As férias haviam começado há pouco tempo. Queria lhe mandar uma coruja.

Seria estranho de mais?

Seria ruim de mais?

Tinha medo da reação dele quando a recebesse. Não queria que se tornassem mais distantes do que já estavam.

Não queria perde-lo.

A dúvida e a angustia tomam conta de sua mente. Chorava, chorava, estava vazio por dentro. Parecia lhe faltar um pedaço.

O medo parecia ter-lhe arrancado o coração.

Mas não conseguia entender. Como ele ainda podia doer sem estar lá?

Essa noite demorava a passar, estava silenciosa e solitária. Parecia não ter fim.

Queria seus braços agora. Queria senti-los lhe envolver, sentir o calor de seu corpo. Queria a certeza de que ele iria correr de braços abertos quando o visse novamente.

Sonhava em tocar seus lábios e poder finalmente escutar "Não quero que vá embora de novo. Não quero que vá embora para sempre."

Sonhava que iria chorar quando ele levasse a mão até seu rosto e o acariciasse. Não seriam as lagrimas tristes de sempre.

Sonhava que ele lhe enxugasse o rosto e quando o visse sorrir dissesse "Eu te amo, seu bobo".

Sonhava tentando afastar o medo.

O medo que o enlouquecia. O medo que nem sabia se devia sentir. O medo que lhe dilacerava. O medo que não o deixava dormir.