É curioso observar como as nossas atitudes podem interferir na personalidade ou no pensar das pessoas. Vendo |seu nome| acostumar-se com aquela vida no internato, sem contato com o pai, era muito difícil de lidar. Realmente, dá muita pena. Era triste não poder crescer e desenvolver com seus pais ao lado – sei como foi isso. Por que o pai dela não respondia as cartas?

Aos poucos, |seu nome| amansava em sua revolta. As freiras que eram inspetoras e professoras também estavam mais tolerantes. Sei que não sou digno de ensinar profissionais como eu, mas orientei-as a lidar com paciência com aquela garotada. Como aquela menina mesmo dizia, "elas eram arcaicas!". Realmente.

Estou me afeiçoando a |seu nome| aos poucos. Sequer sabia o porquê disso. Nunca me afeiçoei tanto assim a uma pessoa que sequer é de família. Talvez deva ser pelo o que ela está passando. Eu quase a tenho como uma filhinha. Ou como uma irmãzinha pequena que ficou órfã de pais. Os olhos |cor dos seus| sempre tão expressivos, nunca me escondia quando a dona deles estava triste. Gostava de passar com ela quando estava em horas vagas. Porém, Violet e Monet – outra freira do internato – orientaram-me a manter um tratamento equilibrado com todas as meninas e meninos daquele lugar, para não levantar horríveis ideias, das quais jamais teria com |seu nome|.

|Seu nome| havia me confidenciado que Bonney exclusivamente a atormentava em relação a mim, o que me fez tornar mais rígido com aquela garota ousada de cabelos rosados. Fiquei imaginando a pobrezinha ter que ouvir tais coisas. Não imaginava que meninas daquela fase delas já tinham tanta malícia em seus corações. Até porque aqui era um colégio e internato de freiras e de uma Madre Superiora bem rigorosa.

Mas quando tiver a oportunidade, eu mesmo gostaria de saber melhor quem é |seu nome|. Conhecer o pai, falar com ele. Saber por que ele não tem tempo sequer para fazer uma ligação pelo den den mushi.

...

– |Você|! Chegou uma carta para você! – Jora entrou no quarto dela e foi entregar a carta para a garota. Bonney quis se meter no meio para pegar a carta, mas Jora impediu estendendo a carta para cima – A carta é para |seu nome e sobrenome|!

|Você| parou de escrever e foi até Jora, pegar a carta. Lendo o remetente, reconheceu quem era: o velho pai.

– É do meu pai! Ele finalmente se lembrou de que tem uma filha! – |você| pulou cheia de felicidade.

Na carta, Roger contava que prosperava nos negócios e que, daqui a alguns anos, poderia pegá-la de volta e colocar para estudar perto dela e do irmão. E que a visitaria dentro de dois meses. Isso já a animou um pouco.

– Preciso falar ao Padre Corazon que ele virá até aqui. Ele quer conversar com meu pai.

– Será que você terá que ir embora, |você|? – comentou Bonney – xiii... vai ser difícil se separar do seu amado!

– Bonney! – Jora deu a bronca – Pare de dizer tolices!

– Deixa ela, Jora. Nada vai estragar a felicidade de rever meu pai e meu irmão!

– Mas... você vai embora? – perguntou a freira.

– Pelo visto, não. Está cheio de negócios para trabalhar neles. Só vai é me ver e depois... só ano que vem! Ou nunca mais, depende...

– Qual nada, |você|! – Jora puxou-a em um abraço – você sairá daqui formada e ele sempre virá te visitar com frequência!

Corazon gostou da novidade e logo, poderia conversar com ele. Em um sábado, veio Gold. D. Roger e seu filho Ace, ver |você|. Enquanto os irmãos colocavam o assunto em dia, Roger teve uma conversa em particular com Corazon.

– Mas, padre... entenda isso: já foram muitas barras que enfrentamos. Preciso justamente ganhar dinheiro para completar os estudos dela como completei os do meu filho ano passado!

– Entendo... mas não abandone sua filha! Ela sente muito a falta do senhor...

– Roger, por favor. Pelo menos, entre nós.

– Certo, Roger.

– Ora... vejo que está cuidando bem dela. Ela me parece mais disciplinada. Desde que perdeu a mãe quando pequena, ela tem uma mágoa profunda a qual transformou em rebeldia.

– Virá sempre vê-la?

– Tentarei, meu jovem padre! E olha... – pegou nas mãos dele.

– Deus te abençoe.

– Não, não quero sua bênção! Quero sua promessa de que cuidará da minha filha como se fosse sua própria!

– Ah sim... isso já faço.

– Seja o pai por mim, sim?

...

Um fim de semana básico para rever o pai. Sempre com pouca conversa com a filha, Roger queria ir embora naquele mesmo sábado, mas atendeu ao pedido os filhos em ficar o domingo também, partindo segunda.

– Seja boazinha com o padre Corazon! – ordenou o pai.

– Mas eu sou.

– E continue assim. Ele tem a permissão minha de ser seu pai nesse tempo que estudar aqui!

|Você| olhou para ele feliz. No fundo, mostrava confiança e ninguém melhor que Corazon para ser seu tutor ali. Com essa promessa, ele partiu com Ace, que se despediu dela com um abraço rápido. Corazon e |você| observaram os dois sumirem no horizonte.

– Bom, vamos para a aula?

– Claro!

Os dias se passavam. Meses. Um ano. |Você| havia se tornado uma das melhores alunas. Seu sucesso e a atenção que Corazon lhe dava irritavam Bonney aos extremos, a ponto de ter uma ideia horrível para prejudica-la.

Enquanto as meninas tomavam banho depois da Educação Física, comandada pela Irmã Monet, Bonney tramava silenciosamente seu plano. |Você| sempre era das últimas a tomar a ducha. Corazon estava cuidando do jardim do pátio, com roupas típicas de jardineiro. Ele estava ajudando o jardineiro que estava doente e não podia trabalhar. A garota de cabelos rosados foi a primeira a tomar uma ducha, e observou quando você ia chegando com a companhia de uma das garotas, Nami. Uma ruiva esperta e sagaz, que estava combinada com Bonney nesse plano. Saiu do banheiro feminino e foi correndo até o padre no jardim do pátio, fingindo desespero.

– Professor! Professor! – gritava Bonney.

– O que houve?

– Aconteceu algo com |você| e ela está com a Nami no banheiro, ela está quase desmaiando.

– Certeza disso?

– Eu a vi desse jeito, vou chamar a Irmã Monet, também! – saiu correndo novamente, virando-se para trás – Rápido, professor!

Ele largou a tesoura de jardineiro e tirou o avental verde, acreditando nas palavras de sua aluna. Hesitou um pouco, pois era o banheiro feminino e era a área privada das garotas. Bonney veio atrás e puxou o professor pela mão.

– Oi, oi! Não posso entrar assim! Chamou a sua professora?

– Ela está vindo!

De repente, escutaram o barulho de um grito dentro do banheiro. Ambos ficaram curiosos. E Bonney aproveitou a situação.

– Vem logo, padre! É uma emergência!

Ele acabou entrando no banheiro, dando de cara com a área do chuveiro aberta e as duas despidas se banhando. |você| estava de costas e gritou ao ver quem tinha "invadido" ali, junto com Nami, que estava de frente e tampou apenas a região do sexo, deixando mesmo os peitos grandes para fora. Corazon sentiu-se enrubescer.

– O que faz aqui, padre?! – perguntou |você|, de costas e encostada à parede. Também estava corada.

– Aqui é uma área restrita para as meninas! – reclamou Nami

– Bonney me disse que |você| estava quase desmaiando e precisava de ajuda! E que falou com Irmã Monet para vir aqui!

– O quê?! – questionou Nami.

– Bonney! Confirma isso! – ele se virou para a garota dos cabelos rosados e...

...ela tinha saído do banheiro. O loiro olhou para todos os lados para ver se a achava em outro canto.

– Saia daqui, padre! – reclamou Nami.

– Mas... eu estou bem... por favor, padre, saia daqui! Antes que te metam em encrenca! – disse |você|, ainda na mesma posição em que se colocou.

– Não vai sair nada! – disse Nami, puxando uma toalha e se enrolado, indo diretamente para a porta, impedindo do padre de sair – As irmãs vão saber disso, seu atrevido!

– Nami! Não estou brincando! – disse ele, que ainda estava enrubescido.

Bateram à porta. Ele engoliu seco. Nami desencostou da porta para permitir que entrassem.

– Padre Corazon! O que está fazendo aqui? – perguntou Monet.

Ele acabou se enrolando em palavras. Bonney apareceu atrás.

– Bonney! Tratou de explicar tudo o que me disse lá no jardim?

– Eu disse o quê? Vim apenas chamar nossa professora para ver o que você estava fazendo! – ela disse cinicamente.

Ele sacudiu a cabeça negativamente para Bonney, que fingia certo aborrecimento, mas ria no fundo de sua perversa alma.

– Acompanha-me, por favor! – disse Monet, calmamente.

– É claro!

Enquanto eles saíam, Bonney deu um risinho para Nami. |Você| percebeu aquilo. Correndo, |você| pegou a toalha e se enrolou nela, indo tomar satisfação com as duas.

– O que estão tramando, suas...

– Nada, |seu nome|! Na verdade, viemos salvá-la desse pervertido!

– Pervertido nada! É uma serpente que planeja dar o bote em uma criatura tão honesta, Jewelry Bonney!

|Você| tentou atacar Bonney, mas Nami a segurou por trás, deixando cair sem querer a |sua| toalha. Bonney se aproximou, olhando |seu| corpo nu.

– Ele é louco para desfrutar dos prazeres da carne... – olhou com certa luxúria para seus |tamanho deles| seios – e você também... se arde todinha só em imaginar ser tocada por aquelas mão tão castas.

|Você| olhou para a dos cabelos rosados com horror.

– Você está saindo muito bem como puta! – |você| disse friamente – Se deseja tanto ele, vai lá! Seduza-o! Mas não me usa para isso!

Bonney olhou para Nami e ela |te| soltou. |você| voltou a se enrolar na toalha e foi até o armário pegar seu uniforme e sair dali rapidamente.

Foi a confusão total. Um escândalo. Mesmo |você| defendendo o padre, Bonney e Nami foram mais ouvidas em suas declarações. E as insinuações de que |você| e Corazon tinham um relacionamento escondido eram ouvidas com horror pelas freiras, em especial Violet. Corazon fechou os olhos, aceitando seu destino e compreendendo os fatos. Irmã Charlotte, a Big Mom, não foi considerável. No fundo, ela conhecia aquela aluna tão encrenqueira que era Bonney, principalmente quando ela se juntou a Nami. E não queria escândalos no colégio. Decidiu então transferir o padre para outro lugar, saindo dali. Por causa daquela confusão, |você| começou a dormir com Jora, até mesmo porque se |você| e Bonney se encontrassem, poderia sair uma briga daquelas. E as freiras queriam manter a ordem e a disciplina. Até acreditaram nas justificativas de Corazon, mas acharam correta a decisão de Big Mom. Porém, ficaram mais rígidas com Bonney e Nami, para que elas se tornassem menos intrigueiras. Acabou perdendo muito essas duas.

Quando Corazon teve que ir embora, |você| implorou de joelhos para que pudesse falar com ele pela última vez. Concordando, Big Mom pediu para Viola acompanhar a garota desolada até depois do grande portão e se encontrar com ele. Ao vê-lo diante de si, com as malas e com o olhar tão triste, |você| se comoveu bastante. Correu ao encontro dele chorando. Ele largou tudo para abrir seus braços e acolhê-la.

– Sabemos todos que isso foi um plano dela... – disse ele, baixinho no ouvido dela.

– Ela é uma bruxa! Mas ela ainda vai me pagar... – |você| também falava do mesmo modo, aos choros.

– |Você|! Prometa-me uma coisa? – ele olhou bem nos olhos da garota.

– Prometo...

– Não cria o ódio e a vingança dentro de seu coração. Intrigas acontecem. Devemos ter fé em Deus e deixar que a justiça dele aja no lugar de nossos impulsos – virou-se para Violet – não é assim, Irmã Violet?

– S-sim... claro. – ela disse meio comovida. Tinha muita afeição por ele.

– Foi o melhor que Irmã Charlotte pode fazer... senão elas fariam coisas piores!

– ...mas... é tão injusto... que você se vá... agora que... – |você| nem conseguia falar direito.

Corazon acariciou |seu| rosto molhado. Foi então que os olharem se cruzaram de forma tão profunda e especial. |Você| parava de chorar aos poucos, apenas soluçando.

– Devemos ser breve. – pediu Violet para os dois.

Ele pegou na mãozinha dela e beijou-a amistosamente. Ela o fez, pedindo a benção.

– Deus te abençoe e te dê forças.

– A você também, Padre Corazon.

E assim se separaram. |Você| voltou com Violet para dentro e ele foi embora, entrando em um carro.

– Sabe que isso tudo foi plano da Bonney. – comentou |você|, querendo ouvir a opinião da outra.

– A decisão da Madre Superiora vale mais que a verdade sobre isso. Ela sabe o que faz! – disse Violet, confortando a jovem em um abraço amistoso – Deus castigará o verdadeiro culpado e inocentará os vitimados!

...

Por indicação da própria Big Mom, Corazon não ficou muito tempo sem dar aulas. Em uma universidade somente para rapazes em Dressrosa – longe da cidade onde ficava a Escola da Marinha -, cujo Sengoku era um dos diretores, ele pode continuar a dar aulas. Pediu permissão para Big Mom se poderia enviar uma carta de despedida completa para |você| em segredo, sendo aceita. Também confirmaram que não falaria nada daquele escândalo para o pai dela, dando outra justificativa por Corazon ter saído do colégio e internato.

Não podendo morar na universidade, arranjaram uma casa de aluguel para viver. Por ironia do destino, Bellemère era dona da propriedade. Sua amiga dos tempos do monastério. Havia desistido de ser freira antes mesmo de concluir os votos temporários e agora, financiava terrenos e casas para aluguel e ganhava bom dinheiro. Inicialmente ela recusou que ele pagasse sua moradia, mas ele insistiu, dizendo que era igual a todos e tinha os mesmos direitos, mesmo eles sendo amigos. Ela não discordou depois.

A vida parecia mais sem sentido longe de quem lhe dava alegrias. Daquela que gostava de filosofar sobre religião. Daquela contestadora polêmica que arrancava a paciência de suas professoras. Sabia que, um dia, poderiam se reencontrar e rir daquilo tudo que passou, sem nenhum ódio ou rancor. Apenas rezava para que ela pudesse superar todas as injustiças. Agora, não estaria ao lado dela para protegê-la. Seria o que Deus quisesse.

Nas primeiras semanas, |você| estava apática e não escondia isso de ninguém. Nami não |te| encarava diretamente, como se estivesse sentindo culpa. Bonney não havia mudado nada, porém evitava |você|. Ao receber uma carta dele explicando como estava ele atualmente, seu coração encheu de alegria. Pediu para que pudesse mandar a resposta, implorou para Big Mom, que acabou aceitando. Porém, exigiu que pudesse ser a única a ler o conteúdo, apenas para confirmar se realmente ambos tinham sido vítimas de uma intriga. Sem discordar, |você| fez. E deu também o endereço do pai, caso quisessem ter contato sempre que pudessem.

– Meu pai havia pedido a ele que cuidasse de mim como se fosse sua filha. – a garota de olhos |formato dos seus| confessou para Irmã Charlotte, que riu.

– Agora entendo tudo... mas foi melhor que eu o afastasse. Para seu bem e o dele. Fora deste lugar, vocês poderão se encontrar normalmente. Mas isso somente quando seu pai te buscar quando se formar.

– É... eu sei disso. – disse |você|, com ar meio melancólico.

Ambos descobriam aos poucos... embora fosse inconsciente... que se amavam. Era um amor puro, típico de uma verdadeira amizade... mas com o toque tão leve da necessidade de tocar, de falar, de ver sempre um ao outro... mas apenas mantinham em suas mentes que tinham apenas uma amizade muito forte.