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N/A: Não sou a favor do uso de ilícitos, nem muito menos à violência doméstica.

Mas são assuntos também abordados nesta fic, não em detalhes gráficos, mas menções.

Peço desculpas antecipadas se o assunto chateia alguém. Mas esse é um aviso.

PARABÉEENS à minha índia magnífica que ficou noiva essa semana, e pelo aniversário! Essa coisa fofa que ela é! Tchamo!

Disclaimer: Meyer lançou um bestseller, e eu continuo escrevendo fic. É.

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Capítulo 3. - Under Water.

BPOV.

Kelly Brown - The Earlies.

Engraçado é a expectativa criada em cima de uma aurora ou um poente dourado. Aquela espera angustiante, ainda assim esperançosa, de que algo mágico vá dar certo naquele dia, ou semana. Quando o céu fica escorrido de cores místicas, deixando olhos genuínos maravilhados com um fenômeno que acontece todos os dias. Mas a manhã que vejo nascendo agora é pouco apreciada, quase ninguém vê sua beleza; cinza, um azul sujo que rimava com olhos de anjos tristes, anjos tortos, grandes cílios, e uma história pintada por das janelas de possibilidades de quaisquer coisas que eles queiram nos mostrar. Ironicamente, nesses dias as chuvas são mais prováveis. E o homem não enxerga que é a natureza mostrando sua revolta.

Apertei o papel fino entre o polegar e o indicador sentindo os últimos tragos da erva adocicada queimar com mais destreza. Meu cabelo molhado do banho estava gelado do vento matutino, mas me despertava mais que uma xícara de café pura. Ajudava a focar mais nas próximas horas em que estaria sentada na sala de aula.

(...)

Existiam prós e contras de uma aula interativa. Eu realmente gostava e me via falando mais que absorvendo a matéria de maneira tradicional. Tinha sempre aquele que pegava no sono, e aquele que não concordava com nada. Filosofia contemporânea era assim. Um nome feio - Fundamentos Epistêmicos da Psicologia - não estampava o principal tópico da matéria.

Então enquanto um professor de seus meros trinta anos abordava teorias, eu reparava no loiro bagunçado do outro lado da sala que me encarava sem discernimento. Era como se tentasse entender a minha existência no meio de um todo. Não era a primeira vez que eu o flagrava, mas ele pouco fazia questão de esconder o fato. Eu apenas virava a cabeça para as folhas de um fichário mal organizado e sorria internamente - talvez externasse um pouco também.

Não era como se fosse um estranho. Eu sabia seu nome – Alistair; idade - vinte e três anos e que de vez em quando gostava de se divertir em banheiros de boate com talvez uma ou duas mulheres. E foi assim que o mistério da estranheza de seu rosto acabou no segundo dia de aula que esbarrei com seu rosto mal dormido. Iria ser assustador se não fosse tão cômico a forma como me rondava como um pavão. Não sei se por medo de eu abrir a boca sobre suas maneiras de passar o tempo, ou vontade de me chamar para participar.

"Hey!" Uma voz desconhecida chamou minha atenção. "Você tem a apostila da aula passada?" Foi assim que ele decidiu começar um assunto qualquer. Eu escondi um sorriso que queria sair.

Nós eventualmente nos tornamos amigos. Amigos como muitos que tenho espalhados por aí. Aqueles que você sabe um pouco da atualidade, nada do passado e algumas menções do futuro. Amigo que você leva para casa e desperdiça tempo dividindo alguns cigarros caseiros e beijos, mãos e pernas, depois passa uma semana sem se falar. Um amigo, nunca um relacionamento. Não que eu tenha medo deles ou qualquer coisa parecida, é só o fato de ser algo desconhecido para mim.

Amigos como Alistair também tenho Rosalie. Uma loira modelo linda no andar debaixo que eu conheci na lavanderia do prédio. Ela tinha um robe japonês mal enrolado no corpo, um batom muito vermelho nos lábios e parecia entretida demais vendo as roupas rodarem na grande máquina. Suas formas eram singelas e delicadas em volta dos ossos muito marcados. Enquanto eu verificava se não tinha alguma coisa nos bolsos de trás da calça para pôr para lavar ela soltava alguns - muitos - 'uau's. O que me fez rir, o que a fez reparar que não estava sozinha. O que nos tornou amigas convenientes.

Rosalie, porém, era conhecida antiga e me despertava sentimento de proteção. Ela sabia se cuidar, eu achava, mas talvez por sua aparência frágil e os grandes olhos mergulhados em muitos extras que eu nem me permitia pensar, me faziam querer adotá-la como irmã. Nos comunicávamos aqui e ali pelos corredores, ou quando eu aparecia em seu pequeno flat. Ela conhecia pessoas, que conheciam pessoas que tinham algo bom para se oferecer em uma noite produtivas. Afogada em seu próprio mundo, Rosalie me fazia temer que um dia eu não tivesse volta. Que um dia eu chegasse ao fundo do poço. O susto que levei por ver seu estoque de seringas me trouxe um arrepio na espinha. Eu não suportava agulhas.

"Mas você tem uma tatuagem." Ela protestou uma vez confusa.

"Foi a única vez que eu me obriguei a não ter medo de uma." Terminei de enrolar a seda antes de umidecer com a ponta da língua. "Não tenho furos nem nas orelhas, viu?"

"Uau."

Às vezes ela me contava um pouco da sua vida, e a forma que ela via o mundo poderia ser comparada a alguém encarar um aquário, totalmente submerso em uma caixa de vidro cheia de água. Tudo era interessante e novidade, e não tinha como ela submergir dali. Por isso não me espantei quando bati na porta de sua casa em uma tarde depois das aulas, e a encontrei colocando um incenso em todos os cantos da casa.

"Bella!" Ela se surpreendeu, no entanto, com a minha presença repentina e veio correndo me abraçar forte. "Uau, como você está linda hoje!"

"Você também está arrumada." Observei seu vestido preto com detalhes em dourado. "Vai sair, ou trabalhar?"

Rosalie riu solta e rodopiou com o vestido. "Jasper vem me buscar para uma nova sessão daqui a pouco."

"Jasper de novo?" Arqueio uma sobrancelha sugestiva. Jasper tinha feito fotos com ela nos últimos dois ou três meses, mas ela nunca mostrou interesse apesar das minhas provocações.

"É, ele é o máximo." Completou inocente. Era engraçado como alguém conseguia ainda manter essa pureza genuína que ela tinha nas palavras. "Está saindo com alguém, eu acho. Você precisa ver como ele fica vermelho ao falar nela. É como... uau. Uau."

Eu estico a mão para seu rosto e tiro uma mancha de rímel borrado.

"Meu olho está escuro? Quero dizer, dilatado?" Pergunta se aproximando. "O ruim de ter olhos claros é que logo dar para perceber. Você tem sorte."

Uma batida na porta entreaberta a tira dos devaneios absurdos. Eu tiro o cabelo do rosto e dou uma olhada no local enquanto Rosalie atende Alistair com um abraço apertado. Ela tinha essa facilidade de gostar das pessoas, em suas palavras "por quê não amar se são todas passageiras?".

"Olha quem chegou; Alistair!" Ela disse como se eu não tivesse escutado. Ele tinha vindo comigo da faculdade para passarmos um tempo no meu apartamento.

Trocamos um olhar e um sorriso cansados.

"Rose, você ainda tem balinha?" Pergunto. Ela me olha por algum tempo e sacode a cabeça.

"Acabaram na semana passada."

Dando os ombros ela volta a ajeitar a bolsa que vai sair em alguns instantes. Nós tínhamos comprado uma boa quantia de ecstasy dez dias atrás, falar que acabou na semana passada é ingerir demais em apenas 4 dias.

"E quando você vai encontrar com Garrett?"

"Oh, Bella." Ela se vira. "Garrett morreu. Eu não te contei?"

"Morreu?" Pergunto sendo pega de surpresa. Rosalie assente.

"Temos que achar outra pessoa..."

Comenta tranquila como falaria das tarefas a fazer. Sua preocupação maior é como irá se abastecer nos próximos dias. Rosalie continuou explicando que iria falar com Jasper e perguntar se ele conhecia alguém, apesar de não ser usuário de nada, aparentemente. Eu concordo com a cabeça antes de subir para o meu próprio apartamento. Não me sinto sentimental sobre a morte de alguém que nunca vi, e certamente não estou desesperada por novos produtos tão imediatamente. Mas algo me deixa curiosa sobre o que aconteceu de verdade. Traficantes não morrem do nada, são mortos. E só de pensar em assassinato uma onda de tremores passa por meu corpo.

"Está com frio?" Alistair questiona minha pele arrepiada. Já estava anoitecendo.

"Não." Isso o deve ter deixado muito certo de si e suas influências em meu corpo, pois ri baixinho contra o meu pescoço enquanto observo o poente estranho.

Eu deixo ele me distrair das perguntas para quais eu não teria resposta, e ele sabe o exato lugar em meu pescoço buscar, onde pode deixar seu polegar brincar por baixo de minha blusa, e dedos dentro de meus shorts. E por algum tempo eu me concentro na sensibilidade extra que tenho em meu corpo. Alistair é bom em não ser persistente quando estou muito cansada, e recolhe suas coisas enquanto ainda estou na cama. A porta se fecha sem muito barulho, mas os sonhos são misturas de lembranças que me deixam insone.

FLASHBACK.

Foi a única vez que minha mãe prendia meu cabelo ainda molhado. Ela tinha aquela mania de dizer que os fios quebrariam se eu continuasse com os elásticos minutos depois de sair do banho. Mas, claro, aquela era um dia diferente. Uma ocasião única. Na verdade ela não saía do meu lado - esperando que a qualquer momento eu ruísse. Ouvi meus pais no corredor momentos antes que era apenas um choque, que quando a realidade viesse à tona eu precisaria de seu apoio. Renée estava preocupada, e se eu fosse uma pessoa normal, estaria pelo menos revoltada com toda a irrealidade que parecia me cercar.

Como uma dose forte de morfina eu sentia absolutamente nada. A imagem refletida no espelho era um vácuo. O ar era escasso demais para os meus pulmões, mas a fadiga me impedia de lutar por mais oxigênio.

Renée me levantou pelos ombros assim que terminou de escovar meu rabo de cavalo baixo. Eu odiava rabos de cavalo embaixo. A roupa que me estendeu consistia em um vestido simples, preto – claro – e meias finas. Ela perguntou pela quarta vez se queria ajuda com mais alguma coisa e eu estava prestes a responder vocalmente quando senti minha garganta seca e minha fala presa. Fechei minha boca e balancei a cabeça. Falar era superestimado.

(...)

Era a única sem flores. Um CD entre os dedos – aquele que ficamos argumentando por no mínimo cinqüenta minutos, até decidirmos dividir o preço e prometer ouvir apenas quando estivéssemos juntas. Não faria sentido ouvi-lo sem ela. Aquele menino que passava todos os dias em nossa rua de bicicleta estava presente. Até ele parecia mais abalado que eu. A cerimônia é quieta, e todos velam uma foto tirada na escola. Seu aparelho ainda estava sombreando os dentes de cima, Angela odiaria essa foto.

Alguns enfeites, muitas flores, mensagens de paz para a sua alma decoravam a mesa ao lado. A sala estava abafada pela quantidade de pessoas, e por ser pequena me dava uma sensação de fobia. Mas até isso passou rápido. Seus pais não são os melhores pagos da cidade, o enterro não iria ser glamuroso. Angie merecia mais e seus pais sabem disso. Sua mãe estava no canto ainda muito frágil e fisicamente abatida enquanto seu pai tentava receber as condolescências educadas de cada um presente. Minha mãe tinha falado por nós duas.

Pessoas são más, elas exigem lágrimas com olhares julgadores, porque aparentemente a regra consiste em derramar-se em funerais sem respeito. Apenas os sem sentimentos, ou com o coração escuro tem os rostos secos. Quando finalmente levantei podia sentir dezenas de pares de olhos em cima de mim. Coloquei o CD ao lado de sua foto e voltei para o meu canto. As palavras que eles nunca diriam para uma menina de doze anos martelavam na minha cabeça, e pela primeira vez algo distorceu o meu estômago. A náusea me causou calafrios e minha boca encheu-se de saliva, eu precisava sair dali. Corri até o banheiro logo na primeira porta à esquerda do corredor e não tive tempo de chegar ao vaso, colocando toda minha bile para fora na pia.

Fiz bochecho algumas vezes com água fria, passando a mão resfriada também em meu rosto em uma tentativa de disfarçar os pontos vermelhos que marcavam meu rosto. Abri o armário sabendo que teria algum refrescante bucal, mas me deparei com sua escova de dentes – a que eu tinha devolvido duas noites atrás por ela ter esquecido em minha casa.

Como se fosse a lavanca que eu precisasse, meu corpo começou a tremer e minha respiração completamente errática me trás às cascatas de lágrimas. Gotas gordas, pesadas, contínuas, um grito estrangulado, de garganta fazendo minha cabeça doer. Minhas pernas cedem como em um ato dramático, mas não é como se eu tivesse escolha ou forças para continuar de pé. Ela tinha ido embora, para sempre, e eu nunca mais a devolveria roupas ou escovas de dente, porque ela não iria mais para a minha casa. Angie não me ligaria no final do dia quando passássemos o mesmo sem nos ver, e nem faríamos planos para o verão.

Meus soluços eram altos, até berrantes. Um corredor de pessoas está falsamente preocupada e curiosa até Charlie me pegar no colo com dificuldade. Para alguém de doze anos, eu era alta e na forma em que estava curvada no chão, sabia que não era a coisa mais fácil. Porém, o meu consciente está completamente turvado pela nova notícia que absorvera. Minha mãe murmurou algumas desculpas antes de receber cabeças assentindo e entendendo a situação. Lágrimas que os resultam expressões de pena e tristeza. Finalmente estavam satisfeitos.

/FLASHBACK.

"Não foi para a faculdade?" A voz de Rosalie me acorda, eu busco o celular e vejo que já passou da hora da minha última aula.

"Merda." Sinto minha cabeça doendo e o nariz entupido. Ao sentar na cama vejo que ela tem um papel na mão.

"Veja, consegui o número de um cara... Jasper diz que ele é legal." Ela estica e eu verifico o número. "Se quiser ligar para ele essa semana." Diz porque não tem coragem de ligar.

"Tudo bem, eu ligo já."

"Por que estava chorando?" Rosalie podia ser a pessoa mais ausente do mundo em que vivia, mas observava o suficiente para se importar com as pessoas a sua volta. Seus dedos muito finos limpam meu rosto e meu coração acelera com as lembranças do sonho.

"Não lembro." Digo. "Só um sonho."

"Vai passar." Ela se inclina obrigando meu corpo a deitar novamente. Passando os braços a minha volta ela conta como foi seu ensaio e parece genuinamente feliz, pelo menos até eu pegar no sono novamente.

(...)

Um banho me fez bem, e eu me sinti melhor e menos culpada de ter perdido aula. Busco o papel que Rosalie me deu enquanto tiro do microondas um lanche rápido que deixei esquentando.

Quando digito os números e aperto o botão verde, porém, um nome brilha na minha tela: Edward M. C. Meu sorriso cresceu.

Sweet girl, tight skirt
(Doce menina, saia justa)
We'll never get bored
(Nunca ficaremos entediados)
Let the fun begin
(Que a diversão comece)
. ~The Gasoline Angels - Let the Fun Begin.


Os capítulos vão crescer ao longo da fic.

So, let's the fun begin!

Alguém tem alguma teoria de como vai ser esse encontro?

nom nom nom nom