No restaurante – parte 1

Embora Hogsmead não fosse Londres, era grande o suficiente para abrigar dois ótimos jornais. Assim, era natural e lógico que uma das professoras de Hogwarts (a única universidade decente ali) dirigisse Ravenclaw. Pelo menos não era Trelawney.

Dito isso, não havia ninguém que conseguia assustá-lo mais do que sua chefe, nem mesmo sua mãe. Mesmo assim, James, às vezes, arriscava a própria vida ao brincar com ela, sendo que Sirius era ainda mais corajoso (ou imprudente) do que ele. A mulher tinha sido professora dos dois por três longos anos, o que implicava em um nível de familiaridade que ela, honestamente, não gostava muito.

Trabalhar em um jornal, assim como qualquer outra profissão, tinha vantagens e desvantagens, ter Sirius ali conseguia ser ambas. Agora, por exemplo, James queria matá-lo porque tinha certeza de que Sirius havia sequestrado suas canetas.

– Devolva.

– Prove que fui eu.

Eles estavam sentados lado a lado, pernas jogadas sobre a mesa de James. Macgonagal, obviamente, não estava ali.

– Só há nós dois aqui. Me devolva.

– Ai, ai...

Os dois se voltaram, ao mesmo tempo, para o dono de tais lamúrias. Era Longbotton; o que era estranho porque o homem nunca, nunca, ficava deprimido.

– Frank! – Sirius latiu – quem atropelou seu cachorro?

Era todo o incentivo que Longbotton precisava para se aproximar. Não que James não gostasse dele, eram bons colegas, apenas quando o assunto era botânica que a coisa ficava meio sonolenta.

– Eu fiz algo horrível.

James revirou os olhos. Horrível, para Frank Longbotton, era deixar uma planta morrer, não adotar cãezinhos de rua ou matar formigas.

– Que planta você matou dessa vez? – Sirius nem tentou esconder sua diversão.

Frank balançou a cabeça, o mesmo olhar de derrota no rosto de quando ele perdeu na noite do karaokê.

– Pior do que isso... Eu e Alice, bem, hum, nós meio que...

– Transaram?

James se desligou da conversa, tentando se lembrar se ele conhecia alguma Alice que poderia deixar Frank assim. E, de fato, ele o fazia, mas ela era... Oh, meu Deus!

– A sua prima? A loira de olhos azuis?

Enquanto Frank parecia prestes a chorar, James se sentiu impressionado. Quem diria.

– Não é o fim do mundo, só basta esquecer e seguir em frente.

– Eu estou apaixonado por ela! – o rapaz soltou de chofre, sem se importar com a risada aberta de Sirius.

– Bem – James se viu dizendo sem pensar duas vezes – pelo menos ela não vai precisar mudar o sobrenome se vocês se casarem.

O comentário fez Sirius rir ainda mais, mas não trouxe nenhum conforto para Frank.

– Longbotton, esses são os misteriosos caminhos do amor. É imprevisível. Veja meu pequeno James aqui – ele bateu com força na perna do amigo – os Potter sempre conhecem suas futuras esposas da pior maneira possível.

Não, ele realmente não gostava dessa conversa ou dessa lenda absurda. Agora mais do que nunca, por motivos um pouco difusos.

– Verdade?

– Sim, veja só, o pai dele...

– Potter, Black, Longbotton! Os senhores estão fazendo uma festa? Vão trabalhar!

James nunca foi tão grato pelas aparições repentinas de Macgonagal quanto agora. Corriam boatos de que ela era uma bruxa.

– Black, o artigo sobre o Manchester está pronto?

– Sim, senhora, capitã – o idiota até fez uma continência. Foi ignorado.

– Longbotton, sobre o dos novos medicamentos...

Pobre Frank estremeceu e foi visível.

– S-sim, chefe.

A mulher assentiu, lançando seu olhar severo e interrogativo para James.

– Já está na sua mesa, Minnie.

A emoção de Macgonagal aumentou exponencialmente ao ponto de nem ralhar por causa do apelido. Ela ajeitou seus óculos de vovó, cruzando os braços sob os seios. E ainda havia o maldito gato que, pelo visto, surgiu de algum buraco de minhoca perdido no prédio.

– Nós vamos superar o Puffles, nós vamos fazê-los chorar! – o brilho em seus olhos era sádico – quero ouvir seus gritos de dor e gemidos inconformados enquanto bebo meu chá de ervas vermelhas.

Assim que ela saiu, todos os três pareciam marcados para toda a vida.

– Jesus, que mulher...

– Eu posso ouvi-lo muito bem, sr. Black!

–... Extraordinária.

James bufou e seu sorriso divertido disse tudo, ao mesmo tempo em que enxotava Longbotton para sua mesa.

– Não se preocupe, Frank. Só não faça o mesmo com as outras primas e tias.

– É – Sirius coçou o queixo com falsa seriedade – ou não vai mais sobrar família.

Longbotton sai resmungando que os dois eram horríveis, mas ele não parecia mais um cachorro chutado como antes. James considera uma vitória. E diversão. Sirius tem um olhar engraçado no rosto enquanto observa Frank se afastar.

– Eu deveria apresentá-lo para as minhas primas.

~O~

Havia um lugar em Hogsmead que eles adoravam, tudo por causa da boa cerveja, da tradição e da bartender maravilhosa e também dona do local, Madame Rosmerta. Ela era uma deusa das bebidas alcóolicas, uma mulher capaz de fazer todos os homens chorarem e voltarem para o Três Vassouras mais inúmeras vezes.

Sirius entrou na frente, abrindo a porta com força, sem se importar com o resto da clientela. Esse era Sirius Black.

– Rosmerta, eu cheguei!

James revirou os olhos, dando um ajuste na gola do seu casaco que estava começando a sufocá-lo. E sua orelha esquerda estava queimando também. Muito.

– Madame não está aqui, Black. Pare de gritar.

Um rapaz franzino, de enormes olhos castanhos, lançou um olhar venenoso para Sirius, carregando uma bandeja de bebidas. O moreno, por sua vez, sorriu com o mesmo entusiasmo.

– Johnny, meu menino! – ele o puxou para debaixo do braço – ainda espantando as garotas, huh?

Por favor, Pads, não seja um valentão. Já passamos dessa fase – dito isso, James salvou pobre menino Johnny das garras do amigo – mas, de verdade, Johnny, as meninas ainda têm medo de você?

John bufou, afastando-se dos dois e murmurando algo parecido com "idiotas estúpidos". Nenhuma novidade aí.

– Merda, preciso mijar. Vai pegar alguma mesa.

– Só vê se não demora, por favor.

Porque, James sabia, Sirius mijava à prestação. Ou ele fazia "outras" coisas, o que era melhor não ser verdade, pois, fazer isso em banheiros públicos... Nah, nojento.

Sua orelha continuava queimando, ainda mais até. Atrás dele, duas mulheres estavam de costas e uma delas usava uma touca familiar. As vozes de ambas chegaram até ele.

– ... Não parece ser um idiota?

– Ele era bonito? Não me olhe assim, você sabe que...

– Não importa! O cara era um idiota, rude, grosseiro e tinha um cabelo ridículo!

James conhecia aquela voz, aquele tom enojado e as palavras descorteses. Seus olhos se arregalaram, um pouco incerto de como prosseguir. Não que ele estivesse com medo ou algo igualmente ridículo, o problema eram as palavras de Sirius de mais cedo. Ele não gostava delas. Com um passo para o lado, ele esbarrou em Johnny.

Foi efeito dominó. Em seguida, Johnny tropeçou e o conteúdo da bandeja que ele carregava caiu justamente em cima da louca do metrô. Foram um copo de cerveja e uma taça de sorvete. James viu, tudo muito rápido, a ruiva gritar, em surpresa, sua touca caindo ao chão.

– Credo, quem tá de TPM?

Ele ouviu a voz de Sirius ao mesmo tempo em que um par de incríveis olhos verdes se fixaram nele em reconhecimento furioso.

~O~

Eu estou de TPM. Isso ou é o fato de que fui obrigada a ouvir sertanejo o final de semana inteeeeiro! Nada contra o gênero, minha gente, mas as letras são todas iguais ou ridículas e sempre me dá tanto sono. Agora eu vou ali ouvir Metallica. Isso deve me desintoxicar ;)

KarinneS: Como você descobriu meu plano maléfico? Você deve ser uma bruxa... ;) Esse é só uma meio bobinha e muito, muito, leve. Nada de tragédias aqui. Fico feliz em ler isso! *-* Beeeejs, gata! Obrigada pelo apoio! s2