Carlisle olhou para a lua, redonda e branca. Seria até bonito, em circunstâncias diferentes.

Um barulho áspero voltou sua atenção para o que era realmente importante. Se apertou mais contra a parede de pedra, rezando para estar bem escondido na escuridão.

Era o som de uma tampa de bueiro sendo removida. Pelo lado de dentro.

O rapaz sentia seus dedos formigarem de excitação. Sabia que estava certo! Ao mesmo tempo, seu coração explodia contra suas costelas. Carlisle sentia uma mistura estranha se excitação e medo.

Uma criatura estranha finalmente conseguiu se livrar da tampa de metal, e começou a sair do poço. Havia pouca luz naquele beco. Carlisle mal conseguiu distinguir seus traços da escuridão, mas parecia humano. Foi então que a criatura simplesmente desapareceu, e no lugar, ficaram apenas algumas folhas secas flutuando até o chão, como se tivessem sido pegas por uma lufada de ar.

Carlisle não se atreveu a sair de perto daquela parede por longos vinte minutos. Seu coração ainda estava acelerado, e ele não acreditava no que os próprios olhos viam.

Então era tudo verdade. Todas aquelas velhas lendas sobre os vampiros que ele pesquisara na biblioteca da igreja. Aqueles livros empoeirados falavam de uma criatura da noite, de aparência humana que tinha poderes sobre-humanos. Dentre eles, uma velocidade assustadora, pelo que acabou de ver.

Não podia deixar que tais monstros continuassem a matar os humanos.


Na noite seguinte, Carlisle voltou ao beco. Mas não estava sozinho. Depois que contara sobre sua descoberta às pessoas de sua vila, armou um plano para destruir aqueles demônios.

Parecia que a vila inteira estava lá, uns empunhando tochas, e outros, forcados que usavam para alimentar os cavalos. Alguns também carregavam lanças que eles mesmos produziram. Ao por do sol, estavam todos marchando para o tal beco.

A espera foi angustiante. Carlisle podia ver que começavam a duvidar dele. Já era quase meia noite e nada havia saído do esgoto.

Só ouviram um barulho uma hora depois. Era o mesmo barulho cortante da noite anterior.

Carlisle se apressou na frente do grupo, observando com cuidado enquanto a tampa de metal era erguida e algo saía de lá. Mas esse era diferente. Seus movimentos eram mais lentos e pesados.

Um rosnado saiu da garganta da criatura. Ele deveria ter vista a multidão, porque logo depois, ele começou a falar, em latim.

Carlisle conhecia bem essa língua. Seu pai o obrigara a aprender desde que ele era criança. Mas o que a criatura disse, o encheu de medo.

Como suspeitava, havia mais de um. E agora esse vampiro à sua frente estava chamando o resto do bando.

Logo depois começou a correr. Não na velocidade do vento, como na noite anterior; ele correia tão de vagar quanto um humano. O sangue jovem de Carlisle pulsava por ação. As pessoas se agitaram atrás dele, e ele os liderou então, na perseguição ao vampiro.

Não chegaram muito longe. Algo dentro de Carlisle lhe dizia que a criatura deveria estar com fome, e portanto não os despistava. Foi quando ele parou, e pulou na direção do grupo.

Carlisle não conseguiu desviar, de tão incisiva que a criatura foi. Caiu diretamente sobre ele. Uma dor tão forte que nunca imaginou ser possível tomou conta de seu corpo, principalmente onde os dentes do vampiro encontraram com sua pele.

Carlisle gritou, e a criatura o soltou. Mas não foi por ter se assustado de seu grito, logo ele percebeu. Foi por que dois de seus homens o estava atacando. Com horror, Carlisle o viu massacrar os dois humanos, e um terceiro, que se aproximou depois, empunhando uma tocha.

A criatura se esquivou do fogo, e num movimento rápido, cravou os dentes no pescoço da vítima, sugando seu sangue com prazer.

Não ficou parado muito tempo. Com o humano ainda seguramente preso entre seus braços, já morto, o vampiro correu, sumindo na escuridão e levando toda a multidão à persegui-lo.

Carlisle se viu sozinho onde caíra. O silencio da noite se instalou rapidamente enquanto a dor estourava em sua cabeça. No entanto, não era forte o suficiente para ele não ver o que o pai faria quando descobrisse. Certamente, destruiria tudo o que o mostrou tocou; inclusive o próprio filho. Tudo seria jogado numa fogueira, para se esvair com o fogo.

Carlisle começou então a rastejar pela rua de pedra. Forçou seu corpo a se mover, em direção à saída da cidade. Podia ver o rastro de sangue por todo o caminho, assim como podia sentir a dor aumentar a cada segundo.

Finalmente, o chão de pedra deu lugar a um de terra. A sua frente, uma enorme plantação de batatas se estendia até onde a vista alcançava. Carlisle rumou para lá, rastejando ainda alguns metros por entre a vegetação, antes de parar e cair exausto.


Finalmente postei!!

podem fazer a festa e me deixar um monte de reviews!!

Bjinhus!!!