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EVERYBODY BREAKS
Cedo ou Tarde, Todos Desmoronam
PONTOS DE VISTA – Capítulo 01
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Autora: Kai (TheWarriorKai).
Tradutora: Illy-chan HimuraWakai.
Gênero: Yaoi/BL.
Censura: temas de Escravidão e BDSM
Casais: 1x2x5x3x4 – QUINTETOOOOOOOOO com WUFEI! AWWWWW!
Avisos: angústia, situações adultas, escravidão e BDSM, palavrões. Pós Endless Waltz, POV's [Pontos de Vista] de Heero, Duo, Quatre e Trowa.
Retratações: não, não sou dona de Gundam Wing – e acreditem em mim – os personagens agradecem muiiiiiiito por isso.
Notas da Autora:
Se alguma vez você se perguntou como os outros pilotos se sentiam durante Everybody Breaks, esta é a sua chance!
Muito bem, este arco de histórias é, na verdade, uma side story que vai mostrar o que os outros pilotos estão pensando ou sentindo durante os eventos principais em Everybody Breaks, uma vez que a fic principal é focada em Wufei.
Tudo sempre acontecerá do mesmo jeito que em EB, apenas com os pontos de vista dos outros quatro pilotos, o que acredito que irá dar certa luz a certos acontecimentos.
Espero que gostem,
Kai.
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EVERYBODY BREAKS
Cedo ou Tarde, Todos Desmoronam
PONTOS DE VISTA
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Por Kai (TheWarriorKai)
Tradução: Illy-chan HimuraWakai
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PONTOS DE VISTA – Capítulo 01
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Duo
Eu olhava as fotos; adquiri o hábito de tirá-las desde que Heero e eu ficamos juntos. E bom, eu tinha o dever de tirar estas fotos em especial, de quando finalmente nos juntamos a Quatre e Trowa – imagine, os três juntos!, que cara gay com um mínimo de sangue quente não tiraria fotos deles três na cama? Não pretendia estar nelas, verdade, mas eles formaram um motim, tomaram minha câmera e não a devolveram de jeito nenhum até eu concordar em estar na sessão de fotos também.
Assim, aqui estava eu, encarando a tela do meu computador, indicador pairando em cima do mouse, cursor piscando em cima do botão enviar. O endereço de e-mail pertencendo ao único ex-piloto de Gundam que não participava do nosso relacionamento não convencional e politicamente incorreto.
Tínhamos iniciado esse relacionamento depois que escolhemos confessar aos outros o que sentíamos. Como fizemos isso? Simples. Bebemos até cair. Heero e eu viemos para uma 'visita' trazendo conosco álcool suficiente para embebedar uma manada de elefantes. No dia seguinte, acordamos os quatro na cama, juntos. Depois de umas duas horas cheias de estranhamento, nos sentamos e conversamos – calmamente. Dizer que foi uma surpresa descobrir que os outros dois também sentiam o mesmo que nós seria um eufemismo sem tamanho. Era uma das razões pelas quais tínhamos precisado da ajuda do álcool para nos levar ao ponto em que nossas restrições e inibições fossem reduzidas. Nem Heero nem eu acreditávamos ser possível que nossos sentimentos pudessem ser devolvidos. O problema de não poder dizer nada do que sentíamos, de ter que controlar o que dizíamos a eles nos machucava demais, uma vez que não criávamos coragem para perguntar. Nosso novo relacionamento entre nós quatro agora não era perfeito, tivemos que trabalhar várias coisas nele, mas valia a pena.
Então por que diabos eu estava aqui sentado, pensando em enviar para Wufei fotos que poderiam ser encontradas em uma revista pornô gay? Durante mais ou menos sete meses, depois que nos acertamos, os outros e eu vivemos felizes, mas, no íntimo, cada um de nós sentia como se um pedaço estivesse faltando; lógico, nenhum de nós abriu o bico para os demais porque tínhamos medo de por a perder o que conseguíramos milagrosamente. E teria ficado desse jeito sabe-se lá por quanto tempo mais, porém quase um mês atrás Quatre chutou o balde e decidiu confessar os sentimentos dele por Wufei ao resto de nós – e acredite, foi algo para o qual precisou de muita coragem, garanto-lhe. Depois disso, sabíamos que ainda faltava uma peça para nós, mas pelo menos estávamos sentindo esta falta juntos.
Contar para Wufei era o próximo passo, porém havia um problema: entenda, não tínhamos lhe contado como os nossos relacionamentos haviam mudado. Ele não sabia que os dois casais tinham virado um... Bem, um quarteto. Vamos lá, Wufei não era nenhum imbecil obtuso - não tanto quanto as pessoas poderiam pensar, a princípio. Ele tinha um humor seco, um senso de propósito e honra que sempre me impressionaram e podia ser inacreditavelmente compreensivo e ter uma mente incrivelmente aberta com o universo inteiro, se quer saber – exceto com ele mesmo. Wufei simplesmente não conseguia se permitir fazer nada que fosse minimamente considerado impróprio. Isso bem entendido, a questão era: como você pergunta para um cara assim se ele não gostaria de fazer nosso quarteto virar um quinteto feliz, perfeito, redondinho? Resposta: você não pergunta.
Consequentemente, eis meu dilema no momento: clicar ou não clicar… Esta era a pergunta nova. Se ele ficasse ofendido ou chateado, eu sempre poderia dizer que o envio das fotos fora uma piada - eu era o 'pirado' do grupo mesmo e pelo menos ele ficaria sabendo sobre nós, ou seja, parte de nosso pequeno problema estaria resolvido.
Ei, eu nunca disse que era convencional ou sutil!, sou especialista em explosões, cacete – sutileza não é comigo: sou mais do tipo 'mandar tudo logo para o inferno e de primeira classe', aos cuidados de Shinigami.
O problema era que eu não sabia se tinha coragem para fazer isto - não suportaria se Wufei se afastasse de nós mais do que já estava. Por outro lado, eu queria morrer sem arrependimentos e ser tão feliz quanto pudesse ser. Depois de tudo o que sacrificamos pela paz, merecíamos ser o mais felizes possível e, para isso, precisávamos de Wufei conosco. Inferno, nenhum de nós sequer sabia se ele gostava de homens, mulheres ou Chihuahuas… Ele sempre fora todo dever, justiça e missões durante a guerra - ele fora mais focado do que o próprio Heero! Algo lógico de se pensar, afinal, eu consegui ultrapassar as formidáveis defesas de Heero, mas não as de Wufei – apesar das centenas de tentativas.
Que fazer? Valia o risco? Nós o perderíamos de vez se eu mandasse as fotos? Se eu não mandasse?
― Duo!
Me sobressalto e, sem pensar, meu dedo pressiona o mouse e o e-mail é enviado. Tudo que pude fazer foi olhar a tela, horrorizado. Espera... Eu não tinha mandado a porra do e-mail, tinha?!
― Duo?
Olhei para cima e pisquei, ainda chocado, para a porta onde Quatre estava parado. Levou alguns segundos para meu cérebro me fazer falar.
― … Sim?
― Você está ocupado?
Não mais.
― Er, eu estava digitando um email para Wu, mas... acho que já terminei, por quê?
― Heero quer ir a um restaurante japonês novo para jantar e queremos saber se você quer vir.
Eu queria sair e comer com meus amantes... ou esperar minha morte certa, sob o nome de Chang Wufei, chegar em toda sua fúria gloriosa, manejando habilmente aquela espada na tentativa de extrair justiça de minha pobre pele? Decisão difícil? De jeito nenhum. Quando em dúvida, melhor fugir e se esconder por tempo suficiente para conseguir resolver as coisas – coisa que você não poderá fazer se estiver morto.
― Você sabe que ADORO comer, Quatre! Vou pegar a jaqueta.
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Heero
A diferença de fuso horário entre L4 e o QG dos Preventers na terra era de aproximadamente catorze horas, assim eu sempre enviava um e-mail para Wufei às 19h30 todas as terças e quintas-feiras. Hoje era quinta-feira e eu já enviara o e-mail do dia cerca de uma hora antes de sairmos para jantar. Assim, enquanto estivéssemos comendo, Wufei estaria lendo nossos e-mails, como sempre fazia quando chegava ao trabalho. Suas respostas eram sempre pontuais, sem falta; então, quando chegamos em casa e acessei nossa conta protegida, quase três horas depois, por volta das 22h30, eu realmente esperava encontrar um e-mail dele esperando por mim para lê-lo. Mas não havia nada.
Sabia que ele não estava em uma missão, nesse caso, teria nos informado disto ou - se não estivesse em condições para fazê-lo - Une teria. Fiquei no computador até aproximadamente 23h45 e finalmente desliguei tudo, decidindo que seria melhor me unir aos outros no andar de cima. Ainda teria que fazer minhas sessões de exercícios por meia hora antes de finalmente poder ir para o quarto, mas estava muito preocupado com a demora de Wufei para pensar em sexo, então estava considerando aumentar o tempo das sessões.
Eu estava na terceira sessão das cinquenta flexões quando meu celular tocou. Enxuguei o rosto com uma toalha e peguei meu celular – meu coração em algum lugar no estômago.
― Yuy.
― Heero, é Sally.
Por um segundo, o mundo girou, mas trinquei os dentes. Quatre, Duo e Trowa conversavam bastante com Sally de forma amigável e regular, mas as únicas razões pelas quais ela me ligaria seriam se Une estivesse incapacitada, se eu fosse necessário para alguma missão ou, a mais provável no momento – uma vez que Sally estava na lista de parentes mais próximos de Wufei no caso de alguma emergência – algo tinha acontecido a Wufei.
― Relatório.
― Wufei está no hospital, mas não parece haver nada fisicamente errado com ele. Já fiz todos os testes que consigo imaginar, mas até agora todos os resultados foram negativos. A secretária o encontrou sentado na sala dele, olhando para o nada, imóvel, sem reação. Pouco depois que cheguei lá, ele desmaiou e já está inconsciente faz duas horas. No momento a condição dele está estável, internado no hospital principal dos Preventers.
Meu cérebro corria. Nada daquilo fazia sentido. Sally sempre me manteve informado sobre a condição geral de Wufei e o último check-up mostrara que ele estava completamente saudável, melhor que durante a época das guerras.
― Já investigou possíveis causas externas?
― Eu estou a caminho do escritório dele, agora, mas eu queria que vocês viessem para cá, já que a viagem de L4 para a Terra vai levar horas. Qualquer que seja a causa, ter vocês quatro aqui, do lado dele, só pode ajudá-lo; pelo menos ajudou durante a primeira guerra e não tenho motivos para acreditar no contrário agora. Manterei vocês informados sobre a situação. Alguma previsão para o tempo de chegada de vocês?
― Quatorze horas. Por volta das 16h de vocês amanhã.
― Entendido. Desligando.
Imediatamente liguei para o espaçoporto, ordenando que uma das naves particulares de Quatre fosse preparada para partida imediata. Isso feito, corri para as escadas para acordar os outros.
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Trowa
Eu estava apenas meio adormecido quando Heero subiu as escadas e entrou no corredor do quarto que nós dois às vezes dividíamos. Era realmente benéfico que a mansão de Quatre fosse grande a ponto de permitir a cada um de nós ter nossos próprios quartos individuais, bem como outros quartos, que eram reservados para momentos especiais que quiséssemos ficar juntos. Eu não suportava BDSM e escravidão, por exemplo, mas Heero e Quatre sim – Duo gostava mais de assistir – então eu nunca entrava no quarto reservado para isso em específico, por exemplo, e meus amantes jamais me pediram tal coisa. Enfim, eu estava só meio adormecido quando Heero adentrou o corredor do quarto onde eu me encontrava esperando que ele viesse para cama.
Foi a urgência em seus passos que me fez sentar de imediato no colchão para me vestir. Hoje em dia, Heero raramente caminhava como um soldado - mas quando o fazia era quando estava no modo de soldado perfeito: concentrado em alguma uma missão à qual fora designado ou em uma que ele próprio se designara. Podia jurar que era o último caso, pois nenhum dos quatro principais agentes topo de linha dos Preventers [nós] estava em missões e mesmo Une só chamava algum de nós como último recurso. O ponto era: Heero só se autodesignava em modo missão quando o assunto envolvia inocentes, amigos ou pessoas que ele amava. Como não havia sido noticiado nada escabroso envolvendo vidas inocentes nos jornais, a última vez que eu ouvira Relena estava segura (em grande parte às medidas de segurança e equipe profissional que Heero tinha treinado) e os outros e eu estávamos bem, sobrava apenas uma única pessoa: Wufei. Eu também não tinha recebido resposta dele ao e-mail que lhe enviara mais cedo no fim da tarde e se havia uma coisa que Wufei tinha se tornado durante o último ano - era consistente.
Meus olhos encontraram firmemente os de Heero, já abotoando meu jeans quando ele abriu a porta.
― Wufei?
Ele assentiu.
― Tempo para decolagem?
― Quinze minutos. Vou pegar nossas coisas.
Com isso ele foi pegar e conferir as mochilas que sempre mantínhamos de prontidão – para o caso de precisarmos. Isso me deixou com o trabalho de acordar os outros dois. Não foi tão difícil como alguns poderiam pensar. Precisei de apenas duas palavras, na verdade.
― Piloto caído!
Se a situação não fosse tão medonha teria sido engraçada a forma como ambos pularam da cama enorme, completamente alertas de imediato. Começaram a se vestir prontamente, enquanto eu enfiava a camisa por cima da cabeça e calçava meias e sapatos.
A cabeça loira de Quatre apareceu livre pela gola da camisa, demandando:
― Relatório.
Joguei para Duo uma camisa minha que eu arrastara do armário no outro quarto antes de vir acordá-los, já sabendo que a dele não estaria intacta.
― 05. Mais informações durante o caminho. 15 minutos até o lançamento, de acordo com 01; já se passaram dois minutos, cinquenta e dois segundos – e contando.
Duo já estava vestido e refazendo a trança com movimentos ágeis, rápidos.
― Transporte?
Heero parou na porta e respondeu, enquanto jogava nossas mochilas para cada um de nós.
― Nave sendo preparada. Carro esperando. Prontos?
Em resposta disparamos para fora do quarto, descendo as escadas e indo para fora em direção ao carro, sabendo que Heero nos contaria tudo no meio do caminho.
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Quatre
A única pessoa que Heero confiava para nos levar para Terra era Duo. E dado que as catorze horas de viagem ininterruptas teriam sido impossíveis para qualquer outra pessoa, não fiquei surpreso. Entre nós, Duo sempre fora o melhor piloto; ele conseguia pilotar qualquer tipo de nave e era capaz de fazer coisas que ninguém mais teria coragem para chegar onde tinha que chegar.
Desta forma, passei algumas destas horas me ocupando em reservar quartos em um hotel, em alugar um hangar para nossa nave no espaçoporto público durante nossa permanência na terra, assim como fazer contato com amigos e colegas de trabalho, avisando sobre nossas ausências. Nenhum de nós estimava quanto tempo poderíamos ter que ficar na Terra, então organizei os afastamentos e licenças para aproximadamente três semanas, por via das dúvidas. Eu sempre poderia reorganizar tudo por mais tempo, se fosse necessário, mas preferia esperar até podermos conversar melhor sobre a situação com Sally. Ela voltara a checar o escritório de Wufei, uma vez que não encontrara nada na primeira vez e contara a Heero de sua desconfiança de que Wufei estivesse em estado de choque. Wufei permanecia estável, mas ainda inconsciente. A última videochamada dela fora três horas atrás e estaríamos pousando na Terra em menos de vinte minutos. Dizer que estávamos todos estressados com a situação era dizer o mínimo.
Trowa fez o melhor para aliviar nossas tensões onde podia: um cuidado que apreciamos, sem distinção. Tirou a dor de meus ombros com uma massagem maravilhosa; assumiu o assento do co-piloto de Heero e passou três horas escutando e alternando entre piadas novas e outras que já conhecíamos de cor com Duo, e apesar de eu não ter muita certeza de como ele conseguia fazer aquilo, ficou com Heero por mais de uma hora – uma presença silenciosa, mas sólida, apoiado nas costas de nosso Heero, enquanto eu assumia o posto de co-piloto. Era como se Trowa simplesmente estivesse ali, deixando Heero saber que ele não estava sozinho e isso era o bastante para fazê-lo sentir-se melhor.
Depois que chegássemos e estivéssemos ao lado de Wufei, seria nossa vez de fazer o que pudéssemos por Trowa - não tão cedo quanto desejava – pois ele parecia absolutamente exausto. Todos estávamos; nenhum de nós havia pregado o olho desde que saíramos de L4. Como alguém consegue dormir, quando parte de seu coração se encontra entorpecido de preocupação?
Naquele momento, ouvindo Duo pedir permissão às torres para entrar na órbita terrestre, eu soube que não sairia da Terra sem Wufei ao meu lado – nenhum de nós, na verdade.
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Heero
Sally tinha alguém esperando por nós no espaçoporto. Era um homem forte, porém atarracado, medindo aproximadamente um metro e oitenta de altura e por volta dos 40 anos de idade; com o uniforme dos Preventers, para a maioria das pessoas passava uma imagem altamente imponente. Também emanava uma aura de extrema competência. Pela forma como se moveu ao nos cumprimentar, ficou bastante óbvio que era um ex-militar – e não, não importa para qual lado ele lutara nos conflitos: a guerra acabou. O que importa é que hoje ele era um Preventer, portanto está do lado da paz; e mais importante ainda era que estava lá para nos levar até Wufei.
― Senhores. Sou o agente Eric Warren. A agente Po me enviou para que os levasse para o hospital onde o agente Chang está internado. ― Ele reparou as bagagens mínimas que estávamos levando. ― Essa é toda a bagagem de vocês?
Escolhi responder sua pergunta.
― Sim, agente Warren. Se pudéssemos… ― tentei fazer minha voz soar um pouco contrita, já que ainda achava um pouco difícil permitir que minhas emoções se mostrassem abertamente em meu rosto.
Por sorte, pareceu funcionar.
― Vocês querem ir logo. Entendo, pois também gosto muito de Wufei. ― Ele já foi se virando para nos conduzir ao carro, assim perdeu as expressões no rosto dos outros, mas eu não. Pelo o que Wufei descrevia em seus e-mails, ele não parecia ter amigos entre os Preventers, com exceção de Sally, e ela era mais como uma irmã mais velha para ele. Portanto, era compreensível que ficássemos surpresos e demonstrando descrença.
Começamos a segui-lo e Quatre fez a pergunta que todos estávamos pensando.
― Você conhece bem Wufei?
O agente Warren deu ligeiramente de ombros e começou:
― Eu o conheço desde que se juntou à Agência. Ele é um dos ossos mais duros de roer que já conheci. Vem me ajudando a treinar os agentes de campo há mais de ano e os novos recrutas, durante os últimos oito meses. Com Wufei conosco, conseguimos nos livrar dos candidatos que não são desejáveis.
Duo tomou o banco do carona para si, enquanto nós três nos apertamos no banco traseiro. Assim que o agente Warren ligou o carro e entrou no fluxo do trânsito, Duo ajeitou-se no banco, ficando de frente para ele para conversar.
― O que quis dizer? Wufei está ajudando a eliminar candidatos?
Me surpreendi quando o agente Warren deu uma gargalhada.
― Ah, eu queria poder mostrar a vocês! – sério, é de lavar a alma, mas como não posso, vou tentar explicar. Como sabem, o Preventers foi criado logo após o fim da última guerra - na verdade, acabou por se tornar um refúgio para nós, soldados que não tinham mais outro lugar para ir. Uma pequena parcela ainda conseguiu empregar-se em outros empregos e atividades devido às suas especialidades mais específicas, mas aqueles que, como eu, foram treinados estritamente para o combate, não possuíam as habilidades necessárias para ganhar a vida de forma digna que não fosse sendo um soldado. A maioria de nós conseguiu entrou para a Agência; não me entendam mal: sim, às vezes temos desentendimentos ou discordâncias devido ao passado, mas a maior parte de nós aceita o fato de que todos estavam fazendo o que tinham que – ou acreditavam que precisavam – fazer. De qualquer forma, desde que a Agência começou, soldados mais experientes como Wufei e eu damos o treinamento durante os primeiros seis meses ou mais e muito dele consiste em avaliação - observamos, analisamos e descobrimos o que os recrutas ainda não sabem e ensinamos a eles. Não envolvia muita coisa, de fato, já que treinamento básico é treinamento básico, não importa a forma que você veja isso – já um curso especializado é outra coisa totalmente diferente, mas esperem, estou me desviando do assunto... De uns seis meses para cá, porém, os novos recrutas começaram a ser apenas 'novos', ou seja, nada mais de ex-soldados, ex-rebeldes ou ex-partidários de facções que possuíam experiências verdadeiras, sólidas, de combate ou guerra - e com estes novatos em especial ganhamos um monte de problemas: indivíduos julgando com base em aparência ou idade, em vez de habilidades; indivíduos querendo ser heróis; indivíduos tentando promover seus próprios objetivos políticos; indivíduos que não encaram este tipo de trabalho a sério e acham que tudo vai ser infinitamente fácil – como diabos esses imbecis tem essa impressão eu não faço ideia! Eles são trazidos para o treinamento básico e são apresentados aos seus dois principais instrutores. Em geral, faço minha papelada durante a tarde, enquanto Wufei se encarrega de quebrá-los, e ele faz a parte burocrática dele pela manhã, quando é a minha vez de rachar crânios. É como trabalhamos. Bem, voltando... No início do treinamento, nos apresentamos a eles. Para vocês terem ideia, dentro da primeira hora após nossa apresentação, três dos nossos novos recrutas são expulsos e, dentro das duas horas seguintes, mais outros cinco – no mínimo – abandonam o treinamento por conta própria, sem qualquer encorajamento de nossa parte. Funciona assim: Wufei geralmente lhes dá cinco minutos para que possam vê-lo circulando ao redor, enquanto faço o nosso pequeno discurso de 'Bem-vindos ao Inferno' e então ele lhes dá uma chance. Diz que, se algum dentre eles acredita ser capaz de vencê-lo em uma briga, tem passe livre para tentar. Se ganharem, receberão o status de agentes imediatamente, sem precisar passar pelos meses de treinamento e, claro, eu concordo plenamente que é uma troca justa.
Não consigo deixar de franzir um pouco a testa.
― E se perderem?
Ele dá outra gargalhada.
― Acredita que a maioria dos imbecis que o atacam sequer lembram de perguntar isso? Se perdem, são sumariamente expulsos. Imbecis deste tipo são os que fazem bons agentes serem mortos em missões.
Quatre, sentado entre Trowa e eu, inclina ligeiramente a cabeça para o lado.
― Une aprova uma coisa destas?
― A Comandante conhece os limites do melhor agente que ela tem, sabe até onde ele pode ir. Até agora, ninguém que eu conheci conseguiu bater Wufei numa luta de um contra um, nem mesmo em três contra um, senhores. Isso não quer dizer que, se você acrescentar uma faca ou uma arma na luta ele não possa perder – até pode – mas no mano-a-mano ele é fenomenal. A Comandante me disse que ela acredita que apenas vocês quatro estariam à altura dele em uma luta.
Isso fazia sentido porque era verdade. Wufei era um artista marcial e não apenas do tipo que conhecia os Katas, mas do tipo que possuía o conhecimento prático de como usar estes Katas em situações de combate da vida real. Todos nós éramos lutadores experientes, mas o verdadeiro especialista era Wufei.
― Você sabe o que aconteceu com ele?
O homem deslizou do riso e conversa fácil para o tenso e preocupado.
― Ele trabalha demais. Faz o trabalho de cinco homens e ainda acha que não está fazendo o bastante. Todos os jovens com idades próximas à dele que conheço sempre tem uma forma de vida social, mas a única vida social que ele tem é a que eu e os outros o forçamos a ter.
Desta vez foi Duo quem franziu o cenho.
― Outros?
― Sally, Noin, Zechs, Tabitha - a secretária de Wufei e Alisa - a secretária de Sally e da Comandante Une, no momento. O resto dos agentes Preventers tentam convidá-lo para sair ou dão dicas, mas é como se ele não fizesse ideia de que é isso que estão fazendo. Ele não é adepto de interagir com ninguém em um nível mais pessoal, embora possa fazer, se for forçado a isso. Para mim, esta situação - e nada de me não me levarem a sério apenas porque sou um médico de campo, na melhor das hipóteses - parece ser uma combinação de exaustão, estresse emocional e tensão. Quer dizer, é algo totalmente fora do comum um menino – digo, um jovem rapaz – como ele esquecer de comer porque está ocupado demais para notar. A Comandante deveria tê-lo forçado a tirar umas folgas, umas férias... Mas com a agência tão nova ela não pode abrir mão daqueles de quem ela mais depende. Se um deles pedir, ela fará o que puder. Mas se não pedirem... Wufei trabalhou todos os dias, todas as semanas, durante todo este período em que o conheço. Era apenas uma questão de tempo, realmente, antes que algo assim acontecesse... e antes que nos acusem de indiferença, saibam que todos nós tentamos forçá-lo a tirar pelo menos um dia de folga em mais de uma ocasião... Mas ele é mais teimoso que uma mula.
Não pude discutir contra isso, nenhum de nós pôde. O resto da viagem aconteceu em silêncio. Une e Sally estavam nos esperando quando chegamos ao hospital e nos levaram diretamente para o quarto de Wufei - explicando coisas enquanto nos dirigíamos até lá.
Meu coração parou por um momento quando o vi tão imóvel naquela cama. Ele não era o que alguém poderia chamar de frágil - mas era isso o que ele parecia, naquele momento. O cabelo negro estava solto no travesseiro e sua pele parecia mais pálida; o branco das folhas, das paredes e do travesseiro não faziam nada para lhe dar cor. Ele também parecia muito mais magro para mim. Como eu pude permitir que isso acontecesse?
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Duo
Sally decidiu fazer uma nova busca no escritório de Wufei depois de nos dar todas as informações que possuía, ou seja, 'nada mais a dizer'. Quatre ofereceu-se para ajudar, mas como éramos agentes visitantes e não estávamos ali a trabalho, tal ajuda era contra os regulamentos. Depois que ela partiu, passamos duas horas no quarto, observando-o. Wufei sempre parecera uma força de natureza, pelo menos para mim; vê-lo daquele jeito era doloroso. Dei por mim assistindo, pelo o que parecia ser a centésima vez, Heero estender uma mão na direção de Wufei, pensar melhor e puxar a mão para trás antes que o movimento tivesse realmente chance de se concretizar. Aquele tipo de coisa não acontecia, a menos que ele estivesse extremamente preocupado e cansado. Isso me fez olhar para Quatre e Trowa, ambos parecendo exaustos também; estávamos acordados há mais de dezesseis horas direto com aquela angústia e preocupação nos corroendo, parecíamos zumbis. Tomei uma decisão e esperei que os outros não discutissem contra.
— Olha pessoal, vamos fazer vigília em turnos – a cada cinco horas, que tal? Três vão para o hotel, dormem um pouco e o seguinte volta para a troca. Desse jeito, quando Wufei acordar não seremos um bando de zumbis. Vamos estar cem por cento quando ele precisar de nós.
— Eu não vou. — Já esperava isso de Heero, portanto não me incomodei.
— Você fica com o primeiro turno, então. Acontecendo qualquer coisa, nos avise. Eu fico com o segundo turno, Quatre com o terceiro e o Tro, com último. De acordo?
Quatre foi o único que respondeu verbalmente, mas os outros dois teimosos assentiram, e logo nós três nos dirigimos para o hotel. Optei por ficar sozinho num dos quartos do enorme apartamento e deixar Trowa aos cuidados de Quatre. Eu não iria ser boa companhia para ninguém no momento e quando beijei meus amantes, dando-lhes boa noite, tentei transmitir esses sentimentos nos beijos.
Fui para meu quarto e caí na cama, sem me incomodar em tirar as roupas. Sentia-me enlouquecer. Era coincidência demais o que estava acontecendo com Wufei acontecer justo depois de as fotos serem enviadas... mas eu não conseguia achar uma conexão entre estes dois eventos de jeito nenhum e nada do que Sally, Eric ou Une nos contaram poderia ter levado a aquela situação.
No final das contas, o pateta que sugeriu descanso não descansou coisa alguma. Eu me levantei depois de quatro horas e meia deitado na cama - pensando, pensando, a ponto de quase fritar meu cérebro –, tomei banho, troquei de roupa e fui checar Quatre e Trowa. Eles estavam aninhados um no outro, nus, é claro, e desejei estar com minha câmera. Pelo menos alguns de nós conseguiram dormir um pouco.
Quando cheguei no hospital, Heero estava dormindo e segurando uma mão flácida de Wufei, por cima da cama. Fosse qualquer outro ser humano entrando no quarto, Heero teria acordado numa reação imediata e instintiva, mas conosco (Quatre, Trowa, Wufei, e eu) ele sentia-se seguro o suficiente para não reagir desta forma. Sempre me espantou o fato de ele conseguir saber, mesmo adormecido, se a pessoa no quarto com ele era um de nós ou não.
Deixei-os por um momento para ir solicitar uma cama; insisti em trazê-la eu mesmo e quando estava tudo pronto, transferi Heero cuidadosamente para ela, e depois peguei seu lugar ao lado de Wufei. Passei as próximas três horas observando-os dormir, tranquilos, antes de uma enfermeira entrar para inspecionar Wufei e Heero acordar, de pronto – o que acabou vindo a calhar, pois dez minutos depois, Quatre e Trowa entraram no quarto para avisar que Sally queria falar conosco. Foi uma briga manter minha posição, pois todos queriam ficar com Fei, mas bati o pé – ainda era minha vez, cacete. Wufei podia ser o mais teimoso entre nós cinco, mas eu com certeza ocupava o segundo lugar, quando queria.
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Quatre
Quando Trowa e eu acordamos, sabíamos que Duo já havia ido, pois as cinco horas já haviam se passado. Falei com Sally pelo celular para que pudéssemos entrar no apartamento de Wufei para pegar as coisas dele. Ela confirmou que providenciaria as autorizações, então não muito tempo depois de tomarmos uma ducha rápida e comer barras de cereais como café, nos dirigimos para lá. O que encontramos fez meu coração doer por Wufei e me deixou ainda mais determinado em levá-lo conosco quando voltássemos para L4. Eu não deixá-lo sozinho outra vez nem ia abrir mão dele mais.
O apartamento a duas quadras do QG dos Preventers era pequeno, sem toques pessoais - com exceção de uma foto com nós cinco. A única mobília era um tapete no chão e os eletrodomésticos que vinham com o imóvel. Não havia comida nos armários e apenas água na geladeira. Todos os seus poucos pertences pessoais já estavam previamente empacotados em uma mochila militar, com exceção da espada, que obviamente não cabia dentro dele.
Trowa e eu procuramos apoio nos abraçando e ele disse afirmou, decidido:
— Ele não vai mais ficar sozinho.
— Não, não vai. — Era um juramento que eu pretendia cumprir integralmente.
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Duo
Assim que os outros foram conversar com Sal, procurei a mão de Wufei. Com finalmente sua mão nas minhas, achei graça. Por mais que Heero e eu fôssemos ex-pilotos de Gundam e talz, ainda ficávamos inseguros quanto a fazer o primeiro movimento quando o assunto era nossos sentimentos.
Foi uma verdadeira surpresa quando vi os olhos de Wufei se abrirem, uns dez minutos depois.
— Finalmente você acordou, Wu.
Vagarosamente ele virou a cabeça para olhar para mim e então abriu a boca, mas apesar de os lábios dele se moverem, nenhum som saiu. Após sua segunda tentativa, meu peito apertou dolorosamente e doía respirar.
— Olhe, aguenta um segundo, vou chamar a Sally.
Eu me virei para a porta, mas parei de imediato quando senti repentinamente a mão dele agarrar fortemente meu pulso. Isso me assustou, mas quando olhei para ele, o olhar em seu rosto era pânico, desespero e ansiedade. Jamais o abandonaria ali assim - eu o amava demais para fazer isso. Encontrei-me voltando para ele, estendendo a mão esquerda e afastando os fios negros de sua testa gelada, antes de carinhosamente acariciar seu rosto, enquanto me sentava de novo. Ele parecia tão confuso e vulnerável que quase me feria fisicamente vê-lo daquela forma.
— Shhh... Tá tudo bem, Wu, não vou a lugar nenhum. Os outros estarão aqui daqui a uns cinco minutos e um deles pode chamar Sally. Cara, você nos assustou, sabia? Sally disse foi chamada por sua secretária, Tabitha... acho que é esse o nome. Ela entrou na sua sala para te dar seu almoço e te encontrou sentado em sua cadeira como uma estátua, olhando para a frente, sem ver nada. No início, Sally disse que foi uma reação de choque, mas agora está dizendo que você sofreu um colapso nervoso, na verdade, pois você dormiu por mais de 24 horas, sabe, entre outras coisas. Cara... Ela nos avisou assim que você estabilizou no hospital, então os rapazes e eu pulamos na primeira nave do Quatre que ficou pronta e chegamos aqui na Terra umas... dez, onze horas atrás. Estamos nos revezando para ficar com você, mas Sally precisava nos mostrar alguma coisa, então eles foram com ela e eu fiquei... Lógico, tive que brigar com os outros, mas, como era minha vez de ficar com você, ganhei.
Sorri e pisquei para ele e quase me estapeei por isso. Ele não precisava que fizesse coisas assim quando ele estava doente. Enquanto eu o observava, ele franziu a testa e dei por mim com minha mão esquerda desenhando padrões aleatórios no antebraço dele, sem sentir. Eu não conseguia deixar de tocá-lo. Não demorei muito tempo para entender porque ele franzindo o cenho.
— Não fica preocupado com esse lance de 'colapso nervoso', Wu. Nós cinco somos os maiores candidatos do universo a ter um, você sabe, mas diferente do resto de nós, que sempre conversamos sobre nossos passados e as guerras, você nunca fez isso. Sinceramente, não acredito que você tenha, nem ao menos uma vez, na sua vida inteira, se aberto ou falado com alguém, sobre o que sente... e estas coisas tendem a ficar piores com o passar do tempo; aí, quando você menos espera, esse 'algo' vem com tudo e arrebenta de uma vez. Não é nada para ficar envergonhado, ouviu? Acontece com as pessoas mais vezes do que elas gostam de admitir. Uma pessoa comum teria sucumbido durante as guerras, mas você é mais forte que eles, não é? Sempre tão orgulhoso e tão determinado a ser independente... Ah, vou logo avisando que a Une te deu dois meses inteiros de licença médica. Ela disse que você trabalhou dois anos em um, e que é muito valioso para te perder, então, assim que Sally te der alta, vamos te levar para L4 conosco. Sentimos muita falta de você, Wu, todos nós. Não é... não é a mesma coisa, sem você lá. Eu sei que você não quer nossa ajuda, mas por favor, só desta vez, nos deixe ajudar. Já perdemos tanto, não queremos perder você também.
Terminei meu discurso improvisado encarando fixamente a mão dele; não conseguia olhar para ele depois do que disse. Se eu tivesse, com certeza as lágrimas que estavam queimando em meus olhos desceriam como uma cacasta pelo meu rosto. Eu não precisava ter combinado nada do que tinha dito a ele com os outros. Era um acordo tácito entre nós que Wufei iria conosco quando voltássemos para L4.
Quando finalmente consegui olhar para ele, havia adormecido de novo – e desta vez, não consegui me impedir de beijar levemente sua testa, antes de me ajeitar novamente na cadeira incômoda ao seu lado.
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Trowa
Wufei tinha dado a Sally algumas informações pessoais dele anteriormente para o caso de alguma emergência, entre elas, a contra-senha para o seu e-mail pessoal. Após não encontrar nada estranho no escritório nas duas vezes que fora até lá verificar, ela decidiu conferir o e-mail dele porque quando viera atender ao chamado desesperado de Thabita, tinha percebido que o e-mail estava na tela de saída. O que ela acabou descobrindo ao fazer isso era a razão principal para nossa presença no escritório de Wufei, no momento - mas nenhum de nós soube o que dizer quando ela abriu o e-mail... e vimos as fotos.
Tive que dar crédito a Sally por não estar olhando para elas. Sei que nós as encaramos, sem fala, durante pelo menos quinze minutos - e estávamos, todos, pensando a mesma coisa.
As fotos eram verdadeiras, os únicos com acesso a elas eram nós quatro e dentre nós, apenas um teria pensado em mandá-las para Wufei - Duo. A pergunta era: por quê? E não simplesmente por que ele as enviara, mas também por que Sally as estava nos mostrando?
Sally respondeu a última pergunta antes que qualquer um de nós pudesse perguntar:
— Foi este o gatilho; foram estas fotos que causaram o colapso de Wufei. E antes que vocês comecem a pensar algo errado ou idiota, não foi porque ele sentiu nojo, tenha mente fechada para aceitar algo assim ou que ele seja hetero. Estas fotos o fizeram sofrer um colapso porque ele ama - todos vocês.
Nós provavelmente olhamos de boca aberta para ela, até mesmo eu – embora fosse um dos mestres em não expressar emoções – porque, sem saber, ela havia acabado de oferecer um copo de água gelada a homens morrendo de sede no deserto.
Ela viu nossa descrença e sacudiu a cabeça.
— Eu conheço Wufei desde a primeira guerra e eu trabalho com ele há mais de um ano. Ele é como um irmão caçula para mim e provavelmente sei mais sobre ele do que ele mesmo imagina. Também não estou envolvida na situação. Quando se está envolvido, geralmente não se consegue ver as coisas de forma muito clara, mesmo que elas estejam bem na sua frente. Eu vi os olhares que ele dava para vocês durante as guerras, quando achava que ninguém estava olhando. Ele vem amando vocês desde que eu o conheci, e provavelmente por mais tempo antes disso; mas nunca fez nada a respeito por causa de algumas razões que vocês com certeza podem imaginar, e o principal de todos os motivos – ele nunca cruzaria esse limite porque temia magoar qualquer um de vocês ao se colocar acidentalmente entre dois casais de namorados que acreditava serem felizes. Ele sofreria sozinho pelo resto da vida só para se certificar de que vocês quatro eram felizes. Se eu ao pelo menos tivesse imaginado que vocês já não eram mais duplas de casais, eu teria pensado, analisado a situação para ver se era possível que vocês também o amassem e se poderiam levá-lo para o relacionamento...
Ela baixou a cabeça enquanto respirava fundo para se concentrar.
— Ele nunca fala com ninguém sobre a vida dele. Usa a desculpa de que não se sente à vontade falando sobre coisas pessoais. E olhem que este dia demorou chegar; se vocês tivessem ideia de como eram os dias dele... Eu vivia com medo que um dia ele fosse dormir e não acordasse mais e agora... Bem, com vocês aqui, ele vai acordar, porque jamais faria algo que causasse dor em vocês de propósito. Sabiam que ele vem evitando ver vocês porque tem medo que percebessem os sentimentos dele e que isso acabasse causando uma rachadura entre vocês? Não preciso saber o por que as fotos estão aqui, ou por que elas foram enviadas. O que quero e preciso saber é o que vão fazer daqui para frente em relação a Wufei.
Não precisei levar um segundo sequer para responder e os outros também responderam quase de imediato.
— Compensar o tempo perdido.
O olhar nos olhos de Quatre era uma lembrança do Zistema Zero.
— Amá-lo como ele deve ser amado.
O rosto de Heero parecia granito, mas seus olhos eram uma tempestade.
— Jamais deixá-lo ir embora.
Sally realmente pareceu ficar surpresa com a rapidez e determinação de nossas respostas, mas depois de um longo olhar, assentiu.
— Lembrem-se: não aceito nada além do melhor para meu irmão. Mantenham isso em mente e estaremos bem. Não se esqueçam de contar a Duo sobre isto e também o que eu disse, apesar de apostar que ele já sabe sobre as fotos. Duvido, porém, que ele consiga perceber a conexão entre elas e o estado de Wufei. Sabem, acho que isso, na verdade, foi a melhor coisa que poderia ter acontecido... Mas deixem-me avisá-los de que provavelmente Wufei não irá se lembrar do que aconteceu. Foi traumático demais para ele. Convenhamos... Ver o que você mais quer no mundo virando realidade bem à sua frente e ser sumariamente excluído disso iria devastar até mesmo pessoas mais fortes.
Não precisei olhar para Heero e Quatre para saber que seria eu a falar com Duo. Para assuntos referentes a negócios, finanças e táticas Quatre era o ideal. Heero lidaria com questões de segurança, computadores e treinamento e Duo era responsável por cautela, lidar com o público, destruição em massa e pilotagem. Eu era o responsável pelos cuidados médicos, por ouvir e dar conselhos, infiltração e dizer aos outros verdades que poderiam doer, se ditas de forma errada. Reconhecer nossos posicionamentos natos me deixou curioso sobre como Wufei se ajustaria em nosso relacionamento.
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Quatre
Ao voltarmos para o quarto de Wufei com Sally, Duo nos avisou que ele tinha acordado brevemente e sobre sua incapacidade de falar. Sally foi rápida em nos assegurar que não era uma sequela, apenas uma manifestação física do trauma. Quando Trowa levou Duo para conversar, eu realmente fiquei ansioso pelo nosso amante mais hiperativo. Ele nunca teria machuado Wufei de propósito – sabíamos disso – mas acontecera e ele ficaria se culpando por isso. Tudo que eu podia dizer é que estava grato por Trowa estar conosco. Ele seria capaz de suavizar o golpe onde Heero e eu não teríamos conseguido.
Eu podia ler as pessoas bastante bem, mas sempre me sentia um pouco perdido sobre o que fazer por elas depois... Certo, eu era melhor nisso do que Duo ou ainda Heero, mas Trowa conseguia entender as pessoas em um nível que eu nunca pude. Este era o motivo pelos quais ele estava fazendo cursos online para ser médico e veterinário. A maioria das pessoas consideraria tal façanha impossível, mas não é, se você quer isto de verdade – e Trowa queria.
Cuidadosamente, estendi minha mão para Heero e sorri quando ele tomou minha mão na sua.
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Heero
Quatre e eu ficamos sentados em silêncio após a saída de Trowa e Duo, mas depois de alguns minutos, percebi que desta vez eu precisava de algo mais do que o silêncio.
— Podíamos tê-lo perdido... Podemos perdê-lo, ainda.
A mão de Quatre envolveu a minha firmemente.
— Não vamos, Heero. Não podemos. Agora que sabemos da verdade, tudo o que temos que fazer é mostrar nossos sentimentos para Wufei. Duvido que vá ser fácil, mas todos nós fizemos o que se pode considerar uma vida inteira de coisas que não eram fáceis. Ele pode não saber ainda, mas ele é nosso e nós somos dele – e eu não deixarei nada atrapalhar isso.
Encontrei seu olhar intenso com o meu e tentei expor tudo o que eu não consegui dizer antes.
— Eu também não.
Quatre franziu ligeiramente o cenho e então voltou-se e olhou para Wufei.
— Wufei! Você acordou! Como está se sentindo?
Vi quando Wufei abriu a boca para falar alguma coisa, mas não houve som algum, como Duo nos dissera. Ele franziu a testa e deu um olhar interrogativo a nós dois, então eu respondi, para tranquilizá-lo:
— Duo nos avisou. Sally disse que às vezes um trauma pode roubar a capacidade de falar de uma pessoa, mesmo ela estando fisicamente bem.
Seus lábios repetiram a palavra 'trauma', sem som e ele franziu o cenho outra vez, interrogativamente. Ao meu lado, senti Quatre estremecer.
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Duo
Trowa me explicou tudo... e eu me vi me xingando de todos os tipos de palavrões que pude imaginar, fúria me percorrendo. Wufei estava em uma cama de hospital por causa da minha estupidez?!
— Você não tinha como saber, Duo.
Eu sacudia minha cabeça, sem parar.
— Não! Isso não é desculpa. Não é, não é, não é!
Tenho que dar crédito ao Tro: ele tentou, tentou mesmo, mas a culpa e eu éramos velhos amigos – quase tão velhos quanto a morte e eu – então não houve muito que ele pudesse fazer, a não ser me puxar para um abraço... e ele me abraçou, por um longo tempo. Parecia que eu só causava dor às pessoas que gostava. Envolto nos braços dele, lembrei que certa vez, Trowa me disse que era justamente por amar alguém e ser amado por essa pessoa que você acabava magoando as pessoas que você ama, às vezes. Sem querer. Ele também me falou que amor sem dor não era amor coisa nenhuma – por isso, pelo tanto que meu peito doía, na ocasião, descobri que estava apaixonado por Fei... Apesar de agora já saber disso, realmente não precisava de um lembrete dolorido daquele jeito.
Um bom tempo depois, nos afastamos aos poucos e comigo mais calmo, voltamos ao quarto, acabando por descobrir que Wufei estava acordado. A dor que me traspassou revelou-se por inteiro em meu rosto – mas forcei-a a se enterrar lá no canto mais escuro de mim e dei aquele mega sorriso, no lugar. Eu já tinha fudido as coisas o suficiente.
— BOM DIA, Fei! Ou eu deveria dizer boa tarde?
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Trowa
Pouco depois de minha chegada com Duo, assistimos tensamente Wufei tentar se sentar. O simples movimento pareceu sugar toda a energia que ele tinha para se concretizar. Nós mal nos impedimos de nos precipitar para ajudá-lo. Uma vez reclinado, os flashs de emoções que apareciam em seu rosto eram tão rápidos que eram difíceis de decifrar. O resultado final do que quer que ele estava pensando foi que ele acabou hiperventilando. Num segundo eu estava ao seu lado, sentando-me na cama, tomei seu rosto nas mãos para que pudesse focar em mim.
— Respire comigo, Wufei. Devagar, isso, concentre-se. Respire… Inspire.
Lentamente, ele conseguiu igualar a respiração com a minha e fomos mais adiante, até que nossas batidas cardíacas estivessem sincronizadas... e foi um grande alívio não ouvir mais o som horrível dele tentando puxar ar para seus pulmões.
— Tudo bem?
Então ele sorriu e eu me apaixonei por ele novamente.
Acompanhei seus lábios se movendo enquanto me puxava pelo braço para baixo.
— Você quer ir embora?
Ele assentiu bruscamente com a cabeça e foi o que bastou para Heero se levantar, dizendo:
— Vou mandar Sally dar entrada imediata nos papéis de sua alta.
O olhar no rosto de Wufei frente à declaração de Heero de 'mandar Sally fazer algo' antes de nos deixar não tinha preço.
Quatre deu uma tossidinha para chamar a atenção de Wufei e deu-lhe um sorriso.
— Já fomos no seu apartamento; Sally nos autorizou. Organizamos tudo o que você possa vir a precisar, ou querer. Trouxemos até sua espada.
Ficou bem óbvio o quanto Wufei ficou grato por Quatre não lhe perguntar nada sobre o que ele chamava de 'lar'.
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Heero
Ele teimou em se vestir sozinho e andar até a cadeira de rodas e por causa disso dormiu a ida inteira até o espaçoporto. Não me importei. Finalmente conseguia tê-lo em meus braços e ele se aconchegou em mim de uma maneira que me fez não querer deixá-lo sair deles nunca mais.
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Quatre
Duo e Heero estavam na cabine do piloto e Trowa estava procurando mantas extras quando Wufei acordou. Ele piscou para mim de onde sua cabeça descansava em meu colo e eu não pude deixar de sorrir para ele: parecia um filhotinho de tigre acordando de uma soneca. Com um gesto bem levinho, fui afastando o cabelo dele para longe dos olhos, aproveitando a sensação de ter aqueles fios negros lisos deslizando por entre meus dedos, acariciando lhe também gentilmente o rosto, que parecia ainda mais jovem e menos sério com o cabelo solto.
— Oi.
Wufei me deu um meio sorriso antes dar uma olhada ao redor da área reservada aos passageiros e erguer uma sobrancelha, parecendo confuso.
— Heero e Duo estão pilotando e Trowa na parte de carga, procurando travesseiros e mantas extras. Ele estava preocupado achando que você pudesse ficar com frio, usando só essa sua camiseta e calças soltas; você está? Com frio, quero dizer?
Levou um momento para responder e, quando o fez, foi na forma de um dar de ombros indiferente.
— Wufei?
Foi quando alguma coisa aconteceu. Do nada, ele começou a hiperventilar. Tentava parar, mas não conseguia. Heero e Trowa devem ter ouvido meus gritos, porque em segundos estavam lá conosco. Heero deu-lhe um tapa, mas aquilo só fez Wufei pausar durante um segundo. E começou tudo de novo. No fim, tivemos que usar o sedativo que Trowa pegou no kit médico que Sally havia nos fornecido para emergências do tipo.
Heero recusou-se terminantemente a deixá-lo depois disso. Envolvendo-o em um cobertor, tomou-o para si, aninhando-o protetoramente no peito e nos braços fortes. Eu já tinha visto Heero reagir assim antes com Duo e eu, e o único que conseguia falar com ele quando estava assim era Trowa; então fui substituir Heero como o co-piloto de Duo e dizer o que tinha acontecido com Wufei.
O estado dos nervos de Duo piorou quando soube o que aconteceu – ele ficou arrasado e eu tinha a sensação de que aquilo não mudaria até que Wufei o perdoasse. Fiz o que pude por meu amante angustiado, beijando-o na têmpora e o segurando por longos minutos, após colocarmos a nave em piloto automático.
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Heero
Quando enfim chegamos em casa, estava levando-o para o que seria seu quarto no primeiro andar quando o senti se mexer nos meus braços. Parei de imediato, para ler a pergunta que me fazia com os lábios sem som.
— Acabamos de chegar na mansão. Os outros foram organizar suas coisas e fazer algo para você comer. Temos poucos criados aqui; ter toda aquela criadagem ao nosso redor nos incomoda. Menos a Quatre, claro. — Vi uma expressão arrasada cruzar o rosto de Wufei que rasgou meu coração e eu o puxei para mim, em meus braços o mais forte que pude. — Pare! O que quer que esteja pensando, pare de pensar agora mesmo!
A expressão em seu rostou piorou, mudando para uma muito próxima de culpa. Eu o trouxe para perto de mim com meus braços o mais perto que pude e pressionei meus lábios contra sua testa.
— Wufei, por favor, não se machuque mais. Você já aguentou tanto; por favor... deixe-nos ajudar ao menos uma vez.
Fui pego de surpresa quando ele enterrou o rosto em meu ombro e apertou um punhado de minha camisa. Mas ele não chorou. Pressionei então meu rosto contra o topo de sua cabeça, enquanto me dirigia ao seu quarto. Quando chegamos, coloquei-o debaixo das coberturas.
— Com fome? — Quatre entrou com uma tigela de sopa e um copo de água. Quando Wufei assentiu, ele sorriu de uma maneira que me fez decidir fazer algo especial para Quatre naquela noite.
Trowa ajudou a alimentar Wufei quando a mão dele começou a tremer tanto que não conseguia mais segurar a colher. Quando ele começou a adormecer, o ajudamos a se aconchegar nas cobertas e o deixamos dormindo.
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Duo
Fui inspecionar Wufei novamente por volta de umas oito da manhã e o achei já tomado banho e vestido, quase desmaiado, em uma cadeira alta e estofada, em frente a um janelão do quarto.
— Você é a mula mais teimosa que eu já vi, Chang Wufei! — Fiquei muito puto ao vê-lo esgotado daquele jeito e quando ele me veio com um 'não sou um inválido' ainda sem som, eu quis gritar. — Eu sei que você não é um inválido, Fei. Todos nós sabemos disso, mas também sabemos que você é um ser humano! Mas que porra, eu só queria você percebesse isto!
Acabo gritando a última frase e viro para sair dali – paro, porém, de imediato, quando escuto sua voz áspera pela primeira vez em muito tempo. Deuses, adoro a voz dele.
— Eu percebo. Eu... eu só... eu não consigo, não sei ser... — Ele se calou e não olhou para mim. — Eu não devia ter sobrevivido tanto tempo. Eu sabia qual era meu dever para com meu clã; eu deveria conduzi-lo. Era isso que eu estava sendo treinado para fazer, mas a guerra... eles... — Era quase doloroso observar a força das emoções cruas que atravessavam seu rosto.
Em algum momento os outros haviam entrado no quarto e me ajudaram a ampará-lo quando ele tropeçou, ao tentar ir em direção à porta e a levá-lo para a cama, sentando-o nela. Envolvendo o rosto dele com as mãos, Quatre foi o primeiro a falar:
— Faz bem desabafar, Wufei.
— Eu... não sei como.
Meus braços apoiaram-se na altura de suas coxas, enquanto Tro e Heero falavam, um após o outro em seus ouvidos.
— Nós ajudaremos.
— Confie em nós.
Eu estava ajoelhado à sua frente e acabara de me afastar um pouco para trás para vê-lo melhor, quando ele começou a falar e eu quase chorei, ouvindo-o.
— Eu amo vocês. Todos vocês. Como não amar, quando vocês são tudo o que eles tentaram conseguir que eu fosse...? Vocês são tudo o que eu precisava ser e muito mais... Vocês são minha vida...
E ele começou a nos contar o que nunca contara a ninguém antes. Chorava como se o coração estivesse quebrado, no fim.
— Era fácil aceitar que vocês tinham virado casais, porque isso significava que vocês estavam felizes; eu aceitei prontamente, mas... mas descobrir que todos vocês estavam juntos, sem mim... Foi... foi... E então... eu quis saber… Por quê? Por que não eu? Por que eu nunca sou bom o bastante para ninguém? Por que vocês não poderiam me querer, também? Meu Clã precisou de mim, para conduzi-los à luta e então... me abandonaram. Os Preventers precisam de minha experiência e habilidade... ninguém realmente me vê... eu, nem mesmo eu consigo gostar de mim. Eu não me conheço.
E então ele simplesmente apagou, caindo em meus braços... e eu queria tanto lhe dizer que ele estava errado, que ele era tão perfeito quanto possível mesmo em suas falhas e que eu o amava – nós o amávamos!, mas tudo o que eu podia fazer era segurá-lo. Ao encontrar os olhos de meus outros amantes, soube que ele nunca mais se sentiria assim outra vez, porque não deixaríamos acontecer.
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CONTINUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA! \o/
Notas da Tradutora – Illy-chan:
Aqui vou deixar as mesmas notas que fazem parte do cap 01 de Everybody Breaks ^~ Só espero que quem tenha lido este cap 01 dos Pontos de Vista, TENHA LIDO PRIMEIRO o cap 01 da Everybody, senão... CORRA JÁ para ler!
[1] À Deb = a Deb, a quem a Kai se refere nos agradecimentos no início da fic, é nada mais nada menos, que a maravilhosa Shenlong-Sama \o/
Sim, ela mesma – Shenlong, a autora de dezenas fics BELÍSSIMAS no fandom gringo e que também é a autora da fic "Chimaera", uma das mais LINDAS M-Pregs 1x2 já escritas e que teve seus primeiros capítulos traduzidos, anos atrás, pela Dhandara, no falecido XYZYaoi.
Ainda anos atrás, várias fanfics da Shenlong traduzidas pela Dee-chan e postadas no site – agora também off-line – do WingProject.
[2] ...por fazer esta competição... = A partir de 2004, a Shenlong começou a lançar um 'Contest', ou seja, um Desafio de Fics, no site dela, cada ano com um tema diferente.
A competição à qual a Kai se refere foi o 'Contest Art of Bondage – Ano 2005', no qual ela participou, com o cap 01 de Everybody Breaks. *_*
Alguns nomes dos Contests promovidos pela Shenlong: em 2004, foi o 'Sex Toys'; em 2005, o 'Art of Bondage', e em 2006, foi o 'Art of Seduction'. O último ano do Contest foi 2007, infelizmente...
Nossa, eram Contests muito badalados, pois muitas autoras phodas do fandom gringo de Gundam Wing na época participavam deles: Akuma, Fancy Figures, Asymphototropic, EvilKat, Atre, etc... e a Kai, lógico, hehehe. Só autoras especialistas em lemons, meu povo!
A Shenlong [ou Deb, para as amigas mais loucas] é, ainda hoje, uma das raras escritoras de fanfics Yaoi/BL de GW que, mesmo passados mais de 20 anos [GW é de 1995] não abandonaram o fandom – como bem podem imaginar, muita coisa mudou nestas duas décadas e as autoras, em sua maioria, migraram para outros fandons, viraram escritoras profissionais ou simplesmente sumiram, para nossa tristeza.
Mas a Shenlong diz que vai morrer escrevendo fics em que os G-Boys vão estar se pegando – AWWWW! Ela é das minhas! ADORO esta mulher!
Duvidam? Olhem aí como a Shen é uma das pouquíssimas que permanecem ativas: até hoje ela continua lançando fics, mantendo o site dela ativo [que é enoooorme e também hospeda fanfics de várias outras escritoras também!], participando de MLs [O quê? Acha que tudo na vida se resume ao Whatsapp, Instagram e Tumblr? Sabe de nada, inocente XD], aceita revisar e betar fanfics de autoras iniciantes ou cujas línguas originárias não sejam o inglês e ajudando centenas de fãs a encontrarem ou acharem fanfics perdidas no meio internético! Sério! Se vocês entrarem na Comunidade gringa de GW aqui no ffnet, vai ver que 90% das respostas no tópico 'Alguém peloamordeSãoYaoi lembra dessa fic?' é respondida por ela.
A Shen é MARA, meu povo! Um altar para ela! *_*
Ah, para quem quiser conferir, é só procurar pelo site da Shenlong: o Deb's Dragon – Gundam Wing Diaries, e se deliciar, tanto com as fics dela, quanto com fics de outras dezenas de autoras que a Debs mantém salvas no site do Shenlong \o/\o/
