Era um domingo ensolarado na cidade de Tomoeda. Sakura Kinomoto estava sentada no balanço no parque do rei Pinguim tomando um delicioso sorvete de baunilha e conversando no seu celular.
Eriol: Sinto muito, Sakura. Não sei nada sobre essa garota. Ela não está nas lembranças que possuo do mago Clow.
Sakura: Que pena. Achei que talvez fosse algo relacionado a ele...
Eriol: Eu acho válido o conselho de Kerberus. Evite ficar sozinha com a menina chamada Kazuko... pelo menos por hora.
Sakura: Tá...
Sakura fica quieta por alguns segundos, pensando na melhor forma de fazer a pergunta que tinha em mente.
Eriol: Está preocupada com Yue?
Sakura (confusa): Como você sabe?
Eriol: Vamos dizer que eu apenas sei...
Sakura: Ele machucou a Kazuko ontem... por um momento achei que ele fosse fazer algo pior com ela...
Eriol: Kerberus e Yue são seus guardiões. Só farão o que você permitir.
Sakura: Mas e se eu perder o controle sobre o Yue? E se eu não tiver magia o bastante para isso?
Eriol: Você já provou que sua magia é poderosa o bastante para isso. E você vêm a aumentando cada vez mais.
Mais alguns segundos de um silêncio incomodo se seguem.
Sakura: Por que o Yue teve que te visitar?
Eriol: Eu precisava passar instruções para ele.
Sakura: Instruções?
Eriol: Sim. Instruções para seu treinamento.
Sakura: Hã? Treinamento?
Eriol: Sim. Você possui uma magia extremamente poderosa, mas não têm nem idéia da quantidade de coisas que pode fazer com ela. Yue vai lhe ajudar a compreender estas possibilidades e utilizá-las a seu favor. Você vai precisar muito disso.
Sakura: Vou? Por que?
Eriol: Eu tenho que ir agora. A Kaho está me esperando. Nos falamos com mais calma depois.
Sakura: Certo. Mande um abraço para a professora Mizuki. Ah. E para o Spinel e para a Ruby também.
Eriol: Mais uma coisa, doce Sakura. Se você tiver algum problema que pareça grande demais para você resolver, procure ir direto a fonte dele.
Sakura (confusa): Hã? Como assim?
Eriol: Nos falaremos de novo em breve. Adeus.
Sakura desliga o telefone, continua se balançando e termina de tomar seu sorvete. Todos viam Kazuko como uma potencial ameaça, mas Sakura não conseguia se sentir assim. Ela acreditava que a menina era uma vítima na situação, mas não tinha como provar seu ponto de vista. Kazuko não aparecia na escola há três dias. Estava sumida desde o ataque dos lobos das sombras.
Sakura (sussurrando): E agora? Como vou achá-la?
Sakura olha em direção ao rei Pinguim e percebe que havia uma garota atrás dele, apontando uma câmera em sua direção.
Sakura: Hã?
Sakura olha novamente, dessa vez com mais cuidado e percebe que se tratava de Tomoyo Daidouji.
Sakura (perplexa): Hoe! O que você está fazendo, Tomoyo?
Tomoyo se aproxima, ainda com sua câmera gravando.
Tomoyo: Desculpa se te assustei, Sakura... é que eu queria mais imagens suas para meu acervo e não tenho tido sorte em registrar sua grandes façanhas...
Sakura (sorrindo sem graça): Ai, ai, Tomoyo. Você não muda mesmo, não é?
Tomoyo desliga sua câmera e se senta ao lado de sua amiga.
Tomoyo: Você está preocupada com a Kazuko, não é?
Sakura: Sim... ela está por aí, confusa, e não tem ninguém para ajudá-la.
Tomoyo (pegando a mão da amiga): Tenho certeza que você pensará num jeito de ajudá-la. A melhor coisa sobre você é que, não importa o que aconteça, se estivermos ao seu lado podemos ter certeza que tudo dará certo.
Sakura: Obrigada pelo apoio, Tomoyo. Tem tanta coisa passando pela minha cabeça. É bom saber que posso contar com você.
Tomoyo (sorrindo): Claro que pode. Sempre.
Sakura se levanta do balanço.
Sakura: Bem eu acho que já vou indo. Ainda tenho que terminar o trabalho de história...
Tomoyo: Sakura... olha!
Tomoyo aponta para o peito de Sakura, que estava irradiando uma forte luz. Sakura pega em suas mãos a chave mágica que estava escondida por dentro de sua blusa.
Sakura: Ela está brilhando muito... mas por que?
Uma ventania levanta muita poeira no parque. O céu fica escuro repentinamente e dois lobos das sombras surgem do meio do mato, rodeando Sakura e Tomoyo. Logo a seguir um menino surge caminhando na outra entrada do parque. Ele era alto, com cabelos ruivos e sardas marcando o rosto. Usava uma jaqueta preta com escritas em alguma língua estranha bordadas por quase toda sua extensão e uma calça jeans preta. Ele se aproxima de Sakura e aponta para ela.
Menino: Herdeira de Clow Reed... eu a desafio para um duelo!
CAPÍTULO 3 - UM DESAFIO PARA SAKURA
Sakura e Tomoyo se entreolham, confusas.
Sakura: Quem é você?
Menino: Eu sou Jing Quo Hu, herdeiro do clã Hu, um dos mais tradicionais da China.
Sakura nota os lobos sedentos por permissão para atacar. Eram iguais aos que tinham atacado a casa dos Daidouji noites atrás. Instintivamente, Sakura coloca seu braço direito a frente de Tomoyo, protegendo-a.
Sakura: Você criou esses lobos para nos atacar na casa de minha amiga. Por que fez isso?
Jing: Precisava ter certeza que você era realmente a herdeira de Clow. E queria saber a extensão de seus poderes.
Sakura: Você poderia ter nos machucado!
Jing: Não. Era apenas um teste. Ninguém inocente se machucaria gravemente.
Tomoyo: Mas por que você quer lutar com a Sakura?
Jing: Clow foi o mago mais poderoso do planeta. Ninguém jamais superou seus poderes... até que esta garota apareceu.
Jing aponta para Sakura.
Jing: Sua reputação se espalhou mais longe do que você imagina.
Sakura: Hoe? Reputação?
Jing (assumindo posição de combate): Eu quero levar meu clã de volta a seus momentos de glória. E se eu derrotar a herdeira de Clow num duelo, escreverei meu nome na história! Prepare-se!
Sakura: Eu não vou lutar.
Jing (despencando): Queeee?
Sakura dá dois passos para trás com Tomoyo.
Jing (indignado): Você tem que lutar! Eu estou te desafiando!
Sakura: Eu sou apenas uma menina normal. Não sou uma guerreira.
Tomoyo: Se você não nos deixar em paz, vamos gritar por socorro.
Jing: Não me importo com o que você faz, garota tola. Eu quero derrotar a herdeira de Clow!
Yukito: Algum problema, Sakura?
Todos se surpreendem com a chegada repentina de Yukito. Ele estava vestindo um terno azul e trazia consigo uma bolsa com alguns pães. Jing olha fixamente para os olhos de Yukito e opta por se afastar alguns passos.
Yukito: Ele é algum amigo seu?
Sakura (balançando várias vezes a cabeça): Não, não. Não o conheço.
Yukito olha para os lobos, que se afastam e correm para a mata. Yukito pega Sakura e Tomoyo pelas mãos. Sakura imediatamente fica vermelha de vergonha.
Yukito: Por que não evitamos problemas aqui? Cada um vai para seu lado e esquecemos esse atrito.
Yukito sorri para Jing. Um sorriso sereno que transmitia paz mas que, por algum motivo, também pareceu ameaçador ao garoto chinês.
Jing: Isso ainda não acabou, herdeira de Clow.
Jing se vira e sai correndo do parque. Sakura e Tomoyo suspiram, aliviadas. Yukito leva as duas meninas para longe do parque, indo parar num ponto de ônibus. Lá aguardam até a chegada de um ônibus que passe em frente a casa de Tomoyo.
Yukito: Tome cuidado, Tomoyo.
Tomoyo: Pode deixar. E obrigada pela ajuda. Eu te ligo mais tarde, Sakura.
Sakura (acenando): Tá.
O ônibus parte e Sakura e Yukito ficam parados sozinhos no ponto, presos num silêncio incômodo. Sakura olha de esgueira para Yukito. Ela ainda gostava muito dele, mas ainda estava abalada com o que Yue havia feito com Kazuko. Será que ela estava enganada? Será que Yue era completamente diferente de Yukito? Ela olha para o outro lado, tentando afastar esses pensamentos e dúvidas.
Yue: Precisamos conversar.
Sakura (levando um susto): Hoeee!
Antes que Sakura se recupere do susto, Yue a pega em seus braços e levanta vôo. Ele pousa sobre o telhado de uma velha e abandonada igreja, onde teriam um pouco de privacidade.
Yue: Kerberos me contou sobre suas preocupações.
Sakura: Você machucou uma amiga minha!
Yue: Quando você vai entender que ela nunca foi sua amiga! Ela é o inimigo!
Sakura (gritando): Mas eu não tenho inimigos!
Yue: Sim, você tem.
Yue pega o cordão com a chave mágica e o mostra diante dos olhos de Sakura.
Yue: A partir do momento em que você assumiu esse poder, você se tornou um alvo. Pessoas virão atrás de você. Algumas boas, outras ruins. Algumas querendo derrotá-la pela glória, outras querendo roubar seus poderes e tudo mais que importa na sua vida. Se você não estiver preparada vai se meter em sérios problemas e vai acabar levando as pessoas que ama com você.
Sakura: Mas é muita responsabilidade para mim!
Yue nota que os olhos de Sakura se enchiam de lágrimas.
Sakura: Eu sou apenas uma adolescente... é muita pressão para mim...
Yue: Eu e Kerberos podemos ajudar você na sua jornada, mas a ajuda que podemos oferecer é limitada... tudo depende de você.
Sakura tenta segurar o choro.
Yue: O mago Clow me passou instruções para iniciar seu treinamento. Ele usava seus poderes constantemente e treinava comigo para se manter sempre em forma. Ele tamb...
Sakura: Eu não sou o mago Clow! Quando você vai entender isso?
Yue olha surpreso para Sakura.
Sakura: Eu quero ter uma vida normal. Estudar, passear com meus amigos... coisas normais...
Yue: Mas você não é normal. Você é especial. Você é a feiticeira mais poderosa do planeta.
Yue acaricia o rosto de Sakura carinhosamente.
Yue: Kerberos disse que minhas ações podem parecer um pouco de rudes, mas quero que saiba que tudo que faço, faço pensando no melhor para você.
Sakura enxuga as lágrimas do rosto.
Sakura: Eu sei. Eu preciso pensar sobre isso. Eu achei que quando tinha derrotado a magia de Eriol tudo tinha terminado. Mas nunca termina, não é?
Yue apenas olha para Sakura.
Sakura: Bem... Eu preciso ir para casa agora. Você pode me levar?
Yue: Com prazer.
Yue leva a menina voando, deixando-a na porta de casa. Sakura sobe para seu quarto e se joga em sua cama.
Kero: Está tudo bem, Sakura?
Sakura: Eu vou ficar bem. Será que você poderia me deixar sozinha um pouco?
Kero acena que sim com a cabeça e sai do quarto. Como a casa estava vazia não haveria problema se ele voasse por ai. Sakura pega um urso de pelúcia que estava na cabeceira de sua cama e o abraça com força. Estar com ele sempre lhe ajudava a acalmar seus sentimentos, a ficar em paz.
Sakura (suspirando): Meu querido Shaoran... como queria que você estivesse aqui... por que você está demorando tanto para entrar em contato dessa vez?
Sakura fica ali deitada, pensando, e acaba pegando no sono.
Sakura abre os olhos e nota que não estava mais em seu quarto. Estava na quadra esportiva de sua escola. Tudo por ali estava destruído. Não havia sinal de pessoas por perto. Sakura pega seu báculo de estrela.
Sakura: ALADA!
Com as asas brancas que surgem em suas costas, Sakura levanta vôo. Ela passa por vários lugares conhecidos de sua cidade e em todos eles encontra a mesma destruição. Alguma tragédia acontecera ali. Sakura podia ver a torre de Tóquio a distância. Havia alguém sentado lá, uma figura sombria. Só de olhar para ele, Sakura sentia muito medo. Ela pisca um instante e a figura sombria desaparece.
Sakura: Mas para onde foi...?
De repente a figura sombria surge na frente de Sakura, que grita.
Kero: Sakura! Acorda!
Sakura acorda assustada. Estava de volta a seu quarto, deitada em sua cama e suando.
Kero: Você está bem? Você estava gritando enquanto dormia.
Sakura: Eu tive outro sonho estranho... mas dessa vez eu me lembro dos detalhes.
Sakura explica o sonho para Kero, que ouve tudo atentamente.
Kero: E você reconheceu a pessoa?
Sakura: Não.
Kero: O primeiro sonho que você teve foi igual?
Sakura pensa por um instante.
Sakura: Não. Apesar de eu não lembrar do primeiro sonho, as sensações são diferentes.
Kero: Entendo.
Kero fica sentado, meditando. Ele fica assim por alguns minutos até que Sakura resolve perguntar.
Sakura: E então? Você sabe o que significa?
Kero: Não faço idéia.
Sakura (despencando): Ahhh.
Kero: Mas parece ser uma premonição.
Sakura: Mas se for isso... significa que algo muito ruim vai acontecer aqui... algo que vai destruir a cidade...
Sakura fica olhando para a janela, preocupada. Ela então olha para o relógio na mesa de seu quarto e nota que já era de noite.
Sakura: Hoe! Eu tenho que terminar o trabalho de história para entregar amanhã...
Kero (voando sobre sua mestra): História? Não se preocupe. Eu te ajudo. Tenho muitas histórias para contar. Certa vez, Clow e eu viajamos para Hong Kong e...
Sakura (jogando um travesseiro em Kero): Kero!
A noite se vai e um novo dia surge para o povo de Tomoeda. Naoko Yanagisawa chega cedo a escola para poder limpar a sala de aula. Ela encontra Sakura sentada embaixo de uma árvore com alguns livros e papéis no seu colo. Sakura escrevia em ritmo acelerado.
Naoko: Sakura? Chegou cedo hoje.
Sakura: Sim. Eu dormi pouco essa noite. Estou tentando terminar esse trabalho de história desde ontem...
Sakura boceja de sono.
Naoko: Nossa... você parece mal... nesse estado não vai nem conseguir prestar atenção na aula...
Sakura: Vou ficar bem. Não se preocupe... terminei!
Naoko (sorrindo): Que bom! Bem... eu já vou indo para a sala. Te vejo lá.
Naoko se afasta e Sakura começa a arrumar seus livros. Ela coloca seu trabalho num envelope e então começa a sentir a impressão de que tinha alguém a observando.
Sakura: Que sensação estranha...
Sakura começa a olhar para os lados e então vê uma cachorrinha de olhos violeta saltar sobre ela.
Sakura: Ametista!
A cachorra fica lambendo Sakura feliz da vida. Ao se levantar, Sakura nota que Kazuko vinha correndo em sua direção.
Sakura: Kazuko?
Kazuko (bufando de cansaço): Sakura...
Kazuko parecia extremamente agitada.
Sakura: Olha... nós precisamos conversar sobre aquela noite...
Kazuko: A Tomoyo...!
Sakura: Tomoyo? O que tem ela?
Kazuko: Eu estava vindo para a escola... encontrei com a Tomoyo... nós fomos surpreendidas... e...
Sakura: E o que?
Kazuko: Ele levou ela!
Sakura: Sequestraram a Tomoyo?
Sakura começa a puxar Kazuko pela mão.
Sakura: Vamos! Temos que chamar a policia.
Kazuko: Não... não podemos...
Sakura: Por que?
Kazuko: Por que a pessoa que a levou tinha poderes mágicos... poderes como os seus...
Sakura olha incrédula para a amiga. Ela põe as mãos sobre os ombros de Kazuko.
Sakura: Por favor, eu preciso que me diga para que lado eles foram.
Kazuko: Eles... estavam indo em direção... a reserva Saijou...
Sem pensar duas vezes, Sakura sai correndo da escola para salvar sua querida amiga Tomoyo. Kazuko fica ali parada sem reação. Ametista senta-se no chão e fica olhando para sua dona.
Kazuko (suspirando): É... você tem razão. A Tomoyo sempre foi legal comigo. Eu tenho que ajudar.
Então Kazuko sai correndo atrás de Sakura. Yuriko chega a escola e nota alguns livros e um envelope largados aos pés de uma árvore. Curiosa, ela abre o envelope para ver o que havia dentro.
Yuriko: Hã? O trabalho de história da Kinomoto? Mas onde ela está?
Yuriko olha para os lados procurando alguém, mas não encontra. Então ela olha novamente para o envelope em suas mãos e sorri de maneira maldosa.
Yuriko: Seria uma pena se ela perdesse o trabalho, não é?
Yuriko guarda o trabalho em sua bolsa e sai saltitando de felicidade rumo a sala de aula.
Sakura chega a entrada da reserva Saijou. Tratava-se de uma reserva florestal localizada mais ao sul da cidade. As pessoas gostavam muito de ir ali para caminhar e fazer piqueniques. Sakura evitava ir aquele lugar pois podia sentir muitas presenças ali. Segundo seu irmão dizia, eram presenças de fantasmas.
Sakura (tremendo um pouco de medo): Ai, ai, ai. Por favor... que não apareça nenhum fantasma...
Sakura entra bem devagar na reserva. Ela sente fortes calafrios.
"Eu preciso me concentrar... a Tomoyo precisa de mim. Mas como vou achá-la? Ai, ai ai. E se algum desses fantasmas resolver me pegar?"
Então Sakura sente uma presença familiar. Sua chave mágica havia começado a brilhar novamente. Ela corre pela reserva até encontrar uma pousada antiga toda feita de madeira. Havia um casal de idosos dormindo na varanda. Pelo que Sakura tinha ouvido falar, eles eram os responsáveis por cuidar do bem estar da reserva. A presença vinha de um galpão grande atrás da casa. Sakura vai até o galpão e encontra a porta meio aberta. O interior do galpão estava muito escuro e não era possível ver nada da porta. Sakura entra bem devagar no galpão e então a porta se fecha atrás dela.
Sakura (dando um pulo): Ahhhh.
Sakura corre até a porta e tenta abri-la em vão. Ao olhar para o centro do galpão, ela vê um menino chinês de cabelos ruivos emanando uma tímida luz vermelha por seu corpo.
Sakura: JING!
Jing: Finalmente você chegou.
Sakura: Eu não tenho tempo para você agora! Tenho que encontrar quem sequestrou a minha amiga!
Jing (despencando): Ah.
Sakura então nota uma bolha de cor avermelhada flutuando próximo ao teto do galpão. Dentro dela estava uma adormecida Tomoyo Daidouji.
Sakura: TOMOYO!
Jing: Ela está bem... por enquanto...
Sakura: Então foi você que sequestrou ela?
Jing: Sim.
Sakura: Mas por que?
Jing: Para forçá-la a duelar comigo.
Sakura (agitando os braços): Mas eu já disse que não quero lutar com você.
Jing: Se não o fizer, nunca mais terá sua amiga de volta.
Sakura olha para a amiga adormecida dentro da bolha e então pega sua chave mágica, decidida.
Sakura: Chave que guarda o poder da minha estrela...
Um reluzente círculo mágico se forma aos pés de Sakura.
Sakura: ... mostre seus verdadeiros poderes sobre nós e ofereça-os a valente Sakura que aceitou essa missão...
Sakura estende seus braços.
Sakura: ... LIBERTE-SE!
A chave mágica cede lugar ao poderoso báculo de estrela.
Jing: Então, que comece o duelo...
Jing balança suas mãos no ar e então as aponta para sua adversária. Uma forte rajada feita de sombra se move em direção a Sakura.
Sakura: ESCUDO!
O escudo mágico protege Sakura do ataque. Jing agita suas mãos novamente no ar. Dessa vez, duas grandes mãos feitas de sombras surgem do chão e tentam golpear a adversária.
Sakura: SALTO!
Sakura começa a saltar pelo galpão com grande agilidade para evitar os ataques. Durante suas esquivas, Sakura nota que o galpão está ficando cada vez mais escuro.
Jing: Não poderá fugir para sempre!
"A magia dele usa as sombras. Se eu usar a carta da luz, talvez eu consiga derrotá-lo como fiz com os lobos."
Sakura evita mais um ataque e então saca uma de suas cartas.
Sakura: LUZ!
O báculo de estrela começa a emitir uma forte luz, que desfaz as mãos gigantes. Entretanto, a luz não consegue se expandir muito e mais duas mãos gigantes logo surgem do chão.
Jing: Não poderá me vencer com tanta facilidade. Eu não escolhi este lugar para o duelo a toa. Os espíritos que aqui habitam fortalecem meus poderes sobre as sombras.
Sakura então nota vários vultos passeando pelo galpão distraidamente.
Sakura (branca de medo): F-Fantasmas!
Desconcentrada, Sakura acaba atingida por uma das mãos gigantes e lançada do outro lado do galpão. A menina cai sobre uma pilha de caixas de madeira e sofre alguns arranhões leves. Todo o lugar começa a ficar ainda mais escuro. Sakura mal consegue ver a bolha onde a amiga está presa. Três lobos feitos de sombras surgem das paredes e correm para atacar Sakura.
Sakura: ESPADA!
O báculo de estrela se transforma numa afiada e perigosa espada. Sakura a usa para cortar os três lobos ao meio antes que possam atingi-la. Infelizmente os lobos logo começam a se refazer. Sakura aproveita o tempo que ganhara e pula para a pilha de caixas seguinte.
Sakura: VENTO!
Uma lufada de vento ruma em direção as mãos gigantes tentando prendê-las. Infelizmente não é o bastante e elas acabam se soltando. Os lobos tentam uma nova investida, mas Sakura os corta ao meio de novo com sua espada. Ela pula para a pilha de caixas seguinte antes de uma das mãos gigantes atacar.
"Preciso de uma estratégia para derrotar essas criaturas das sombras... ai, ai, ai. Mas a carta luz não foi forte o bastante. Que outra carta poderia usar?"
Um fantasma se aproxima de Sakura, que se assusta e quase cai da pilha de caixas. Ela começa a balançar seu báculo, tentando afastar o fantasma.
Sakura: Ahhh. Sai pra lá! Sai pra lá!
Sakura pula para outra pilha de caixas e evita mais um ataque das mãos gigantes. Ela olha para o centro do galpão e nota que Jing continuava a emanar aquela tímida luz vermelha por seu corpo. Repentinamente, Sakura se lembra da conversa com Eriol por telefone no dia anterior.
"O Eriol disse: Se você tiver algum problema que pareça grande demais para você resolver, procure ir direto a fonte dele.. e se eu tentasse... já sei!."
Sakura: CHUVA!
A magia de Sakura provoca uma forte chuva dentro do galpão.
Jing: Mas o que você pensa que está fazendo? Isso não vai te ajudar!
Uma das mãos gigantes quebra a pilha de caixas, derrubando Sakura. Por sorte, ela cai sobre alguns canos encostados em uma parede e escorrega até chegar ao chão. Outra das mãos gigantes tenta um ataque a Sakura. Ao tentar correr para fugir, ela acaba escorregando no chão molhado. A mão atinge Sakura, lançado ela perto da porta do galpão.
Sakura: Ai... ai...
Sakura tenta ignorar a forte dor que sentia no braço direito agora. Ela saca mais uma carta.
Sakura: ALADA!
Sakura voa até a bolha onde Tomoyo está presa e põe a mão sobre ela. Ela fecha os olhos. Parecia estar se concentrando.
Jing: Você não vai conseguir libertá-la. Você é fraca e eu vou vencer!
Jing ordena um ataque conjunto das mãos gigantes e dos lobos ao mesmo tempo que dispara uma de suas rajadas de sombras.
Sakura: TROVÃO!
Um poderoso raio atinge o chão. Sua eletricidade se espalha pela água deixada pela chuva e eletrocuta Jing com força o bastante apenas para nocauteá-lo. Assim que ele tomba, todos os seres de sombra desaparecem e a escuridão que tomava o galpão se desfaz. A bolha que envolvia Tomoyo se desfaz e Sakura a segura em seus braços, voando com ela até o chão em segurança. As duas ficam sentadas no chão.
Tomoyo (despertando): S-Sakura?
Sakura: Você está bem, Tomoyo?
Tomoyo: Estou sim... aquele menino chinês me atacou com a magia dele e...
Kazuko: Tomoyo! Sakura!
Kazuko entra correndo no galpão.
Kazuko: Eu estava tentando entrar, mas a porta não queria abrir. Você está bem, Tomoyo?
Kazuko se ajoelha diante de Tomoyo para verificar se ela estava ferida. Tomoyo sorri para Kazuko meigamente.
Tomoyo: Eu estou bem. Não se preocupe.
Kazuko (corando): Que bom!
Tomoyo nota que Sakura estava segurando o braço direito com uma cara de dor.
Tomoyo: Sakura! Você machucou seu braço!
Sakura: Não foi nada...
Jing: Ai, ai...
As três meninas notam que Jing Quo Hu estava se levantando, embora mostrasse certa dificuldade em ficar em pé. Sakura, temendo um novo ataque, se levanta e aponta seu báculo de estrela para Jing.
Sakura: Você já teve seu duelo e foi derrotado. Agora vá embora e nos deixe em paz.
Sakura e Jing ficam se olhando fixamente. Então o garoto chinês acaba cedendo.
Jing: Eu a subestimei, herdeira de Clow. Foi um bom duelo e você o venceu de maneira justa. Eu partirei e a deixarei em paz.
Jing cria um lobo das sombras e monta nele.
Jing: Mas fique sabendo que eu treinarei arduamente e aumentarei meus poderes. E quando eu estiver mais forte, voltarei e, dessa vez, a derrotarei.
Jing, então, parte. Assim que ele some no horizonte, Sakura cai de joelhos no chão.
Tomoyo: Sakura! Você está bem?
Sakura: Eu estou só um pouco tonta... usei muita magia no duelo e já estava cansada por causa da noite de sono mal dormida...
Sakura nota que Kazuko a estava olhando a distância. Havia um clima pesado entre elas.
Sakura: Olha, Kazuko... eu queria pedir desculpas pelo que aconteceu naquela noite. Meu guardião passou dos limites e...
Kazuko: Eu não quero saber.
Sakura fica surpresa quando Kazuko a interrompe.
Kazuko: Eu fiquei muito assustada com tudo que aconteceu... mas tive algum tempo para refletir.
Kazuko evita olhar para Sakura enquanto fala. Parecia estar tentando se controlar.
Kazuko: Eu não vou mentir. Minha confiança em você está abalada... Mas por algum motivo não consigo odiá-la. Talvez seja pelo jeito carinhoso que você trata as pessoas a sua volta... ou alguma outra coisa... eu não sei.
Tomoyo e Sakura ficam observando Kazuko atentamente.
Kazuko: Então vamos deixar as coisas como estão. Continuaremos colegas de turma e eu guardarei seu segredo... desde que mantenha bruxarias como aquela que fez para me proteger dos lobos longe de mim. Não quero ter nada a ver com esse seu mundo mágico.
Sakura olha confusa para Kazuko.
"Mas por que ela acha que eu fiz a magia? Foi ela que criou o escudo mágico para me proteger..."
Kazuko: Estamos acertadas?
Kazuko estende a mão. Sakura, sorrindo, aperta a mão da amiga.
Sakura: Estamos sim. Obrigada pela ajuda.
Tomoyo: Obrigada por ser tão compreensiva.
Kazuko inclina seu corpo, numa reverência, e depois sai correndo em disparada.
Tomoyo : Que bom que vocês se acertaram.
Sakura (relaxando os ombros): Sim. É como se um peso saísse de meus ombros...
Tomoyo: É uma pena que eu não pude filmar mais uma façanha da minha maravilhosa amiga card...
Tomoyo pára abruptamente.
Sakura: O que foi?
Tomoyo: Eu acho que não é mais certo te chamar de Card Captor, não é? Você é agora a mestra das cartas. Preciso de um novo titulo. Vou te chamar de... Card Master!
Sakura (sorrindo sem graça): Ai, Tomoyo. Eu acho meio exagerado...
Tomoyo: Eu vou preparar novos vídeos com suas façanhas... e já tenho muitas roupas preparadas para você usar...
Tomoyo fica divagando sobre seus planos, com olhos brilhando de alegria. Sakura fica olhando para o horizonte, pensativa.
"Será que a Kazuko não sabe que tem poderes mágicos? Ou será que outra pessoa fez o escudo que nos protegeu aquela noite? Será que Jing foi o responsável pelo problema com a Ametista... ou existe alguém mais por ai? Ai, ai, ai. São muitas perguntas e nenhuma resposta."
Tomoyo nota que Sakura parecia preocupada.
Tomoyo: É melhor irmos para a aula... Ainda temos que entregar nossos trabalhos.
Sakura: É verdade. Vamos!
Sakura puxa Tomoyo pelas mãos e as duas vão correndo para a escola. Por sorte elas chegam logo após o sinal que avisa o fim do intervalo soar.
Tomoyo: Ainda chegamos a tempo pelo menos para a aula de história.
Sakura recolhe seu material, que deixara embaixo de uma árvore no pátio, e então entra na escola. Ela e Tomoyo assumem seus lugares na sala de aula pouco antes do professor Terada chegar.
Professor Terada: Muito bem, crianças. Antes de começar a aula, quero recolher os trabalhos de história que pedi na semana passada.
Todos os alunos abrem suas mochilas e deixam seus trabalhos em mãos.
Sakura: Hoe?
Tomoyo: O que foi, Sakura?
Sakura: Não estou encontrando meu trabalho. Eu jurava que tinha deixado junto dos livros...
Sakura revira todos os seus livros e sua mochila, de maneira bem agitada. O professor Terada passa pelas meninas e pega o trabalho de Tomoyo.
Professor Terada: Sakura?
Sakura (gesticulando): Sabe o que é, professor... eu perdi meu trabalho... eu tinha certeza que ele estava guardado nos meus livros...
Professor Terada: Sinto muito, mas terei que te dar nota zero.
O professor Terada segue recolhendo os trabalhos. Yuriko, Mika e Kaya ficam rindo de Sakura.
Yuriko: Olha só... a queridinha da turma não fez o trabalho. Que feio.
Sakura fica com cara de choro e Tomoyo tenta confortá-la.
Tomoyo: Não se preocupe. Você vai conseguir recuperar a nota depois.
Sakura: Mas eu me esforcei tanto para terminar o trabalho... não é justo...
Sakura deita sobre sua mochila, chateada.
No pátio da escola, uma pessoa misteriosa se esgueira por entre as árvores e observa Sakura pela janela da sala de aula.
Pessoa misteriosa: Então ela está preparada para o próximo passo...
A pessoa misteriosa sorri, se vira e caminha para longe. Estranhamente onde a figura misteriosa pisa as plantas apodrecem...
FIM DO CAPITULO
No Próximo Capitulo: "Ai, ai, ai. Depois de alguns dias ruins eu finalmente estou muito feliz! Uma pessoa muito especial voltou para a cidade. É tão bom estar perto de quem se ama. Mas com tantos problemas acontecendo, eu acho que não conseguir um tempo sozinha com ele... Ah. Eu espero que vocês estejam comigo no próximo capitulo de Card Master Sakura para dizermos juntos... LIBERTE-SE!"
