Obrigada a todos pelas Reviews! E desculpem a demora pra postar esse capítulo... prometo postar a continuação o mais rápido possível

Feuer

Marguerite, Roxton e Verônica foram em busca dos Standat e os outros ficaram na casa junto com as garotas. Eles queriam descobrir tudo o que pudessem sobre eles antes de falar que estavam com Feuer.

A viagem até a aldeia foi longa. Ao chegarem rodearam o local até que encontrassem alguém.

- O que vocês querem? – perguntou o único homem que encontraram fora da cidade.

- Estamos viajando a mais de um mês – mentiu Verônica, já que a viagem deles não durou nem dois dias. – nossos suprimentos estão acabando e precisamos de um lugar para passar essa noite. Será que poderíamos fazer isso aqui?

- Claro, somos bons comerciantes, encontraram tudo o que precisam por aqui e podem ficar o quanto quiserem, desde que paguem por isso.

- Pagaremos não se preocupe.

O homem os conduziu pela aldeia, não era tão pequena como imaginavam, era até bastante desenvolvida se comparada a outros locais que já haviam visitado. Era um local peculiar, as ruas eram pavimentadas com pedras, as casas lembravam as do subúrbio inglês de um ou dois séculos atrás, nas ruas havia homens e mulheres vendendo produtos como pães, frutas, verduras, flores, até mesmo artesanato. Tudo isso fez com que Marguerite e Roxton se sentissem de volta ao "mundo civilizado".

Uma das coisas que Marguerite reparou foi em como eles eram realmente diferentes de Feuer. Quando a menina falara, ela achara que ela estivesse exagerando, mas a diferença era nítida, todos tinham cabelos e olhos mais negros do que a própria noite e suas peles tinha um leve tom curiosamente avermelhado. Todos tinham essas características e então ela percebeu como a menina se contrastaria com eles se estivesse ali naquele momento.

- Essa é a casa de Strensér, ela tem dois quartos sobrando, é uma senhora solitária e ficará contente em ter companhia. Vocês já devem ter percebido que coisas a venda não faltam por aqui, por essas ruas vocês vão encontrar tudo o que precisam.

O homem bateu a porta da casa e apresentou os três viajantes a senhora.

- Espero que apreciem a estadia, agora eu preciso ir.

O homem saiu da casa. Era uma casa onde tudo era velho, o sofá era de um vermelho desbotado, os móveis estavam riscados, o chão de madeira que um dia havia sido brilhante agora estava opaco e com grandes vãos entre uma táboa e outra, sem falar no leve cheiro de mofo no ar. Marguerite não queria ficar, mas Roxton a convenceu que ou era aquilo ou teriam que dormir ao relento na floresta.

- Então vocês precisam de dois quartos?

- Exato.

- Um para as moças e o outro para o rapaz?

- Na verdade, somos casados – respondeu Marguerite – Verônica ficará com o quarto separado.

- Ah, claro, sim, um quarto para as moças e outro para o rapaz. – disse a senhora novamente.

- Acho que a senhora não entendeu… Um quarto para os dois – falou Verônica apontando para o casal – e um para mim.

- Me desculpem, um quarto para as moças e outro para o rapaz

- Senh... – começou Marguerite já impaciente.

- Não se preocupe em corrigi-la – disse Roxton – ela vai dizer a mesma coisa outra vez.

- O que os trouxe a essa cidade?

- É... bom, fomos a uma expedição, estamos retornando para nossa aldeia.

- Eu adorava expedições, na minha juventude meu falecido marido e eu costumávamos a sair...

- Devia ser ótimo. – disse Marguerite ironicamente.

- Claro, maravilhoso. Uma vez...

E assim se passou boa parte daquela manhã e todo o almoço (que também não estava muito agradável), a senhora contou milhões de histórias sobre sua juventude, algumas mais de uma vez. Ela fazia várias vezes as mesmas perguntas e Marguerite percebeu que poderia falar as coisas mais insensatas que a senhora concordaria e depois perguntaria novamente. Logo perceberam que ela seria uma ótima fonte de informações e jamais desconfiaria que eles protegiam Feuer.

- Eu soube que há algum tempo o local pegou fogo.

- Ah sim, pegou, por pouco não ocorre uma tragédia.

- O que causou o incêndio?

- A menina é claro. Mas ela fugiu, não conseguimos fazer ela pagar pelo crime.

- O que ocorreria se a encontrassem?

- Oras! Que leis vocês têm em seu povo? A menina provocou um incêndio que destruiu várias casas e matou cinco pessoas, ela pagaria com a vida obviamente.

- Mas ela é só uma criança...

- Criança? Que criança?

- A que provocou o incêndio. – disse Marguerite pacientemente.

- Claro, ela é uma criança mas também é assassina.

- E como foi que ela provocou o fogo?

- Ela tem poderes, o fogo sai de suas mãos.

- Onde ela estava quando ocorreu?

- Ninguém sabe, mais um motivo para acusarem-na.

- Ela tem família?

- Sim claro, os Pendie, Juliese e Couhad Pendie, moram há duas ruas daqui, uma casa muito bonita por sinal, é grande e toda coberta de eras, uma das poucas casas antigas que restam por aqui. Essa também é bastante antiga, foi construída há mais de 100 anos por...

- Foi uma conversa muito interessante, mas agora temos que sair para comprar algumas coisas. – e foram se levantando, deixando a mulher falando sozinha.

Quando saíram ficaram aliviados em respirar ar fresco novamente.

- Iremos à casa dos Pendie?

- Sim, mas primeiro teremos que saber se eles estão dispostos a ajudar a filha.

Continua...