar todas as quintas-feiras, quando Jared fazia plantão no CVV. Jared queria muito conhecer Jensen pessoalmente. Pelo tom de voz, já podia reconhecer quando ele estava triste ou quando tinha tido um bom dia, mas queria poder ver isso em seus olhos, queria poder abraçá-lo e dizer que tudo ficaria bem. Infelizmente, não podia. Tinha que se contentar com aquelas poucas horas em que conversavam ao telefone uma vez por semana e isso era frustrante.
Mal sabia ele que do outro lado da linha, Jensen também tinha a mesma vontade. Queria muito conhecer o rapaz falante, bem humorado e simpático com quem conversava todas as semanas. Mas até mesmo quando estava se sentindo bem, o medo e a insegurança o impediam de tomar a iniciativa. Jared sabia tanto sobre a sua vida, seus problemas, provavelmente o acharia um fracassado também.
Continua…
Capítulo sem beta, os erros são todos meus.
Resposta às reviews sem login:
claah silva: Confesso que eu estava bem receosa sobre escrever esta fanfic, pois é um tema muito delicado, mas aí está… rsrs. Fico feliz em saber que gostou. Obrigada! Beijos!
Luluzinha: Olha, acho que peguei mesmo gosto por fazer o "seu" loiro sofrer. kkkkkk. Pois é, essa explosão é sinal que ele já estava no seu limite, né? Tadinho. A situação do Jared também é muito complicada, afinal, ele nada pode fazer a não ser esperar que Jensen ligue novamente. Obrigada por comentar. Bjos!
Lana: Pois é, esperamos realmente que Jared consiga ajudá-lo, não é? E você está certa, não dá pra saber pra quem foi pior, afinal o Jared também está de mãos atadas. Obrigada! Abraços!
TheLadyCraft: Não sei se Jared é assim tão forte emocionalmente, mas ele realmente se importa e fará o que estiver ao seu alcance. 15 capítulos? Você está louca? rsrs. Quanto à mensagem privada (acho que vc comentou em outra fanfic): No seu profile (settings) você tem que habilitar o campo "Accept Private Messages (PM)", deve estar desabilitado, por isso não consigo responder seus reviews em mensagem privada. Obrigada por comentar. Beijos!
