Seus lábios quentes e doces, mas ao mesmo tempo gelados e amargos. Maldito frio na barriga que teima em vir. Não quero que isso aconteça de novo, não quero me decepcionar mais uma vez, não quero errar. Droga Chris Colfer, o que você está ta fazendo?

... Duas semanas atrás ...

Will havia me proposto que ele seria quem me ajudaria a esquecer Darren de vez e eu sem medo e sem pensar, aceitei. Ele marcou quatro encontros comigo, datas que ele disse que não seriam trocadas nem pela pior tempestade.

O primeiro encontro é hoje, onde ele me levaria? Não faço a mínima ideia. Contei a Lea meus planos e então fomos liberados logo no iniciar da tarde, após gravar uma cena no apartamento e em NYADA. Finalizando Diva hoje e amanhã começando com I Do. Amanhã será um longo e cansativo dia.

Sai dos set's e comecei a andar até meu carro. Olhava o celular e checava o twitter enquanto andava, peguei a chave em meu bolso e fui a rodopiando na mão, comecei a cantarolar, nem sei bem que música.

– Eu dirijo. – Levantei o olhar e encontrei Will retirando as chaves de minhas mãos.

– Tuuudo beem. – Disse lento e cantarolando.

Ele abriu a porta para mim, que cavalheiro. Entrei e dei a ultima olhada no twitter e quando subi o olhar vi Darren na porta do SET olhando em direção ao meu carro. Ele estava sério e espreitava os olhos.

Will fechou a porta do carro o que me chamou a atenção, tirando-me de meus devaneios. Guardei o celular e lhe dei um leve sorriso.

– Aonde vamos? – Perguntei, estava muito curioso.

– Segredo. – Ele ligou o carro e sorriu.

O carro dobrava ruas, seguia-as até o final, dobrava novamente. Não sabia onde estava, mas os prédios grandes e cinzas haviam dado lugar as grandes árvores verdes. Podia ouvir o canto dos pássaros me envolver.

Ele parou o carro em meio ao mato, lhe encarei com uma sobrancelha arqueada sem emitir palavra alguma. Ele sorriu doce e saiu, abriu a porta e eu permanecia estático lhe olhando.

– Vamos. – Ele estendeu sua mão direita a mim, mas permaneci parado. – Vai dizer que nunca fez trilha ou acampou?

– Poucas vezes. – Finalmente obtive uma reação.

– Ótimo, será como a primeira vez, apenas me siga. – Ele balançou sua mão em minha frente incentivando-me a ir.

Segurei firme, respirei fundo e fui. Como um tolo sorrindo para todo soprar de vento que sentia em meu rosto. Com nossas mãos unidas, entramos naquela mata fechada, onde os raios solares eram impedidos de entrar pelas folhas no topo das maiores árvores.

Era tudo tão silencioso em alguns minutos, mas logo em seguida os pássaros voltavam a cantarolar, pareciam estar em festa. Comecei a gelar cada vez que entravamos mais mata adentro. Meu corpo estremecia a cada barulho de galho quebrando. Will pelo visto percebeu meu nervosismo, ele segurou ainda mais firme minha mão e a apertou, me passando uma segurança inexplicável.

– Chegamos. – Ele parou bruscamente e acabei esbarrando nele. Podia ouvir o som esplendoroso.

– Eu não trouxe roupa de banho. – Sorri tímido.

– E quem disse que precisamos? – Ele deu um largo sorriso, fiquei sério e nervoso. – Calma, não precisamos porque não vamos nadar.

– Então porque me trouxe aqui? – Ele havia sentado a margem do rio.

– Aqui é onde eu me acalmo, meu ponto de paz. – Ele deitou e respirou fundo o ar puro. – Eu venho aqui e simplesmente fecho os olhos, deixando que as águas turbulentas e correntes da cachoeira levem todos os meus problemas.

Admirei por um tempo a cachoeira gigantesca em minha frente. Nenhuma árvore impedia o sol de se apoderar daquelas águas. Elas resplendiam como o mais brilhante diamante. Deitei ao seu lado e fechei os olhos, apenas o ouvir das águas correntes, da batida nas pedras. Era um calmante natural.

Ficamos horas ali, deitados do mesmo modo sem trocar palavra alguma. Tudo sobre a minha vida passou em minha mente, desde a escola sofrida até entrar em Glee e ver as coisas melhorarem, depois ver tudo desmoronar por conta de uma única pessoa.

O caminho de volta não foi diferente. Total silencio. Não quis falar absolutamente nada, apenas escorei minha cabeça no vidro do carro e admirei a estrada correr. Assim que cheguei em casa dormi como uma pedra, sem sonhos, sem pensamentos e sem nada. Descansei para um longo dia que estava por vir.

...

– Darren viu você sair acompanhado ontem. – Lea sentou ao meu lado no SET.

– Eu o vi me espiando. – Não tirei os olhos do celular.

– Tava com Will? – Lea catou algum salgado logo dando uma mordida.

– Sim. – A olhei sentada ao meu lado.

– Onde foram? – A encarei e guardei o celular.

– Interrogatório agora? – Ri. – Fomos a uma cachoeira.

– Uma coisa que não entendo. – Aparentemente ela não me ouviu, já que começou a falar logo em cima da ultima palavra dita por mim.

– O que? – Sorri.

– Porque você não conta pro Darren que Will é PR? – Fiquei surpreso.

– Porque... – Travei, nem mesmo eu sabia a resposta. – Ele não tem nada a ver com a minha vida pessoal.

– De melhores amigos a namorados e de namorados a desconhecidos? – Lea se levantou, mas parou e ainda me encarou. – Ainda acho que deviam ter uma nova conversa. – E finalmente saiu.

...

As horas voavam. Tudo o que eu menos queria. Essa semana seria as filmagens Klaine e eu não me sinto a vontade para gravar isso. Tenho que ser profissional, eu sei, mas simplesmente não consigo.

Estou em casa, é sábado e finalmente temos uma pequena folga. Com o segundo hiatus chegando as coisas estão mais leves. Deitado no sofá com um balde de pipocas, vendo inúmeros filmes acompanhado de Brian, esse será meu fim de semana.

Ouço a campainha e solto um pequeno gemido, não queria abrir a porta, não queria me levantar, não queria falar com ninguém. Que diabos eu estou fazendo?

Mas apesar de toda a preguiça e falta de força de vontade eu fui, abri a porta e me deparei com meu companheiro, segurando uma chave em mãos e um enorme sorriso no rosto.

– Will, o que faz aqui? – Arqueei a sobrancelha direita.

– Vim para o nosso segundo encontro. – Dei espaço para que ele entrasse.

– Achei que fosse amanhã. – Sentei acompanhado do castanho no sofá.

– E era, mas hoje você ia ficar em casa, então vamos sair. – Ele sorriu doce.

– Pra onde? – Ele ficou em silencio. – Já entendi, segredo. – Revirei os olhos e caminhei até o quarto, afinal eu estava de pijamas.

– Não demore, temos horário marcado. – Horário marcado? Troquei de roupa e saí.

– Vamos. – Vesti uma roupa básica, que não chame a atenção. Apenas uma camisa, uma calça jeans e um sapato preto.

E mais uma vez sentei no banco do carona, somente vendo as ruas correrem e as arvores passarem. Mas, espera, eu conheço esse lugar.

– Aonde vamos? – Olhei assustado para o motorista ao meu lado.

– Você vai gostar. – Ele sorriu. Esse mistério estava me matando. – Chegamos.

Ele apontou para frente onde eu podia ver a infraestrutura, um objeto enorme podia ser visto a quilômetros de distancia. Eu já havia estado ali várias vezes e nunca me cansava. Quando Hannah vinha me visitar íamos juntos, era a nossa fuga.

– Nosso segundo encontro é em um Parque de Diversões? – Comecei a rir, o primeiro foi tão.. romântico, e esse agora nem um pouco.

– Vai dizer que não gostou? Melhor que ficar em casa comendo pipoca e olhando filmes. – Ele estacionou o carro.

– Isso é. Eu adorei, eu amo vir aqui. – Sai do carro já ansioso.

– Ótimo. – Entramos, Will estava com os tickets.

– Qual vamos primeiro? – Olhei todos os brinquedos em um mini mapa.

– Montanha Russa é claro. – Ele puxou meu braço me arrastando correndo até o local.

– A fila ta enorme. – Desanimei ao ver as voltas e mais voltas de fila.

– Você é Chris Colfer, é só mostrar esse rostinho que te deixam passar na frente. – Will pôs a mão sobre meu rosto.

– Eu não gosto de usar minha fama para isso. – Fiquei sério e ele riu.

– Tudo bem, eu tenho os tickets VIP. – O castanho caminhou até o inicio da fila e nós seriamos os próximos.

Nos minutos que esperamos algumas fãs me reconheceram, pediram autógrafos e fotos. E como já era esperado, perguntaram quem era o Will, mas seguindo os meus agentes "diga que ele é apenas um amigo, o mistério chama mais atenção que o real", então Will era um velho amigo. Percebi o cochicho delas e a mais alta encarava Will brava, ela já devia ter matado ele umas trinta vezes em sua mente.

Quando subimos no carrinho um frio na barriga subiu. Apertei a mão de Will em impulso, era geralmente o que fazia quando Darren estava ao meu lado. Assim que percebi soltei, mas ele a procurou e a segurou firme novamente.

A velocidade começou lenta, como sempre é, uma subida de arrepiar. A decida foi rápida e não pude evitar os gritos, Will ria e colocava as mãos para cima. A cada volta, a cada virada eu me arrepiava cada vez mais, meu sangue corria como um maratonista em minhas veias e meu coração batia mais forte que uma bateria.

– Você está bem? – Will ria ao me ver cambaleando na saída do brinquedo.

– Estou. – Sorri e me ajeitei.

– Sabia que a adrenalina tem o poder de nos fazer esquecer de memórias ruins? – Ele caminhava calmo ao meu lado olhando para frente.

– Sério? – Virei para ele surpreso.

– Sim, quando a emoção nos toma afeta a nossa memória e apenas nos lembramos dos momentos felizes, os momentos que permitem que essa adrenalina e felicidade continuem. Ou seja, nada de depressão. – Ele era um doutor ou o que? Nem eu sabia disso.

– wow. – A única coisa que saiu de minha boca foi isso, apenas isso.

– Foi por isso que me trouxe aqui? – Parei de andar.

– Claro. – Ele se virou e sorriu.

– Tudo bem bolado. – Sussurrei.

– Bem organizado e concreto, cada encontro tem um objetivo. – Ele voltou a caminhar e lhe acompanhei. – E amanhã, ás 20hrs temos outro.

– Temos? – Arqueei a sobrancelha.

– Claro. E o ultimo será na segunda já que terça você passará o dia gravando, assim como o resto da semana. – Ele sabia minha agenda?

– Como sabe quando eu gravo ou não? – Parei mais uma vez e ele sorriu.

– Seus agentes me informam sua agenda por semana. Eu fico sabendo os horários livres para aparecer com você em público. – Ele abriu os braços mostrando o parque. – E hoje e amanhã eu mato dois coelhos com uma cajadada só. Eu ajudo você e também deixo seus agentes felizes.

– Você é inteligente. – Sorri.

– Sabia que já temos um nome de shipp? – Voltamos a andar em direção a outra atração.

– Qual? – Perguntei sorridente. Meus fãs não perdiam a oportunidade de criar um novo shipp ou ter outro motivo para estar sempre me seguindo.

– Chill. – Disse curto.

– Não é tão ruim, tem muitas brigas entre os fandoms? – Eu já imaginava que teria.

– Tem todos os dias, deve estar tendo uma agora. – Ele abaixou a cabeça e sorriu mais uma vez. – Não duvido muito que aquelas meninas postaram as fotos no twitter e já saíram espalhando a noticia de que você está comigo.

– Com isso elas nos ajudam. – Ri e segui ao seu lado para o próximo brinquedo. Esse foi meu sábado, um dos melhores da minha vida. Apenas alegria e sorrisos.

...

Acordei com meu telefone tocando. Abri os olhos lentamente e olhei a tela Lea. Tinha que atender, vai que é uma emergência.

– Alô, Le.. – Falei sonolento sendo interrompido por uma Lea totalmente histérica.

– Liga a TV agora! – Corri até o controle.

– Qual canal? – Fiquei mudando que nem um louco enquanto não obtive resposta.

– Esqueci o canal, aaah .. no programa do Jimmy. – Lea estava ofegante.

– Jimmy Kimmel? – Pus no canal e ela não precisou confirmar.

– Ta reprisando o programa de ontem, o Darren participou. – Revirei os olhos.

– Você me acorda porque o Darren apareceu em um programa? – Disse sério.

– Acredite em mim, você vai querer ver isso, e já estava na hora de acordar mesmo, são 16hrs. – Ela riu e eu olhei o relógio.

– Eu dormir tanto assim? – Fui a cozinha enquanto dava os comerciais.

– Parece que sim, Will te deu uma canseira ontem. – Ela ria.

– Deu mesmo. – Falei e o silencio do outro lado da linha fez com que eu risse.

– Começou a parte dele, ta na frente da TV? Ta sentado? – Ela falava rápido.

– Sim. – Sentei no sofá e observei a TV. – Lea, o que tem demais nisso? – Afundei no sofá olhando Darren comentar sobre carreira, vida pessoal, Mia, espera, Mia?

– Agora vem à parte boa. – Lea riu e me ajeitei no sofá.

– Mia e eu não estamos juntos a um bom tempo, digamos que, meu coração pertence a outra pessoa.

– Ele não disse isso. – Levei a mão a boca.

– Viu, sabia que gostaria de ver isso. – Ela ria e eu permanecia em choque.

– Porque ele fez isso? Os agentes dele devem estar malucos agora. – Admirei Darren na TV sorrindo, como se estivesse aliviado de falar aquilo.

– Até parece que não sabe o motivo Chris. – Agora ela não estava mais rindo. – Vai dizer agora que não sabe quem é a outra pessoa.

– Quem é? – Desliguei a TV e queria ouvir uma resposta diferente da que martelava em minha mente.

– Você Chris. – E não foi diferente. – Tenho que ir, nos vemos amanhã.

– Tchau. – Desliguei o celular e fiquei parado sentado no sofá.

Celular em mãos, um silencio profundo em todo o apartamento. Ele não devia ter feito isso. Logo agora que os rumores haviam diminuído.

– Vi sua entrevista no Jimmy, porque fez aquilo? Seus agentes devem estar pirando. – C

Larguei o celular em cima da mesa de centro e fui tomar um banho, um banho bem gelado. Em algumas horas teria que encontrar Will, e mais uma vez me encontraria com ele pensando em Darren. Espero que o próximo objetivo seja bater com a cabeça em uma pedra e perder a memória, porque somente assim para eu esquecer aquele moreno de cabelos cacheados.

Me vesti com calma, apenas uma camisa social básica, uma calça jeans e um sapato qualquer. Passei pelo celular para ver as horas. Me atrasei no banho, já eram 19:30 e Will já devia estar a caminho. Percebi também uma nova mensagem.

– O que menos me importa agora são meus agentes Chris. – D

Sentei na cama e olhei a tela. Escrevi e apaguei, escrevi mais uma vez e apaguei. Me faltava coragem, coragem de lhe dizer tudo o que quero.

– Se importa com o que então? – C

– Porque você se importa comigo agora? Will está longe? – D

– É claro que me importo, sempre me importei. Sabe aquele velho ditado, "quem ama cuida", então, meu dever é cuidar de você.. Não, melhor não, isso não.

– Infantil como sempre. – C

– Claro, eu sempre sou o infantil. – D

Não queria discutir e nem podia, a campainha tocou e Will havia chegado. Lá vou eu, mais uma vez tentar te esquecer Darren, mais uma tentativa falha.

– Hoje posso te contar aonde vamos. – Estávamos no carro, hoje eu não havia perguntado aonde íamos.

– Aonde? – Olhei com o olhar cansado e triste.

– Hoje vou lhe mostrar o que é romantismo. – Ele sorriu e mais uma vez lhe dei um olhar confuso.

– Hoje estou sem animo. – Encostei a cabeça na janela do carro.

– Então vamos nos animar. – Ele parou o carro em frente a um dos mais belos restaurantes da cidade.

– Will, aqui é muito movimentado. – Olhei apavorado para os fotógrafos a frente, as pessoas que entravam sem parar no local e a rua lotada.

– Seus agentes que escolheram aqui, e eu, aprovei. – Ele sorriu e eu ainda o olhava surpreso e assustado.

Ele saiu do carro e os flashs começaram, pareciam vários vagalumes em meio à noite. Ele abriu a porta do carro pra mim e os flahs só aumentaram quando saí, as pessoas me olhavam e encaram Will.

– Tudo bem, é só mídia. – Ele pegou em minha mão e não ousei soltá-la. Não liguei para paparazzi naquela hora.

Entramos no restaurante e Will deu meu nome, a reserva era em uma mesa distante e tranquila, melhor assim. Fizemos nossos pedidos logo e violinos começaram a tocar e Will ria.

– Porque ta rindo? – Perguntei confuso.

– Porque acho isso tão cafona, mas seus agentes disseram que era necessário. – Ele deu de ombros ainda rindo.

Então meus agentes montaram esse jantar romântico para fazer os fãs acreditarem? Arrumaram o lugar mais movimentado da cidade, tudo isso por que Darren oficializou o término com Mia.

O jantar foi calmo e bem, foi um pouco romântico. Will me fazia rir a todo momento. Comemos em meio a risadas e gargalhadas que chamavam a atenção das pessoas presentes no local.

Tudo rápido a meu pedido, não queria continuar ali onde cada movimento meu era capturado por uma lente diferente. Fui para casa e descansei, no dia seguinte iria gravar amasso Klaine no carro, teria que beijar Darren, isso seria difícil, muito difícil.

...

Mais um dia. Segunda, geralmente as odeio, mas hoje ela se superou. Estou totalmente sem vontade de gravar. Fiquei deitado em minha cama sem pensar em horário algum. Ouvi o celular tocar e o peguei vendo uma mensagem nova.

– Em dez minutos o motorista irá te pegar ai. – Ryan.

Mas hoje eu não tenho que gravar pela manhã. Mudança no horário, ótimo. Corri pela casa catando todas as minhas coisas, pegando tudo que era necessário, me vesti rápido e sai para a porta do prédio esperando o carro.

Um automóvel escuro parou e eu logo entrei, ele foi seguindo as ruas e então percebi que não era o caminho do SET.

– Com licença, acho que você errou o caminho. – Falei ao motorista que estava de costas.

– Tenho certeza que não errei. – Quando ele se virou reconheci Will.

– O que você ta fazendo? Eu tenho que gravar. – Falei rápido e preocupado.

– Eu mandei a mensagem do celular do Ryan. – Ele ria. – Você nem estranho o "o motorista irá te pegar", desde quando você vai de motorista para o SET? – Ele ria.

– Verdade, estava tão desligado que nem reparei nisso. – Sentei calmo no banco traseiro.

– Último encontro? – Sorri e ele concordou com a cabeça. – É muito longe?

– Não, na verdade, chegamos. – Ele parou o carro. – Mas você não verá nada. – Ele pôs uma venda em meus olhos.

– Como vou caminhar assim? – disse ajeitando a venda sobre meus olhos.

– Basta confiar em mim. – O ouvia rir.

Caminhei conforme as instruções, percebi que o chão era um gramado. O local tinha um cheiro ótimo, de flores. Podia ouvir águas correntes e os pássaros cantarem, de novo.

– Fique aqui. Não se mexa. – Senti Will me soltar e fiquei ali, me senti por um momento tonto, mas permaneci ali. – Pode tirar a venda agora.

Quando a retirei apenas vi paredes verdes a minha volta, algumas continham flores. Uma mesa de pedra estava a minha frente, nela continha uns papeis.

– O que é isso? – Olhei para todos os lados.

– Isso é um labirinto. – A voz de Will ecoava por tudo.

– Onde você está? – Dei uns passos a frente.

– Estou do lado de fora. – Ele riu. – Chris, você foi posto no meio do labirinto. Ele tem duas saídas e durante o caminho você vai encontrando pistas e você segue as que mais te agradam. No fim você estará na saída que mais prefere. E uma delas é o seu passado, mais ou menos um ano atrás, e a outra é seu presente e futuro, onde eu estou.

– Qual a finalidade disso? – Gritei olhando para cima.

– No final irá saber. Boa sorte. – Um silencio se instalou.

– Will. Will. – Gritei e nada, não obtive respostas.

Caminhei até a mesa de pedra, nela tinha duas setas. Uma das setas dizia Glee e a outra Escritor. Segui em direção a seta que indicada a direita, na qual estava escrito "escritor". Caminhei e encontrei mais duas setas em direções opostas.

E fui indo em direção às setas, as pistas, seguindo o meu interior. Caminhava rápido querendo sair logo dali. Depois de umas dez setas encontrei duas que acredito serem as ultimas.

A esquerda continha uma foto de Darren e eu em nosso primeiro jantar, logo quando ele entrou em Glee. Aproximei-me da foto e sorri.

– Como achou isso? – Gritei, mas como antes, sem respostas.

A outra seta continha um ponto de interrogação, um destino indefinido. Parei ao centro das duas, respirei fundo e corri, corri na direção direita do labirinto onde encontrei uma porta.

Sai ofegante devido à corrida. Olhei para os lados e então encontrei um panfleto onde estava escrito Parabéns, você escolheu o futuro. Sorri e minha respiração ia se normalizando.

– Boa escolha. – Me virei e encontrei Will sorrindo. – Entendeu a finalidade agora?

– Sim. – Dei um sorriso de canto. – Preciso me livrar de todas aquelas direções que deixei pra trás. - Will sorria.

– Terminamos, os quatro encontros acabaram e como se sente? – Ele se aproximava com as mãos nos bolsos.

– Me sinto leve. – Ri. – Me sinto melhor, obrigado.

– Ótimo, mas agora temos que ir, Ryan já ligou perguntando de você. – Ele mostrou o celular com chamadas perdidas de Ryan.

Fomos ao carro e suspirei, como ele podia ser assim tão.. diferente. Eu achei que essa coisa de PR seria um total fracasso, que eu não conseguiria nem suportar o cara, mas, eu gosto de Will.

Cheguei ao SET correndo feito um louco. Passei na maquiagem e no figurino, pus um terno e uma gravata borboleta. Caminhei até o SET externo onde seria gravada a cena do carro, agora estava confiante para gravar isso.

Depois de instruções e mais instruções, entrei no carro, estava por cima de Darren o que era desconfortável. Não havíamos trocado nenhuma palavra, nem mesmo um "oi".

– AÇÃO! – O diretor gritou e assim começou a cena.

Ela seria gravada da parte traseira do carro e as primeiras imagens não pegariam nossos rostos, ou seja, não era necessário beijo algum. Mas parece que meu parceiro não pensou o mesmo que eu.

Quando me dei por conta estava tomado por aqueles lábios macios que um dia já foram meus, e eles eram agora novamente? Estava confuso, totalmente confuso. Não era um beijo Klaine, era um beijo de Darren e Chris, pois os beijos Klaine são técnicos, e esse aqui não tinha nada de técnico.

Acho que todo o plano de Will em me acalmar e me fazer seguir em frente falhou. Tudo aquilo que havia acabo de deixar para trás voltou, voltou com apenas um toque, um beijo. Estava perdendo os sentidos, esse era o efeito do beijo de Darren Criss sobre mim.