Capítulo 3: Estranhos Acontecimentos...

O outono deixara o continente europeu cerca de duas semanas atrás e o rigoroso inverno já mostrava para os europeus que esta temporada ele estava mais rígido do que os anos passados. E junto com esse inverno, um fenômeno um tanto estranho também acontecia, chuvas torrenciais caíam de vez em quando, o que de fato era uma característica da estação anterior. A antiquada capital inglesa agora se via sob um céu sempre nublado, em temperaturas muito baixas, e neve por todos os lados.

Mas o tempo rigoroso era o menor dos problemas se comparado as constantes discussões entre Harry e Hermione, em que quase todo o Ministério da Magia assistia de camarote, já que elas sempre aconteciam nos corredores ou nas saídas dos elevadores. Aquilo já estava virando motivo de piada para os outros funcionários, e sempre que tinham chance tiravam sarro de um ou de outro. A verdade era que eles não podiam se encontrar de jeito nenhum, ou Harry ou Hermione sempre arranjavam motivo para iniciarem uma discussão, mesmo que seja por uma besteirinha qualquer.

Por outro lado, a família Weasley estava em crise. A senhora Weasley sempre insistia que um dos seus filhos deveria conversar com Hermione, e estes sempre negavam alegando que ela estava impassível, ignorante e fria. Isso ocasionou intensos conflitos entre a matriarca da família com sua filha Gina e com o seu filho Rony. As brigas se tornavam ainda mais freqüentes na Toca a ponto da caçula da família parar de falar com a própria mãe.

- Ela semeando a discórdia mesmo sem estar presente... – falou Gina sentada em sua cama ao perceber que Draco tinha acabado de entrar no aposento.

O loiro se sentia incapacitado de fazer alguma coisa pela esposa toda vez que a via daquele jeito, chorando, triste e cabisbaixa. Gina vinha agindo desse jeito há semanas, e ele estava começando a ficar preocupado com ela.

- O problema é que sua mãe não consegue aceitar o fato de que Hermione mudou bruscamente. – falou ele sentando-se ao lado dela.

-Mamãe fala daquele jeito porque nunca levou uma patada dela. Mas no dia que levar aposto que muda de opinião! - desabafou ela. – Por causa dela, eu e mamãe não estamos nos falando!

E a ruiva caiu no choro nos braços de seu marido.

Harry ia cruzando o corredor com passos largos. Era a vigésima vez que olhava o relógio, estava completamente atrasado para a reunião que tinha com o Ministro e seu departamento. E ao se aproximar da porta ouve que uma pequena discussão ocorria no interior da sala:

-Não quero saber de mais delongas! – falou uma voz rouca.

-Claro, pode deixar. Hoje mesmo. – respondeu o Ministro de forma amedrontada.

E ao ouvir passos se aproximando perto da porta Harry rapidamente se escondeu na sala ao lado. E da brecha da porta ele pôde ver um sujeito de capa preta com capuz saindo da sala do Ministro. Harry teve a noção de já ter visto tal sujeito uma vez, só não lembrava onde. Ainda com a dúvida na cabeça ele se dirigiu para a sala.

Hermione olhou para a porta e viu Draco Malfoy. "Que ótimo... Tudo o que eu queria!", pensou ela revirando os olhos. Relutante ela retirou os óculos, o seu avental e foi em direção ao loiro.

-O que é? Não vê que estou trabalhando?! – falou ela fechando a porta do laboratório.

-Você deveria conversar com a senhora Weasley. – falou Draco completamente da defensiva.

-Porque diabos eu iria querer falar com aquela lá?! Tenho mais o que fazer Malfoy! Ficar perdendo o meu tempo com aquela família de ruivos!

-Hey! Faço parte daquela "família de ruivos" agora! E naquela "família de ruivos" também fazem parte os seus amigos: eu, Rony, Luna e Gina. – falou ele enfatizando toda a vez que se referia à família.

-Malfoy... Eu estou defecando e andando para quem faz parte ou deixa de fazer parte da família Weasley! Meu Merlin é tão difícil compreender que eu apaguei vocês da minha vida?! – falou ela de forma grosseira.

-Garanto a você que um dia irá precisar de nós novamente... E sabe qual será a resposta? Todos farão questão de lhe virar as costas. Pense bem no que você está fazendo... – falou ele.

-Meu Deus! O mundo está completamente perdido! Olha quem é que veio me dar lição de moral?! Draco Malfoy! Vamos ser pelo menos coerentes, né?! Você é o que menos tem direito de falar alguma coisa por aqui... Olhe para trás! Não é só porque mudou lado que pode sair por aí me dizendo o que fazer, do que eu vou me arrepender e blá-blá-blá! – irritou-se ela.

O loiro provou o que sua esposa tinha provado: as palavras cortantes de Hermione. E chegou a conclusão que Gina estava certa o tempo todo, Granger sabia machucar com as palavras. E sem condições de bolar algum argumento se quer, ele preferiu o silêncio. Ele virou-lhe as costas e tomou o seu rumo para a base dos Aurors.

Rony descia as escadas vagarosamente, não estava muito a fim de ir a tal reunião de emergência que o Ministro marcara com todos os Aurors. Por isso ele preferia sair para comer alguma coisa. E assim que chegou ao primeiro patamar deu de cara com sua irmã saindo do elevador.

-Onde pensa que vai Ronald?! Pode ir voltando... Anda! – ordenou a ruiva.

-Não... Deve ser uma daquelas reuniões chatíssimas e demoradas de Departamento. Não quero ir! – resmungou Rony.

-Pode ir parando... Você é 2º tenente... Você não tem que querer, você deve ir! – argumentou ela.

Vendo que estava sem saída, ele não teve outra opção a não ser ir a tal reunião. E fez questão de reclamar o percurso inteiro no ouvido da irmã.

Horas mais tarde, após uma longa reunião todos saem da sala de reuniões. A maioria indignada com a atitude do atual Ministro. Em outros a indignação era tanta que chegaram a discutir com Ministro e acabaram sendo despedidos.

Harry estava em seu escritório falando ao celular quando pela sua porta entra Draco, Rony, Gina e Lupin.

-Cara, você vai não acreditar! O Ministro ficou louco de vez! – falou Rony largando-se numa das cadeiras.

-Olha, eu te ligo depois, ok? Ainda precisamos acertar essas coisas dos custos. – Harry desligou o celular nesse momento. – O que foi? O que aconteceu? – perguntou ele curioso.

-Aquele maluco limitou as nossas missões! – falou Draco bufando de raiva.

-Como assim, "limitou nossas missões"? – perguntou Harry.

-Não podemos sair em missões grandes agora... Só missões bobas! – falou Gina também bufando de raiva.

Harry enrugou o cenho.

-Mas Gina, você não sai em missões grandes... – falou ele.

-Eu sei! Só que se a Elite não sair em grandes missões eu não realizo o meu trabalho, ô espertinho! – falou a caçula irônica para Harry.

-Shakebolt foi demitido. Assim como Tonks. Os dois inventaram de bater-boca com o Ministro e ele os mandou para o olho da rua. – falou Lupin desolado por sua esposa ter sido demitida.

-E isso não é o pior... Se estivermos limitados, quem é que vai pegar o resto dos comensais? – perguntou Rony.

Harry parou e pensou por um minuto. O Ministério estava passando por uma fase delicada, o Ministro estava perdendo o resto do juízo que ainda tinha e a paz e o caos estavam separados por uma linha tênua. Com essa determinação formulada hoje, os comensais que ainda estavam livres fariam a festa de agora em diante. "Será que o Ministro é um comensal?" pensou ele.

-Justiça seja feita com as próprias mãos. – falou de repente Lupin.

-O que está querendo dizer? – perguntou Gina.

-Se não podemos pegar os comensais como aurors, pegaremos eles como a Ordem da Fênix, que é uma organização independente do Ministério da Magia. E esta doutrina adotada pelo Ministro não vale a nós, membros pertencentes da Ordem da Fênix. – explicou ele.

-Mas a Ordem está aposentada há anos! – falou Harry.

-Eu sei. Vamos pôr-la para funcionar novamente! – falou Remo entusiasmado.

Todos pareciam refletir por alguns minutos devido ao silêncio que se instalara de forma repentina no escritório. Era uma idéia arriscada, mas valeria a pena.

-Eu estou dentro! – Harry foi o primeiro a pronunciar-se.

-Eu também! – falou Draco.

-Conte com a gente! – falou Rony por ele e a irmã.

Hermione caminhava pelo corredor com algumas pastas nas mãos quando viu um amontoado de pessoas vindo da direção oposta. Pareciam estar cercando alguém. Ela deu meia volta rapidamente, já que aquela multidão de pessoas vinha em seu encalço. Com certa dificuldade ela viu que aquelas pessoas cercavam o Ministro, e este era devidamente protegido por seus seguranças.

-Você é maluco!

-Tem que tirar esse desgraçado do poder!

Hermione os ouvia berrando para o Ministro quando avistou Vincent, um dos seus estagiários. Correu até ele, queria saber o que estava acontecendo.

-O que aconteceu? – perguntou ela aos berros por conta do barulho que aquele pessoal fazia.

-Esse pirado libertou quase todos os comensais de Azkabam alegando "falta de provas convincentes"! Inclusive o pior deles: Bellatrix! – berrou Vincent de volta para sua orientadora.

Ela sentiu o seu coração acelerar, sua garganta secou de forma inesperada, sua respiração tornou-se ofegante. Estava começando, ela sentia, sabia disso. O primeiro passo já fora dado. Por instinto ela sai correndo, precisava de uma boa e esclarecedora conversa.

Do escritório era possível ouvir todo o tumulto que se instalava no Ministério. Curiosos os cinco saíram para saber o que estava acontecendo. E por pouco não pegam ainda o Ministro no local, pois este saíra ainda protegido por uma barreira de seguranças. E no meio daquele falatório todos eles ficam sabendo da libertação dos comensais.

-Isso aqui virou zona?! Libertar comensais por falta de provas convincentes é muita sacanagem! – esbravejou Draco.

Harry e os outros estavam abismados com tal atitude do Ministro. Alguma coisa muito esquisita estava acontecendo. Duas decisões impertinentes e absurdas tomadas no mesmo dia, e de certa forma ligadas indiretamente. Foi quando Harry avistou o tal sujeito com a capa preta no canto da sala. E por um momento ele o olhou. Seu choque era visível, não entendia com aquilo era possível, Lúcio Malfoy vivo?! Como se foi ele mesmo que tinha o matado? E no segundo que piscou os olhos o sujeito sumiu. Foi então que uma sensação de alívio lhe invadiu, talvez estivesse vendo coisas demais, Lúcio Malfoy já estava morto e era impossível uma coisa dessas acontecer. Quando Dumbledore ainda era vivo, lhe explicara que quando uma pessoa morre, não há magia que a traga de volta.

Hermione caminhava de um lado para o outro impaciente no local. Tinha poucas e boas para falar. Quando de repente sentiu aquela mão fria lhe tocar perto do pescoço. Ele se sentou e sorriu de maneira agradável para ela.

-Minha cara, o que te traz ao meu humilde aposento?

-Pare o que está fazendo! Você me prometeu! – resmungou ela.

-Andou pintando os cabelos esses dias? Porque baixou a loira em você.

-Eu vou falar tudo o que sei! – ameaçou ela.

-Faça isso... Esteja à vontade. Mas depois não venha reclamar das conseqüências.

-Você não presta! Seu nojento! Descarado! – esbravejou ela.

Ele riu em tom debochado.

-Aliás... Você pode contar sim... E eu duvido que alguém acredite em você!

Ele de certa forma tinha razão. Sua vontade era de agarrar no pescoço dele e matá-lo. Ela não conseguiu controlar suas lágrimas, e sob o som das risadas debochadas dele ela foi embora.

Em casa, ao chegar, Hermione se trancou no seu quarto e pôs-se a chorar descontroladamente. Sua situação não era uma das melhores no momento, estava entre a cruz e a espada, com a corda no pescoço. E o pior disso tudo era que ele tinha razão, ninguém iria acreditar nela, não depois do modo com vem tratando todo mundo. O desejo de morte começou a tomar um valor significativo dentro dela e a possibilidade de suicídio se tornava cada vez mais plausível. Hermione apontou a própria varinha contra o seu peito, perguntava-se se era mesmo a melhor solução a ser tomada, perguntava se havia alguma diferença entre aquela realidade e o inferno, perguntava como ela poderia ter sido tão fraca e ingênua a ponto de acreditar numa promessa dele. Cerrou os olhos buscando desejo da morte quando em sua mente vieram imagens de sua adolescência em Hogwarts, em especial imagens de Harry. As lembranças dos encontros às escondidas com ele, aquele par de olhos verdes inesquecíveis, aqueles teimosos cabelos rebeldes, o sorriso encantador. Tudo aquilo foi o suficiente para fazê-la parar. Ela era uma Grifinória, e desistir tão fácil fugia dos seus princípios. Além do mais, sua morte traria conforto para ele, não queria dar esse gostinho, essa facilidade.