Primeiro e Último

— Você se lembra da primeira vez que eu te chamei de "nii-san"?

— Sim, foi um ano depois que meu pai morreu, quando eles me disseram que nada havia mudado e eu ainda teria que viver como sua sombra.

— Eu sinto muito mesmo. Eu só queria que você entendesse que eu te via como família, não como um servo, não como um escravo.

— Eu sei disso agora, Hinata-sama.

— Mas deve ter parecido que eu estava tripudiando do seu sofrimento.

Ele não disse nada.

— Sabe, foi também o dia em que eles disseram que nós nos casaríamos.

Ele permaneceu em silêncio, mas o peso em seu olhar havia desaparecido.

— Eu não te vejo mais como irmão.

Ele quase recuou um passo.

— Eu não iria querer isso... Não depois de amanhã.

— Verdade?

A questão dela soou incrivelmente sincera, até mesmo surpresa; se ele tivesse um senso de humor teria achado quase cômico. Ele assentiu com a cabeça. Hinata sorriu.

— Então hoje é o último dia em que eu vou estar te chamando de "nii-san", amanhã... – ela suspirou. – Amanhã eu vou ser sua esposa, nós seremos família de uma forma que nem o ramo secundário ou o ramo principal vão importar mais e ninguém via poder dizer que você é nada além de meu igual.