E o nosso amigo Duque não perde tempo... hohoho... Como vocês poderão ver po esse capítulo, aliás...

Realmente, Kieran é fofo, não? Ele não aparece nesse capítulo, mas ele ainda terá uma participação MUITO especial no desenrolar do romance da irmã com Vossa Graça...

No próximo capítulo, aliás, as coisas vão começar a ficar um pouco mais... complicadas... hehehe...

Até semana que vem em SS, personas!

Silver.


Capítulo III


Normal 0 21 false false false PT-BR X-NONE X-NONE MicrosoftInternetExplorer4

"O mesmo dever que prende o servo ao soberano prende, ao marido, a mulher. E quando ela é teimosa, impertinente, azeda, desabrida, não obedecendo às suas ordens justas, que é então senão rebelde, infame, uma traidora que não merece as graças de seu amo e amante? Por que razão o nosso corpo é liso, macio, delicado, não preparado para a fadiga e a confusão do mundo, senão para que o nosso coração e o nosso espírito tenham delicadeza igual ao exterior?"

A Megera Domada

Shakespeare


Por alguns dias, Isaac deixou a idéia maturar em seu íntimo. Embora num primeiro momento tivesse pensado em pedir a mão de Mina imediatamente, achara melhor dar um pouco mais de tempo à moça e sondar as reais intenções dela para o futuro.

Afinal, francamente, ele não acreditava muito na idéia dela de ser detetive, ainda que não duvidasse da capacidade que ela possuía para tanto. Durante as últimas semanas, além de cavalgarem e conversarem inanidades, também tinham argumentado o suficiente para que ele soubesse que Mina tinha idéias bem fortes de política, filosofia e história e, uma ou duas vezes, estivera a ponto de perder para a retórica dela.

Ele não se importava que ela quisesse se formar e depois, talvez, engajar-se em algum trabalho voluntário, como muitas aristocratas faziam. Desde que ela cumprisse o dever dela, ele cumpriria o dever dele e então eles poderiam aproveitar um casamento baseado em confiança e camaradagem.

O que poderia querer mais?

Enquanto perdia-se nesses pensamentos, observava de esguelha a figura da jovem escocesa. Os dois estavam cavalgando em silêncio já há algum tempo. Ela o tinha levado a um velho círculo de pedras, contando a lenda fantástica do lugar, antes de subirem as colinas para assistir o entardecer.

Mina levara uma generosa cesta de piquenique e eles tinham lanchado na base da colina. E agora, enquanto desciam, os últimos raios de sol esquentavam suas costas, enquanto encaminhavam-se de volta ao solar.

- Hei, Mina?

Ela freou ligeiramente Finvara, já que ia à frente, voltando-se para ele. Isaac encarou-a, ligeiramente pensativo.

- O que você faria se te pedissem em casamento?

A moça arregalou os olhos, observando-o, surpresa.

- Bem, nessa você me pegou com a guarda abaixada. – ela confessou, deixando que os dois cavalos emparelhassem – Por que a pergunta?

Isaac deu de ombros.

- Curiosidade. Eu imagino o que você faria com um marido...

Ela sorriu marotamente.

- Enlouqueceria ele. Na verdade, eu levaria como dote e enxoval uma camisa de força.

Ele também sorriu.

- Acho que eu tenho pena do pobre que se candidatar ao cargo. Nunca apareceu ninguém?

- Apareceu. Mas eles tiveram o azar de vir pedir a mim. – Mina respondeu inocentemente – Eu não sou material para esposa, Isaac. Alguns diriam que eu penso demais. Com mais um par de anos, minha mãe há de se resignar que criou uma solteirona. E depois que eu me formar...

- Você realmente está levando a sério essa história de Scotland Yard? – ele perguntou, soltando um suspiro resignado.

Mina lançou-lhe um olhar de esguelha.

- Eu já disse que sim. Por que é tão difícil acreditar?

- Eu não acho difícil acreditar. – Isaac respondeu, sincero – Não duvido de nada do que disse. Mas ainda acho que seria engraçado se alguém aparecesse para tentar domá-la, milady.

Ela riu.

- Então por que não se apresenta para o cargo, lorde cão de guarda? – ela meneou a cabeça mais uma vez, achando graça e não deixando que ele respondesse – Você anda lendo A Megera Domada demais, milorde. A verdade é que eu não faria assim tanta questão de me casar, Isaac, porque, ao final das contas, eu fui criada para isso; ainda que me falte vocação para tanto. Mas eu só aceitaria esse encargo se tivesse certeza que "ele" não colocaria obstáculos ao que eu quero.

Isaac sorriu, indulgente. Num primeiro momento, talvez Mina não se sentisse muito propensa a aceitar sua proposta. Sem saber, porém, ela lhe dera todas as dicas de que precisava para fazer a coisa de maneira a não ser rechaçado.

- Eu me candidataria, milady, ao cargo, se você não tivesse me assustado com a história do dote.

Ela riu de novo, antes de voltar a atenção para frente. Não muito longe, o telhado do solar já assomava.

- Besteira. Você é meu amigo. Aliás, agora eu me lembrei de uma coisa importante... Depois de amanhã eu estarei em Edimburgo, com minha mãe.

- Vão passar muito tempo lá?

- Não, só uma semana. Meu pai recebeu um convite para passar algum tempo conduzindo pesquisas nos Estados Unidos e ela vai acertar os detalhes. – Mina deu um meio sorriso para si mesma – Eu não sei o que seria dele sem a mãe. Meu pai consegue ser tão distraído quanto eu.

Isaac riu.

- Isso foi um cumprimento? – ele meneou a cabeça - Não que eu negue o fato de você ser distraída. Tive muitas oportunidades de comprová-lo durante os últimos dias. Mas não sei se contribui muito para seu charme, milady, afirmá-lo com todas as palavras.

Ela o encarou curiosa por alguns segundos. Certamente tinha confundido alguma coisa... Isaac certamente não estava tentando flertar com ela.

- Bem, parece que a senhora está entregue, Lady Mina. – ele observou, ao ver que dois criados aproximavam-se – Posso vê-la amanhã?

Ela meneou a cabeça.

- Eu vou estar ocupada arrumando tudo para viajar. – a jovem retrucou enquanto desmontava – Sinto muito, Isaac.

O rapaz sorriu.

- Tudo bem. Vou esperar até que volte então. – ele inclinou-se no cavalo, estendendo a mão para ela, que prontamente respondeu, para, em seguida, depositar um beijo leve sobre as articulações dos dedos da moça – Boa viagem, Mina.

Assentindo com a cabeça, ela deixou que um meio sorriso escapasse dos lábios.

- Até breve, Isaac.


Lady Lucy era conhecida como uma mulher prática. Quando o marido estava às voltas com suas pesquisas e experiências, ela assumia todos os seus outros compromissos, incluindo o contato com universidades que o desejavam como professor convidado. Como naquele momento estava fazendo, aliás.

- Temos um acordo então? – o jovem representante americano perguntou, levantando-se.

- Nós estaremos em nova York para o seu Dia da Independência. – ela respondeu, seguindo-o, Mr. Sawyer.

Ele sorriu.

- Foi um prazer tratar com a senhora, Lady MacFusty. – o homem beijou a mão dela, antes de voltar-se para o criado que esperava para guiá-lo até a porta – Espero voltarmos a nos ver quando estiver em nosso país.

Ela apenas assentiu com a cabeça, observando-o afastar-se antes de voltar a atenção para a disposição dos móveis ao seu redor e para o espelho sobre a grande cômoda, mostrando seu reflexo.

Estava em Edimburgo há apenas dois dias e já pareciam meses. Quando estavam na capital, era raro ter um momento livre que fosse para si. Fechou os olhos claros por alguns instantes, a cabeça latejando. Talvez pudesse se retirar por um momento para seu quarto antes de qualquer outro apontamento.

Uma garota assomou à entrada da sala, vinda do interior da sala. Lucy não se voltou para a filha quando esta entrou no aposento, observando-a através do espelho.

- Quanto tempo ainda vamos ficar aqui em Edimburgo? – Mina perguntou, sem rodeios.

- Até terminarmos os acertos para os cursos de seu pai. – ela respondeu, só então se virando – Você gostaria de ir conosco aos Estados Unidos enquanto suas aulas não começam?

A face da moça iluminou-se visivelmente. Ainda assim, foi com o tom mais comedido que ela conhecia que Mina respondeu.

- Seria um prazer, mãe.

- Talvez essa viagem pudesse lhe ensinar uma coisa ou duas. – Lucy observou, mais para si mesma que para ela – Eu vou me deitar agora, Mina. Se aparecer mais alguém, creio que seja capaz de lidar com o problema sozinha.

Mina deu um meio sorriso de lado. Ela não iria encarar como um "problema" qualquer outra pessoa que aparecesse para conversar. Não gostava de ter de viajar a Edimburgo, especialmente estando sozinha com a mãe. Felizmente, não iriam passar muito tempo na cidade e logo estariam de volta ao solar e ela teria a companhia do tio, do avô e de seu pequeno Kieran.

Lucy deixou a sala, rapidamente sumindo no corredor que levava aos aposentos particulares e Mina deixou-se sentar em um dos divãs, puxando uma revista que fora esquecida sobre a mesa. Um prospecto de uma Universidade Americana.

Ela sorriu. Fora difícil convencer Lady Lucy e permitir que ela fosse para a Real Academia. De acordo com a mãe, Mina já estava na idade de procurar um bom marido e assentar-se. Sorte sua que, ao final das contas, o pai acordara de seu mundo próprio para posicionar-se a seu favor.

Talvez pudesse se arriscar a pedir para fazer um intercâmbio na América. No dia em que conseguisse colocar um oceano entre ela e a mãe, certamente seria capaz de cuidar da própria vida sem ter ninguém fungando em seu pescoço e lhe dizendo o que tinha de fazer.

Ok, era quase impossível que eles fossem deixar... Mas não custava nada sonhar...

- Lady Mina?

Ela ergueu os olhos, encontrando Turners, o velho criado, defronte a ela, circunspecto como sempre.

- Minha mãe foi se deitar por um momento, Turners. Há alguém para vê-la agora?

- Na verdade, é para ver a senhora. – ele respondeu, estendendo um cartão na direção da jovem – O que devo dizer ao Duque?

Mina estreitou ligeiramente os olhos antes de se levantar.

- Eu receberei sir Isaac na biblioteca, obrigada, Turners. E, depois que você levá-lo até lá, poderia providenciar um pouco de chá?

- Claro, milady. – ele respondeu com um meio sorriso e um aceno de cabeça, antes de se retirar.

Mina rapidamente dirigiu seus passos para a biblioteca e mal tivera tempo de se sentar quando ouviu batidas à porta, respondendo a elas com um simples "entre" antes de melhor se acomodar.

- Boa tarde, Isaac. – ela cumprimentou, levantando-se quando o rapaz penetrou no aposento, perguntando-se porque diabos se sentara se teria de levantar em seguida – Estou surpresa por vê-lo aqui. Você não deveria estar no acampamento?

Ele respondeu com um meio sorriso.

- Eu segui você.

Ela abriu e fechou a boca duas vezes, sem compreender muito bem.

- Você me... seguiu? – ela perguntou, estreitando os olhos – E por que você iria me seguir?

Isaac colocou sobre a mesa ao lado dela dois envelopes.

- Uma é de seu pai e outra do seu avô. Creio que sejam cartas de recomendação. Desejando-lhe sorte, parabéns, dando conselhos e... qualquer coisa mais que eles quisessem dizer nas atuais circunstâncias.

Ela cruzou os braços, curiosa.

- E que circunstâncias seriam essas?

Nesse momento, ela viu o rapaz tirar uma pequena caixinha de veludo dos fundos da casaca, antes de estender para ela.

- Eu pedi sua mão a eles logo depois de você ter partido. E eles a concederam. – a caixa abriu-se com um estalo, revelando um aro grosso de ouro trabalhado, ornado com brilhantes e pequenas esmeraldas. Certamente, uma jóia de família – Nós estamos noivos.