Disclaimer: Naruto não é meu, mesmo que eu queira muito.
E o enredo de também não, Liberte Meu Coração pertence a maravilhosa Meg Cabot e eu somente juntei duas coisas que amo muito e vamos ver no que vai dar.
Liberte Meu Coração
Capitulo 4
Sasuke não sabia ao certo por quanto tempo mais conseguiria tolerar os incessantes resmungo de eu escudeiro. Primeiramente, por causa da garota da estalagem e, agora, pelo fato de seu cavalo não ter a mesma força que o de Sasuke e, por isso, precisar de um descanso. O próprio Sasuke tinha escolhido a montaria de Konohamaru e sabia que o animal era tão robusto quanto o dele, embora não tão bem treinado. Não, era Konohamaru quem queria descansar, embora passasse do meio-dia, o tempo estivesse bom e estivessem cavalgando por apenas algumas horas. O que Sasuke tinha feito na vida para merecer o tormento que esse jovem resmungão o estava fazendo passar? O garoto não podia manter a boca fechada e deixá-los cavalgar em paz?
— Meu lorde — chamou o garoto, de alguma distância atrás de Sasuke. — Meu lorde, espere. Não comemos nada desde que saímos de Leesbury. Estou quase desmaiando de fome.
Sasuke revirou os olhos. O apetite do garoto, assim como seu amor por falar, era insaciável.
— Tem pão e bacon na sua bolsa — resmungou Sasuke, no seu tom mais ameaçador. — Coma isso por enquanto. — Era de se esperar que a boca do jovem ficasse ocupada demais para conversas. Ou talvez ele morresse engasgado, Sasuke considerou, animando-se um pouco.
Mas estavam finalmente entrando em terreno familiar, e Sasuke não conseguiu ficar irritado por muito tempo. Ali era o bosque onde tinha caçado seu primeiro veado vinte anos antes, ali o arvoredo onde tinha deitado com Fat Maude pela primeira vez havia uns dez anos. Havia ainda uns dois dias de cavalgada até o solar, mas eram dois dias de território tão familiar quanto a
palma da sua mão. Ah! Era estranhamente bom estar em casa depois de uma década de viagens completamente sem sentido.
Quando chegaram à curva na trilha de ovelhas que levava à formação rochosa que assomava sobre a cachoeira de Saint Elias, Sasuke hesitou. A cachoeira era um lugar irresistível para um mergulho. Passaram muitos verões de sua infância caçando nas colinas, onde Sasuke e o irmão se banharam, aprenderam a nadar embaixo d'água e a saltar das rochas sobre a cachoeira.
Não sendo mais administrada pela igreja — Saint Elias deixara de ter esse privilégio havia uns cinquenta anos, quando a água do lugar não conseguiu curar um único leproso —, a cachoeira fora coberta pela vegetação e tornou-se arrebatadoramente bonita em seu isolamento. Flores selvagens cresciam nas fendas do desfiladeiro, e os galhos das árvores que cresciam retorcidos em meio às rochas roçavam na superfície da água. Era um lugar perfeito para nadar depois de uma viagem quente e poeirenta — e era exatamente isso que Sasuke decidiu que precisava fazer para recarregar as energias. É claro que Konohamaru tinha outras ideias.
— Nadar? — repetiu ele, incrédulo, quando Sasuke comunicou seu plano.
— O quê, eu? Fui nascido e criado em Londres, não se esqueça disso, meu lorde. O que eu sei sobre natação? Não seria capaz de dar uma braçada para salvar a minha vida!
— Que feliz coincidência — murmurou Sasuke de forma quase audível.
— Estou falando sério, meu lorde. Será um prazer lavar os cavalos enquanto o senhor nada, mas não me verá saltando na água. Além disso, o que eu iria querer com um monte de água de cachoeira gelada? Acabamos de chegar ao mês de maio, senhor, não de julho. Há um frio intenso bem distinto no ar.
Isso não era verdade, mas Sasuke não estava em condições de discutir. Descendo da sela, agarrou o freio da montaria e guiou o cavalo em direção à primeira proeminência rochosa que assomava acima da cachoeira, para que assim pudesse olhá-la por inteiro e ver se tinha mudado desde a última vez que a vira, dez anos antes. Deixou o garoto resmungando às suas costas e entrou na grama verde e fresca que margeava a trilha de ovelhas, na solidão silenciosa da floresta.
Ali, a luz radiante do sol da tarde penetrava pelas copas das árvores em feixes dourados. O chão da floresta estava salpicado pela luz do sol e fresco com o aroma da folhagem seca sobre o solo, e Sasuke respirou fundo. Fazia muitos anos que não sentia o perfume de uma boa turfa inglesa. Desatento aos galhos e às plantas estalando sob as solas das botas largas, Sasuke seguiu em frente, ouvindo apenas os pássaros chamando uns aos outros das copas das árvores, o ruído das águas da cachoeira e o repentino grito do escudeiro às suas costas. Ele parou por um momento, perguntando-se o que atormentava o garoto, mas concluiu que só podia ser mais uma de suas reclamações sem sentido. Revirando os olhos novamente, Sasuke caminhou em
direção ao aforamento que contemplava o desfiladeiro da cachoeira e ficou de pé sobre as rochas, olhando para baixo.
Com exceção das árvores, que pareciam mais altas e mais retorcidas do que nunca, a primavera era basicamente a mesma desde que a vira pela última vez. A água abaixo estava tão transparente quanto o ar ao redor, verde em meio à luz dourada que jorrava dos lençóis de folhas acima. A superfície da água, que parecia vidro, era perturbada apenas pela queda de água que vinha das rochas sobre as quais ele pisava. A cachoeira de Saint Elias jorrava do subsolo e borbulhava através das fendas no desfiladeiro rochoso, formando uma espuma branca que caía na piscina metros abaixo.
A água mais doce e fresca que se pode imaginar; para sentir seu verdadeiro valor, era preciso pegá-la direto da fonte, antes que atingisse a piscina abaixo. Sasuke e o irmão passavam horas deitados exatamente na mesma proeminência onde agora estava de pé, esticavam os braços por baixo do rochedo e enchiam o odre de água fresca. Olhando o odre praticamente vazio na sela de seu cavalo, Sasuke decidiu repetir a prática da infância e o pegou, derramando a água velha em um canteiro de violetas brancas. Voltando para o afloramento, deitou-se de corpo inteiro na pedra aquecida pelo sol e esticou um braço longo com o odre na mão para pegar a água borbulhante direto de sua fonte musgosa.
Quando estava ocupado com essa tarefa, um brilho colorido, bem diferente dos verdes e dourados da floresta à sua volta, chamou a sua atenção. Ele olhou para o desfiladeiro... e ficou imóvel.
Era a garota da estalagem.
Reconheceu-a imediatamente, embora agora não estivesse usando nem as calças nem a blusa branca de linho. Na verdade, a pele cor de marfim da garota cintilava sob a luz da tarde, o corpo languidamente esticado à margem de pedras do lago. Nua, os gloriosos cabelos róseos soltos, parecia tão delicada quanto uma fada das águas: os seios atrevidos não eram maiores que o tamanho perfeito para a mão de um homem; as coxas esbeltas, longas e brancas, uniam-se em uma penugem sedosa que ecoava o tom da cortina de cachos que caía sobre os ombros delgados; a cintura era tão fina que as mãos de Sasuke fechariam em volta dela, os dedos unindo-se; os quadris eram brancos e magros e, como já tinha notado na estalagem, as nádegas tinham a nítida forma de um coração.
Ele observou tudo isso no momento em que ela hesitava à margem do rio, primeiro esticando o corpo, depois prendendo aquele longo manto de cabelos em um nó no topo da cabeça. Em seguida, com a graça de um boto, mergulhou na água cristalina.
Foi quando Sasuke percebeu que prendia a respiração de tão preocupado que estava em não acabar com a magia do momento. Deitado como estava, não havia possibilidade de a garota vê- lo, mas tinha ficado imóvel do mesmo jeito, com medo de fazer algo que alertasse a donzela sobre sua presença e a fizesse fugir.
Tinha quase certeza de que ela fugiria caso ele revelasse sua presença. Ele prontamente comparou-a aos animais selvagens que viviam ali à volta, especialmente às raposas vermelhas e assustadiças que habitavam as tocas no limite da floresta. A mulher tinha algo de raposa em seu jeito, selvagem e astuta, mas estranhamente acanhada. Como qualquer donzela virtuosa, não receberia de bom grado quem se intrometesse em seu banho e, certamente, correria ao primeiro sinal de estar sendo observada.
Sasuke olhava fixamente para a adorável aparição que nadava lá embaixo. Os pensamentos estavam desordenados. O mais insistente entre ele sera a pergunta, quem era ela?, embora já soubesse a resposta. Sakura Haruno,a filha do moleiro. Havia uma família com esse nome nas terras do pai, Sasuke lembrou-se. Então essa deve ser uma de suas descendentes, Mas o que havia com esse moleiro que deixava uma donzela indefesa vagueando por aí sozinha e vestida de forma tão provocativa — ou completamente despida, como era o caso nesse momento?
Assim que Sasuke chegasse ao solar Stephensgate, falaria com o moleiro para garantir que a donzela fosse mais bem protegida no futuro. O homem não tinha conhecimento da gentalha que passava pela estrada nesses últimos tempos, dos salteadores, dos degoladores e dos ladrões de jovens moças como a que estava abaixo dele? É claro, a garota tinha mais que provado sua
coragem lá na estalagem, mas Sasuke sabia que a maioria dos criminosos não era nem de perto tão estúpida quanto Dick e Timmy. A garota não teria durado um segundo em Londres, e era um milagre ainda não ter acontecido um desastre com ela aqui em Shropshire.
Sasuke estava tão concentrado em seus pensamentos que, por um momento, não percebeu que a donzela tinha saído de sua visão. Onde as águas da cachoeira caíam, a piscina formada abaixo estava fora de seu campo de visão, pois era bloqueada pelo aforamento de rocha onde ele estava.
Concluiu que a garota tinha mergulhado, talvez para lavar os cabelos, que ele percebeu que ela mantinha acima da água. Urna cabeleira tão volumosa levaria horas para secar, e talvez preferisse limpá-la na água fresca da fonte do que em um lago ligeiramente mais esperou, antecipando prazerosamente o reaparecimento da garota. Perguntou a si mesmo se o mais cortês a fazer seria ir embora, sem chamar a atenção para sua presença. Depois encontraria com ela novamente na estrada, como que por acaso, e lhe ofereceria companhia até Stephensgate.
.
Quando estava decidindo que faria isso, mas não sem um último vislumbre daquela forma bela e elegante, escutou um som suave, depois algo muito fino em seu pescoço e alguém muito leve sentado nas suas costas.
Sasuke precisou se esforçar para controlar seus instintos defensivos. Tinha sido soldado durante dez anos, e os sentidos estavam afiados para os mais puros mecanismos de luta. Se estava participando de uma briga de bar ou dando fim aos sarracenos, seu instinto era primeiro lutar, depois questionar.
Mas nunca tinha sentido um braço tão magro em volta do pescoço nem coxas tão leves montadas em suas costas. Nem sua cabeça fora puxada para trás contra uma almofada tão tentadoramente macia. Quando a cortina de cabelos rosados caiu sobre ele, acariciando seu rosto e enchendo seus sentidos com uma leve fragrância de cerejas, ficou satisfeito por não ter levantado os braços e arremessado a adversária sobre a cabeça lá para baixo no lago, onde ela indubitavelmente teria aberto o crânio nas pedras.
— Fique totalmente imóvel — advertiu sua captora, e Sasuke, apreciando o calor das coxas dela, mais precisamente a maciez da cavidade entre os seios, onde ela mantinha firmemente presa a parte de trás de sua cabeça, ficou feliz em fazer-lhe esse favor. — Estou com uma faca no seu pescoço — informou-lhe a donzela com uma voz de garoto —, mas não vou usá-la, a não ser que seja preciso. Se você fizer o que eu disser, não vai se ferir. Entendeu?
Sasuke sentiu que deveria demonstrar algum sinal de resistência, embora não quisesse, em hipótese alguma, machucar a garota. Então tentou tirar os braços de onde estavam pendurados, ainda segurando o odre sob a cascata de água. Mas a força da natureza que montada nas suas costas não admitiria uma coisa dessas, e cravou um lindo pé descalço sobre seu antebraço, surpreendendo-o a ponto de fazê-lo deixar o odre cair na água lá embaixo.
— Solte! — ordenou ela em uma voz imperiosa. — Eu disse para não se mexer!
Sasuke, admirando a curva do pé delgado, a única parte da garota que ele realmente conseguia enxergar, com exceção da nuvem de cabelos que envelopava os dois, decidiu que agora deveria se desculpar. A garota tinha toda a razão de estar irritada; inocentemente, ela tinha vindo à cachoeira para se banhar, não para ser espiada. E agora estivesse gostando bastante da sensação do corpo atraente dela contra o dele, não estava gostando daquela raiva. Era melhor acalmar a moça espirituosa e vê-la de volta na estrada para Stephensgate, onde podia garantir que ela não montaria nas costas de outro homem e que assim não se meteria em encrenca.
— Honestamente, peço-lhe perdão, senhorita — começou ele, em um tom que esperava ser de arrependimento, apesar de ser difícil para ele falar sem rir. — Vi a senhorita por acaso, em seu momento mais intimo e, por isso, devo pedir perdão...
— Tomei você por ingênuo, mas não por completamente estúpido — foi a surpreendente resposta da garota. Sasuke ficou espantado ao perceber que a voz dela estava tão cheia de divertimento quanto a dele. — Eu deixei você me ver, é claro — explicou ela. Rápida como um raio, a faca deixou seu pescoço, e a donzela agarrou os dois pulsos de Sasuke e os prendeu nas costas antes mesmo que ele pudesse saber o que estava acontecendo. — Agora, você é meu prisioneiro. — disse Sakura Haruno, evidentemente satisfeita pelo trabalho bem feito. — Para ganhar liberdade, vai ter de pagar por ela. E de forma generosa.
Próximo capítulo...
Sasuke deu de ombros e posicionou as mãos nos quadris da garota, apreciando a sensação aveludada das calças de couro em seus dedos. Desta vez, ele recebeu uma cotovelada no diafragma por essa falha.
— Meu Deus, mulher — ele praguejou, apertando a cintura. — Para que isso?
— Se você não consegue ficar com as mãos quietas, vou amarrá-las atrás das suas costas, juro.
E ai pessoinhas como vão? Espero que bem!
Gostaram desse capítulo ? Pode deixar que ainda tem é confusão com esses dois! haha
Até o próximo
Kissus
