Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Alister, Eurin, Helio, Aaron, Lya e Alanis são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.


Boa Leitura!


Capitulo 3: Peixes X Touro.

I – A Aposta.

Alongou os braços para cima, respirando fundo, ouvindo as costas estalarem um pouco e uma legião de desocupadas suspirarem. Será que nem fazer o treino matinal poderia fazer em paz? –ele se perguntou, quase sentindo uma veinha saltar em sua testa.

A verdade é que nunca dormira tão mal desde que chegara ao santuário, mas era melhor não comentar os por menores que envolveram esse pequeno problema noturno, se levar em consideração o fato dele estar entrando na arena agora; Alister pensou, voltando a postura original.

-Que cara é essa Alister? –Helio perguntou, se aproximando. –Noite mal dormida; ele sugeriu, com um sorriso maroto nos lábios.

-É; o pisciano respondeu, gesticulando displicente, acompanhando a entrada da amazona de cabelos esverdeados na arena, ao lado de Lya.

-Uhn, não vou nem perguntar o porque; o taurino completou, acompanhando seu olhar.

-Do que esta falando? –Alister perguntou, voltando-se para ele, vendo o cavaleiro apontar para a outra extremidade da arena, onde a amazona de Carina estava.

–Só um conselho, é melhor deixa-la em paz, você viu o que aconteceu ao Cadmo;

-Cadmo é um idiota, que não tem um pingo de classe no quesito 'abordagem direta'; o pisciano respondeu convencido.

-E você tem? –Aaron perguntou sarcástico, aproximando-se.

-Claro que sim; Alister respondeu com ar ofendido, pelo tom descrente do amigo.

-Ah essa eu quero ver; Helio falou em tom de desafio.

-O que esta pensando? –o aquariano perguntou, imaginando que o brasileiro não deixaria passar a oportunidade de massacrar o ego do outro.

-Oras, uma pequena aposta; o taurino falou, com um sorriso enigmático.

-Sobre o que exatamente? –Alister perguntou, interessado.

-...; Um meio sorriso formou-se nos lábios do brasileiro, estavam chegando aonde queria.

-Vocês estão indo longe demais com isso; Aaron falou, preocupado com o que viria a seguir.

-Não se preocupe Aaron, ninguém vai ficar sabendo, isso fica só entre nós três; o pisciano respondeu, voltando-se com um olhar superior para o brasileiro. –Diz ai, sobre o que é?

-Você tem um mês para conquista-la, se não perde a aposta; Helio avisou.

-Um mês, mas é pouco tempo; Alister falou, surpreso.

-Oras, não é você que disse que ainda não nasceu uma mulher que resista a você, então, você tem um mês pra provar que isso é verdade; o taurino completou.

-E se eu ganhar? –ele perguntou, já contando mentalmente suas possibilidades.

-Você escolhe o que quer, contanto que não seja nada obsceno; Helio completou, torcendo o nariz em desagrado.

-E se eu perder, não que isso vá acontecer, mas... Só cogitando essa possibilidade; Alister falou, gesticulando displicente.

-Você se afasta dela e nem por decreto lei, vai cogitar a possibilidade de se aproximar dela de novo; o cavaleiro respondeu, com um olhar de certa forma frio.

-Porque isso? –Aaron perguntou curioso, achando estranho a forma como ele respondera.

-Essa é a paga; Helio avisou, ignorando a pergunta do aquariano.

-Fechado; Alister falou, estendendo-lhe a mão, com um sorriso confiante.

Apertou a mão do cavaleiro, sem abrandar o olhar. Aaron observou os dois com o cenho franzido, aquilo não iria dar certo, o pior era a forma como Helio estava agindo. Sempre souberam da personalidade de Alister e suas conquistas, mas porque agora o taurino parecia se importar tanto a ponto de declarar que a paga seria ele se afastar da amazona.

Ambos eram honrados cavaleiros que jamais quebravam promessas feitas, então, sabia perfeitamente o que iria acontecer se Alister perdesse. Definitivamente, tinha um mau pressentimento quanto ao desfecho dessa aposta.

-Bom dia; Cadmo falou, se aproximando.

-Bom dia; os três responderam.

-Parece que o movimento começou cedo; o Escorpião comentou, sentando-se na arquibancada, não parecendo nem um pouco preocupado com o que acontecera no dia anterior.

-Como? –Aaron perguntou, franzindo o cenho, mas parou, vendo-o indicar o outro lado da arena.

Os três viraram-se na direção que ele apontava, vendo surpresos o que acontecia em seguida.

-o-o-o-o-

-Bom dia; cumprimentou secamente as demais amazonas que estavam daquele lado da arena.

-Bom dia; uma garota de cabelos violeta falou, aproximando-se. –Você deve ser a Eurin, fiquei sabendo que foi pupila da Isabel de Carina? –ela comentou.

-...; Eurin assentiu, lembrando-se de sua mestra, que por sinal apenas lhe dera algumas coordenadas sobre o santuário e lhe colocara dentro de um avião, avisando que lhe veria dali a um mês, mas que agora o desafio dela seria saber se virar com todas as personalidades distintas do santuário como parte do termino do treinamento, agora como sagrada amazona.

Isabel era uma ótima pessoa, uma grande mestra e a única que poderia chamar de amiga. Era estranho que apesar da maneira conturbada com que se conheceram, ainda conseguisse nutrir aquela admiração por ela.

A antiga amazona de Carina também vivia na Suécia e se mudara para Gotland para treina-la a pedido do Grande Mestre, que achara melhor que fosse treinada por um conterrâneo. Não foram nada fáceis os últimos anos, mas Isabel conseguira torna-los um pouco agradáveis, mesmo porque, sabia que não era nada fácil ter de seguir uma tradição de família quando se tinha outros planos de vida.

Era uma mestra rígida em seus conceitos, porém tinha uma forma doce e sutil de passar algumas coisas que não pensava muito em obedecer.

-Ela é uma grande amazona, ouvi muito sobre ela; Alanis, a amazona de Sextante comentou.

-Alanis está certa, acho que da ultima geração a Isabel é a ultima que treinou um pupilo, pois as demais já partiram há bastante tempo; Lya comentou.

-Como assim ultima? –Eurin perguntou intrigada.

-Porque não são muitas amazonas daqui que herdaram armaduras, algumas conquistaram disputando com os verdadeiros pupilos; Lya explicou. –Funciona assim, quando uma armadura fica vaga, varias amazonas e cavaleiros lutam por ela, quem vencer leva a armadura. Mas existem os herdeiros, pupilos treinados especificamente para aquela armadura e nem sempre vencem a disputa, perdendo-a para outro;

-Entendo; ela murmurou, com ar pensativo.

-HEI, VOCÊ; alguém chamou a distancia. –Hei garota; uma amazona falou, aproximando-se com ar petulante.

-O que quer Astéria? –Alanis perguntou em tom seco, ao ver a garota de melenas rosadas se aproximar, como se fosse dona da arena.

-Foi essa ai que 'machucou' o Cadmo? –ela perguntou, apontando com desdém a jovem de melenas esverdeadas.

-Quem é esse? –Eurin perguntou, voltando-se para Lya.

-O idiota pervertido; a amazona respondeu abafando o riso ao lembrar-se de como Eurin classificara o cavaleiro de cabelos prateados.

-Ah sim, o idiota pervertido; ela murmurou, em tom pensativo, antes de voltar-se para a garota com um olhar cortante, que a fez recuar um passo. –E se foi?

-É melhor ficar longe dele; Astéria avisou, com a voz um tanto quanto tremula.

-E se por acaso eu não ficar? –Eurin perguntou em tom de desafio.

-Oras sua, quem você pensa que é? –a garota vociferou, partindo para cima de Eurin, com tamanha agressividade que Lya e Alanis tiveram que rapidamente desviar se não seriam atingidas.

-Patética; Eurin falou, erguendo a mão com extrema delicadeza.

Antes que Astéria pudesse chegar perto de si, uma infinidade de galhos de rosas saltaram do chão, enrolando-se no corpo da amazona, apertando-se com tanta força nela que os espinhos que havia nos galhos, começaram a corta-la.

-O que é isso? –Astéria perguntou assustada.

-A paga por seu atrevimento fedelha; a amazona falou em tom frio. Um leve movimento com a mão, os galhos ergueram-se ainda mais. –Me desafie novamente e vou te fazer bater nos portões de Hades; ela avisou, fazendo um movimento um tanto quanto brusco com a mão, lançando a garota do outro lado da arena.

-Como fez isso? –Alanis perguntou, voltando-se para ela surpresa, vendo que os galhos rapidamente desapareceram e o cosmo da amazona não elevara-se mais do que um quarto.

-Segredo de mágico; a amazona brincou, com ar descontraído.

Pelo visto não seria tão ruim treinar ali, socar a cara de alguma fedelha irritante parecia ser um esporte bastante interessante e dêsestressante; ela pensou, com um sorriso sádico nos lábios, encobertos pela mascara.

-o-o-o-o-

-Eu não sabia que amazonas podiam voar; Alister balbuciou, engolindo em seco.

-Esta com medo? –Helio perguntou sarcástico, somente para ele ouvir.

-De maneira alguma; ele respondeu, com um largo sorriso. Isso só tornava as coisas ainda mais interessantes.

II – Tentativa de Abordagem Frustrada.

Já tinha algum tempo que os cavaleiros de ouro se reuniram na arena, treinando entre si. Entretanto, um deles mantinha o ar perdido para o outro lado da arena, especificamente para uma amazona de melenas verdes, tentando arquitetar uma forma de se aproximar sem sair com uma rosa cravada em lugares que jamais cogitara a possibilidade de existirem. Suspirou cansado, precisava tomar uma atitude e logo.

-o-o-o-o-

-Isso não me cheira bem; Alanis murmurou com ar pensativo, vendo o pisciano a distancia olhando fixamente para a nova amazona.

-Hei Alanis, não vem treinar? –Lya perguntou, aproximando-se com Eurin que estava treinando consigo até agora.

-Ahn! Já vou sim; ela respondeu, voltando-se para as duas.

-Algum problema Eurin? –a amazona de Águia perguntou, ouvindo-a bufar ao sentar-se na arquibancada.

-Não, imagina; ela respondeu, sem esconder um 'Q' de sarcasmo em sua voz.

-Vamos, diz ai, o que foi? –Lya insistiu, notando que algo a incomodada desde que haviam começado a treinar.

-Não é nada; Eurin exasperou, tentando manter-se impassível. Mas será que aquele idiota não tinha mais nada para fazer do que ficar lhe seguindo com os olhos? –ela pensou, irritada.

-É o Alister; Alanis respondeu, num sussurro para Lya.

-Uhn! –a amazona murmurou, vendo-a indicar por cima do ombro o cavaleiro do outro lado da arena. –Ah sim, esse Alister não tem amor à vida; ela comentou.

-Sem duvidas; Eurin respondeu, com um olhar entrecortado ao ouvir o que ela falara.

-Bom dia meninas; uma voz pacifica soou atrás delas, chamando-lhes a atenção.

-Bom dia; as três responderam ao verem o homem mais próximo de Deus se aproximar.

-Como vai Shaka? –Lya perguntou, cordialmente.

-Bem, e com vocês? –ele perguntou, parando ao lado de Eurin. –Se importa?

-...; Ela negou com um aceno, afastando-se um pouco para que ele pudesse se sentar a seu lado.

-Bem; as amazonas responderam.

-Ahn! Bem, Lya você não ia treinar comigo? –Alanis perguntou, voltando-se para a amazona.

-Ah claro, vamos então; Lya falou, entendendo a deixa para se afastar. –Até depois;

-Até; os dois responderam, vendo as amazonas se afastarem.

-Parece cansada? –Shaka perguntou, quando sentiu as duas se distanciarem o suficiente para não serem ouvidos.

-Tem algumas coisas infames que simplesmente nos deixam cansados apenas pelo fato de testar nossa paciência; a amazona respondeu, recostando-se melhor no banco e cruzando os braços na frente do corpo.

-Imagino; ele respondeu, com um meio sorriso nos lábios. –Ouvi algo sobre uma amazona te desafiando;

-Puff! Uma fedelha que mal tem noção do perigo; Eurin resmungou, cruzando as pernas, com ar majestoso.

-Sem duvidas; o cavaleiro falou, balançando a cabeça levemente para os lados. –Mas tome cuidado, não que duvide de sua capacidade para se defender, mas você pode ter problemas com algumas amazonas;

-O que quer dizer com isso? –Eurin perguntou, voltando-se para ele.

-Infelizmente nem todas as amazonas e cavaleiros desse lugar seguem o mesmo código de ética Eurin, existem algumas amazonas que tem o péssimo habito de fazerem represálias com novatos, acredito que em qualquer lugar deva ser assim, mas a questão é que você pode ter problemas com umas e outras que simplesmente se acham donas desse lugar; o cavaleiro falou, passando a mão levemente pela franja, jogando-a de lado.

-Entendo; ela murmurou, com ar pensativo.

Era estranho como aquele cavaleiro era singular em todos os seus atos, era bonito, sem duvidas que era, um fator inegável até mesmo para si que queria distancia do sexo oposto, mas não era uma beleza agressiva e lasciva como uns e outros que se achavam, toda aquela passividade do cavaleiro era tranqüilizante, o cosmo dele era pacifico.

-Shaka meu amigo, finalmente resolveu se juntar aos mortais; uma voz animada soou próxima a eles.

Rolou os olhos, definitivamente aquela conversa estava boa demais para algum idiota interromper.

-Como vai senhorita? –o cavaleiro de melenas vermelhas perguntou, com um largo sorriso, sentando-se ao lado de Eurin. Tentando não demonstrar a vontade que tinha de matar o virginiano por conseguir se aproximar dela com tamanha facilidade, enquanto ele estava penando para pensar numa forma de fazer isso sem que ela lhe esfolasse o couro com espinhos de rosas.

-Bem Shaka, a conversa esta boa, mas tenho mais o que fazer; Eurin falou se levantando. –Até mais;

-Até; ele respondeu, quando ela se distanciou, simplesmente ignorando o olhar chocado de Alister.

-Droga; Alister resmungou, num muxoxo contrariado.

-Alister. Alister. Você não tem noção do perigo; Shaka falou, balançando a cabeça levemente para os lados, com um meio sorriso.

-O que eu fiz? –ele perguntou, com ar inocente.

-Não se faça de inocente, porque você não é Alister; o virginiano falou, em tom sério. –O que esta aprontando?

-Nada; o pisciano respondeu, passando a mão pelos cabelos.

-Alister; ele falou em tom de aviso.

-Não é nada Shaka, é sério; Alister falou, tentando convence-lo.

-Se você diz, não que eu acredite, mas...; O virginiano falou, deixando a expectativa no ar.

Abriu a boca para contestar, mas desistiu. Sabia perfeitamente que o cavaleiro lhe conhecia melhor do que ele mesmo, então, era melhor deixar quieto.

-Então, o que esta aprontando? –Shaka insistiu.

-Já disse nada, apenas queria conhece-la melhor; ele falou, com ar inocente.

-Sei; o virginiano falou, descrente.

-Oras, porque não acredita em mim? –Alister perguntou, fazendo-se de ofendido.

-Porque te conheço o suficiente para saber que você não é tão inocente quanto quer aparentar ser. Alem do mais, só um conselho, deixe Eurin em paz para sua própria saúde, se tem algo que não deve estar nos planos de vida dela é virar mais um troféu na sua coleção;

-Hei; o pisciano falou indignado. Até ele.

-Até mais; Shaka falou, levantando-se e se afastando, indo em direção a Giovanni e Aioros.

-Droga, até ele; Alister resmungou.

Olhou para todos os lados vendo que a amazona não estava mais presente na arena.

-"Uhn! boa hora para encontra-la fora das vistas desses fofoqueiros"; ele pensou, sorrindo internamente, enquanto deixava a arena.

III – Paraíso em Ruínas.

Suspirou cansada, definitivamente as Deusas do Destino deveriam estar contra si.

Primeiro, era obrigada pelos pais a tornar-se uma amazona, seguindo os costumes primitivos de sua família.

Segundo, tivera de deixar a irmã mais nova em Gotland tendo de agüentar as excentricidades patéticas de seus pais. Definitivamente Aimê não merecia crescer naquele ambiente de futilidade, só mais um ano e já poderia pedir ao Grande Mestre para treinar um pupilo e retornar a terra natal para isso. Assim poderia levar Aimê para morar consigo e ainda sairia daquele santuário.

Agora, por ultimo e talvez o pior, aquele idiota pervertido que não parava de olhar para si.

-"Mais essa agora"; ela pensou, embrenhando-se entre as arvores de um bosque que dava acesso ao templo visinho ao santuário, como não sentia o cheiro de mar, deveria estar se encaminhando para o Coroa do Sol.

Lya lhe explicara a formação do santuário, os lugares que eram acessíveis para amazonas e outros que eram proibidos até para os cavaleiros, porém o Coroa do Sol era livre para ambos, alguns ainda usavam a tranqüilidade daquele lugar para treinos mais calmos, como meditação e elevação de cosmo.

Aproximou-se de um pequeno lago que se formava entre as ruínas, era uma pena que aquele lugar estivesse se destruindo com o tempo, pois ali era realmente um pedaço de Elíseos. Caminhou entre as ruínas notando a formação de outros doze templos até chegar ao principal.

Passou entre as ruínas seguindo o caminho até a nascente do lago, as águas eram cristalinas e o ambiente calmo, sentou-se em baixo de uma arvore, acomodando-se melhor.

Fechou os olhos tentando relaxar, sem saber que isso seria bem difícil de acontecer.

-o-o-o-o-

Uhn sentia o cosmo dela ali por perto, mas aonde ela poderia estar? –Alister se perguntou, enquanto se embrenhava entre as arvores seguindo o rastro de cosmo da amazona.

Parou por um momento deparando-se com o Coroa do Sol, o que ela estava fazendo ali? –ele se perguntou, entrando no templo, logo chegando até a amazona.

Ocultou seu cosmo tentando não ser notado, viu-a encostada em uma arvore, com o corpo parcialmente iluminado pelos reflexos da luz do sol que espelhavam-se na superfície cristalina. Era estranho, mas ela parecia tão mais dócil assim; ele pensou, encostando-se em uma arvore ali perto, observando-a com mais atenção.

Definitivamente ela não era uma amazona como as outras que já conhecera, não sabia definir exatamente o que era, mas ela lhe intrigava. O gênio forte e indomável, o ar imponente que era um convite tentador a conquista.

Mal notou quando já se aproximava da jovem, até a voz dela ecoar pelo ambiente lhe chamando a atenção.

-O que quer? –Eurin perguntou seca.

-Uhn! –ele murmurou, piscando. Até se dar conta de que já estava ao lado dela e que por sinal, ela estava acordada.

-O que quer? –a amazona repetiu, com ar cansado. Só queria um momento de paz, mas mal começava a pegar no sono sentia a aproximação daquele ser inconveniente.

-Bem... Ahn! Posso me sentar? –Alister pediu, com ar hesitante.

-Fique a vontade, é um lugar publico; Eurin respondeu, vendo-o abrir um tímido sorriso, que de tímido não tinha nada e senta-se.

-Hei! Aonde vai? –o pisciano perguntou, vendo-a se levantar assim que sentara.

-Eu disse que poderia sentar, mas não que ficaria aqui; ela respondeu, afastando-se em seguida.

-"Droga"; Alister praguejou em pensamentos, mas que raio de garota era aquela que não lhe dava uma mínima brecha pra se aproximar? –ele pensou, exasperando. Levantando-se para alcança-la.

Rolou os olhos, o que aquele idiota queria consigo? Havia tantas amazonas estúpidas naquele lugar para servirem de troféuzinho para aquele pervertido, porque justamente ela tinha de ser o novo alvo? –Eurin pensou irritada, sentindo-o se aproximar.

-Espera; ele falou, segurando-lhe o pulso, fazendo-a voltar-se para trás quase chocando-se contra ele.

-O que quer? –ela perguntou, com a voz fria e pausada.

-Bem...; Alister começou, recriminando-se mentalmente por simplesmente não saber o que falar.

-Idiota; Eurin falou, puxando a mão e se afastando. Definitivamente não era um bom dia para sair de casa; ela pensou.

Já estava a poucos passos da saída do Coroa do Sol quando um grupo de no mínimo seis amazonas surgiram a sua frente.

–O que querem? –ela perguntou seca.

-Você é a nova amazona, não? –uma delas perguntou, tomando a frente das demais.

-Se sou ou não, isso não é da sua conta; Eurin rebateu.

-Oras sua; uma das amazonas ameaçou avançar.

-Calma meninas, vamos ensinar uma liçãozinha para essa idiota aprender com quem não deve se meter; uma garota de melenas castanhas falou.

-Sério? E vocês pretendem começar exatamente por onde? –a amazona perguntou, com sarcasmos.

-Peguem ela; a primeira mandou.

-Patéticas; Eurin murmurou, dando um baixo suspiro, ignorando completamente a presença do cavaleiro entre as arvores.

Desviou de um chute e com um único salto encurralou-as entre uma parede de pedra.

-É, vocês estão acabadas; ela avisou.

-Estamos em maior numero e vamos acabar com você. Não precisamos de mais uma idiota para ficar tirando a atenção dos cavaleiros da gente; uma das garotas falou.

-Como? –Eurin perguntou, arqueando a sobrancelha. Que não fosse pelo que estava pensando se não, não teria piedade de mata-las.

-Oras, vimos como Cadmo e Alister te olham. Até mesmo o Helio; uma delas vociferou, indignada.

-É melhor não terminar, ou vou mata-la agora mesmo; a amazona avisou, irritada por elas estarem fazendo um alarde por algo tão insignificante.

-Você? Duvido; uma delas debochou.

Balançou a cabeça levemente para os lados. Fora tudo muito rápido, galhos de roseiras brotaram da parede de pedra envolvendo todas numa teia mortal e para a surpresa das amazonas botões de rosas branca surgiram entre os galhos.

-Essa rosa que estão vendo, se chama Rosa Sangrenta, ela absorve o sangue da vitima até tornar-se completamente vermelha e quando isso acontecer, vocês morrem; a amazona explicou com ar displicente, dando-lhes as costas e caminhando para o lado oposto.

-HEI! NOS TIRE DAQUI; uma gritou.

-Ah só mais uma coisa; Eurin falou virando-se para elas novamente. –Quanto mais se mexerem, mais acelerado fica o processo; ela completou.

Mal virou as costas sentiu um cosmo poderoso se manifestar. Os galhos se romperam fazendo as amazonas irem ao chão, virou-se na direção do cosmo deparando-se com o cavaleiro de melenas vermelhas, que lhe fitava com um ar sério e frio.

-Saiam daqui; Alister mandou.

-Mas...; Uma delas falou, querendo se aproximar, mas diante do olhar envenenado do cavaleiro todas deixaram rapidamente o local, livrando-se os galhos antes que as rosas começassem a atingir uma coloração vermelho sangue.

Viu-as de soslaio se distanciarem. Era só o que faltava, aquele idiota bancando o príncipe encantado para salvar as princesinhas da bruxa má. Deu-lhe às costas, pretendendo retornar para a sua casa. Já o vira bancar o altruísta o suficiente e aumentar o séqüito de seguidoras, adoradoras de seu narcisismo.

-Espere, aonde vai? –Alister perguntou, segurando-lhe pelo braço com força.

-O que quer? Diga de uma vez; Eurin falou irritada, voltando-se para o cavaleiro com um golpe tão rápido que ele mal conseguiu desviar de uma rosa negra que ela lançara em sua direção.

-Porque fez aquilo? –o pisciano perguntou, vendo a rosa negra cravar-se em uma pedra e dissolve-la como se a mesma fosse feita de acido. Engoliu em seco, imaginando o que aconteceria se não tivesse desviado.

-Não lhe devo satisfações, cavaleiro; ela falou, em tom ferino.

-Sou um cavaleiro de ouro e exijo uma satisfação para o fato de quase tê-las matado; ele exasperou, perdendo a calma por ter sido ignorando pela amazona e ainda quando tivera a chance de se aproximar, aquelas inconvenientes apareceram, lhe deixando extremamente irritado.

-Então, quer reverencias por isso agora? –Eurin perguntou, em tom debochado.

-O que? –Alister perguntou, serrando os orbes de maneira perigosa.

-Você é patético, se esta se preocupando tanto com aquelas idiotas vá atrás dela e vê se me deixa em paz; ela completou, em tom seco.

-Qual o seu problema, hein? –Alister exasperou. –Pelo visto não sabe conversar com as pessoas, com um pouco de educação pelo menos.

-Quem você pensa que é para me cobrar isso ou não? –Eurin perguntou, começando a conjurar uma rosa vermelha.

-Alguém que está realmente disposto a lhe dar uma boa lição de boas-maneiras; ele respondeu, com um meio sorriso formando-se em seus lábios.

Não demorou para que os dois se chocassem um contra o outro, numa luta ferrenha. Era orgulhoso, sem duvidas que era e não iria deixar aquela prepotente massacrar seu ego, já bastava o Helio; ele pensou, tentando desviar de um golpe aplicado por ela.

-Você é rápida; ele comentou, debochado.

-E você... Lento demais; Eurin falou, dando-lhe um chute certeiro no abdômen, jogando-o contra uma arvore que partiu-se a suas costas.

Engoliu em seco ao vê-la conjurar uma rosa negra, ela não iria mata-lo, iria? –ele se perguntou, tentando se levantar. Ela lhe dera um chute tão certeiro que seu fôlego estava curto. Droga; ele praguejou, intimamente.

-É, Athena terá de cometer um milagre bem grande pra te ressuscitar, se for conveniente, é claro; ela falou, erguendo a mão para atirar-lhe a rosa, quando uma explosão de cosmo irrompeu os céus.

Saltou rapidamente desviando do golpe dele, fora à base de deslocamento de ar; ela pensou surpresa, apoiando-se em uma parede de rochas. Correu os olhos por todo o local, buscando por ele. Onde ele estava?

-Procurando por mim? –a voz do cavaleiro soou como num sussurro sedutor em seu ouvido.

Recuou um passo, pronta para acerta-lo, mas a mão de Alister fechou-se sobre seu pulso quando o mesmo, num rápido movimento surgiu a sua frente.

Sentiu todos os músculos do corpo ficarem tensos e o fôlego tornar-se curto, como ele fizera aquilo? –ela se perguntou, sentindo as costas tocarem a parede de pedras, sem ter exatamente para onde ir.

-Me solte; Eurin mandou, com a voz controlada e fria.

-Só se pedir com educação. Ai, penso no seu caso; Alister respondeu, com um sorriso do tipo 'arrasa corações', tentando fazer com que a jovem mostrasse alguma reação de perturbação ante a constante aproximação que estavam.

Quem aquele idiota estava pensando que era? –ela se perguntou, visivelmente irritada.

-Então? –ele perguntou num sussurro, apoiando uma das mãos sobre a cintura da jovem, impedindo qualquer tentativa de fuga.

-É uma pena, mas minha paciência para com você cavaleiro, já chegou ao fim; a amazona respondeu de maneira fria.

-O que? –Alister perguntou confuso, para no momento seguinte sentir o coração falhar uma batida, o oxigênio tornar-se escasso e todos os músculos de seu corpo se contraírem.

Fechou os olhos, tentando manter-se em pé, sem perder a dignidade e dar o gostinho a aquela petulante de vê-lo prostrado no chão, mesmo que a dor intensa no baixo ventre fosse insuportável.

Aquela garota tinha uma ótima pontaria, se é que poderia dizer que aquilo era algo positivo em alguém; ele pensou, serrando os punhos e apoiando-os na parede de pedra, quando ela desvencilhou-se de seus braços, afastando-se;

-Idiota, se aproxime de mim novamente e vou livrar o mundo de seu genes ruim; ela falou ferina, desaparecendo entre as arvores.

-Droga; Alister vociferou, caindo de joelhos no chão emitindo um baixo gemido, porém dando graças a todos os deuses do mundo por estar sozinho ali, não seria nada legal agüentar as piadinhas maldosas de alguém depois.

Suspirou pesadamente, teria um longo mês pela frente e não seria nada fácil vencer aquela aposta contra Helio, sem que algumas possíveis futuras gerações suas não fossem exterminadas; ele pensou, passando a mão nervosamente pelos cabelos vermelhos.

Continua...