"É muito mais fácil se tornar um pai do que ser um." – Kent Nerburn

Capítulo 3

Godfathers and Good Fathers

Então Mama, isso foi o que aconteceu nesse ano fatídico. De repente eu ia me tornar uma mãe, algo que eu nunca tinha planejado e, francamente, me senti totalmente despreparada.

Eu queria isso? Eu me pergunto mesmo agora, olhando para trás. Na hora, eu estava mais assustada, mesmo que tentasse rir. Eu acho que a idéia de dor me preocupava um pouco, mas eu imaginei que estive em tantas batalhas e sobrevivi, então empurrar um bebê para fora de mim não devia ser tão mau. Eu estava com medo do futuro. Eu temia quanto esse bebê mudaria minha vida, destruiria minha carreira, e temia ser uma mãe horrível, uma dessas jovens, inexperientes mães que você escuta que acabam como delinquentes sem valor com crianças.

Parte de mim via isso como uma cortina pesada abaixando no Palco da Oportunidade. Meu papel na peça tinha acabado. A audiência de solteiros com os quais eu era livremente capaz de representar, flertar, e comer com os olhos sem culpa estava se afastando rápido. Eu logo me encontraria sozinha no palco escuro, escutando os aplausos silenciados da platéia falando "Bom show, Lucy, bom show," mas nunca um bis. Bis não eram uma opção nessa produção. Essas oportunidades estavam indo embora, e novamente eu seria uma pessoa normal, não uma atriz glamorosa, presa no mundo monótono dos bastidores da vida doméstica com meu amaranthine* coadjuvante Loke.

Isso me deixou arrepiada. Eu queria Loke como meu verdadeiro e único? Eu queria ignorar aquela multidão de animados solteirões por esse Espírito Celestial dândi? Eu estava preparada para uma vida toda com ele? Eu envelheceria, nossa criança cresceria, mas Loke nunca iria mudar, nunca parecer mais velho. Ele sempre ia dividir seu tempo entre eu e o Mundo Espiritual. E isso me deixava depressiva. Mais ainda do que o fato de me sentir totalmente mal preparada para criar uma criança. Eu digo, hey, é de mim que estamos falando! Eu não posso nem cuidar de dois garotos crescidos como Natsu e Gray...

Como... Gray...


O novo lugar de Lucy em Fairy Hills – o dormitório feminino da Fairy Tail – era maior que sua casa na cidade. Era um quarto num canto longe da entrada, lhe dando poucos vizinhos para se incomodar. Ela percebeu que isso era bom, já que se ela e Loke quisessem algum "tempo sozinhos", era melhor que toda a população feminina de Fairy Tail não os ouvissem. Ruchio de má vontade deixou Loke viver lá também, só porque Erza insistiu que ele deveria ficar com Lucy.

Lucy entrou em pânico sobre ter que pagar 100,000 Jewels por mês quando ela nem podia fazer missões, mas Erza a assegurou que isso era uma exceção. Makarov a queria a salvo, algum lugar próximo a outros magos e perto de Wendy no caso de ter complicações. Lucy sentiu-se aliviada até Erza lhe contar que seu aluguel seria posto numa conta, a qual ela poderia pagar depois no seu próprio ritmo sem interesses. Lucy tinha que agradecer Erza por conseguir para ela um acordo desse tipo, mas ela também se sentiu destruída por agora ter pelo menos 300,000 Jewels de débito, mais ainda, já que ela teria que viver na Fairy Hills depois do bebê nascer.

No decorrer daquela primeira semana, Loke nunca saiu de seu lado, ajudando a com a mudança, desempacotando caixas, ajudando-a até que não tinha mais idéias do que fazer a não ser escrever seu romance. Ela não tinha certeza de onde ele ia à noite – com certeza ele não ficaria no Mundo Humano tanto tempo – mas ele a mimava na cama até ela dormir, e ele sempre estava ocupado fazendo chá e panquecas quando ela despertava.

Chá e panquecas: as únicas coisas que ela podia reter de manhã. Isso logo se tornou um ritual: acordar, vomitar no balde do lado de sua cama, arrastar-se para o banheiro, vomitar de novo, banho, vestir-se, escovar seu cabelo, vomitar uma última vez, lavar-se, então sentar-se para tomar café da manhã com Loke. Pelo menos o chá de gengibre tinha mel suficiente para livrar-se do gosto de bile.

Neste dia, quando estavam limpando sua refeição, Loke foi até ela e colocou suas mãos sobre sua barriga. "Ou minha comida é muito boa ou o bebê realmente está se formando rápido," ele sorriu.

Ela queria bater nele por chamá-la de gorda. Quando ela virou com uma veia pulsando, viu um doce olhar em seus olhos. Mal havia uma saliência, somente o suficiente para fazer suas blusas apertadas ficarem desconfortáveis, ainda que ele olhasse para ela como se ela fosse a glória da feminilidade.

"Eu provavelmente ganharei estrias como uma bruxa velha," ela amuou.

"Com essa pele tão flexível?" ele ronronou, levando suas mãos até os braços dela. "Impossível!" Mas... isso é doloroso?"ele perguntou, parecendo genuinamente preocupado. "Está crescendo muito rápido pra você? Porlyusica disse..."

"Eu estou bem," ela riu. "Wendy tem uma pomada, e ela me examina diariamente. É embaraçoso, sério," ela admitiu timidamente. "Todos estão me mimando."

Loke a puxou mais perto e afagou seu queixo. "Este é um tempo especial para você. Você está permitida de ser tratada como uma princesa dessa vez. Mas para mim," ele ronronou, inclinando-se até seus lábios roçarem sobre os dela enquanto suas mãos examinavam as colinas macias escondidas pela blusa dela, "você sempre será... minha mestra-a-a!" Ele tinha um vislumbre predatório nos olhos. Ela sentiu-se pequena perto de um olhar tão intenso, como um rato perante um leão. "Leonita," ele ronronou com um resmungo.

Sempre que ele a chamava assim, ela imediatamente se transformava do manso rato para um ser igual o Rei das Feras. Ela o agarrou, inclinou sua cabeça e deixou que ele viesse nela com sua súplica de beijos.

Loke gemia assim que provava o gosto duradouro de xarope de bordo. Sua língua continuou se aventurando dentro da boca dela, saboreando sua doçura. Suas mãos queriam agarrar seus peitos e possuí-los, mas ele havia lido que mulheres grávidas tornam-se mais sensíveis naquela área. Ele em vez disso levou seus polegares nas pontas, dando voltas e voltas, fazendo seus mamilos endurecerem e prensar contra o fino algodão.

"Loke," ela gemeu, já respirando dificilmente.

Ele olhou para sua face desfreadamente ruborizada. "Você quer ficar aqui dentro hoje?"

Ela assentiu com a cabeça sem fôlego, então se rendeu a sua boca ansiosa.

Lucy gemia a medida que as mãos dele escorregavam por debaixo de sua blusa e agarrou seus peitos. Loke deixou sua boca e trilhou beijos abaixo de seu pescoço, então ele pode ouvir a luta da garota para manter-se quieta. Ela era tímida neste dormitório, com medo de fazer um barulho que os outros pudessem ouvir. Ele gostava de brincar com ela, tentando forçá-la a fazer um alto, inesperado grito, algo que a fizesse corar de constrangimento.

Ele moveu sua blusa mais para cima e deu em um de seus róseos mamilos uma longa e demorada lambida. Seus lábios se apertaram para abafar o grito. Ele lambeu o outro, mas assim que alcançou a ponta de sua língua, ele deu ao mamilo enrijecido uma pequena mordida, nada doloroso, apenas o suficiente para fazê-la gritar, então forçar sua boca a se fechar, gemendo tensamente para manter-se quieta. Ver sua luta o fez sorri sadicamente.

Seus hormônios fora de controle estavam enfurecidos. As lambidas de Loke pareciam mais intensas que o normal. Ela agarrou a fivela de seu cinto e puxou-o mais perto, forçando-o a parar sua torturosa brincadeira nos seus peitos sensíveis e retornar aos seus lábios. Ela moveu seus quadris contra ele até que o sentiu levantar. Ele deu um gemido suave devido a surpreendente insistência da garota. Ele a pressionou contra o balcão da cozinha, roçando-se contra ela com leves impulsos até ela arfar. Ela desceu e apalpou-o através da calça, conseguindo um gemido ainda mais alto de Loke. Ele sabia que tinha que ser gentil, mas droga, ele queria devastá-la!

Justo quando as coisas estavam quase selvagens, a porta abriu explosivamente e eles ouviram o inconfundível som metálico abafado da armadura de Erza. Lucy chiou, empurrou Loke pro lado, e puxou sua blusa para baixo. Ele afastou-se, corando de constrangimento enquanto ajustava sua calça.

"Eu vim trazendo presentes," Erza anunciou. Só então ela viu as roupas desarrumadas de Lucy e o aborrecimento de Loke. "Eu vim em má hora?"

Loke saiu para terminar de limpar a louça do café-da-manhã. "Você podia tentar bater a porta. E tire seus sapatos quando entrar!"

Erza arqueou uma sobrancelha ao ver o lado domesticado do Leão.

"Não ligue pra ele." Lucy pegou Erza pelo braço e a levou à sala de estar, deixando a limpeza para Loke.

Ela retirou um saco de presente brilhante amarrado com laços azul-bebê ondulados. "Um chocalho de bebê. Eu fui ensinada que um bebê que pode chacoalhar seu chocalho bem alto crescerá para se tornar um guerreiro e nunca ter medo. Eu testei todos os chocalhos na loja. Este era o mais alto."

"É... é mesmo?" Lucy queria rir com a imagem de Erza testando chocalhos de bebê. Ela provavelmente deveria ter pedido algum tipo de desculpas pra dono da loja traumatizado.

"Eu os chacoalhei bem mesmo," Erza insistiu seriamente. "Foi caro também."

"Um chocalho?" Lucy perguntou confusa. Ela abriu o pacote e tirou o pequeno brinquedo. Não parecia diferente de um chocalho normal.

"Sim, porque eu quebrei onze chocalhos os testando. Apesar de que eu não acho que eu deveria ter pago. Eles eram obviamente de qualidade inferior."

"Quão forte você os chacoalhou?" Lucy murmurou, dando um leve agito no chocalho.

"Eu devia te alertar sobre algo," Erza disse assim que se sentou. "Quando eu estava voltando de uma missão, eu ouvi por acaso uma conversa numa taverna. Eu não peguei muito, mas ouvi "criança do Mundo Espiritual" e "vontade de Zeref". Eu devo não ter pensado em nada, exceto enquanto estava comprando e percebi que Loke é do Mundo Espiritual. Isso poderia significar o seu bebê? E o que Zeref tem a ver com isso?"

Houve um barulho da cozinha. Lucy apressou-se e descobriu que Loke soltou algumas louças e estava sentado desajeitadamente na mesa. Sua cabeça pousou em sua mão, olhos pesados, bocada parcialmente aberta devido as arfadas, face pálida e suada.

"Loke! Você está bem? Você tem estado fora por um tempo. Talvez você devesse voltar ao Mundo Espiritual e descansar."

"Eles estão atrás de você," ele respirou em pavor. "Droga, eles já estão atrás de você. A guilda estava suposta a manter isso em segredo."

"É fofoca perfeita entre os membros da guilda," Erza os alertou. "É razoável que qualquer um pudesse ter ouvido sem querer. Nós deveríamos alertar o Mestre que isso já não é mais segredo. Você também precisa de roupas novas. Essa blusa parece dolorosa."

"É confortável," Lucy encolheu os ombros...

"Compras!" Erza decidiu firmemente. "Além do mais, não tenho idéia de como provar roupas de bebê. Você terá que me mostrar."

"Você nãos as prova. Você só compra o que é fofo," Lucy disse suspirando.

"Eu não sei o que é fofo para bebês. Eu admito, eu... eu não sei nada sobre bebês." A guerreira corou ao admitir tal fraqueza. "Eu sou uma mulher, você acharia que eu sei, mas não é exatamente algum instinto que você nasce com. É vergonhoso, não é?"

Lucy sentiu-se triste por quão embaraçada Erza parecia. "Nem pensar, nem pensar" Tudo bem, nós vamos ia às compras. Eu posso te mostrar um pouco, embora," ela riu, "eu não saiba muito também. Eu poderia caminhar. Meus pés incham se eu não me mantenho em movimento." Ela checou Loke de novo. "Seriamente," ela sussurrou para ele, "Eu não posso te ajudar se você é teimoso desse jeito. Vá embora e descanse. Eu vou te chamar a noite quando Wendy vier para o check-up." Ela deu um pequeno beijo em Loke, então saiu com Erza.

Loke ficou onde estava e escutou Lucy e Erza saírem do dormitório. O que ele estava esperando? Ele realmente achava que uma criança tão rara nunca seria descoberta? Ele pensou que poderia manter Lucy aprisionada por nove meses... não, apenas mais setenta dias. Setenta! Um pouco mais de dois meses e o bebê estaria ali. Parecia impossível.

O melhor que ele podia fazer agora era ficar do se lado e mantê-la a salvo. Pelo menos ela estava segura com Erza. Enquanto ela estava fora, havia muito para limpar. Ele lavou a louça, cortou os vegetais para a sopa, colocou-os para ferver lentamente, e começou a ordenar as caixas de Lucy.

"Essa mulher tem muitos livros," ele suspirou. Livros eram a pior coisa para mover. Tão pesados!

No meio da organização de outra estante de livros, a porta abriu. Loke ficou tenso e virou, pronto para um inimigo, até ver um cabelo rosa e um cachecol escamoso com um pequeno gato azul seguindo-o.

"Yo!" Natsu sorriu, levantando sua mão em saudação.

"Nenhum de vocês bate?" Loke disse suspirando, relaxando a tensão de seus ombros.

"Eu tinha que me esgueirar já que é o dormitório feminino."

"A Lucy está aqui?" Happy perguntou esperançosamente.

"Ela está fora comprando com a Erza," Loke resmungou.

"Hey, há algo que eu possa fazer?" Natsu perguntou excitado.

"Já que está aqui, Lucy quer que aquele sofá fique em frente a janela."

"Yosh!" Natsu gritou. Ele facilmente ergueu o sofá sozinho, embora ele tenha batido em uma lâmpada, a qual foi salva por pouco pelo rápido movimento de Happy. Natsu abaixou o sofá com força, então se sentou nele e esticou seus braços. "Mas eu quis dizer mais que isso. Posso ajudar com o bebê? Eu sei que as finanças da Lucy são sempre um problema, então eu quero comprar algo que vocês precisem."

Loke pensou sobre isso. "Honestamente, eu não tenho certeza, mas eu acho que precisaremos de um berço, berço de vime, roupas..."

"Berço!" Natsu berrou de entusiasmo. "Eu darei a ela um berço, o mais incrível que eu puder encontrar. Afinal de contas," ele sorriu abertamente, "Eu quero ser o padrinho."

"Hun? Padrinho?"

"É, padrinhos compram coisas legais para o bebê e vão a todas as festas de aniversário, e eles usam trajes legais e sentam por ai acariciando um gato. Eu já tenho o Happy então estou na metade do caminho já."

"Aye!"

"Eu seria um padrinho bem melhor que aquele bastardo do gelo. Gray nem sequer tem um gato, e ele nunca fica com suas roupas, muito menos uma roupa legal. Então é, um berço, um incrível."

Loke riu ao ver Natsu apressar-se com Harry correndo atrás dele. Ele estava contente em ver que Lucy tinha amigos tão leais, mesmo que eles fossem handful*. Ele segurou sua cabeça, soltou umas palavras tolas, e voltou a organizar os livros. Uma hora depois, com apenas algumas caixas vazias pelo seu esforço, ouviu uma batida na porta.

"Todos eles vem quando ela está fora," Loke suspirou. "Pelo menos este bate. Entre!"

A maçaneta virou lentamente, e Gray entrou. "Desculpe, eu tive que me esgueirar já que é o dormitório feminino. Lucy está em casa?"

"Ela está com Erza."

Ele encarou Loke rigidamente, então curvou sua cabeça de vergonha. "Sobre semana passada, desculpe-me por te atacar," ele murmurou. "Eu estava fora de mim."

"Está tudo bem," Loke sorriu, acenando.

"Eu fiz isto." Ele tirou suas mãos detrás de suas costas. Era um móvel de bebê com o que pareciam jóias coloridas. "É feito de um gelo especial que não é frio para ser tocado e não derreterá. Nenhuma das extremidades é afiada, então ele não se cortará." Ele parecia muito menos entusiasmado que Natsu e simplesmente deixou o móvel num caixote. "Eu só vim para dar isso à Lucy." Ele começou a se virar para a porta.

"Gray," Loke chamou, fazendo-o parar. "Você ama a Lucy muito, não é?"

Gray olhou de volta em choque, mas ele sank* levemente. "É óbvio, huh? Não importa mais. Ela escolheu quem quer. Eu respeitarei isso. Enquanto isso a fizer feliz, eu te aceitarei e continuarei a ser amigo dela." Ele começou a se virar de novo, mas parou com uma fúria em seu rosto. "Hey, eu sei que não é da minha conta, mas... quais são seus planos agora?"

Loke inclinou sua cabeça confuso.

"Você sabe, planos!" Gray corou ao ter que dizer mais claramente. "Como, você vai... você sabe, casar com ela?"

Loke parecia verdadeiramente atordoado. "Eu não sei, honestamente. Eu pensei sobre isso, Eu sou um cavalheiro, eu sinto que devia, mas... mas eu já quebrei as regras. Casar com ela deve botar mais culpa nela mesma. Eu não sei se é seguro pra ela estar atada a mim desse jeito."

Gray pensou sobre aquilo e viu a luta na face do Leão. "É realmente difícil pra você, não é?"

Ele virou-se e agarrou a maçaneta pra sair quando algo pesado caiu atrás dele. Gray olhou para trás e viu Loke caído no chão. Ele apressou-se e viu que o Espírito tinha se tornado muitos tons mais pálido.

"Oy, o que aconteceu? Espere, eu vou trazer a Wendy."

"Não!" Loke agarrou o pulso de Gray, e o mago de gelo olhou para baixo surpreso. Loke tinha os dentes rangidos, lutando para superar a imensa agonia. "Isso não é algo... algo que Wendy possa curar," ele sibilou, arfou com dificuldade. "Ela já tentou. Apenas... apenas me ajude a chegar ao sofá."

Gray colocou-o debaixo de seus braços, puxou-o para cima, então o levantou até as almofadas do sofá. Loke não tinha forças para se mover.

"É por ficar muito tempo no Mundo Humano?" ele perguntou enquanto ajustava um travesseiro para a cabeça suada de Loke.

"Eu não voltei ao Mundo Espiritual desde que descobri sobre a gravidez de Lucy. Só faz uma semana, mas já estou sentindo os efeitos. Levou-me três meses para eu criar uma tolerância da última vez."

Gray sentou sobre seus calcanhares ao seu lado. "Mas Loke," ele sussurrou preocupadamente, "em três meses, o bebê de Lucy estará aqui."

Loke olhou de lado. "Eu sei, eu serei um grande incômodo a ela."

"Droga, você será mesmo. Ela está grávida! Ela não pode gastar sua energia mimando você. Você precisa ser forte para ela."

"Eu sei," Loke berrou. "Eu sei disso, mas... mas não da pra fazer nada." Ele ficou tenso com mais dor, respirou com dificuldade até o fim disso, até finalmente poder relaxar um pouco. "Eu estou assustado, tudo bem? Os Espíritos não disseram nada ainda. Talvez eles não saibam. Se eu retornar, eles podem descobrir. Eu estou aterrorizado que se eu retornar mesmo que por um momento, eu não serei capaz de voltar para ela. Eu não posso ter essa chance. Já que vim com minha própria magia, ela deveria ser capaz de chamar outros Espíritos..."

"Não é o ponto," Gray gritou. "Ela precisa de você." Ele parou bruscamente e abalou-se com o que acabara de dizer. Loke também olhou em choque. "Ela... precisa de você, Loke," Gray admitiu em defesa. "Você é o que mais a protege."

"Aquarius é forte."

"Aquarius iria imprudentemente machucá-la também. Taurus também é muito grosseiro. Quem ela poderia chamar que também terá certeza de que ela não está ferida? Se ela nunca estiver em perigo, ela precisa de você para ser forte."

"O que eu deveria fazer?" Loke estourou. "Retornar ao Mundo Espiritual, ter minhas chances, talvez deixá-la para sempre, possivelmente colocá-la em mais problemas? Eu não estou ficando aqui só porque estou com medo da punição." Ele suspirou e olhou de lado. "Eu continuo me perguntando, o que o Rei dos Espíritos pode fazer com a Lucy e o bebê? Se ele me punir, eu aceitarei, mas e ela? E se ele tentar puni-la?"

"Natus e eu a protegeríamos," Gray respondeu imediatamente.

Loke riu ironicamente. "Contra o Rei dos Espíritos? Eu duvido que até Mestre Makarov poderia enfrentá-lo. Ele não é um oponente humano. Ele é um Espírito, imortal, e mais poderoso do que você possa compreender. Ele viu benevolência em Lucy da última vez, mas esta... esta é séria." Este bebê, não era suposto que acontecesse de novo. Se o que aconteceu da última vez acontecer de novo, isso colocará em risco o Mundo Espiritual tanto quanto o Humano."

"Última vez?" Gray perguntou confuso.

Os olhos de Loke obscureceram-se. "Zeref. Ele era um híbrido Humano-Espírito. Não era contra as regras naquela época, mas o Espírito que gerou a criança..." Loke pausou e segurou sua cabeça em outra onda de tortura. "Ele foi punido duramente e separado de seu amor. Ele não podia ir até ela, mesmo quando ela o chamava. Ela provavelmente pensou que o bastardo fugiu, a deixou porque era um covarde. Ela estava totalmente sozinha durante toda a gravidez e criou a criança sozinha. Ele não podia deixar o Mundo Espiritual. Ele nunca viu o bebê, não até Zeref se tornar... bem, o Zeref que todos conhecemos, o maligno mago das trevas. Então, a mãe morreu, eu nem sei como. O contrato entre ela e o Espírito foi quebrado. Um novo mago possuiu a chave, e o Espírito foi chamado para lutar contra o filho que ele havia gerado... o filho que ele viu uma única vez, o dia que ele ajudou a derrotá-lo!"

Gray viu uma tristeza sombria passar pelos olhos de Loke. Levou um tempo para continuar.

"Foram precisos todos os doze Espíritos do Zodíaco, numerosos Espíritos menores, os dragões, e mais um exército de magos de proporções épicas para pará-lo," Loke relatou. "Depois, a maioria dos Espíritos Celestiais concordaram que, se algo assim acontecesse novamente, era melhor..." Ele olhou para baixo tristemente. "... era melhor... para a criança... nem vir a existir," ele sussurrou miseravelmente. Ele olhou fixamente para Gray com determinação em seus olhos sombreados. "Eu não posso deixá-los pegá-la. Eu não posso deixar aquilo acontecer de novo. Lucy... ela está tão feliz com isso," ele sorriu com suas emoções misturadas. "Eu não quero que nada faça mal a ela ou ao bebê. É por isso que tenho ficado aqui fora, porque mesmo que isso me machuque, mesmo que isso me mate, eu não vou deixar Lucy sozinha assim. Eu não vou deixar isso acontecer de novo, droga!"

Gray olhou para ele suspeitamente. "Loke... você..."

A porta da frente abriu. "Estamos em casa! Oh, oi Gray!" Lucy sorriu.

Loke sentou-se rápido, imediatamente sorrindo como se nada estivesse errado. "Bem-vinda de volta. Como foram as compras? Comprou algo fofo?"

"Mmm-hmm," Lucy acenou com a cabeça, mostrando quatro sacolas de várias lojas. "Já que eu ainda tenho um pouco de dinheiro do meu último trabalho, eu decidi comprar tudo que precisarei mais tarde, você sabe, quando eu virar uma abóbora. Novas calças e saias, blusas largas mesmo, camisolas, e um sutiã para mães amamentando, já que eu provavelmente precisarei disso também."

Erza entrou com ainda mais sacolas. "As camisolas são realmente fofas, Gray."

Ele corou e desviou o olhar. "Como se eu me importasse!"

Lucy viu o móvel colocado num caixote. "Gray, isso é para nós?"

Ele encolheu os ombros desleixadamente. "É, eu estava chateado então fiz isso."

"É lindo," Lucy admirou, segurando-o para ver as pedras brilhantes de gelo multicoloridas na luz do sol. "Parece que o bebê terá seu próprio lustre!"

"Não é muito," ele resmungou. "Há... há alguma coisa que vocês precisem? Um berço?"

"Natsu vai comprar o berço," Loke disse.

Erza sussurrou para si mesma. "Ele já está competindo pela posição de padrinho, eh?"

Gray olhou rapidamente. "O que? Competindo?" Ele pensou forte. "Um carrinho de bebê! Um bebê precisa de transporte, certo? Natsu nunca pensaria em algo assim. E um stroller*. E... e uma cadeira."

"Ele não precisará disso até sentar sozinho," Erza o informou.

"Um carrinho de bebê então. Então você e Loke podem ir passear pela cidade e empurrar o bebê por ai, mostrá-lo para outras mães, e vocês podem ir a restaurantes com o bebê, ou andar pelo rio como uma família."

Lucy estava chocada pelo quão entusiasmado ele parecia. "Gray, é realmente muito amável, pensar em nós assim."

Ele sentiu-se feliz por vê-la feliz. "É tudo que eu realmente quero, ver você sorrindo." Ele começou a sair, mas parou na porta e virou-se. "Loke," ele o chamou. "Eu acho que você vai ser realmente um bom pai. Não a deixe, tudo bem? É melhor você estar do lado dela, não importa o que."

Loke acenou com a cabeça firmemente. Ele andou até Lucy e beijou sua testa assim que ela começou a tagarelar sobre as coisas que viu na loja de bebês. Gray observou Loke um momento a mais. Como Lucy podia não perceber quão pálido ele estava? Ou ela viu, mas simplesmente evitou dizer algo que o preocupasse?

Erza observou Gray. Seus olhos se encontraram, e ela deu a ele um silencioso aceno de aprovação. Ela sabia como Gray se sentia. Ela vira o anseio na cara dele quando eles iam a missões. Era por isso que ela frequentemente tentava deixar Lucy e Gray sentarem do lado um do outro no trem. Contudo Lucy escolheu. Erza sabia que aquilo devia ter destruído Gray – ela ouviu sobre o ataque que ele fez – então vê-lo agindo maduro, ajudando-os, até mesmo encorajando-os, estava tranqüilizando-a.

Gray balançou sua cabeça. Qual era o problema? Enquanto Lucy estava feliz, ele podia estar feliz. Além disso, as coisas ocultas que Loke disse sobre Zeref o preocuparam. Ele deixou o dormitório feminino e dirigiu-se a biblioteca da guilda.


N/A: No Cantinho da Rhov! Ahhh, mas calma! Tudo que foi explicado lá, será aqui também. Bem, existem diferentes formas de falar 'carrinho de bebê'. Quando traduzi carrinho de bebê, estava escrito pram carriage. Pram carriage é um carrinho de bebê simples, onde a criança fica olhando para os pais. Stroller também é um carrinho de bebê, mas neste o bebê fica olhando para a frente, para os outros, sem olhar para os pais. Se vocês googlarem será mais fácil de entender. Não dava pra colocar carrinho de bebê duas vezes, o Gray ia parecer um estúpido porque ia parecer que era EXATAMENTE a mesma coisa, então deixei em inglês mesmo.

Também não traduzi o título do capítulo porque perderia a graça. Mas a tradução é "Padrinhos e Bons Pais"

Ajudem-me em algo pessoal, o que é amaranthine? Eu encontrei como um tipo de planta, mas não encaixaria no contexto.

Bem, demorei porque estou traduzindo Ephemeral Sakura, Eternal Love que é um prelúdio pra esta fanfic. Logo postarei, já que não há necessidade de ler esta fanfic, ambas são autônomas e Lion's Pride foi escrita antes mesmo de Ephemeral Sakura, Eternal Love. Além disso, escrevi uma one-shot(que tem 2 capítulos(?)) HitsuKarin de Bleach. Para os interessados, entrem no meu perfil para o link.

Vejo vocês no próximo capítulo! Bye bye!