Autora: Eu mesma.
Tema: CDZ
Gênero: Drama, Romance, Traição.
Status: Quatro capítulos, inacabada.
Resumo rápido: "Minha indecisão prejudicou a mim, a um de meus melhores amigos, e as duas pessoas que amo."
Shura nunca colocou os outros a frente de si mesmo. Não escondia isso. Mas também jamais faria algo apenas para magoar alguém. Há alguns anos, havia namorado Aiolos, mas rompeu o namoro devido ao fato de que se apaixonara por Saga. Pouco tempo depois, seu ex estava namorando Carlo.
Várias vezes ouviu os outros falando que o grego apenas namorava o italiano para causar ciúmes em si. Porém, aparentemente só Shura notou que Aiolos não o olhava mais, só conversavam de alguma banalidade, mesmo longe de todos. Já não o tinha mais ao alcance. Aquilo deixou o espanhol louco de vontade de voltar com o grego.
Não era idiota, sabia que não seria aceito depois de trocar o ex por Saga daquela maneira, então ficou se controlando. Além do que, o novo "concorrente" era Carlo, seu amigo de muito tempo, e não pretendia mudar com ele por causa disso. Agüentou firmemente por um ano, quando foi transferido de seu trabalho para a filial na Espanha, e Saga pediu transferência também para ficarem juntos.
Tivera um bom ano, até. Não precisava ficar se torturando de vontade de ter algo que não podia ter, estava perto de sua família e estava com Saga. Porém, com o tempo, o relacionamento entre os dois foi esfriando: mal se encontravam já que ambos tinham muito trabalho, o sexo não era mais tão bom, entre outras coisas... Shura era uma pessoa carente, precisava de alguém o mimando.
Passados poucos meses de quando isso começou a ocorrer, ele e seu namorado foram transferidos de volta. Logo nos primeiros dias depois de sua volta, Shura e Saga tiveram uma briga feia e o espanhol saiu um pouco para espairecer. Depois de um tempo andando, começou a pensar.
"Dios... Eu não sei mais o que fazer... Me dê um sinal, por favor... Eu preciso de uma direção..."
Logo que pensou isso, sentiu algo batendo contra seu corpo e uma leve dor. Quando olhou para baixo, seu espanto ficou evidente quando viu ninguém menos que Aiolos, enquanto o ouvia murmurar um "Desculpa", e depois ver sua cara de susto também.
"Esse é um sinal bem específico... Gracias!"
- Aiolos... Quem diria que iria encontrá-lo aqui? – Perguntou surpreso, mas ficou feliz em notar que sua voz não demonstrava metade dos sentimentos que sentia.
- Eu quem digo isso, Shura. Não estava na Espanha? – Aiolos parecia tão calmo falando, parecia até que... Sua volta não significava nada, e Shura se sentiu infeliz com aquilo.
- Estava, mas voltei há poucos dias, pois fui transferido. Vim comprar algumas coisas para meu apartamento novo. – Mentiu calmamente. O grego não precisava saber de sua briga com Saga.
- Oh, que bom que está de volta. – Sorriu ao ouvir a resposta dele, ao ver seu sorriso novamente. Lembrou-se de quando namoravam, de como Aiolos sempre o tratou tão bem... E logo se lembrou do sentimento que o sagitariano o causava: o de frustração, por não poder mais tê-lo.
- Obrigado. Como vai o Carlo? Está chegando o aniversário dele, não? – Sempre fora amigo do italiano, e sabia que seu aniversário estava próximo. Usou isso como desculpa para saber se ainda estavam juntos.
- Vai bem, sim. Obrigado por perguntar. – Shura escondeu sua decepção - É. Eu vim comprar um presente para o ele. – Suspiro. O ouvia com atenção, até receber o convite para a festa. Deu um grande sorriso, imaginando.
- Tudo bem, então. Vai ser bom poder me reunir com eles de novo. – O italiano tinha se distraído um pouco de Aiolos, pensando nos velhos companheiros que não via há tempos.
Nos dias que se seguiram até o dia da festa, Shura pensava em Aiolos, em Saga e em Carlo. No aniversário do italiano, todos ficaram felizes em vê-lo, e o aniversariante não podia estar mais feliz com a surpresa. Ficou conversando com os velhos amigos, olhando de vez enquando para Aiolos. Foi pegar uma bebida na cozinha, que estava totalmente vazia, e quando estava prestes a sair, o grego apareceu.
Beberam calmamente, ambos sem graça, e quando viu que Aiolos estava saindo, como que por impulso segurou seu pulso. Não agüentou, e antes que se desse conta, sussurrou no ouvido do outro se ele sentia saudades da época em que namoravam e sentiu o outro estremecer. Apesar de tudo, não esperava a resposta que teve: Ser beijado tão intensamente pelo outro.
Ainda se lembrava de como ficaram no banheiro da casa de Kamus, da pontada de culpa que sentiu, de todos aqueles sentimentos confusos misturados juntos. "Bom, agora é tarde demais..."
O tempo foi se passando, e os dois não botaram um fim no relacionamento que tinham. Saga estava sempre ausente, então não desconfiava. Só foi ficar mesmo preocupado quando Aiolos lhe dissera que Carlo começava a desconfiar. Não queria magoar o italiano!
Ficou um mês longe do grego depois disso. Mas naquela tarde... Naquela maldita tarde decidiu ligar. Estava desesperado pelo outro, precisava vê-lo, senti-lo perto de si. Esperou por um horário que sabia que Carlo não estava perto e ligou para Aiolos.
- Olos... Eu preciso te ver. – Disse com uma voz manhosa.
- Shura, mas agora? Você sabe que eu trabalho... E na sua casa tem o Saga! – O marido do espanhol estava doente durante aquela semana, Aiolos deveria ter descoberto graças à Kanon.
- Aiolos... Por favor... Já faz quase um mês! – Estava praticamente implorando.
- Shu... – Aiolos respondeu num tom manhoso, que derreteu o espanhol todinho – Como pretende fazer isso...? – Ai sim Shura precisou pensar. Estava com um desespero tremendo, não conseguia fazê-lo direito.
- Não sei... Você não me mandou mais mensagens depois que o Carlo viu seu celular, então eu também não mandei. Por favor... Em qualquer lugar, qualquer hora, mas precisa ser hoje! – Shura não escondia sua urgência. Queria convencê-lo logo.
- Tudo bem, tudo bem... – O espanhol sorriu. – Vou pedir para sair mais cedo e vamos para a minha casa. Tudo bem para você? Afinal, o Carlo ainda vai demorar a chegar.
Shura suspirou, aliviado.
- Claro, claro. Já vou indo para lá.
Shura tinha chego ao apartamento um pouco antes de Aiolos, tamanha sua pressa. Como o porteiro já o conhecia, deixou que entrasse no estacionamento e ele logo foi para o elevador, esperando o grego no hall do andar. Não deu nem tempo de o elevador abrir direito, e o espanhol agarrou o amante, começando a beijá-lo ali mesmo. Nem sonhava que Carlo pudesse aparecer.
Deixou que Aiolos o guiasse, beijando-o intensamente, sentindo a língua do outro na sua, o corpo dele no seu. Ao chegarem ao quarto, não perdeu tempo e o deitou na cama, tirando as próprias roupas enquanto via o outro fazer o mesmo e sorrir.
Deitou em cima dele e voltou a beijá-lo. Depois ficou em sua posição favorita, com Aiolos sentado em cima de si. Quando sentiu seu membro penetrar o grego, gemeu longamente, auxiliando os movimentos do parceiro e sentindo como o outro era apertado, todo aquele prazer que o amante lhe dava.
Sentiu as caricias, e logo começou a beijar a orelha dele de leve, sabia que o outro gostava. E foi ai que seu mundo desabou: Carlo estava no quarto, e nem dirigiu a palavra a si, o que demonstrava como deveria estar. Nesse momento, era o mais sujo dos homens: traia alguém que o amava, e fez com que um grande amigo se ferisse.
Sabia que era sua culpa. Se simplesmente tivesse deixado Aiolos quieto, parasse de cobiçá-lo, o mesmo estaria feliz com Carlo, e todos estariam bem. Deixou que o grego se levantasse e ficou pensando durante alguns segundos, quando ouviu a porta se batendo e o som de choro que seu amante emitia.
E tudo isso porque não conseguia conversar direito com Saga, dizer que as coisas não eram mais como antes. Tentar fazer o próprio casamento funcionar, para que? Se podia destruir o dos outros daquela forma... Shura jamais quis magoar ninguém, mas dava mais valor à sua necessidade do que à dos outros.
Já não amava Aiolos. Talvez, como amigo, mas apenas como amigo. Amava Saga, sabia disso, mas não estava pronto para deixar de cobiçar o sagitariano, apenas porque não podia tê-lo. Saiu da cama e foi até a sala, se preocupando com o estado do outro, que ele fizesse alguma besteira.
Tentou ajudá-lo a se acalmar, não tendo noção de como sua cara estava chateada. O levou para o quarto e começaram a se vestir.
- Shu... É melhor pararmos... – Shura se espantou com aquilo, mas não totalmente.
- Olos, mas agora? Como você vai ficar? – Tinha medo que o outro ficasse desamparado, afinal não tinha mais onde morar. E não fazia tanto sentido pararem agora, afinal já haviam sido pegos. Mas ao mesmo tempo, compreendia o lado do outro.
- Eu vou ficar bem... Por favor... Eu só não quero... Não consigo mais continuar com isso! – Suspirou e o abraçou, tentando confortá-lo.
- Tudo bem, calma... Essa relação acaba aqui. Mas Aiolos... Não faça nenhuma besteira, certo? – Observava os olhos do outro, preocupado. Tinha medo que... Aiolos se... Matasse...
Quando teve a confirmação de que o outro ficaria bem, terminou de colocar as roupas e foi embora. Estava muito magoado consigo mesmo, se sentia impotente, pois sabia que toda a culpa cairia sobre o grego.
Ele quisera, é verdade, mas era Shura quem provocava! Imaginou que Carlo tivesse falado com Saga, o que notou não ter acontecido quando chegou a casa. Porém, ainda podia fazer uma única coisa decente em relação aquela história. Quando entrou na casa, Saga perguntou curioso.
- Amor? Que cara é essa...?
Shura respirou fundo. Hora de se honrar.
- Saga... Preciso te contar algo. – Shura sentou-se ao lado dele e começou toda história, vendo o marido sofrer as mais diversas reações: tristeza, decepção, mais tristeza, viu o orgulho do outro ir pelo ralo enquanto contava aquilo tudo. Quando terminou, o outro chorava. – Eu... Sou um idiota. Desculpe-me, Saga, eu... Eu... Bom, creio que aprendi com o que fiz. Mas não espero que me perdoe.
- Eu posso perdoá-lo pela traição, já que eu tenho uma parcela de culpa... Mas com Aiolos? Como puderam fazer isso com Carlo e eu? Sabe que não gosto do grego, sabe que Carlo confiava em você! Que tipo de pessoas vocês dois são?
Shura ouviu em silencio. Nem ele sabia. Naquela noite, dormiu na casa do irmão. Saga havia dito que o aceitaria de volta, mas que precisava de um tempo depois daquilo, e o espanhol o daria. Depois, iriam ter uma longa conversa e tentar salvar o que restou do relacionamento, como deviam ter feito muito tempo atrás.
Tinha falado com Aiolos e com Saga, mas ainda faltava uma coisa: pedir perdão a Carlo. Mesmo que não fosse aceito, Shura decidira tentar redimir o que pudesse da situação, voltar a ser uma pessoa digna como foi um dia.
Naquela noite, o último pensamento de Shura um pedido de desculpas às três pessoas que saíram feridas:
"Aiolos... Sinto muito por te provocar;
Saga... Sinto muito por te trair, e não te respeitar;
Acima de tudo, Carlo... Eu sinto muito, pois não fui o amigo que você merecia"
Shura foi dormir com aqueles pedidos de perdão na cabeça, e uma idéia para o dia seguinte.
