Capítulo 2
A porta do quarto se abriu com grande velocidade e se chocou com a parede fazendo um grande estrondo.
Um vulto passou por ela em seguida pisando duro com muita raiva, jogou os materiais num canto qualquer do quarto e se atirou na cama ao lado da janela, cruzando as duas mãos em cima dos olhos com força.
Ele não aguentava mais toda aquela situação de estava vivendo conforme os dias da semana estavam passando.
Antes de aquela semana ter começado, as aulas se tornavam cada vez mais difíceis, uma grande parte das garotas só faltavam rasgar as roupas quando ele passava, e uma parte da Sonserina tinha um ódio tão grande por ele, desde que havia finalmente vencido o Lorde das trevas. Agora que tinha que conviver diariamente com o insuportável do Malfoy.
Passos suas mãos do rosto para os cabelos, bagunçando-os mais ainda e deu um pequeno grito de ódio se lembrando da pequena briga que havia tido com o Malfoy algumas horas atrás e de como seu velho mentor havia feito com eles.
Não conseguia acreditar que eles tinham brigado justamente na hora em que Dumbledore estava passando e na tamanha vergonha que passou em frente à escola inteira ao ter que abraçar apertadamente o loiro no meio do salão principal depois de pedir desculpas.
Porém o que mais lhe intrigava não era o motivo do seu colega de quarto estar indiferente, ou até mesmo um pouco alegre, e sim que o abraço não foi tão ruim quando achava que seria. O calor do corpo do outro havia lhe agradado tanto que ele estava com muita vontade de ficar abraçado com ele por mais tempo.
E tinha o perfume ainda. O perfume que havia sentido quando respirou pesadamente perto do pescoço do loiro no abraço. Era um cheiro tão doce e delicado, e ele havia gostado tanto.
Estava ali há algum tempo quando escutou alguns passos entrando devagar no quarto e já sabendo quem era, continuou de olhos fechados apenas prestando atenção nos seus outros sentidos.
Os passos aproximaram da cama e foi posto alguma coisa em cima do criado que ficava ao lado da cama e escutou novamente os barulhos dos passos, mas dessa vez foram apenas dois e logo em seguida sentiu que alguém sentava em sua cama.
Uma mão meia tremula retirou os cabelos que estavam espalhados pela sua testa e logo em seguida sentiu que um dedo começava suavemente percorrer os contornos de seu rosto lentamente.
O cheiro que havia sentido mais cedo penetrou novamente seu corpo e sentiu um frio percorrer sua espinha e um brando de borboletas começarem a voar em seu estomago.
O dedo ficou um pouco mais vacilante antes de tocar sobre seus lábios contornando-os e depois continuou seu caminho pelo resto da outra face e assim que terminou voltou para os seus lábios onde sentiu uma leve pressão antes daquele toque terminar.
Começava a se sentir desconfortável com toda aquela situação e estava começando a sentir seu corpo ficar estranho com a proximidade do outro corpo por perto e com aquele perfume que estava começando a deixá-lo louco.
Suspirou pesadamente e se mexeu um pouco na cama e sem querer acabou esbarrando seus corpos. Para seu alivio, ou desespero, Malfoy se levantou rapidamente e saiu apressadamente do quarto levando consigo todo aquele calor e seu delicioso perfume junto.
Abriu os olhos e viu o amigo passando pela porta determinado sem olhar para trás.
Levantou seu corpo da cama e passou mais uma vez as mãos pelos cabelos antes de ir para banheiro tomar um relaxante banho, pois estava precisando. Ainda mais depois de tudo o que ele havia sentido, mas intrigado com as ações do companheiro.
Meia hora depois ele sai do quarto usando apenas uma bermuda folgada trazendo junto sua mochila com os livros para começar a fazer as lições do dia.
Olhou em volta e o avistou sentado na cadeira da mesa perto a janela escrevendo alguma coisa concentrado. Respirou fundo e o caminhou em sua direção em silêncio.
Colocou suas coisas na mesa e deu um pulo quando o Malfoy derrubou a cadeira de susto.
- Potter, você quer me matar do coração? – Perguntou colocou a mão no coração encarando-o.
- Não... Claro que não. – Harry falou levantando rapidamente a cadeira do chão. – Não foi minha intenção. Me desculpe.
- Tudo bem...
Foi tudo o que Draco falou antes de voltar parcialmente sua atenção para o pergaminho outra vez, uma vez que seus olhos ficavam encarando ora o moreno mordendo a pena enquanto lia o livro de poções, ora as curvas dos braços, ora as curvas dos peitos firmes do moreno.
O silêncio começava a incomodar Harry, uma vez que ele não estava gostando de como toda aquela situação estava se tornando uma bola de neve descendo de uma grande montanha.
Tinha menos de três dias para conhecer a pessoa que estava em sua frente e nem ao menos havia tido uma conversa civilizada de mais de quatro frases com ele.
Parou de escrever a frase e ficou encarando o cabelo loiro caído sobre a face do loiro que escrevia de forma majestosamente sua tarefa com uma letra totalmente diferente do garrancho que estava acostumado ver com a sua e a de Rony.
- Hum... Er...
Tentou falar alguma coisa, mas quando aqueles olhos azuis acinzentados cravaram nos seus, ele se perdeu no meio do tempo apenas olhando-o. Admirando-o. Fascinado.
- Potter, você está bem?
- Na... Sim... Quer dizer, estou sim. – Nervoso, passou as mãos pelos cabelos negros e viu que o outro levantava uma sobrancelha. – Obrigado... Por ter trazido algo para eu comer.
Os lábios de Draco formaram uma pequena curva, quase imperceptível e ele falou:
- Não foi nada. Não queria arranjar problemas com Dumbledore.
- É...
E o silêncio outra vez começou a tomar conta dos dois ali sentados, mergulhados em seus próprios pensamentos.
O tempo passava e os dois continuavam sem se falar, apesar de ninguém estar concentrado o bastante para conseguir fazer suas lições.
- Chega. Não dá! – Malfoy exclamou levantando sua cabeça jogando a pena que estava em sua mão na mesa de qualquer jeito. – Não dá mais para fazer isso.
- Não é a toda. – Harry falou olhando para o loiro – Já são quase onze horas.
- Não estou falando disso. – Ele falou voltando seu olhar para fora da janela. – Estou falando dessa detenção. Do jeito que estamos fazendo, não vamos conseguir sair dela, nunca.
- Hum...
- Não sei se você já percebeu, mas nós continuamos da mesma maneira que antes. Só que sem as brigas...
- Isso já é uma grande vitória. Ou você queria que tivéssemos nos agarrando no meio dessa sala?
Harry terminou de falar e começou a ficar vermelho ao perceber o que havia falado e também ao ver que o outro tinha voltados seus olhos para si.
- Você sabe que eu não estava falando de agarrar desse jeito, mas de agarrar sem delicadeza... Quer dizer, agarrar...
Uma risada ecoou por todo o cômodo fazendo o Harry ficar mais e mais vermelho.
- Eu entendi o que você quis dizer, Harry.
- Harry? – Indagou o moreno.
- É seu nome, não é?
- Sim, é. Mas você nunca me chamou assim.
- Eu não quero passar minhas férias aqui. – Falou dando ombros – E se para isso vou fazer o impossível para que isso não ocorra.
- O começo das minhas férias é um horror de todo jeito mesmo, então seria até que bom passar aqui. Aqui é como se fosse minha casa, sabe.
- Você está dizendo que passar as férias comigo vai ser ruim?
Malfoy perguntou temendo um pouco a resposta que teria, uma vez que para ele passar as férias junto ao moreno não seria um grande sacrifício. Pelo menos não tão grande quanto estava passado agora para não pular a mesa a agarrá-lo ali naquela lugar.
- E você não acha isso, Malfoy?
- Claro que sim. – Respondeu o contrário do que gostaria. – E é Draco.
- Draco?
- Você é lerdo assim mesmo ou é sono?
- Eu não estou com sono e não sou lerdo! – Exclamou indignado. – É você que não fala coisa com coisa.
- Só queria que você me chamasse pelo meu nome. Bem... Só falta mais dois dias para terminar as aulas.
Harry permaneceu em silêncio apenas acenando afirmativamente com a cabeça pensando.
Um barulho despertou os dois de seus pensamentos que se levantaram levantando a varinha na direção de onde o som veio.
- Dobby, o que você faz aqui? – Harry perguntou baixando a varinha.
- Jovem Potter, Sr. Malfoy, Dumbledore pediu que eu os avisasse que ele quer ver os senhores amanhã à noite na sala dele. Ele disse que gosta muito de Torta de Limão.
- Obrigado Dobby. – Harry falou sorrindo para o amigo. – A propósito, tem como você trazer um pouco de suco de abóbora bem gelado para a gente?
- Será um prazer. – o elfo falou fazendo uma pequena reverencia – Já trago o suco e também trarei alguns bolinhos para vocês.
E assim ele sumiu deixando apenas os dois novamente sozinhos na sala.
- Torta de limão? – Perguntou Draco se sentando no sofá. – Que é que me importa se ele gosta de torta de limão?
- É a senha, seu demente. – Harry falou sentando no sofá que fica mais próximo da lareira – Depois eu que sou lerdo.
- Olha como é que você fala comigo, hein.
Draco falou tacando uma almofada em Harry que acertou em cheio, mas que também recebeu outra na cara em quanto ria gargalhava da situação.
N/A: Sei que falei que neste seria o baile, mas acabei mudando. No próximo capítulo já vem o baile; dessa vez para valer. Kkkkk
Espero que tenham gostado e... Puxa! Esse capítulo ficou grande, não?
