Na manhã seguinte, Lily passou cerca de uma hora repassando os detalhes referentes ao contrato. Ela estava no salão principal quando ergueu os olhos e viu alguém conduzindo James na sua direção. Bastou vê-lo para que seu coração acelerasse novamente. Ele estava usando um terno preto e uma gravata vermelha sobre uma camisa branca.
Ela já havia falado com ele duas vezes ao telefone durante a manhã, tentando marcar um horário para fechar o contrato à tarde. A velocidade com que as coisas estavam sendo resolvidas a estava deixando atônita. Ela terminou o que estava fazendo, passou os cardápios aprovados para o seu chefe de cozinha e foi até James.
— Bom dia — disse ela, com um amplo sorriso, estendendo-lhe a mão.
— Bom dia — respondeu ele, deixando entrever o quanto havia apreciado o seu visual. — Você está linda.
— Obrigada — disse ela, consciente da mão dele ainda sobre a sua. — Vamos até o meu escritório. Vou pedir que nos tragam café.
Pouco depois um garçom trouxe uma bandeja com café, chá, suco de laranja, copos e xícaras de porcelana chinesa.
James puxou a cadeira para se aproximar mais dela.
— Eu trouxe o contrato padrão — disse ele, abrindo a sua pasta e tirando duas cópias. Sua mão tocou levemente a dela ao lhe passar os papéis. Ela se perguntou por quanto tempo ainda continuaria a reagir tão intensamente ao contato com ele. Como é que ela ia conseguir trabalhar tão proximamente a ele se não conseguia controlar as suas reações? Quando ela ia começar a olhar para ele como se fosse para um outro homem qualquer? Respirou fundo e voltou a focar a sua atenção no contrato.
James apontou para o primeiro parágrafo e o leu em voz alta. Era um esforço se concentrar em negócios quando apenas alguns poucos centímetros separavam o seu corpo do dele. Ela tinha que se afastar um pouco de James, mas não queria que ele notasse o quanto estava perturbada com a sua proximidade.
Lily pousou os olhos sobre a cláusula que concedia cinquenta por cento de seu restaurante a James. Sabia que depois que assinasse a linha pontilhada, não haveria mais volta.
Suas dívidas, porém, estariam sanadas.
Ela ficou surpresa de ver como haviam sido cooperativos e rápidos ao tratar daquele assunto.
Ao meio-dia, ela se recostou e confessou:
— Foi mais fácil do que eu esperava.
— Concordo — disse James. — Esse é mais um sinal de que nós vamos trabalhar muito bem juntos.
Eles se dirigiram até a varanda onde a sua equipe já havia preparado tudo para o almoço.
— Eu vou lhe dar uma foto recente de toda a nossa equipe, com os nomes impressos embaixo de cada um. Também vou apresentá-lo à maior parte das pessoas, mas não quero fazer uma reunião formal para não chamar muito a atenção.
— Tudo bem — disse ele, sorrindo para ela.
Ela fez uma anotação num bloco ao lado do seu prato. James se debruçou sobre a mesa.
— Você ainda está trabalhando. Deixe isso de lado, ao menos durante o almoço. Vamos comemorar essa noite no El Diablo. Venha jantar comigo — disse ele.
Um alarme soou dentro de sua cabeça. Aquele homem era um destruidor de corações, lembrou-se ela, enquanto respondia:
— Apesar de todo e qualquer bom senso, eu aceito.
— Apesar todo e qualquer bom senso? — repetiu ele. — O que é que você está querendo dizer com isso? — perguntou James, arqueando uma sobrancelha.
— Que você é um destruidor de corações e que trabalho e prazer definitivamente não combinam.
— Isso é uma grande bobagem. Nós somos suficientemente inteligentes para misturar negócios e prazer. Não se faz outra coisa aqui no SoBe. Quanto à outra acusação, eu devo lhe dizer que não me lembro de nenhuma mulher de olhos marejados no meu passado — disse ele, piscando para ela.
— Sua memória pode ser um pouco fraca quando se trata desses assuntos.
— Vamos celebrar um acontecimento que vai ser mutuamente proveitoso. Como você pode não estar exultante com as novas perspectivas?
— Estou muito feliz — disse ela, olhando em seus olhos cativantes e pensando em sua vida pacata.
James riu.
— Você fala como se estivesse indo para a forca. Mas o que importa é que você aceitou o meu convite. Quem sabe eu consigo animá-la um pouco?
— Também não é tão grave assim — disse ela sorrindo.
— É melhor se acostumar comigo — disse ele suavemente. — Eu vim para ficar.
Ela riu e ele assentiu com um meneio de cabeça.
— Bem melhor. Vai ficar tudo bem, Lily, você vai ver.
Lily realmente se sentiu melhor. Embora não acreditasse que sua impressão sobre ele estivesse errada, ela não conseguiu resistir à perspectiva de comemorar com ele. Colocou o bloco de lado e pousou a caneta sobre a mesa.
— Está bem, mas assim que terminarmos de comer, vamos procurar uma sala para acomodá-lo. Acho que não temos nenhum escritório sobrando do tamanho que você precisa.
— Mostre-me o que tiver à disposição. Não preciso de nada muito espaçoso.
— Acha que vai ser muito difícil dividir o seu tempo entre os dois restaurantes?
Ele balançou a cabeça e o vento soprou alguns fios do seu cabelo, afastando-os levemente de seu rosto. Aquele cabelo espesso era tão atraente quanto o restante de seus traços. Ela percebeu que estava olhando fixamente para ele e desviou o olhar.
— Eu tenho um gerente muito competente para cuidar do El Diablo enquanto estou aqui. Eu quero me familiarizar com a sua equipe e com a clientela também. Qual é a relação entre os fregueses regulares e os eventuais?
— Acho que meio a meio. Nós recebemos celebridades, modelos, gente da alta sociedade, e todos geram muita publicidade.
Eles estavam sentados sob um grande guarda-sol azul, protegidos da luz direta do sol, mas a claridade fazia com que os olhos castanho esverdeados de James parecessem vidro, não fosse pelo fogo que ardia nas profundezas do seu olhar, tirando o sossego de Lily.
Foi James quem mencionou a sua família.
— Eu sinto muito pela morte do seu pai.
— Obrigada. Ele sempre me pareceu tão forte e poderoso. Ainda acho muito estranho imaginar que ele tenha se ido.
— É natural. Você vê seus irmãos com frequência?
— Sim. Nós jantamos juntos todos os domingos e nos encontramos várias vezes durante a semana. E a sua família?
— Eu e meu irmão Jeremy nos vemos diariamente. Somos os últimos que restaram de nossa família direta.
— Isso é bom. Existe muita rivalidade entre os meus irmãos —disse ela.
— Eu vou apresentá-la a Jeremy assim que tiver oportunidade — disse James.
Lily sabia que a mãe de James tinha vindo de Inglaterra para os Estados Unidos e trabalhado como babá para os Potter. Ela havia sido assassinada, e os Potter, então, adotaram James.
— Jeremy já está sabendo da sua nova sociedade?
—Ainda não — respondeu James. — Mas apenas porque eu ainda não tive chance de contar a ele.
— Minha família vai aceitar tudo mais facilmente se acreditar que se trata de uma transação comercial como qualquer outra. Eles não vão fazer nenhuma objeção se virem que o restaurante está crescendo e dando lucro. Você gostaria de mais alguma coisa?
— Não, obrigado.
— Bem, já que o almoço acabou, nós podemos voltar a tratar de negócios. Deixe-me mostrar-lhe os escritórios. Depois que resolvermos isso, lhe mostrarei o resto do restaurante.
Logo chegou a hora do encontro com os advogados. Lily foi até o escritório para pentear o cabelo e vestir o blazer do conjunto.
James não escondeu a sua aprovação ao vê-la de volta.
— Esse deve ser o melhor contrato que já fechei em minha vida — disse ele, com uma voz rouca, tomando o braço dela.
— Não me venha com o seu charme. Somos apenas sócios.
— Mas isso não me impede de apreciar uma bela mulher — respondeu ele, sorrindo, enquanto abria a porta do carro para ela.
Eles levaram a tarde inteira tratando dos detalhes referentes à transação. Finalmente chegou o momento em que James preencheu o cheque. O coração de Lily bateu mais forte ao ver a soma, ainda que ela soubesse desde o começo de quanto se tratava. Seu alívio fez suas mãos suarem. Ela teve de se conter para não arrancar o cheque das mãos de James antes que ele o entregasse a ela.
— Aqui está. Assim que terminarmos aqui, iremos ao banco, depositá-lo.
— Obrigada — disse ela, apertando a mão dele com a mão gelada de emoção.
James ergueu a sobrancelha e ela percebeu que ele poderia ter interpretado mal o seu gesto. Querendo desfazer a má impressão, ela guardou o cheque rapidamente na bolsa.
Ele devia estar mesmo certo de que ela ia aceitar a sua oferta, pois já estava com tudo preparado. A ideia de tanta antecipação acendeu novamente o sinal de alerta na mente de Lily.
Ela, porém, deu de ombros e tratou de esquecer a preocupação. Não havia outra escolha no momento.
Às cinco e meia, eles tiveram uma breve reunião com o novo contador de Lily. Já eram quase sete quando finalmente terminaram e James a deixou na frente do restaurante.
— Tem certeza de que não quer que eu venha pegá-la esta noite?
— Absoluta. O El Diablo fica aqui pertinho e eu posso ir de carro.
— Vejo-a então às nove e meia — disse James. — Mal posso esperar pelo nosso jantar. Nada de negócios esta noite. Vamos apenas comemorar.
Ela sorriu.
— Você conhece o ditado: muita diversão e pouco trabalho é só para quem ganha a vida com o baralho.
— Você inventou isso.
— Quem sabe? — admitiu ela, sorrindo.
— Acho que você tem de aprender a se soltar um pouco e se divertir mais.
— Você vai ver como eu sei me divertir.
— Pois então, prepare-se. O que não falta no El Diablo é diversão e boa comida!
— Até lá, então.
Ela saiu do carro e caminhou até a porta. Deu ainda uma olhadinha para trás e acenou para ele quando o viu olhando para ela.
Assim que estacionou em frente ao El Diablo, James viu Jeremy, seu irmão, encaminhando-se para o seu próprio carro.
— Soube que você estava para chegar, por isso decidi dar uma passadinha para vê-lo, mas não o encontrei.
O vento soprava seus cabelos. A camisa de algodão aberta na altura do pescoço aderia aos seus bíceps musculosos e ao seu peito largo. Ele acenou com um envelope.
— Preciso da sua assinatura para abrir outra conta em nome do Hotel Victoria para o seguro.
— Claro. Eu também quero conversar com você.
Eles foram até o escritório de James. Ele sentou-se à sua mesa de tampo de granito, enquanto Jeremy ocupou uma das poltronas de couro.
— Dê-me os papéis — disse James. Ele os examinou e assinou um a um, para depois devolvê-los ao irmão. — Aqui está. Como vão as coisas lá no hotel?
Jeremy deu de ombros.
— Tudo bem. Vamos inaugurar em breve, e então seremos de fato concorrentes do Evans Grand.
— O Victoria não é tão opulento quanto o Evans Grand, mas com certeza vai atrair muita gente da mesma classe social. Está tudo dentro do esperado?
— Um carregamento de móveis vindos de navio foi enviado para o hotel errado — disse Jeremy. — Fora isso, vai tudo às mil maravilhas.
James sorriu.
— Você vai conseguir resolver tudo a tempo. Ainda está dentro do prazo, não é?
— Estou. Por que é que você queria me ver? — perguntou Jeremy.
— Você se lembra dos boatos que eu tinha ouvido a respeito do Lil's Beach?
— Sim. Parece que o contador desapareceu depois de um enorme desfalque. Há algum fundo de verdade nisso tudo?
— Achei que os boatos pareciam bem verossímeis e decidi jantar no Lil's Beach para tirar isso a limpo. O contador dela realmente deu o golpe.
— Isso não vai causar maiores transtornos para os Evans. Eles vão repor o dinheiro, colocar o contador na cadeia e continuar tocando o barco como se nada tivesse acontecido.
— Não é bem assim. Não se esqueça de que o Lil's Beach pertence a Lily, a caçulinha da família.
Jeremy deu de ombros.
— Isso não faz diferença. Os irmãos dela vão intervir imediatamente.
— Foi o que imaginei também, mas não é assim que as coisas funcionam por lá. Eles não sabem nada a respeito do acontecido, nem Lily quer que eles fiquem sabendo.
Jeremy sorriu.
— É claro que não. Ela não quer que eles tomem o restaurante dela.
— Fiz uma proposta a ela — disse James, olhando para o seu ambicioso irmão. — Eu me ofereci para cobrir a sua dívida.
— Você não fez uma coisa dessas! — exclamou Jeremy, empertigando-se e estreitando os olhos. — O que foi que você obteve em troca?
— Metade do Lil's Beach — anunciou James triunfante, satisfeito ao ver o olhar de aprovação do irmão.
— Mas aquele negócio pertence a uma Evans. Eles nunca vão permitir uma coisa dessas.
James se debruçou sobre a mesa.
— Eles não sabem de nada. Lily e eu fechamos o contrato esta tarde com nossos advogados. Não há nada que eles possam fazer a respeito.
— Eu não acredito! Metade do restaurante! Meus parabéns! Nós somos donos de parte de uma propriedade dos Evans! Estou chocado. Será que ela não sabe que estamos em guerra com a família dela?
— Creio que não. Se ela tivesse a mais remota ideia do que está se passando, não teria reagido a mim da maneira como reagiu. Eles não devem contar nada a ela.
Jeremyassobiou.
— Como é que ela poderia não saber? Metade do SoBe sabe que temos uma rixa com os Evans.
— Pode acreditar em mim. Lily é tão ingênua e crédula como um cordeirinho. Quis até manter o nosso acordo em sigilo até tudo começar a funcionar regularmente. Ela vai dizer aos seus empregados que estou lhe prestando uma consultoria.
Jeremy apertou os olhos novamente.
— Quanto?
— Pouco mais de dois milhões de dólares.
— Meu Deus! O sujeito desviou dois milhões de dólares bem debaixo do nariz dela, e ela não notou nada?
— Ela não passa de uma criança grande. Não sei quanto à irmã gêmea dela, mas Lily é a típica caçulinha da família. A princesinha do papai que ganhou um restaurante de presente para se divertir. Eu cheguei lá, fiz a minha oferta e ela aceitou aliviada. Confiou em mim desde o primeiro momento.
— É espantoso!
— Só vou precisar de mais algum tempo para me apossar de tudo. Você já imaginou o golpe que vai ser para os Evans?
— Nicholas e Matt vão ficar furiosos quando isso acontecer! — disse Jeremy com um sorriso. — Quando os irmãos dela descobrirem que você já é dono de metade do restaurante, podem até querer lhe vender a outra metade só para desfazer a sociedade conosco.
— De um jeito ou de outro, vou acabar sendo o único proprietário daquele restaurante.
— Adorei as novidades — disse Jeremy, levantando-se —, mas tenho de ir agora. Mantenha-me informado.
Assim que Jeremy se foi, James se pôs a pensar em Lily novamente.
Ela era uma mulher muito atraente e sensual. Havia uma conexão muito forte entre eles. Lily se esforçava para manter as cosias no nível profissional, mas era evidente que ela também sentia os efeitos daquela eletricidade.
James se lembrou com detalhes do exato momento em que ele havia olhado através do vidro de seu escritório, flagrando-a com os olhos fixos nele. Sua blusa e saia da cor do fogo eram um convite à perdição. Suas pernas longas e bem torneadas eram tão fabulosas quanto a sua cintura estreita e os seus seios fartos.
Aqueles pensamentos o estavam deixando excitado.
Ela era bonita e ele tinha gostado de desfrutar da sua companhia e de conversar com ela. Aquele era um bônus com o qual ele não havia contado. Virou-se então para o telefone, decidido a ligar para ela.
Assim que Lily atendeu, ele se recostou na poltrona e cruzou os pés sobre a mesa.
— Eu queria saber se você ainda estava feliz com o nosso acordo e se está ansiosa pelo nosso jantar.
Vinte minutos se passaram antes que eles desligassem. James percebeu que havia ficado ainda mais ávido por revê-la, tamborilando ansioso sobre a mesa, enquanto pensava no jantar e no que mais ele queria compartilhar com ela. Assoviando, olhou para o seu escritório com chão de mármore e paredes pintadas de branco. Vários quadros de artistas contemporâneos havia pelas paredes, adornavam poltronas de um tom intenso de azul e diversos vasos de plantas.
Seu olhar recaiu sobre um quadro em especial, um Richardson. Será que Lily se lembraria de que ele havia arrematado o quadro num leilão, dando um lance mais alto que o dela?
Mais uma vez seu sangue ferveu ao pensar nela, deixando-o inquieto. Ele tirou algumas fotografias da gaveta e as espalhou sobre a sua mesa. Eram fotografias do Lil's Beach tiradas na semana anterior. Uma grande satisfação tomou conta dele ao pegar uma em especial, onde Lily aparecia na frente do restaurante, conversando com um homem com um ancinho, a quem James julgou ser o jardineiro. Ela estava usando um conjunto de saia e camiseta bem reduzidos. Para uma mulher tão comedida em relação ao amor, ela tinha um guarda-roupa que exalava sedução e sensualidade. Ele sorriu e passou o dedo sobre a fotografia, lembrando-se da eletricidade que o percorria seu corpo cada vez que ficava ao lado dela. Guardou então as fotografias, decidido a conquistar o restaurante e a proprietária também.
Lily voltou ao seu apartamento pouco depois das oito, para se preparar para o jantar com James. Ela estava muito ansiosa com o encontro. Tentando ignorar as suas preocupações, ela tomou um bom banho e escolheu um tubinho preto que terminava pouco acima de seus joelhos. Sandálias pretas de salto agulha deram o toque final ao seu visual.
Enquanto se vestia, Lily ouviu pelo rádio que um furacão se aproximava pelo oceano Atlântico, seguindo para oeste. Seus pensamentos voltaram, em questão de segundos para James, fazendo-a perder todo e qualquer interesse no clima. Tudo o que ela captou foi que o furacão não se aproximaria do continente até domingo à noite ou segunda. Até lá, a tempestade poderia se dissipar ou até mesmo mudar de curso.
Lily escovou o seu longo cabelo cuidadosamente, prendendo-o apenas de um lado. Colocou ainda seus brincos de diamante, pegou sua pequena bolsa preta metálica, e saiu.
Havia uma enorme placa na frente do restaurante onde se lia El Diablo, em néon. Flores exóticas vermelhas se espalhavam por todo o jardim e a luz que banhava as palmeiras altas lançava sombras sobre a grama verde. Ela estacionou e entregou a chave ao manobrista.
A música podia ser ouvida de longe. O lugar estava lotado. Ela foi até o maitre e solicitou que ele a anunciasse a James. Enquanto esperava, pôs-se a olhar ao redor. Havia chamas vermelhas pintadas sobre as paredes cor-de-rosa da entrada, evidenciadas por luzes vermelho-alaranjadas. Palmas, bananeiras e folhagem tropical acrescentavam um toque de verde ao lugar.
— Bem-vinda ao El Diablo — disse uma voz profunda atrás dela. Ela se virou e encontrou James sorrindo, olhando-a com admiração, dos pés à cabeça, e lhe oferecendo o braço. — Você está linda — disse ele suavemente.
Lily ficou desconcertada. A beleza de James parecia ainda mais acentuada com aquela camisa escura para dentro de uma calça cinza.
— Obrigada — respondeu ela, quase sem fôlego, pensando que a sua reação a ele só fazia aumentar sempre que se encontravam.
— Venha comigo — disse James.
Havia camas espalhadas por diversas plataformas com finas cortinas que podiam se manter abertas ou fechadas, dependendo da privacidade desejada. Os fregueses se recostavam nelas como sultões libertinos enquanto comemoravam e namoravam. O barulho era alto, acrescido da música e do som das gargalhadas e conversas.
Ele a levou até a cozinha e a apresentou ao seu chefe. Depois foi a vez do seu gerente. Por fim, chegaram a um salão com paredes e portas de vidro.
— Esta é a sala de espera do meu escritório — disse ele, fazendo-a passar por mais uma porta e ligando a luz.
— É lindo — disse ela, olhando ao redor e se detendo em frente a um quadro em particular. — Esse quadro tem muita história!
— Quer dizer então que você se lembra — disse ele, parecendo decepcionado.
— E como é que eu poderia me esquecer que você o tomou de mim? — respondeu ela sem se comprometer.
— Nós ainda não tínhamos sido apresentados. Só vim a conhecê-la muito tempo depois. Para falar a verdade, eu esperava que você já tivesse se esquecido do episódio.
— Oh, não! — exclamou ela. — Você tem muito bom gosto.
— Cheguei a me perguntar se você só estava insistindo nos lances por teimosia — disse ele.
— Eu queria muito esse quadro e fiquei aborrecida com a sua persistência. Ele ainda é um dos meus favoritos. Você fez um bom investimento, apesar de ter sido maldoso comigo.
James foi até ela, ficando a apenas alguns centímetros de distância.
— Quer dizer então que você realmente o queria?
— Eu não teria insistido se não o quisesse, mas começo a desconfiar que você continuou só porque não queria perder.
Ele sorriu e deu de ombros, tocando suavemente o seu rosto de maneira provocante.
— Isso pode ter sido parte da minha motivação. Não é sempre que tenho a chance de competir com uma mulher linda como você.
— Muito obrigada pelo elogio. Suponho que você entre em todas as disputas firmemente decidido a vencer.
— Não faz sentido jogar para perder, faz? — perguntou ele suavemente. Lily percebeu um tom de desafio em sua voz. Mais uma vez ela se perguntou o quanto ele iria interferir no gerenciamento do restaurante.
Ela ergueu o queixo e lhe lançou um olhar que o fez saber que valia a pena ter uma adversária como ela.
— Ganhei o dia quando você aceitou o meu convite para jantar — disse ele, com uma voz rouca que a deixou arrepiada.
— Nada disso. Você ganhou o dia quando assinei aquele contrato, lhe passando metade do meu restaurante — provocou ela, fazendo-o rir.
— Isso também, mas esta noite está sendo tão importante para mim quanto foi a tarde.
Lily caminhou até outro quadro. Quando se virou novamente, encontrou James observando-a minuciosamente.
— Espero que as nossas próximas disputas sejam tão estimulantes quanto o leilão.
— Você achou revigorante porque venceu, mas eu me aborreci a ponto de nunca mais esquecer o que aconteceu.
— Vou ter de me redimir de alguma forma — disse ele. — Talvez eu a deixe ganhar da próxima vez.
— Faça isso — disse ela, dando fim ao seu passeio pelo escritório.
— Você fala como se não acreditasse que eu fosse capaz de abrir mão de alguma coisa em nome de alguém.
— Vamos ver. Uma ação vale mais que mil palavras.
Ele foi até ela e pousou a mão no centro das suas costas.
— Não acho que nós vamos ter muitos conflitos em outros departamentos — disse ele com uma voz profunda. Ela torceu para que ele não tivesse percebido o quanto o seu coração havia acelerado. A boca dele era bem moldada, seu lábio inferior, sensual. Como seriam seus beijos? Provavelmente irresistíveis e ardentes como tudo o mais nele. Ela percebeu uma expressão zombeteira nos olhos dele, como se estivesse se dando conta do que ela estava pensando. — Eu tenho certeza que não — acrescentou ele. — Nós vamos acabar descobrindo.
— Certamente — disse ela, sabendo que ele não estava se referindo aos negócios.
— Eu vou lhe mostrar onde vamos jantar esta noite.
— O El Diablo parece lotado. Há muitas pessoas esperando por um lugar.
— Os fins de semana são sempre assim. É preciso fazer reserva com pelo menos um mês de antecedência — disse ele, abrindo outra porta e dando uma passo para trás para conduzi-la até um salão que era um pano de fundo para a sedução. — Seja bem-vinda ao meu salão de jantar particular.
Olá pessoal! Esse cap respondeu algumas perguntas feitas, pelo menos em relação do porque James querer tanto ajudar Lily, do real interesse dele no restaurante e também sobre a parte de "conquistar a proprietária". As reviews que recebi estavam com o nome de Guest, por isso não sei que as escreveu, a única que apareceu o nome foi o da Dafny. Mas mesmo assim muito obrigada de coração a todas que comentaram, beijinhos :*
