Capítulo 4 – Primeiro Passo

Ino estava estática. Os olhar azul faiscante totalmente preso pelos orbes cor de safira da mais baixa. 'Como alguém poderia pensar em algo assim?', pensou a loira, inconformada com o novo comportamento de Sakura. Mas quem disse que ela ficaria para trás? Nada disso, ela eram arqui-rivais, Ino nunca daria o gostinho da vitória, nem a Sakura, nem a ninguém. Tendo esse pensamento em foco, se recompôs e devolveu o sorriso sacana de Sakura.

-Oh, a testuda aprendeu a brincar. Mas acho que sua liderança não será assim tão longa. – Sorriu Ino, enquanto seu cérebro trabalhava na construção de um plano que pudesse superar o de Sakura.

-Oh! Você acha? – Gracejou Sakura.

-Acho. Mas também acho que esse não é um lugar muito apropriado para nós... Hum... "Brincarmos"... – Ela mordeu o lábio. – Sem falar que quinze minutos de intervalo não são nada...

-Vá logo ao ponto, porca!

A loira riu da reação de Sakura. – Depois da aula, dê uma passada em casa... Isso é, a menos que você vá arregar!

-Nunca.

-Então está combinado. – A loira analisou Sakura de cima abaixo, lançando-lhe um piscada safada antes de morder o nódulo de sua orelha e sair rebolando. Balançando as ancas generosas de lá para cá. Nem Sakura pode deixar de olhar para aquelas belas curvas.

As demais aulas se arrastaram em um ritmo dolorosamente lento. Tanto para Sakura, quanto para Ino. Seria uma grande mentira, dizer que Sakura não estava meio receosa pela reação confiante da loira, mas seria outra grande mentira dizer que ela não estava gostando da brincadeira. Incontáveis vezes os olhares se chocaram por acaso. Ino sempre tentava manter o olhar, mas às vezes Sakura fraquejava e voltava a encarar o caderno, sentindo as maçãs do rosto inflamarem. Finalmente o tão esperado término da aula foi anunciado pela sineta escolar, que informava aos alunos que poderiam ir para suas casas, ou qualquer outros lugares que desejassem. As ultimas a saírem da sala foram Sakura e Ino, claro.

Sakura estava meio que paralisada na cadeira. Hesitante. Só agora havia lhe passado pela cabeça que Ino poderia ser totalmente pirada. E que tipo de maluquices aquela loira era capaz de realizar em prol de seu futuro namoro com o moreno tão cobiçado que era Sasuke?

-Hey, Testa-chan! Estou esperando você!

Sakura balançou a cabeça no intuito de afastar tais pensamentos paranóicos e começou a guardar o material na mochila. Fazia tudo muito rápida e afobadamente, nem parecia ela mesma. Claro que Ino notou o desconforto de Sakura, e sorriu satisfeita com isso. Mordeu os lábios, encarando as coxas de Sakura, que ficaram a mostra quando ela abaixou-se para pegar a mochila, desviando o olhar imediatamente. Censurou-se pelo que fez, tentando se convencer de que não olhava para a coxa de Sakura, que estava apenas encarando aquele ponto por acaso.

"Ora que bobagem! Eu nunca olharia para as coxas de outras garotas!"

Logo já estavam andando pelas ruas lado a lado. Um silêncio incômodo pairava junto com toda a tensão que a situação trazia. A sensação de estar caminhando para a própria forca perseguia Sakura de tal maneira que ela começava a ficar paranóica, achando que cada movimento da loira era só para provocá-la mais. Ino, por sua vez, parecia serena. Na verdade, a única coisa que a preocupava de verdade era a probabilidade da mãe ter chegado mais cedo do trabalho. Mas era apenas um pensamento vago, uma preocupação boba e sem fundamentos, já que sua mãe estava viajando.

Ao chegarem na residência dos Yamanaka o pânico de Sakura já estava nos limites e ela começava a se arrepender de ter dado continuidade àquela brincadeira idiota. Ino puxou a mochila das costas de Sakura e jogou no sofá da sala. O mesmo ela fez com a dela.

-Vamos lá para meu quarto, Testinha, não quero que alguém nos pegue em plena diversão.

Sakura engoliu em seco, mas seguiu os passos de Ino até seu quarto. A casa da loira era térrea e seu quarto ficava no fim do corredor. Era, realmente, como caminhar até a própria forca. Será? Talvez não. Entraram no quarto. Ino fechou a porta e passou a chave, que foi muito bem guardada na gaveta de sua escrivaninha. Não que ela temesse uma fuga de Sakura, era mais para que ninguém de fora as pegassem com as calças na mão. Em passos felinos, ela se aproximou de Sakura, os olhos fixos nos dela, novamente aquele sorriso sacana brincando nos lábios. Sakura foi dando passos para trás, conforme Ino se aproximava. Tola. Acabou caindo sentada na cama, e dando a brecha que a loira precisava para avançar.

E avançou mesmo. Um beijo feroz e certeiro, muito bem roubado daqueles lábios carnudos e deliciosos, que eram os de Sakura. Era uma sensação estranha. Beijar uma menina. Ainda mais sendo sua arqui-rival, mas não importava agora. O importante agora era tomar a liderança. E Ino não iria conseguir isso apenas beijando. Beijo já estava manjado. Meio insegura, e sem saber direito o que fazer, a loira avançou com as mãos pelas coxas de Sakura, enquanto seus lábios desciam pelo pescoço de pele alva da garota. Sakura pode sentir os pelos de sua nuca e de suas pernas se eriçando violentamente, pareciam querer saltar e fugir da pele. Demorou um pouco para se dar conta de que estava perdendo a liderança, mas quando se deu, imediatamente começou a agir também.

Assim como Ino, Sakura não sabia ao certo como agir naquela situação. A experiência delas se limitava aos garotos, que eram muito mais fáceis de ser provocados, assim como também era mais fácil perceber quando as provocações davam resultados. Sem jeito, e um pouco hesitante, a menina dos cabelos rosas envolveu o pescoço de Ino, suspirando em seu ouvido. Aquilo espalhou espasmos de emoções pelo corpo da loira, que teve um gemido comprimido pela pele dos ombros de Sakura, que estava igualmente provocada.

"Desse jeito... Não quero pensar aonde vamos parar."

Sakura teve todos os pensamentos afastados quando sentiu as mãos de Ino invadirem os limites de sua blusa, roçando diretamente em sua pele. Foi a vez dela gemer, uma gemidinha baixa e leve, quase imperceptível. Mas com a proximidade das duas e o silêncio que reinava no lugar, seria impossível não ouvir. A loira sorriu, passando a mordiscar de leve o pescoço da garota enquanto massageava gentilmente os seios de Sakura, por cima do sutiã.

Elas já estavam naquele estado em que o mundo exterior não existe mais, e só o que importa são as emoções do momento, quando o barulho da porta da sala sendo aberta as alertou da chegada de alguém. Chegada de alguém indesejado.

-Ino? Já está em casa, querida? Eu voltei mais cedo. Tentei ligar, mas seu celular estava desligado.

As duas levantaram-se de um salto e começaram a se ajeitar, afobadas e alarmadas com a presença da mãe de Ino.

-Ah... Estou aqui no quarto, mãe! Eu estava... Fazendo um trabalho com uma amiga!

-Ah... Okay querida, eu vou tomar um banho... Sua amiga vai ficar para o jantar?

-Não! Quer dizer, hoje não mãe, ela está com pressa e já está indo... Não é, Sakura?

-Que?... Ah! Ah, sim, sim! Eu já estou indo. Minha mãe deve estar preocupada já.

-Tudo bem então.

Ino destrancou a porta e acompanhou Sakura até a sala, onde ela pegou sua mochila para poder partir. As duas se olharam significativamente antes da garota dos cabelos rosas virar as costas para a loira e tomar seu rumo para casa.

"Céus, nós não prestamos..."

Continua...