Kakashi POV
Já passava das seis da tarde quando me vi retornando para casa. Era idiota assumir que estava fugindo do meu próprio lar, mas foi o que fiz. Eu precisava assumir o controle, eu tenho 30 anos, não estou mais na academia para ficar fugindo da garota mais bonita da classe.
Depois dessa tarde inteira refletindo cheguei à conclusão que me sentia atraído por Yugao e é ela que teria que lidar com isso. O pior que podia acontecer era ela me rejeitar e eu estava muito, muito preparado caso essa fosse a realidade. Mas isso não me roubaria a satisfação da jornada pela conquista.
Abri a porta do apartamento e Yamato estava sonecando em meu sofá, segui para o quarto, a porta estava entreaberta. Precisei de um momento para apreciar Yugao dormindo profundamente em minha cama. Suspirei. Me aproximei devagar e por impulso toquei levemente seu rosto, sua pele era tão sedosa quanto uma pétala de rosa, me ajoelhei ao seu lado e pude observar com clareza o movimento suave de sua respiração, sentir o perfume que emanava da sua pele, seu cabelo, nunca havia reparado o quão longo eram seus cílios, seria esse o motivo de seu olhar ser tão magnético? Sua boca delicada me chamava e inconsciente eu me aproximava cada vez mais dela.
- Não imaginava que você se aproveitaria de uma mulher grogue de medicação Kakashi. - Yamato estava encostado no arco da porta com um sorriso que dizia o quão extasiado ele estava por me encontrar naquela situação. Me levantei e retirei uma mecha de cabelo violeta de seu rosto.
- Yamato. - Fui caminhando em direção a sala, passando por ele. - Eu estou muito na merda. - Ele me encarou um pouco confuso, não esperava que eu dissesse aquilo. Fechou a porta do quarto atras de si e me acompanhou até a mesa de jantar.
- O que houve? - Me questionou, estava preocupado.
- Você coloca Yugao na minha casa e me pergunta o que houve? - Fechei os olhos e me recostei na cadeira.
- Ah, ainda têm aquela "queda" por ela? - Ele disse curioso. - Pensei que os anos tinham deixado isso no passado.
- Yamato eu nunca deixei de ter um precipício por ela - Rebati.
- Não faz sentido. Não é como se você nunca tivesse tido a oportunidade não é mesmo? Entre todas as nossas missões e as inúmeras vezes que se viu a sós com ela. - Era como se ele sempre quisesse ter algum motivo para me questionar sobre esse assunto.
- Eu tinha muitas "namoradas". Não via sentido investir nela. Era minha subordinada, minha companheira e eu não devia correr o risco de envolver sentimentos em nossa equipe. Seria errado. - Ele pareceu entender. - E eu não procurava uma namorada de verdade. Não me parecia justo com ela. Eu não queria que ela perdesse a admiração que tinha por mim.
- Ainda tem. Ainda mais depois da perda de Hayate. Ela admira sua força por ter superado suas perdas. - Me ajeitei na cadeira.
- Você acha que eu devo? Porque... Por Kami... Eu vou. - Confessei. Ele riu. - Yamato eu não vou investir nela se ela ainda estiver de luto. Eu a respeito acima de qualquer coisa.
- Você deve. - Ele me cortou, sua voz estava séria. - Kakashi, eu sou teu amigo, mas se você magoar a Yugao... Aí sim você vai estar na merda e não me importa se você vai ser o rokudaime, nanadaime ou o próprio rikudo sennin. Eu vou te encher de porrada. Até te seguro se ela quiser enfiar a espada no seu estomago. - Ele me encarava com o olhar que teria feito Naruto se tremer de horror até que começamos a rir.
- Mas... Me diz o que te fez mudar de ideia sobre ela. - Ele tinha ido a cozinha e voltava com uma tokkuri* de sake e dois guinomis*. Nos servindo uma boa dose.
- Eu... Eu não tenho mais forças para evitar. - Disse virando a primeira dose e já nos servindo a segunda. Ele virou a segunda dose e riu.
Enquanto eu bebia aquele saque com Yamato e dávamos boas risadas, não nego que tudo que se passava em minha mente era a vontade de saciar minha sede daquela mulher que estava em minha cama. Preenchendo minhas roupas e meus lençóis com seu perfume.
Uma coisa eu podia afirmar: seu gosto devia ser ainda melhor que seu aroma.
Yugao POV
Acordei devagar, eu havia dormido demais hoje. Notei que o remédio me ajudava a locomover sem muita dor enquanto me encaminhava para o banheiro.
Yamato havia organizado meus itens como se ali fosse minha casa. Corei até a raiz do meu cabelo e comecei a recolher minhas coisas as deixando dispostas fora de contexto na bancada. Como a forasteira que eu era nessa casa. A ver meu reflexo assumi que precisava pentear meu cabelo, devia ter um pente por aqui.
Comecei a vasculhar as gavetas do armário do banheiro, mas não parecia ser ali que ele guardava esse tipo de coisa. Talvez na cômoda, pensei, tinha um grande espelho acima dela. Retornei para o quarto e me vi abrindo a primeira gaveta. Encontrei um arsenal de shurikens e kunais dispostos perfeitamente como em uma loja de ferramentas ninjas. Abri a segunda gaveta e encontrei o que precisava entre outros itens como cremes e perfumes, não imaginava que ele fosse tão vaidoso. Fui movida pela curiosidade e me vi abrindo a terceira gaveta. Tinha algumas pastas de documentos e fotos. Uma foto em especial me chamou atenção, seu antigo time. Kakashi criança era um amor, sorri ao imaginar o quão engraçado devia ser aquele menino bonito andando por aí com seu jeito rabugento. Na foto também estava o Yondaime, Uchiha Obito e Nohara Rin. A Nohara foi uma grande perda para Kakashi, quando mais nova acreditava que ele só não sossegava com alguma menina por que ninguém devia superar a Nohara. Atualmente já nem sei dizer se Kakashi chegou a ter sentimentos por alguma mulher. Guardei a foto e tratei de pentear meu cabelo.
Depois que conclui o serviço de deixar meu cabelo civilizado tratei de seguir para a sala, e a cena me impressionou. Kakashi estava cozinhando. E o cheiro estava maravilhoso.
- Você realmente cozinha bem. - Quis puxar assunto. Eu não sabia explicar o motivo de adorar faze-lo falar sobre coisas triviais. Ele se virou para mim e me encarou por alguns segundos.
- Você ainda nem provou, como pode ter certeza? - Seu tom de voz... ele estava sendo ambíguo? Me vi corada. Eu devia estar imaginando coisas.
- Não preciso provar uma coisa para saber se ela é boa ou ruim. - Eu não seria capaz de explicar o porque me vi caminhando para a cozinha. - O cheiro diz muito.
- Preciso concordar. - Vi um sorriso de lado por baixo da máscara antes que ele se virasse para a sopa que preparava.
Ele estava vestido com a calça do uniforme Jonin e a camisa que também era sua máscara. Seus braços estavam expostos e não consegui evitar de reparar nos músculos que ele havia adquirido. A tatuagem ANBU em seu braço esquerdo estava ainda mais destacada do que me lembrava. Corei ao imaginar se ele me visse o encarando da forma que estava o encarando agora.
- Como foi com a Godaime? - Troquei de assunto.
- Tranquilo. Ela ficou muito brava porque não te levei para o hospital. - Ele pareceu se lembrar. - Disse que vai passar por aqui. Assim que possível.
- Isso é bom, se ela me ajudar vou ficar 100% recuperada rapidamente. - Minha voz não soou tão animada assim.
- Se você não gosta do dormitório da ANBU, por que nunca saiu de lá? - Ele se virou para mim depois de tampar a panela provavelmente para deixar os legumes cozinharem um pouco mais.
- Era o plano... - Dei um leve sorriso que deve ter saído uma tragédia.
- Entendo. - Ele se viu sem graça por ter perguntado. - Você pode vir pra cá se quiser. - O que? Ele estava me convidando para retornar a casa dele? Eu nem imaginava que ele me queria ali pra inicio de conversa.
- Sabe... Quando ficar de saco cheio de lá e quiser se afastar um pouco. - Ele sorriu e eu me vi capaz de pagar todo o dinheiro que eu tinha apenas para ver de relance seu sorriso sem aquela mascara. - É pequeno, mas não me importo de dormir no sofá.
- Arigatou. Mas não precisa se preocupar comigo. - Minha voz saiu tremula e tão baixa que prefiro acreditar que ele não foi capaz de ouvir a segunda frase.
- Me ajuda a arrumar a mesa. - ele me passou as louças para que eu organizasse a mesa. - A sopa já está quase pronta.
Me levantei e tratei de dispor as louças na mesa da melhor forma. Antes que eu acabasse ele já estava trazendo a mesa a panela com a sopa. Nos sentamos e fiz questão de o servir. Eu já estava abusando demais da sua hospitalidade. Quando eu estava pronta pra começar a tomar a sopa. paralisei.
Ele ia comer na minha frente. O encarei e ele parecia estar travando uma enorme batalha em sua mente.
- Eu vou ficar de olhos fechados. - Disparei. Em nenhuma hipótese eu seria inconveniente a esse ponto. - Não vou olhar.
- Vai comer de olhos fechados? - Ele estava em duvida.
- Fui treinada para matar mesmo estando cega. Acho que posso me alimentar sem precisar olhar. - Justifiquei e ele pareceu confiar na minha habilidade. Vi quando sua mão alcançou a borda de sua mascara e com toda minha força de vontade, fechei meus olhos.
Me alimentei sem muita dificuldade e estava certa. Estava delicioso.
- Você quer mais? Fiz especialmente para sua recuperação. - Ouvi sua voz clara, sem o abafado que a mascara causava e me senti arrepiada até a espinha. Engoli em seco.
- Aceito. - Pude ouvi-lo me servindo e o senti quando pegou minhas mãos para me entregar a tigela. Por Kami... Eu estava hipnotizada.
- Pode abrir os olhos. - Obedeci e engoli a decepção por já encontra-lo de mascara. Ele tentou abafar uma risada. - Eu te ofereceria um pouco de sake, mas você não deve misturar com sua medicação.
- O suco está ótimo. - O atropelei, eu estava nervosa e sequer conseguia disfarçar. Ele não desviava o olhar de mim e a todo momento soltava um sorriso ou uma risada. Assim que acabei ele se levantou e recolheu toda louça, seguindo para a cozinha, quando ele retornou para levar a panela encontrei forçar para me levantar.
- Eu lavo a louça. É o minimo que posso fazer para te agradecer. - Falei firme para que ele não me negasse o favor.
- Bom, então eu vou tomar um banho rápido. - Ele disse depois de notar que eu já estava tomando conta da cozinha e organizando as coisas. - Já volto. - Sorri para ele antes que ele sumisse do meu campo de visão.
O que tinha acontecido ali? Consegui respirar de verdade agora que não dividia o mesmo ambiente com ele. Era como se meu sentimentos de menina tivessem retornado com o dobro de força e agora com outro olhar. O de desejo.
Estava focada em finalizar a organização da cozinha quando ouvi batidas na porta. Imaginei ser Yamato e não hesitei em atender. Eu estava enganada.
- Anko? - Ela vestia roupas informais estava com uma garrafa de vinho em suas mãos. Ela me encarou com um olhar frio e a vi identificando cada peça de roupa que eu estava usando. Que eram do Kakashi. Segurei seu olhar. Eu não iria me sentir intimidada. - Kakashi está no banho. Quer que eu o chame? – Ela me encarou e parecia querer me matar, sorri.
- Não precisa. – Sua voz saiu dura. – Não sabia que ele teria companhia hoje. Eu falo com ele outro dia, não era nada importante. – A notei levemente escondendo a garrafa de vinho de meu campo de visão.
- Entendo, eu o aviso que você passou aqui. Konbanwa. – Me despedi e fechei a porta. Eu estava me sentindo vitoriosa e com energia para dar golpes no portão de Konoha até derruba-lo.
- Quem era? – Dei um pulo ao ouvir sua voz atrás de mim.
- Anko. – Me virei para encara-lo... Ele estava muito perto e usava uma mascara apenas e uma toalha enrolada em seu quadril. Engoli em seco. Seu corpo me distraia, estava me fazendo imaginar coisas. Ele pareceu desconfortável com minha resposta.
- Eu não a chamei aqui. – O ouvi pensar alto.
- Ela disse que falaria contigo outro dia. – Não tinha notado que estava me afastando dele e que ele me acompanhava até bater levemente em uma parede. Ele sorriu ao ouvir o baque e apoiou seu braço direito na parede. Me cercando. Eu estava extasiada com seu perfume. Ele colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha e me vi respirando fundo.
Ele estava tão perto. E então não estava mais. Senti minhas pernas fraquejarem e escorreguei um pouco na parede. Ele estava de costas para mim. E que costas.
-Você entende o que ela imaginou? – Ele me questionou, sua voz havia abaixado dois tons.
- Sim. – Assumi sem um pingo de vergonha. Ele abafou uma risada. – Me desculpe, eu não imaginei que ela fosse sua namorada. – Meu estomago revirava com a ideia.
- Não é. – Ele negou veemente. Meu estomago foi invadido por borboletas erráticas e eu sequer podia evitar. – Ela é um pouco insistente, na verdade preciso te agradecer, talvez agora ela se afaste. – Ele se virou para mim esboçando um leve sorriso com os olhos. - Eu devia me vestir. – Ele se dirigiu ao quarto e me encontrei hiperventilando.
Eu o desejava com cada fibra do me corpo e podia afirmar que já não era capaz de me controlar. O que eu não tinha certeza era se o desejo era recíproco e se valia a pena ser apenas mais uma "Anko" em sua vida.
Tokkuri e Guinomis - Jarra e copos comum para se servir sake.
Olá meninas, mas um cap pra vocês S2
Espero que gostem do rumo que a história tem fluido ;)
