Situação: Em andamento.

Disclaimers: Card Captor Sakura pertence à CLAMP, Kodansha, Nakayoshi, Movic, Nelvana, e Mixxine. Fora Oni Hanajima e Linka Seikun, os seguintes personagens são de seus respectivos autores: Ayaki Ceres (Mizu Katanabe), Yuki Amazao (Yuki), Minako Naoe (Pandora Amamiya), Yuki Kurokami (Darkrose), Haru Shinsetsu (Ludi-chan), Mawashi Kaeru (Angel), Akira Shinomori (Zero X), Rine Otori (Ágata) e Nami Kami (Akane Kittsune).

Gênero: Ação/Aventura, Romance, Drama.

Avisos: Saga, OC.

OKAERINASAI
(Bem-Vindo de Volta)

Petit Ange

Cheio de esperança, coberto de ilusão em uma triste escuridão que não conseguia compreender, tem tampouco estar ali. Era difícil recordar de tudo que acontecera, mas com o tempo, aquilo ia mudando. Acho que já chegaram a esquecerem-se, mas a pergunta era: "Havia tudo desaparecido realmente? Ou tudo era uma mentira?".

Talvez isso estivesse muito escondido nos corações de todos, mas seria melhor se isso permanecesse daquele jeito, porque todos tinham medo daquelas recordações, as pessoas já não eram mais as mesmas, já não demonstravam mais seus sentimentos livremente. Mas, seriam esses os pensamentos transmitidos a alguém especial? Ou não? Como saber, se tinham medo de confessar tudo e que tudo mudou mais do que precisava mudar?

As coisas mudaram tanto que era como se nada quisesse superar o que havia passado, como se fosse um segredo que ninguém podia saber, mas ainda recordo que existia esperança naquela bela jovem de olhos verde-esmeraldas, que via um mundo, não como os demais viam. Um mundo que só ela conhecia e sentia... Mas como pode ser que uma simples jovenzinha que alegrava a tantas pessoas com uma enorme tristeza, uma tristeza que ela ocultava. Alegrava os demais e esquecia de si mesma.

As pessoas comentavam como ficara linda com o tempo, e alguns poucos diziam que ela tinha um poder impressionante para tão poucos 16 anos, mas com o passar do tempo, talvez isso mudaria...

Capítulo III: Chuva Púrpura.

Residência Kinomoto – Tomoeda.

Sakura remexia-se nas cobertas. Todos aqueles acontecimentos anormais martelavam em sua cabeça. Primeiro, uma presença estranha, segundo, um pássaro negro, terceiro, o resultado do jogo das cartas. Virou-se, e encarou a escrivaninha. Kero dormia a sono solto em sua gaveta.

Tentou fechar os olhos. Suspirou. Pensou em se acalmar e, se não dormisse logo, perderia a hora amanhã. Tentou pensar em coisas agradáveis, como... Shaoran, por exemplo. Não, não, mais uma preocupação não. Talvez a aula. Foi alternando pensamentos desagradáveis e agradáveis que, algum tempo depois, finalmente conseguiu pegar no sono.

E então...

Mal dormira e viu-se em uma sala. Velha e escura. Cheirava a mofo. Não, não era uma sala. Era uma biblioteca. Muito parecida com a de seu pai, no sótão. Eram livros velhos... Não conseguia ler o que estava escrito. Uma língua estranha... Seria latim? Haviam apenas trêmulas luzes de velas para acalmar a escuridão do ambiente. E um silêncio de dar medo.

"Q-que..." – tentou formular um pensamento, mas sua tentativa esbarrou-se em um outro som que não era o silêncio ou o crepitar das velas.

Virou-se totalmente e deu de cara com uma cena. Uma mulher. Aliás, uma bela mulher. Estava seminua e arfava cansadamente. Seus cabelos loiros e longos caíam pelas costas e ombros nus, algumas mechas encostando no chão onde estava ajoelhada. Sakura não conseguia ver seu rosto, estava coberto pelos cabelos. Mas seu arfar era um som doloroso e cansado.

Ela notou que a mulher segurava algo entre as mãos. Uma folha de papel velho. Segurava aquele papel com toda a força daquele corpo trêmulo. Aquela cena, não sabia explicar o que era, deu-lhe um medo que paralisou qualquer uma de suas ações. Quando, depois de um certo tempo, finalmente conseguiu dar um passo para trás, então a cabeça da mulher virou-se. Para sua direção. Virou-se e, por entre algumas brechas do cabelo loiro em seu rosto, Sakura pôde ver um olho azul, fixado de forma anormal em sua direção. Um olhar monstruoso, algo que lhe parou a circulação.

Contendo um grito, a card captor acorda num sobressalto de seu sono turbulento. Ficou olhando ao redor, reconhecendo o recanto seguro que era seu quarto. Colocou a mão sobre o peito, aliviada.

"Ah... Foi só um sonho..." – murmurou com a voz trêmula.

------# III #------

Residência de Ayaki Ceres – Tomoeda.

Quem se atreveria a quebrar um silêncio tão concentrado como o deles? Um silêncio que quebrava qualquer barreira que pudessem conhecer de comunicação visual. Um silêncio sepulcral, onde somente suspiros e a respiração descompassada de cada um ali presente era ouvida. Mas tudo acaba algum dia. E aquele silêncio não seria uma exceção, muito menos ele.

"E então? Todos prontos?" – a frente de Ayaki, as três cartas rosadas estavam dispostas lado a lado.

"Sem problemas." – alguns disseram. – "Claro, vamos lá!" – outros preferiram dizer. Mas todos queriam dizer a mesma coisa: que era hora de iniciar.

"Ei, Infrite, desde quando você é a líder?" – perguntou a aparentemente mais jovem. – "Na teoria, quem é nosso líder na falta dela é Saitan. Equem ajuda é a Eblis."

"Eu sei, mas a Rine é completamente sem comentários e o Nami tá em parafuso!" – apontou para o professor de cabelos prateados. – "Ele não saberia conduzir isso decentemente sem começar a gritar o nome dela aos sete cantos!"

"Não, eu não sou não, Infrite!" – grita ela alterada, mas logo contenta-se em calar-se e fica quieta, remoendo aquela 'ofensa' da outra.

"Ora, Infrite, respeite-me!" – falou ele, um tanto sem-graça.

"Foi uma brincadeira, Nami. Senta aí e relaxa, vai..." – ela aponta o lugar onde outrora ele estivera sentado, e se levantou bruscamente ao ser acusado. Sem escolha, ele volta a sentar-se. – "Então... Temos que dar as mãos e unir energias." – Ayaki estende suas mãos para as duas pessoas ao seu lado, Oni na direita e Yuki na esquerda.

"Nada contra, mas... Que cena mais... Gay..." – Oni suspira, dando a mão aos que estavam ao seu lado.

"Cale-se, Aliocer!" – fala Minako, alterada. – "Leve pelo menos isso com um mínimo de seriedade e vamos trabalhar. Quanto mais cedo acabarmos, mais cedo ela aparecerá."

"Esse sermão é pra Infrite, não pra mim. Eu sou responsável..." – devolve a outra.

"Ah sim, muito responsável." – o tom de Yuki foi sarcástico.

"Cê tá me tirando, é!" – Oni altera-se, olhando ameaçadora para a outra, que devolve o olhar na mesma medida. E ficam se encarando.

"Parem as duas!" – anuncia uma voz masculina. Akira olhou para as duas garotas com um olhar de pura reprovação. – "Deveriam estar cooperando assim como todos os outros, e não discutindo entre si. Isso não irá ajudar em nada, sejam responsáveis e façam algo que preste."

"Obrigada, Asmodeu. Cê disse tudo." – suspira Ayaki.

------# III #------

Residência Kinomoto – Tomoeda.

Será que estava sonhando outra vez?

O cenário, desta vez, era o parque de Tomoeda. Onde será que estavam os brinquedos? Não, aquela parte parecia ser a área da pequena ponte. Pétalas de cerejeira, rosadas e delicadas, caíam suavemente no chão, e pareciam tornarem-se ondas que uma folha faz ao cair na água quando tocavam o chão. Um lindo cenário, porém, Sakura não sentia-se bem.

Parecia haver alguém em sua frente. Ela não conseguia saber direito quem era, mas sentia uma forte magia e uma voz suave chamando-a para algum lugar. Sua mente enevoou-se, ela só ouvia aquela voz. Uma voz feminina e bela... Linda. Quem a chamava? O que queria?

"Vem... Vem..." – era tudo que aquela voz dizia, e ecoava por todos os lados.

Sakura obedeceu-a e sem saber direito o que fazia, caminhava para frente. Então, num repente, uma luz ofuscante lhe bloqueou a visão momentaneamente. Protegeu os olhos com os braços. Quando a luz finalmente cessou, a garota viu a sua frente três cartas. As cartas Sakura roubadas.

"As... Cartas...?" – balbuciou. Não conseguia pensar direito. Parecia entorpecida.

"Toque... Toque nelas... Toque..." – a gentil voz começou a falar outra vez, instigando-a a invocar as três cartas. As mesmas brilhavam lindamente, parecendo ainda mais convidativas.

Sem conseguir resistir, Sakura começou a caminhar em direção a elas.

"Chave que guarda o poder da minha estrela, mostre seus verdadeiros poderes sobre nós, e ofereça-os à valente Sakura que aceitou esta missão... Liberte-se!" – em meio à outra rápida luz, o báculo rosa aparece e cai nas mãos da dona.

"Sim... Toque-as... Toque..." – a voz parecia ansiosa e aquele eco era ainda mais vigoroso.

"Criação! Tempo! Sono!" – proferiu o nome das três cartas que perdera, e então invocou-as. No momento seguinte, seu corpo pareceu pesar, e um incrível torpor invadiu cada um de seus poros. Não agüentou-se em pé. Caiu no chão do parque, completamente adormecida.

Flutuando acima da card captor, as três cartas invocadas brilhavam com mais vigor agora.

------# III #------

Residência Li – Hong Kong.

O tempo passara, mas aquela casa não mudou absolutamente nada. Somente as pessoas que ali moravam. Mas sim, isso era de se esperar. O som dos pássaros cantando e pousando nas árvores próximas trazia paz àquelas almas que nunca podiam descansar.

No pátio onde uma vasta grama e árvores grandiosas cresciam, um rapaz treinava. Os cabelos revoltos e suados eram castanhos, e seus olhos âmbar eram determinados, corajosos. Shaoran Li crescera, não era mais um pequeno lobo. Agora, era um rapaz de porte atlético e coração gentil, um lindo rapaz. Submetido aos duros treinamentos, seu corpo desenvolvera-se, tornara-se esculpido. Estava vestido com a tradicional roupa dos treinamentos de sua casa.

"Muito bem, Shaoran! Esplêndido!" – aplaudiu sua prima Meiling Li, que o assistia com animação, quando ele acabou de executar com maestria um movimento mágico. O tempo fora generoso com ela, e tornara-se uma linda moça também. – "Como sempre, você foi ótimo!" – sorria.

"Obrigado, Meiling..." – suspirou ele, cansado. O corpo suava. – "Desde quando você está aqui?"

"Não faz muito, não. Mas ao vê-lo praticando, achei melhor não te incomodar. Quis deixá-lo terminar antes de transmitir o recado que pediram para deixar." – sorriu, entregando-lhe uma toalha azul. – "Tome, seque este suor... Está quente hoje."

"Muito." – ele falou, secando os cabelos e a pele umedecidos com aquela toalha. – "Mas... Se pediram para você me dar um recado... Qual é ele?"

"Shaoran, sua mãe quer vê-lo." – ela falou, e seu tom ficou sério. Seu rosto parou de sorrir, e contorceu-se numa expressão séria e preocupada. – "Ela disse que... É muito urgente..."

Shaoran olhou o rosto preocupado da prima. Com a adolescência, veio a maturidade, e Meiling já não o procurava como noivo. Já havia desistido há tempos daquilo. Apenas via-o como um querido primo e um parente inestimável, e lhe prezava a segurança. Quando Yelan Li queria falar com o filho, nunca costumava ser um bom assunto. E aquilo a assustava.

O rapaz sorriu ao constatar que ela preocupava-se com ele. Sentiu-se feliz com aquilo. Não soube porquê, mas de alguma forma, seu pensamento parou em Sakura.

"Não se preocupe, Meiling." – sorriu, e acariciou os cabelos da jovem. – "Eu já volto para continuar o treino. Aí, você me faz companhia?"

"Sim! Eu farei!" – com animação, a garota riu.

Com passos apressados, o rapaz entrou na casa e andou automaticamente até a porta onde, do outro lado, encontraria a mãe. Já conhecia o caminho, sabia-o sem nem precisar pensar. Aquilo, de alguma forma, até o entediava. Por ter andado rápido, chegou igualmente rápido lá e abriu a porta.

"Mamãe..." – chamou-a. – "Queria falar comigo?"

"Sim, Shaoran. Aproxime-se." – Yelan Li, com sua voz discreta e costumeira, recebeu-o. 1 – "Entre e feche a porta. É um assunto delicado e preciso falar a sós com você."

"Que deseja, mamãe?" – perguntou ele.

"Hoje, mais pela manhã, recebi um telefonema. Era Eriol Hiragizawa." – declarou.

"O... O que ele queria?" – claro que Shaoran ficou um pouco desconcertado com aquela notícia. O que a própria reencarnação do mago Clow iria querer ali?

"Shaoran... Diga-me... Você não sentiu uma estranha concentração de energia estranha, vinda de longe?"

"Não, mamãe. Nada até agora." – suspirou ele. Ainda estava cansado.

"Entendo." – a mulher voltou a olhar a janela, e o sol lá de fora era a única luz que o ambiente recebia. – "Isso quer dizer que não está tão forte assim. Precisa melhor mais. Mas isto não é importante agora." – suspirou ela, e voltou a encarar o filho. – "Shaoran, Hiragizawa ligou para ver se também senti o que ele sentiu."

"O que a senhora sentiu... É esta concentração de energia da qual falou?" – pergunta ele, e sua respiração pesa.

"Sim. Esta mesma. Eu disse que havia sentido, e ele me perguntou se eu sabia de quem era esta energia." – os olhos da mulher tomaram um significado assustador. Como um presságio.

"E a senhora sabia?" – ele insistiu. Aquela mania dela falar apenas meias frases era um tanto cansativa.

"Sim, eu sabia." – ela suspira longamente. – "Shaoran... A sua magia não tem cor, não é?"

"O que?" – ele fica meio assustado e até pergunta-se mentalmente o que ela quis dizer com aquilo. – "Não, é claro que não tem, mamãe. Por que pergunta?"

"A antiga Ordem dos Quatro, ou Ordo Quattuor, como se chamavam originalmente, diferenciava-se de todo e qualquer outro mago que já existiu justamente por isto. A magia deles tinha cor. Cada um dos quatro, uma cor diferente. Esta era uma das 'exigências' deles." – ela dizia, enquanto olhava penetrantemente o filho. – "A cor de Clow, o líder deles, era o vermelho."

"Sim, entendo." – ele falou, fazendo as ligações necessárias em sua cabeça. – "E o que isto tem a ver com a energia que você e Clow sentiram?"

"Shaoran... Até aí, você pode saber o porquê das cartas de Clow serem vermelhas. Não é difícil. Além disso..." – continuou. – "A Ordo Quattuor, depois de um tempo, começou a fragmentar-se, e chegou a banir um de seus membros, voltando ao número inicial, três." – voltou a olhá-lo. – "Porém... A magia que eu e Clow sentimos hoje não era incolor. Tinha cor."

"Isto quer dizer que..." – Shaoran então entendeu o que ela quis dizer. – "Está querendo dizer que um dos membros da antiga Ordem dos Quatro está aqui, concentrando energia em algum lugar?"

"Sim. Exatamente isto." – ela fala, com um pequenino sorriso.

"Mas isso não é bom! Aonde esta energia está concentrada, mãe? Por que não sinto nada?" – várias perguntas pairavam na mente do rapaz.

"Você nada sente porque a magia é tão forte que pode sumir aos sentidos dos menos desenvolvidos na arte mágica. Eu e Clow somos experientes, meras barreiras extra-sensoriais não nos farão não sentir uma presença de magia em algum local." – ela ia falando. – "Sabe onde a energia está concentrada, como o olho de um tornado?" – um certo silêncio instalou-se no local. Um clima tenso. – "Tomoeda."

------# III #------

Lanchonete Kireina Kanjou – Tomoeda.

A velha senhora Arisaka, a mais temida pessoa da lanchonete, procurava com seus olhos castanhos e experientes por uma certa funcionária atrasada. Seus olhos sondavam todo o ambiente, mas aquela garota eficiente que todos elogiavam não estava ali.

"Oh, Deus..." – suspirou ela. – "Alguém viu a Shinsetsu por aí?"

"Não, senhora. Ela não veio trabalhar hoje." – ao ouvir a pergunta, uma das garçonetes, parceiras de Haru, parou e respondeu a 'superior'.

"Por isso não está em lugar nenhum." – a senhora coça a cabeça, confusa. – "Ela já ligou para avisar o porquê da falta?"

"Não. Tentamos ligar também, mas ela não atende..." – a outra fala, num tom preocupado.

"Tudo bem..." – suspira. – "Vá trabalhar, Shizumori. Depois eu cuido disto. Morta a Shinsetsu não está, aquela é osso duro de roer." – tentou consolar a funcionária, que deu um riso divertido e seguiu seu caminho. – "Mas vai estar morta quando aparecer."

------# III #------

Parque de Tomoeda – Tomoeda.

Um sábado de calor era tudo de que precisavam depois de uma dura semana escolar. No parque, as duas meninas sorriam e trocavam palavras, situações e riam de seus problemas. Longe de casa, Sakura era outra. Voltava a ser aquela velha menina de antes que sorria por tudo. A vida não fora tão bela assim nos últimos anos, mas aquela animação ainda ficou dentro dela.

Depois de comprarem um crepe cada uma, Sakura e Tomoyo resolvem sentar num banco da praça. Olharam para o céu, estava fresco e as folhas das árvores estavam lindas e brilhantes. Uma agradável sensação de paz as tomou por completo.

"Ah... Lindo dia, né?" – sorriu Sakura.

"Sim, muito bonito!" – Tomoyo também sorri.

"Ainda bem que você me tirou de casa, Tomoyo... Não agüentava mais aquele lugar..." – suspirou, mordendo o crepe com força. – "Eu ia até convidar a Satsuki, mas acabei esquecendo."

"Não fique assim. A Satsuki está se divertindo em casa, não se preocupe." – Tomoyo a consola, com um sorriso, em seguida mordendo delicadamente seu crepe.

A mochila que Sakura carregava nas costas mexe-se de leve.

"Ei, Kero! Eu sei que sua gula é impossível, mas se está caindo de boca nestes crepes, pelo menos faça isso mais discretamente..." – a tira das costas e abre-a, mostrando o urso laranja todo lambuzado do chocolate do crepe. – "E pare de sujar minha mochila!" – fala mais alterada.

"Sim, desculpe." – fala, de boca cheia. – "Mas é que este crepe do parque é tão bom!" – sorri, mordendo mais um enorme pedaço. – "É delicioso! Eu poderia comer para sempre!"

"Ora, Sakura... Kero sempre gostou de comer, não é, Kero?" – sorri Tomoyo, enquanto limpava a boca do pequeno guardião com um lenço rosa.

"Pelo menos a Tomoyo me compreende." – suspira o guardião.

"O que quis dizer com isso!" – Sakura olha-o com um olhar assassino.

De repente, as nuvens antes brancas começam a ficarem escuras. Parecia que uma tempestade de última hora chegava, e com força total. Em questão de minutos, até de uma forma anormal, as nuvens se depositaram em cima do parque, preparadas para derramarem gotas e mais gotas de água.

"Nossa!" – Sakura levantou-se rapidamente. – "A previsão não disse que iria chover hoje!"

"Sim... Que estranho..." – Tomoyo também levanta-se.

"Não, espera. Essas nuvens não são normais." – Kero olhava-as com desconfiança. Foram longos momentos, onde todos olhavam para as nuvens enquanto abrigavam-se embaixo de árvores ou barracas. Alguns outros saíam correndo, querendo ainda chegar no carro.

"Acho melhor, de qualquer forma, irmos para um lugar seguro e nos abrigar da tempestade..." – sugeriu Tomoyo, preocupada com a aparência das nuvens.

"Sim, também acho." – Sakura concordou. Olhava para cima, desconfiada também. – "O que foi, Kero? Por que olha tanto para estas nuvens?"

"Sakura... Estas nuvens..."

Kerberus não conseguiu terminar o raciocínio. Uma chuva começou a cair com força. Mas não era uma chuva normal. Por vários motivos. Ela escolhia aonde cair. Caía no parque, nos brinquedos. Era púrpura. Quando tocava algum objeto, até o chão, porém, acontecia algo estranho: aquilo virava uma pedra lilás e brilhante. Uma ametista.

"O que é isso!" – grita a card captor, olhando a cena.

"Eu sabia! Alguém está causando esta chuva!" – gritou Kero. – "Sakura, ela está vindo para cá! Use a Alada antes que seja tarde!"

"Certo!"

Invocado seu báculo, e em seguida a carta Alada, a jovem consegue salvar a si mesma e a amiga antes que a chuva caísse bem no local aonde estavam. Do céu, Sakura pôde ver que, realmente aquela chuva era criada: as nuvens não estavam muito longe do chão. Ela voava sobre elas.

"Sakura! Veja!" – gritou Tomoyo, apontando para uma parte da nuvem, de onde saía um grosso e afiado bloco de ametista.

"Desvie!" – grita Kero, quando o bloco atravessa o caminho dos dois, fazendo Sakura, com Tomoyo em seus braços ir para a direita e Kerberus, já transformado, para a esquerda.

"Droga... Kero, segure a Tomoyo! Eu irei dar um jeito nesta nuvem!" – grita a jovem, voando até o guardião e depositando a amiga nas costas dele. Em seguida, voa em disparada até abaixo da nuvem, desviando dos obstáculos em seu caminho. Antes de voar lá embaixo, porém, protegeu-se com a carta Escudo, que impossibilitava que a chuva lavanda que transformava tudo naquele parte em ametistas lhe atingisse.

"Que horror... Mas... Aonde está o centro desta chuva...?" – perguntava-se, olhando para a grande e grossa nuvem, que não cansava de jogar seu poder.

De repente, uma das árvores lá embaixo saiu do chão e voou em sua direção. Com um grito, Sakura desvia-se dela, e suspira aliviada. A árvore continuou voando para longe, caindo no rei pingüim do parque. Em seguida, foi a vez de um banco voar até ela. Desviou-se de novo, enquanto tentava ver da onde vinha aquilo.

"Droga... O que eu faço!" – olhava ao redor, enquanto desviava-se e pensava. Era difícil, estava nervosa. Não sabia o que fazer. O fracasso do pássaro negro da noite anterior fez-se presente em sua memória, apenas aumentando seu nervosismo.

"Deuses do Trovão, venham!" – gritou uma voz masculina.

Sakura olhou com pavor ao redor de si. Aquela voz... Sim, aquela voz não mudara muito... Ela reconhecia... Tinha certeza de que reconhecia aquela voz...

"Não pode ser..." – murmurou.

------# III #------

Residência de Ayaki Ceres – Tomoeda.

"Acha mesmo que distrair aquelas pessoas enquanto executamos isto é certo?" – pergunta Mawashi, de mãos dadas à Akira e Nami.

"Sim, é mais do que certo. E a Haru ainda irá ficar mandando alguma energia pra nossa causa..." – Ayaki dizia, de olhos fechados e calmamente.

"Nossa... Finalmente ela irá voltar!" – Yuki falava, com um rosto contente.

"Também mal vejo a hora!" – sorri Nami. Seu rosto estava radiante. De longe, ele parecia o mais feliz naquele lugar por aquela notícia que todos falavam.

Enquanto uma luz brilhava no meio da roda feita por todos eles, lá fora, sentindo e vendo tudo, aquele homem ainda não saíra da posição em que estava. Lá de fora, a luz era perceptível há metros. E Kurokami sabia o que era e para quê servia. De alguma forma, sentia um sentimento sem nome. Algo estranho, uma coisa na garganta. Estava, como sempre, de fora.

Também era outro que mal via a hora daquele momento chegar. Haviam tantas coisas que queria dizer, que queria fazer. Muitas, ele sabia que jamais conseguiria. Ficariam apenas em seus sonhos doentios. Mas, ainda sim, ele queria.

"Logo, logo..." – seu rosto virou-se, e ao longe, ele pôde ver uma grossa e escura nuvem de tempestade. – "Muito em breve..." – voltou a ficar em sua posição de espera.

Continua...

1 Como não vi o movie aonde Yelan Li aparece, o relacionamento dela e de seu filho, além de sua personalidade e tudo que remete à ela, podem ser um tanto OOC.