Declaração: Tudo é da JKR. A única coisa do HP que me pertence são os 7 livros na minha prateleira.
N.A. : Se gostar da história e estiver disposto a ser um beta por favor entre em contato!
N.A.2: Me desculpe por esse capítulo, é falação demais, eu sei, mas eu achei que ele era necessário para situar os personagens na trama. No próximo capítulo as coisas deverão começar a acontecer. Peço apenas um pouco de paciência.
N.A.3: Não sou nenhum historiador. Por conseqüência eu vou basear o meu cenário nos livros As Crônicas Saxônicas,de Bernard Cornwell (historiador de verdade). Não creio que eu vá usar o personagem dele para qualquer coisa, mas o cenário histórico é bastante apropriado. Fica a dica para quem quiser, são excelentes livros.
N.A. final: Fiquei surpreso vendo que existem pessoas lendo essa história! Fico feliz pelas reviews e pelos alertas de história! Se não for pedir demais, deixem algum comentário após ler o capítulo!
ATRAVÉS DO TEMPO
Por Britael
Capítulo 3
- Não existe nenhuma proteção evitando a aparatação. Desde o início nós poderíamos ter ido para onde quiséssemos. Não existe nenhuma barreira nos impedindo!
Após essa declaração ocorreu uma pequena pausa, quando pareceu que Bill ia continuar, várias vozes interromperam-no.
- Espere um momento...
- Como assim não existe nenhuma barreira?
- Isso não faz nenhum sentido...
Harry e os demais jovens presentes simplesmente se entreolharam enquanto praticamente todos os membros da ordem pareciam falar ao mesmo tempo. Alguns começaram a falar mais alto para ser ouvidos por sobre os demais e em pouco tempo boa parte deles está gritando. Antes que a coisa pudesse se agravar um estampido forte, como um estouro, surgiu de forma abrupta e todos se calaram, momentaneamente surpresos.
- Humf... Agora sei porque Albus usava esse feitiço com tanta freqüência, parece ser a única maneira de manter vocês na linha. – Alastor "Olho-tonto" Moody, baixou a varinha e a colocou sobre a mesa olhando os demais com um olhar severo. – Por que vocês todos não se calam e deixam Weasley continuar? E quanto a você Weasley, comece do começo. Descreva o que aconteceu quando vocês saíram pela porta para as cavernas.
Harry olhou novamente para o velho auror. Ele achou impressionante como pequenas coisas, como a ausência do olho mágico, podiam mudar drasticamente a aparência de alguém. O tapa-olho transfigurado não era, nem de perto, um substituto adequado para o artefato perdido. A pequena tira de pano tinha uma aparência estranha para quem já estava acostumado ao olho azul-elétrico.
- Bom... Do começo então. – Bill Weasley parecia um pouco constrangido pela maneira como as coisas tinham fugido ao controle tão rapidamente, mas continuou após reunir seus pensamentos. – Fomos até o quarto andar, até a entrada que ficava na frente do escritório de Pilkersen. Mas ela não estava lá.
- Como assim não estava lá? Ela tem que estar lá? Eu já fui lá dezenas de vezes... – Emmeline Vance começou novamente a falar, um tanto histérica, mas foi bruscamente interrompida por Olho-tonto.
- Que parte de ficar quieta você não entendeu Vance? Feche a matraca e deixe-o explicar. E você Bill não espere as pessoas perguntarem. Assuma que não sabemos de nada e explique todos os detalhes conforme eles forem sendo necessários.
Emmeline baixou a cabeça, ela continuava parecendo aflita, mas agora estava silenciosa. William respirou fundo e recomeçou.
- O escritório de Pilkersen, as salas de Brown e Darsen, toda ala foram engolidas pelas paredes da caverna. O feitiço de expansão do lugar veio abaixo como todos os encantamentos do prédio, tudo o que vimos foi uma enorme pilha de mobília e restos de construção.
- Como boa parte do quinto andar? – Voluntario Lupin.
Acenando com a cabeça Bill continuou.
- Isso. Mas isso foi só o começo, eu e Shack retiramos os escombros e encontramos o primeiro problema, não havia porta para as cavernas. Nem porta nem túnel. Era como se o túnel nunca tivesse sido escavado.
Os adultos da mesa trocaram olhares inquisitivos, mas ninguém parecia ter uma resposta. Harry e os demais não sabiam que conclusão tirar disso.
- Bom, depois de procurarmos por sinais de desabamento eu usei um dos feitiços que eu aprendi no Egito. É uma magia usada para encontrar espaços vazios no meio de pedras e areia. Para encontrar câmaras ou cavernas, sabe? Para achar tumbas e tudo mais, entende? Bom, o que eu vi eram quase quinze metros de rocha sólida até a câmara mais próxima.
Com isso Moody franziu o rosto e encarou Bill com ainda mais interesse.
- Era como se a passagem que leva os túneis até a caverna onde está localizado o ministério nunca tivesse sido escavada! Bom, depois que a gente silenciou a sala, começamos a abrir caminho através da rocha. Deu uma trabalheira danada, mas não demoramos mais que uma hora.
Tomando fôlego o ruivo parou um momento decidindo o que ia dizer. Ninguém o interrompeu desta vez.
- Quando terminamos de explodir o caminho até os túneis começamos a andar por lá. É escuro, é estreito e liso. Várias partes estão cheias de água e é tortuoso para burro. Andamos um bom bocado quando Shack comentou que havia algo de errado. Segundo ele deveríamos estar andando pela mina e não por túneis escavados pela água. Deveria haver escoras, sinais de escavação e talvez até mesmo trilhos para os carrinhos que levavam o material escavado para cima. Mas não havia nada disso, somente túneis naturais escavados pela passagem de água. Estreitos, escorregadios e irregulares.
- Mas com isso é possível? – Tonks deu voz às dúvidas do restante das pessoas a mesa.
- Bom, não devia ser possível. Não havia sinal de mágica ter sido feita na região. Não havia marcas de que uma picareta tenha escavado algo ali. Não havia marcas humanas de forma alguma. Como se ninguém jamais tivesse passado por ali.
O silêncio que se seguiu foi tenso. Até mesmo Harry e os demais adolescentes podiam entender que algo de muito errado havia acontecido. Algo muito mais sério do que eles haviam imaginado anteriormente. Bill obviamente devia gostar de drama, pois prolongou o silêncio por mais alguns segundos antes de continuar.
- Continuamos tentando achar nosso caminho para a superfície. Mas os túneis são incrivelmente confusos. Eles dão voltas e mais voltas e estávamos completamente perdidos em pouco mais do que uma hora. Não tinha jeito de encontrarmos o caminho de volta. Também não chegamos à superfície. Por fim, começamos a ficar preocupados e resolvemos tentar aparatar.
- E vocês conseguiram? – Lupin perguntou ansioso.
- A princípio não. Não conseguimos ir a nenhum lugar conhecido. Mas então tentamos voltar. Foi aí que conseguimos.
- Vocês não puderam sair, mas puderam voltar para cá? Nunca vi uma proteção anti-aparatação que funcionasse assim! Não sabia que era possível. – Hestia Jones comentou boquiaberta.
- E até onde sei, não é. É como falei, a proteção não existia mais. Poderíamos ter aparatado o tempo todo, mas acontece que estávamos fazendo errado.
- Agora você vai ter que se explicar garoto. Eu já aparatava quando seu pai ainda nem tinha entrado em Hogwarts! – Alastor Moody parecia mais do que um pouco ofendido pelo comentário do ruivo.
- Não é isso. Acontece que quando você aparata você vai para um lugar conhecido ou que você esteja vendo, certo? Você não pode aparatar para um lugar que você nunca esteve. O lugar exato não importa certo, você apenas tem que conhecer o lugar. Certo?
- Sim, isso mesmo, Concentração, visualização... – Lupin continuou, ainda sem entender.
- Isso! Visualização. Mas não adianta nada visualizar um lugar que não existe! Você não poderia ir para o St. Mungos se ele não existisse!
- Você não está dizendo que... – E com isso Hestia Jones arregalou os olhos. - Você não está dizendo que alguém destruiu St. Mungos, Hogsmead, o Beco diagonal e até mesmo a toca! Isso não é possível!
- Não é isso. Eu não falei que eles foram destruídos. Eu falei que eles não existem, pelo menos não ainda.
Quando todos continuaram mudos olhando-o com incredulidade ele suspirou e prosseguiu.
- Bom, quando estávamos de volta ao ministério Shacklebolt comentou que os túneis que tínhamos percorrido nunca haviam sido escavados. Ele olhou para mim e perguntou qual o lugar mais antigo para o qual eu poderia aparatar. Tinha que ser muito, mas muito, antigo. E então eu respondi a primeira coisa que veio a minha cabeça. O lugar que me inspirou a estudar runas e por fim perseguir uma carreira de cancelador de maldições: Stonehenge. Quando eu falei do círculo de pedras ele então acenou com a cabeça e em seguida desaparatou.
Remus Lupin empalideceu imediatamente. A maioria dos demais pareceu confusa e aparentemente não compreenderam a gravidade da informação.
- E o que você fez? – O lobisomem pareceu hesitar ao formular a pergunta.
- Eu também tentei ir para Stonehenge...
- E conseguiu? – Novamente Lupin perguntou, engolindo em seco.
- Sim.
- Quando? – Lupin soltou o restante do ar que estava prendendo nos pulmões e esparramou-se na cadeira com uma expressão desconsolada.
Incapaz de esperar mais, Emmeline Vance interrompe nervosa e quase em pânico.
- Do que vocês estão falando agora? O que Stonehenge tem de tão especial? Por que vocês não podem simplesmente dizer o que está acontecendo? Responda-me Bill! O que diabos está acontecendo?
Surpreendido pela atitude da colega o mais velho dos irmãos Weasley simplesmente a observou boquiaberto.
- Stonehenge tem cerca de cinco mil anos de idade. É uma, senão a mais, velha construção da Grã-Bretanha. Achei que com o que Bill já disse ficou claro qual a nossa situação atual é. A pergunta agora é: quando.
Bill balançou a cabeça concordando, Olho-tonto olhou para os dois sem esboçar reação, os demais ficaram encarando a dupla sem entender o que estava acontecendo. Quando percebeu que ninguém tinha entendido nada e que ele teria de continuar com a história, Weasley continuou a falar.
- Bom, eu fui atrás de Shack. Minha aparatação funcionou perfeitamente. Eu cheguei ao meio de Stonehenge como deveria. Como já disse não estávamos confinados por nenhuma barreira de contenção. Quando cheguei lá achei que estava tudo bem, tudo parecia como eu me lembrava. As pedras estavam exatamente no mesmo lugar, mas a região ao redor estava diferente. Havia mais árvores e a barreira que os trouxas colocaram ao redor, para manter os turistas longes, não existiam. O lugar parecia abandonado, deserto, como na época dos druidas.
Todos continuaram em silêncio, alguns arregalaram os olhos em compreensão, mas muitos permaneceram ignorantes do que se passava.
- Eu e Shack aparatamos para o topo de um morro. Dali fomos para um vale e depois para outro morro. Tudo no alcance de nossa vista. As árvores eram enormes e assustadoras. Era como se tudo aquilo fosse parte de florestas ancestrais, não muito diferentes da floresta proibida de Hogwarts. De cima desse segundo morro, a margem de um riacho vimos uma cidade. Talvez cidade seja um exagero, era mais uma vila com nem uma centena de casas.
Todos se entreolharam preocupados. Moody continuou encarando Bill com seu único olho, o que ele pensava atrás de sua expressão impassiva era um mistério para todos os presentes.
- Shacklebolt e eu nos aproximamos da vila. Havia uma paliçada de estacas, cavalos pelas ruas, não havia calçamento de qualquer tipo. Era... Estranho. Shack disse que era o que era uma típica vila bretã. Algo da época após os romanos saírem da ilha. Qualquer coisa entre o século III ou X.
Os olhos de Tonks se arregalaram e ela falou num sussurro entre os lábios.
- Os vira-tempo no departamento dos mistérios...
A isso Bill acenou, completando.
- Shack também acha que os vira-tempo quebrados tem alguma coisa a ver com isso.
Nisso Emmeline Vance começa a chorar e cobre o rosto com as mãos. Hestia Jones passa o braço por sobre os ombros da amiga e a traz para junto do corpo num abraço apertado. Balançando a cabeça de forma negativa, como quem não acredita em algo, Lupin pensa em voz alta.
- Mas isso não pode ser possível. Vira-tempos não funcionam assim. Por mais que eles tenham quebrado, eles nunca agiriam dessa forma. Isso é impossível.
Dando de ombros, William Weasley responde.
- Shack foi investigar melhor em que período estamos... É isso aí gente, por mais improvável que possa parecer, acho que de alguma forma nós voltamos no tempo.
Horas depois da explicação de Bill, ninguém parecia estar completamente convencido. Todos aguardavam o auror Michael Shacklebolt voltar com mais informações para realmente decidir o que fazer.
Os jovens foram visitar Hermione e Ron, mas ambos continuavam inconscientes. Ou melhor, Ron continuava. A garota havia acordado neste ínterim, mas a dor das queimaduras fora tão forte que Hestia Jones havia decidido mantê-la desacordada até poderem fazer algo a respeito. Mas para isso precisariam de poções e ungüentos.
Harry e os demais jovens então se voluntariaram para começar o lento e, aparentemente, infindável tarefa de reparar e organizar a biblioteca do ministério. Os quatro trabalhavam constantemente e sem muita conversa nas pilhas de papéis atulhadas pelos corredores dos andares superiores. Emmeline Vance estava com eles desde o começo, depois se juntaram ao grupo Remus Lupin e Nynphadora Tonks.
O grupo fez progresso, lentamente retirando os livros individualmente, reparando-os e estocando-os numa sala expandida pela Srta. Vance especificamente para isso. Mas a tarefa a frente deles era gigantesca. Livros de ficção, história do ministério, documentos legais e periódicos formavam a maior parte do que era recuperado. Relatórios, atas de reuniões e material de apresentações somavam uma grande fração do resto. Livros úteis, sobre magia ou poções, eram raridades e até agora nenhum dos encontrados encaixava-se naquilo que eles precisavam.
Contudo, horas de trabalho de um grupo motivado produziram resultado. Uma grande parte do corredor havia sido desbloqueada e a nova biblioteca do ministério agora era composta por três enormes estantes abarrotadas de livros.
Foi durante uma pausa para refeição, quando estavam todos aglomerados nas ruínas do que fora a cafeteria, que enfim eles foram novamente convocados ao átrio para mais uma reunião. Shacklebolt havia voltado.
Quando o "grupo da biblioteca" chegou ao saguão, os demais, com exceção de Bill e Olho-tonto, já estavam esperando. Enquanto todos se acomodavam e olhavam ansiosos para o alto auror de pele de ébano, os últimos dois faltantes apareceram cochichando entre si.
Com um estranho brilho no olhar e uma atitude ansiosa nunca antes vista no auror, Shacklebolt começou a falar.
- Acho que vocês já sabem certo? Bill já lhes contou tudo, imagino, então vou direto ao ponto...
- Espere, espere, espere! Você não espera mesmo que nós acreditemos naquele absurdo sobre viagem no tempo e...
O que quer que Emmeline Vance tivesse a dizer perdeu-se quando ela subitamente se silenciou. Nenhuma magia havia sido pronunciada, Shacklebolt simplesmente encarou-a com um olhar gelado e uma expressão geralmente usada por um adulto austero quando se dirige a uma criança desagradável. Após cultivar alguns momentos de silêncio tenso, o auror continuou.
- Essa questão já foi discutida antes. Nós voltamos no tempo, viajamos para outro mundo ou dimensão em que tudo o mais seja similar ao nosso, mas o tempo seja diferente ou então estou desacordado e tudo isso, inclusive vocês, são criações da minha mente. De qualquer modo vamos encarar como se tudo isso fosse real. O mais importante é o que vamos fazer agora, não o que aconteceu para nos trazer aqui.
Bill Weasley aparentemente ia dizer algo, mas foi silenciado por Moody que fez sinal para que Michael continuasse.
- Repito: o aqui e agora é mais importante do que a investigação do por que estamos aqui e como fazer para voltar. Digo isso porque Dumbledore está inconsciente, querendo ou não, nós temos que tomar as decisões. Sem ele não temos ninguém com o conhecimento necessário para fazer a investigação e apurar os fatos do como e porque voltamos no tempo. Sem isso não podemos iniciar a desenvolver uma forma de voltar para onde estávamos.
Lupin abaixou a cabeça e pareceu imensamente interessado no pedaço de mesa logo a sua frente. Emelline remexeu-se no assento e foi reconfortada pela amiga Hestia. Harry foi surpreendido por um misto de suspiro/gemido vindo de Luna.
- Agora vamos às informações que eu consegui coletar. O ministério continua no mesmo lugar onde devia estar. O problema é que o lugar agora não tem exatamente as mesmas dimensões que tinha de quando viemos. A mina não foi escavada e o prédio do ministério tinha sido inteiramente construído dentro de grandes câmaras vazias das cavernas originais e acessado pelos túneis escavados. Como esses túneis ainda não foram feitos, estamos isolados aqui, apenas aparatando podemos ir lá fora. Talvez exista um túnel natural que nos leve a superfície pela entrada que eu e Bill fizemos, mas isso ainda não foi descoberto.
Recuperando o fôlego o auror continuou.
- Estamos próximos a Londres, mas não exatamente embaixo. A cidade ainda não cresceu até chegar acima de nós. Portanto temos uma pequena colina sobre nossas cabeças. Podemos pensar em construir um túnel para entrar e sair sem aparatação se for necessário e ainda assim permanecermos anônimos.
Todos pareciam um pouco aturdidos com as informações, conseqüentemente o único que esboçou uma reação, assentiu, foi William.
- Estamos no ano de nosso senhor de oitocentos e setenta e sete. Isso nos coloca no meio para o fim do século IX. A Inglaterra ainda não existe e é um aglomerado de reinos independentes, contudo, estamos no período do Rei Alfredo de Wessex. O primeiro a sonhar e a fazer algo no sentido de construir um reino anglo. Portanto na aurora da Inglaterra.
Fazendo uma pausa dramática ele saboreia o momento, obviamente apreciando o que estava dizendo.
- O que isso significaria para nós? Os bretões, o povo de Merlin e dos druidas, domina pequena parte das ilhas, geralmente as mais inacessíveis e os saxões dominam a maior parte do território. Com a chegada de invasores dinamarqueses há alguns anos toda a região está estourando de conflitos, a igreja está consolidando raízes e combatendo o paganismo dos antepassados.
Debruçando-se sobre a mesa e olhando rapidamente para todos os demais, Shacklebolt não consegue esconder a sua paixão por esse assunto em particular.
- Para os bruxos é um tempo difícil. Enquanto Alfredo sonha em formar uma Inglaterra, ao mesmo tempo ele defende uma maior presença da santa Igreja para todos. Ele é particularmente cruel com todos os Hereges e seguidores das seitas antigas. Segundo a mentalidade da época, nós somos os próprios agentes do demônio e devemos ser executados assim que formos vistos. Todos sabem de uma forma ou de outra, que a magia é real, porém a sociedade mágica como conhecemos não existe. Temos alguma famílias que compartilham segredos místicos, mas nada mais estruturado. A mais proeminente são aqueles advindos de Blackmarsh, que futuramente vão tornar-se os Black, a família mágica mais antiga e tradicional da Grã-Bretanha.
Michael Shacklebolt então se levantou e começou a gesticular, falando rapidamente.
- Beco diagonal ainda não foi criado, Hogwarts só irá ser inaugurada daqui a noventa e oito anos! As grandes famílias ainda não tem nome e são conhecidas pelas regiões de onde advém. A tradição druídica de magia Elemental e alquimia natural foi fortemente reprimida durante séculos e praticamente se perdeu a magia estruturada e moderna ainda é desconhecida, o movimento alquímico ainda não ressurgiu e quase toda a magia praticada é ritualística ou baseada em runas!
Após dar-se conta que se encontrava de pé e gesticulando energicamente, o auror se sentou respirando fundo e se acalmou um pouco.
- E essa é a nossa situação. Precisamos decidir o que fazer daqui em diante.
Os integrantes da reunião se entreolham procurando alguém que talvez tivesse uma resposta, porém todos pareciam igualmente perdidos. Do lado da ordem, Olho-tonto parecia distante, perdido em pensamentos, Lupin permanece estudando a mesa em silêncio, Bill encarava Shacklebolt, como se esperando mais informações que não vinham. Ao seu lado Tonks fitava Lupin, como se esperasse que o mesmo tivesse a solução. Hestia Jones reconfortava sua amiga Emmeline Vance que parecia incapaz de aceitar a situação.
Do lado dos adolescentes Neville parecia hesitante, como se ainda duvidasse que tudo aquilo fosse real e estivesse realmente acontecendo com ele, Luna parecia miseravelmente infeliz, olhando para o próprio colo, como se tentasse ignorar tudo que estava sendo dito, Ginny estava com olhos esbugalhados e um olhar espantado e, por debaixo da mesa segurava a mão de Harry com toda sua força, o rapaz, em contrapartida rolava a varinha na mesa, esperando os comentários que sem dúvida viriam em breve. Estranhamente o garoto de olhos verdes encontrava-se sereno, calmo e focado.
- Certo, temos que achar um jeito de voltar para casa... Este tem que ser nossa primeira providência, Dumbledore...
Antes que um hesitante Remus Lupin pudesse continuar com seu argumento ele é bruscamente cortado por Alastor Moody.
- Besteira. Dumbledore é o único entre nós que tem qualquer chance de desvendar o que aconteceu e formular uma solução. Sem eles estamos aqui para ficar. Não podemos nos focar em estudar a teoria por trás do que aconteceu. Esse tipo de conhecimento demora anos para ser conseguido. Temos que focar no aqui e agora.
- Bom, não podemos simplesmente desistir! Nós temos que achar uma solução...
Antes que Bill pudesse continuar com seu argumento, novamente o ex-auror cortou-o.
- Não é disto que estou falando William. Estou falando de amanhã assim que nascer o sol, não amanhã futuro... Temos problemas imediatos que requerem soluções imediatas.
A atitude prática e direta do veterano parece acordar um pouco os demais. Lidar com crises imediatas era infinitamente mais fácil do que imaginar uma solução para o impasse em que se encontravam. Foi Tonks quem tomou a iniciativa.
- O.K. Podemos ficar no ministério por enquanto. Não seremos acomodados e com um pouco de trabalho podemos reativar a estrutura básica. Emmeline realiza encantamento em construções profissionalmente. Com a ajuda dela podemos reativar os banheiros e utilidades. Podemos refazer a iluminação e os feitiços climatizantes. Dessa forma vamos ficar abrigados e ter um mínimo de conforto pelo tempo que for preciso.
Concordando com a cabeça, Lupin completou o raciocínio.
- Podemos cavar um túnel na parte superior... Com algumas proteções na parte externa da colina podemos ter uma entrada funcional com apenas algumas alterações nos encantamentos de movimentação do elevador.
Vance pareceu despertar do estado de pânico em que se encontrava.
- Isso é fácil de fazer. Reconstruir todo o ministério requereria meses de trabalho de todas as equipes da companhia onde trabalho. Mas um andar pode ser convertido em algumas semanas. Mesmo se eu tiver de trabalhar sozinha...
Hestia Jones esfregou os olhos, limpando as lágrimas com um lenço antes de começar a falar.
- Temos que procurar comida com urgência. A lanchonete não tem tanta comida para nos sustentar por mais do que alguns dias. Tudo que eles tem são os lanches que estavam em exposição. Tudo que estava na despensa foi perdido quando os feitiços de expansão desabaram.
A isso Bill Weasley assobiou baixinho antes de continuar.
- Isso pode ser um problema. Não é como se pudéssemos simplesmente chegar e comprar o que precisamos. Quanto menos interação tivermos com as pessoas dessa época, melhor... Bom, nós temos hum... Quatorze, pessoas conosco. É bastante gente e...
- Nós temos vinte e cinco. – Olho tonto interrompe o ruivo abruptamente. – Temos onze dos comensais da morte nas celas de detenção. Eles também comem e bebem. Somos nós quatorze mais os onze presos. Somos vinte e cinco.
As demais se entreolharam e Harry resolveu finalmente se manifestar.
- Mas NÓS é que teremos que alimentar eles? Eles estavam tentando nos matar e agora nós temos que dar COMIDA para eles?
O velho auror aposentado encarou o jovem e disse em um tom neutro.
- O que você sugere que façamos então? Quer solta-los? Matá-los? – Perante a inabilidade do rapaz em gerar qualquer tipo de resposta satisfatória, o homem continuou. – Não temos alternativa senão mantê-los trancafiados. Eles são terrivelmente perigosos se estiverem soltos e não somos cruéis o bastante para dar cabo deles. Sinceramente eu preferiria dar a cada um deles uma dose de poção do homem morto e deixá-los em um armário até acharmos uma solução para a situação deles, mas precisamos das instruções para fazer o elixir.
Nisso, Lupin retrucou.
- Não só as instruções. Precisamos de ingredientes. Estive tentando fazer algumas poções contra a dor, ou poções revigorantes, mas os ingredientes são básicos demais. O mestre de poções do ministério devia ter sido no mínimo medíocre porque tudo que ele guarda são ingredientes para as poções mais simples. Ele tinha um grande quantidade de poções compradas no estoque, mas elas, assim como os encantamentos no prédio, se desmancharam. Não possuem mais qualquer utilidade. Portanto, assim que encontrarmos os livros necessários teremos de arranjar ingredientes frescos para o preparo das poções para ajudar Dumbledore, Hermione e Ronald.
Todos pararam para refletir no que foi dito. Os pequenos problemas agora já não pareciam tão pequenos. De súbito Shacklebolt soltou um suspiro e comentou.
- Bom pelo menos não temos que nos preocupar com Você-sabe-quem. Falta uns mil anos para ele nascer...
Harry arregalou os olhos e começou a falar com uma voz não muito firme.
- Ehh... Eu esqueci de falar para vocês... Mas... Hum... Voldemort voltou conosco ao passado. Ele desaparatou pouco depois que acordei, e levou Belatrix com ele.
