Humanidade - Capitulo 2.
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Por: Gabihh-chan.
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Andavam apressadamente por uma rua pouco movimentada de Tóquio. Tratava-se de um subúrbio afastado, um local estratégico para se tratar de "negócios" ao ar livre sem correr o risco de ter importantes informações correndo por bocas de espiões intrometidos e deveras irritantes ou até mesmo ter suas descobertas sigilosas nos ouvidos de seitas inimigas.
Era um dia fresco e nublado, com poças de água desenhando o chão. Ainda assim o sol transpassava por pequenas frestas entre as nuvens dando luminosidade ao local. Esses finos e inofensivos raios de sol eram o suficiente para incomodar Haruma profundamente. Ela realmente preferia trabalhar a noite, nas trevas... Mas o chefe insistia em mandá-la para missões diurnas e mesmo que isso lhe desagradasse e muito, uma das características mais apreciadas de Haruma na seita era ser submissa aos seus superiores... Sendo assim, ela cumpriria o que lhe fora designado.
Os cabelos negros e curtos eram penteados pra traz de modo rebelde. Parte da franja se encontrava presa por uma presilha em forma de morcego, cujos olhos eram nada menos que pedrinhas de rubi. A outra parte caia levemente sobre os orbes de um intenso azul, contornando a face de traços delicados e pele alva. O corpo desprovido de curvas marcantes era quase completamente coberto por malhas escuras, de forma que só se podia ver seu rosto e suas mãos, isso impedia o contato direto com o sol. Viraram a direita adentrando um beco escuro. Haruma suspirou aliviada ao mergulhar na penumbra do local.
Os olhos vermelhos púrpuro de Naomi cintilaram na expectativa da nova missão. Os longos cabelos encaracolados de tonalidade branca com flashes negros, que se encontravam presos em um alto rabo-de-cavalo, esvoaçaram com a brisa gelada que adentrou o local fazendo com que os pelos da pele alva se eriçassem. Suspirou profundamente antes de tomar as providências necessárias.
- Quanto tempo temos? – Naomi se voltou para Haruma.
- Menos de dez minutos – Disse conferindo o relógio de bolso.
- O que está esperando? Vamos... Suma daqui! – Enquanto dizia isso fazia um gesto com as mãos para que fosse embora.
- Não faça nada errado desta vez Naomi! – A voz ríspida cortou o local como uma intimação.
- Do que está falando? Eu sempre faço tudo certo! – Vociferou orgulhosa.
- Nem sempre. – Foram as ultimas palavras ditas por Haruma antes que esta, com uma agilidade assombrosa, sumisse do local em um piscar de olhos.
Naomi sentiu o sangue ferver. Seu orgulho era grande e lhe cutucava a cada vez que alguém lhe lembrava de seus erros... Erros que ela jamais admitia ter cometido. Sabia exatamente do que Haruma estava falando... Do fatídico episódio de seu fracasso na missão de espionagem a base da Death. Ela não se permitiria errar de novo. Desta vez, sairia tudo conforme o seu planejado.
Pegou em um dos bolsos da calça preta que usava um pedaço de papel meio amassado, na verdade, uma fotografia. Observou-a por algum tempo memorizando cada detalhe e então voltou a guardar a foto no bolso da calça. Logo a figura feminina de belas curvas incluindo seios roliços e cintura fina, em uma linha circular brilhante que se iniciou em seu calcanhar e subia em direção a cabeça, se transformava em uma figura máscula com músculos no lugar das curvas e um grande sobretudo com sapatos sociais tomaram o lugar da regata, calça e botas pretas.
Pegou no chão úmido e sujo do beco um pedaço de espelho quebrado e contemplou por um instante a transformação, certificando-se de que não faltara nenhum mínimo detalhe para então suspirar satisfeita com o próprio trabalho. Sua forma agora era uma réplica perfeita da imagem do general que fora seqüestrado pela Rubi e que deveria em alguns minutos se encontrar com um agente da Death para negociar a compra de uma nova tecnologia contra mutantes. Esta tecnologia deveria ser apreendida e estudada, para que então os mutantes da Rubi não fossem pegos desprevenidos pela nova arma, além de que poderia ser útil nos conflitos contra a Daimmond.
Escutou o barulho de passos a entrada do beco, abandonando então o espelho ao chão novamente. Na pouca luminosidade do local distinguiu uma imagem jovem se aproximando cautelosamente segurando em mãos uma maleta preta. Logo o jovem cessou a aproximação e se pronunciou pela primeira vez:
- General Beker?
Naomi, agora com a imagem do general apenas maneou um aceno de cabeça em uma resposta positiva.
- Sou Shiroy, agente da Death. – Ele se apresentou - Andam tendo problemas com mutantes na base militar general?
- Oh sim – Naomi teve que se controlar para não deixar escapar um sorrisinho irônico – Principalmente com aqueles desgraçados da Rubi.
- Eles se tornam um problema a cada dia pior! – Disse o jovem em tom preocupado.
- Diga meu jovem... O que trouxe pra mim? Lembre-se que estou disposto a pagar bem... Quero o que há de melhor!
- E você o terá! – Disse esboçando um sorriso satisfeito.
O homem apoiou a maleta que tinha em mãos sobre a tampa de uma lixeira recostada a parede do beco, logo a abriu expondo orgulhoso uma pistola aparentemente comum de aço cromado e ao seu lado quatro pequenas cápsulas de vidro com uma agulha em uma das extremidades, uma espécie de seringa, contendo um liquido verde fluorescente. Sua parte estava quase concluída, só precisava de mais algumas informações e poderia deixar o resto com Haruma. Odiava servir de "isca", mas a situação pedia isto.
- Parece um belo trabalho... Do que se trata? – A voz rouca soou interessada.
- Trata-se de uma forte substância paralisante somada a um poderoso alucinógeno que afeta apenas a mutantes. – Pelo orgulho que tinha ao expor o trabalho, deveria ser uma criação própria – Apenas uma gota deste líquido – Ele continuou – Pode deixar um mutante completamente paralisado e em estado de alucinação profunda por pelo menos quatro horas.
- Realmente um belo trabalho.
Desta vez Naomi não conteve o riso de escárnio, era divertido ver como ele caíra perfeitamente em seu disfarce. O jovem arregalou os olhos ao ver novamente o raio circular dourado passar pelo corpo masculino trazendo de volta as curvas, traços e roupas de uma mulher. A figura feminina levou dois dos dedos a boca deixando um assovio agudo cortar o local. Em um movimento desajeitado o homem se virou, pegou a arma dentro da maleta e inseriu um dos frascos de veneno.
- Deve estar com sede Haru. – Pronunciou Naomi divertida.
- Pode apostar que sim – Uma voz misteriosa surgiu de repente.
Era tarde demais. Ao se virar o agente deu de cara com Haruma que fitava seu pescoço com um brilho maligno no olhar. Os olhos antes azuis eram tingidos gradualmente pela tonalidade vermelho escarlate, os cabelos negros ganhavam flashes brancos e as presas cresciam afiadas à medida que o desejo de sangue aumentava correndo por suas veias. Já havia um bom tempo que não saciava sua cede e não conteria mais a vontade.
Shiroy apontou a arma em sua direção, mas foi um ato tolo. Em uma fração de segundo Haruma agarrou seu pulso com força torcendo-o para cima. Ouviu-se o estalar dos ossos do homem juntamente com um urrado sôfrego de dor. Logo a arma que ele tinha em mão despencou ao chão. O caminho estava livre, Haruma entreabriu os lábios deixando transparecer as presas compridas e afiadas. Ele sabia o que viria a seguir e não era nada bom! Já ouvira falar da Vamp, a garota vampiro, apenas não esperava ver-se frente a ela algum dia.
- Engula os dentes Vamp! – Desta vez uma nova voz feminina cortou o local com timbre autoritário.
Haruma imediatamente direcionou um olhar furioso a garota parada na entrada do beco. Qualquer outro teria estremecido diante do olhar maligno de Haruma, e teriam razão em temer... Mas não ela, não Hildegard Von Valentine. A expressão sempre fria e impassível mantinha uma postura impecável, sendo tão fria e calculista quanto a própria Vamp.
A face alva levemente pintada por sardas se retorcia em uma expressão determinada. Os cabelos ruivos se estendiam até o joelho, e a franja de mesmo comprimento se dividia mais farta para o lado direito. Os olhos esmeraldinos se encontravam perfeitamente focados em seu alvo. Em uma das mãos carregava uma arma igual a que havia sido apresentada por Shiroy e esta estava apontada diretamente para a Vamp.
- Vai se arrepender de ter dado as caras por aqui sua piranha ruiva! – Haruma rangeu os dentes ao cuspir tais palavras.
Naomi assistia a cena, imóvel e atenta. Preferia não revelar seu lado negro, pelo menos não ainda... Isso a colocava em posição defensiva e por isso apenas assistia a cena de rivalidade como quem assiste a um filme na televisão. Haruma por sua vez sentiu a raiva ferver-lhe o sangue. Era, na maior parte do tempo, um ser tremendamente controlado, mas não admitia que pessoas que ela julgava "inferiores" tivessem a audácia de dirigir-se a ela com tanto escárnio... Os que faziam isso pagavam pela coragem que não deveriam ter.
Atirou o homem, que até então prendia pela mão, ao chão com brutalidade e ali ele permaneceu. Logo voltou-se para a mulher na entrada do beco e passou a andar em sua direção a passos firmes. Hilde disparou a arma ao perceber a aproximação, mas o ato foi em vão... Haruma segurou o frasco de vidro entre os dedos sem ser tocada pela seringa, sua agilidade era realmente impressionante.
Hildegard olhou para o topo do prédio ao seu lado como se o movimento de Haruma não a houvesse impressionado. Haruma imediatamente seguiu o olhar da mulher a sua frente e arregalou levemente os orbes vermelhos ao perceber um projétil vindo em grande velocidade em sua direção. Com reflexo rápido Haruma se moveu para o lado, mas o que parecia ser uma bala pegou de raspão seu braço esquerdo perfurando o tecido da blusa preta e deixando uma ferida aberta.
- Desgraçado! - Levou a mão direita ao braço ferido pressionando o corte.
Olhou novamente para cima tentando encontrar a imagem de quem havia atirado, nada encontrou além de um grande clarão da luz do sol que fez seus olhos arderem como se queimassem em brasa e em decorrência disso recuou dois passos atrás se embrenhando novamente a sombra do beco enquanto esfregava os olhos com as costas das mãos. Sol, ela realmente detestava o sol, em sua forma humana o contato direto com a luz do sol lhe era tremendamente incomodo, mas em sua forma mutante ele não era apenas incomodo... Era um veneno, que queimava e ardia como um ácido poderoso. Todos tem suas fraquezas.
- Hiro... Desça! - Hilde aproveitou o desconcerto da inimiga para pedir reforço.
As sobrancelhas se curvaram em uma expressão determinada. Ela tinha a arma em mãos, só precisava atirar. Haruma abria novamente os olhos mas estes ardiam e não podia ver mais do que um confuso borrão. Naomi que permanecia oculta nas sombras até então viu que precisava atacar de alguma forma, então a imagem feminina alterou-se novamente na imagem de um lobo de garras e dentes afiados. Os orbes do lobo, ainda vermelhos, agora se focalizavam na mulher ruiva, desafiadores e um rosnado feroz soou ao local.
Por fim Hilde ignorou a fera que estava pronta a lhe atacar e atirou mais uma vez. Desta vez, atordoada e não podendo enxergar, Haruma nada pode fazer. Sentiu o ombro perfurado pela seringa e o corpo ser invadido pela substancia paralisante. Logo o corpo todo formigava e ela despencou ao chão, as cores que via se mesclavam e um desenho surreal que rodava em sua mente e lhe atordoava... As alucinações apenas começavam. Alucinações de pavor, morte e sangue eram as únicas coisa que via, tomada pelo desespero deixou escapar um grito agudo de pura agonia.
Ao ouvir o grito, Naomi imediatamente avançou sobre a mulher ruiva que agora lhe direcionava a arma. Com grande agilidade pulou sobre ela antes que a arma fosse disparada e em meio a latidos ferozes a derrubou contra o chão fazendo-a soltar a arma. Logo os caninos afiados perfuravam a pele alva do pescoço da mulher tingindo-o de sangue. Um novo grito ecoou o local.
Naomi desviou a atenção do ataque ao perceber o barulho de passos. Logo pode ver a imagem masculina de cabelos azulados rebeldes e de olhos formados pela mistura dos tons preto e lilás surgir a entrada do beco. Este tinha em mãos o que parecia ser uma arma comum, apontada para Naomi.
- Solte ela seu cão sarnento! - O tom que usava era uma mistura de raiva e ordem.
Naomi analisava mentalmente suas opções. Se avançasse sobre ele provavelmente acabaria levando um tiro antes de alcançá-lo considerando que a distancia entre eles era grande demais para ser percorrida em poucos instantes. Não poderia recuar com Haruma sobre efeito do veneno... Ela acabaria sendo capturada e provavelmente morta. Estava encurralada. Por fim a salvação surgiu as sombras do beco... Estas estranhamente se moviam como em um redemoinho e logo a atordoada Haruma fora sugada por elas, sumindo como se o chão a engolisse.
Então uma imagem feminina de olhos tremendamente negros, pele alva, cabelos cor de turquesa e grandes asas negras surgiu das sombras voando em grande velocidade. Esta com uma agilidade incrível segurou Naomi e em uma fração de segundos voltou a mergulhar nas sobras levando-a junto, deixando no beco apenas Hiro, Hildegard e Shiroy.
Logo que percebera a fuga do inimigo Hiro correu até a companheira ferida que pressionava com força o pescoço perfurado por marcas de dentes.
- Aqueles cretinos... - Analisou o ferimento da mulher que apenas permanecia de olhos fechados em uma expressão de dor - Vamos... Precisamos levá-la ao hospital. Pode andar Shiroy?
- Posso... - Respondeu o jovem se levantando - Mas acho que quebrei o pulso.
- Você tem sorte de ter apenas quebrado o pulso... - Disse friamente enquanto segurava Hildegard no colo. - Ligue para o chefe e peça que mande condução o mais rápido possível.
Shiroy não respondeu, apenas pegou o celular do bolso e ligou para o chefe conforme as ordens de Hiro. Hiro era um homem controlado e dono de uma boa racionalidade, sabia exatamente o que fazer em qualquer situação, fosse ela em um pesquisa cientifica ou em um conflito... Sua astucia e seus planos sempre vinham bem a calhar.
Logo um carro preto de luxo estacionou em frente ao beco, então Hiro seguiu para dentro rapidamente com a colega ferida nos braços sendo seguido por Shiroy que se queixava pela dor no pulso quebrado. A situação se encontrava sobre controle e a batalha fora equilibrada, haviam membros dos dois lados feridos. Em todo caso Hilde seria logo encaminhada a um bom hospital e com certeza em pouquíssimo tempo estaria de volta a ativa. Shiroy estava a salvo apesar do pulso quebrado, o que não é nada se comparado ao risco que ele corria de perder a própria vida, a missão havia sido cumprida... E por fim Hiro conseguiu sair ileso e controlar toda a situação.
Estava sentado em uma poltrona preta que se encontrava em uma espécie de escritório, muito tecnológico e futurista por sinal. O ambiente era praticamente inteiro branco, a poltrona em que se encontrava era uma das poucas coisas que não possuía esse tom. Dava-lhe náuseas a sensação de estar em um ambiente como aquele... Semelhante a um hospital.
A expressão demonstrava também que não se encontrava nada contente. Era uma expressão irritada e impaciente. A bonita loira que fora ao seu encontro naquela manhã, ao dizer que havia alguém querendo falar com ele, não mencionara que sairiam da cidade para encontrar a tal pessoa. E pior... Não mencionara que o faria de idiota flertando com ele durante todo o percurso para depois tomar chá de sumiço, dizendo que tinha que "encontrar alguém" e o deixaria plantado em uma sala que mais parecia um quarto de hospital cheio de bugigangas eletrônicas que não paravam de apitar um som irritante.
Quando sua paciência realmente estava chegando ao limite a porta de metal se abriu emitindo um som parecido com o das maquinas que ainda apitavam. Não voltou sua atenção para a porta, apenas pegou um pequeno objeto que enfeitava a mesa de centro a sua frente e passou a analisá-lo esperando que seja lá quem fosse se pronunciasse.
- Chace Collins? - A voz feminina soou ao local.
Ao ouvir aquela voz Chace estremeceu, era uma voz melódica e determinada... Ele tinha a estranha mania de analisar as pessoas pela voz e a voz daquela mulher realmente o agradara. O olhar foi rapidamente direcionado a figura que adentrara o local. Uma linda jovem cujos olhos mais pareciam duas esmeraldas brilhantes, cabelos róseos como nunca havia visto antes que lhe caiam até o meio das costas. Alguns fios rosados mais curtos delineavam as feições delicadas. A pele alva entrava em contraste com o batom e unhas vermelhas. Assim que ela adentrara pela porta, Chace sentiu o impregnante aroma de cerejas preencher o local... Ele nunca havia reparado antes o quanto gostava do cheiro de cerejas.
- Sr. Collins... Está me ouvindo? - A garota chamou já pela terceira vez.
- Oh, me desculpe... Estava distraído. - Direcionou a mulher um de seus melhores sorrisos, em sua concepção, essa garota era ainda melhor que a loirinha dos olhos azuis - Pode me chamar apenas de Chace!
- Sr. Collins - Ela ignorou as palavras do homem como se nem as tivesse ouvido - Creio que saiba porque está aqui.
- Na verdade não! Mas seja lá o que for já está valendo a pena! - Ele mediu a garota de cima abaixo recebendo em troca um olhar furioso.
- Não está aqui para olhar minhas pernas isso eu posso lhe garantir! - Disse ríspida com o timbre irritado - Lhe chamei aqui unicamente por seu histórico no ramo da ciência.
- Ciência? - Ele arqueou uma das sobrancelhas. - A loirinha mencionou algo sobre isso...
- A "loirinha" se chama Ino! - O timbre permanecia irritado. - E é assim que deve chamá-la. - Ela finalizou.
- Você é sempre assim... Tão... Séria? - Ele rodeou os olhos - Percebo que não costumar sair muito não é mesmo senhorita... - Ele deixou a frase vagar no ar como se esperasse que ela preenchesse a lacuna que faltava com o próprio nome.
- Haruno, Sakura Haruno. - Ela disse sem paciência - E não tenho tempo para atividades fúteis como as que tenho certeza, você deve exercer.
- Nunca vi tanta tensão sexual concentrada em uma única pessoa como estou vendo agora - Ele provocou se divertindo.
- Oras seu canalha! - Bradou irritada - Meça as palavras antes de falar comigo se tiver amor a vida ou ao que tem no meio das pernas. - Apertou os olhos ao ameaçá-lo.
Ele por um minuto jurou ver uma aura negra se apossar da mulher a sua frente e engoliu seco diante a ameaça. Aquela mulher era dona de um gênio forte... Autoritária e séria. Ele ponderou por um segundo o que estaria fazendo ali, em um lugar desconhecido e afastado de sua casa tendo sua vida além de outras coisas ameaçadas por uma mulher de cabelos róseos que conseguia ser ainda mais ranzinza que uma senhora mal amada de oitenta e tantos anos... Não encontrando nenhum motivo plausível ele contorceu o rosto em uma expressão irritada, a mesma que possuía antes da entrada da bela cientista e rodeando os olhos voltou a falar:
- Ótimo "Senhorita Haruno"... tenho muito amor pela minha vida e principalmente pelo que tenho entre as pernas... Então se não há mais ameaças ou xingamentos a proferir contra mim, acho que não tenho nada o que fazer aqui! - Ele estreitou os olhos e se levantou já se dirigindo em direção a porta.
- Se é assim... Acho que não está interessado no cargo que estava disposta a oferecer aqui na seita - Ela sorriu de lado enquanto se sentava na cadeira atrás da escrivaninha central e segurava em mãos alguns papéis.
Chace imediatamente parou. A primeira impressão que teve foi de estar ficando louco ou tendo alucinações. Há um minuto atrás a Haruno havia praticamente dito que ele era um vagabundo sem nada pra fazer e ameaçara matá-lo e capá-lo. Agora porém ela se mostrava uma paciência que não tinha a alguns minutos atrás e ainda lhe oferecia um emprego. "Não é uma coisa que se acontece todo dia" pensou virando-se novamente para encarar a rosada que agora lia alguns papéis sem se importar com sua presença.
- Um cargo? Na seita? - perguntou pausadamente em tom incrédulo.
- Sim. - Ela olhou por cima dos papéis - Embora eu ainda ache que você não passe de um moleque metido a besta... Seu histórico em ciências e tecnologia me dizem o contrário - Ela abanou os papéis que tinha em mãos, aparentemente o histórico de todas as escolas em que Chace estudara, que eram particularmente as melhores além de seus inúmeros cursos e experiências.
- Eu... Gosto de ciências! - Ele disse cruzando os braços sobre o peito.
- Porque não se senta para conversarmos como pessoas civilizadas?
O choque de Chace ao obter a proposta de um cargo na seita passara e ele voltara a raciocinar plenamente. Uma coisa estava certa... Sakura possuía uma espécie de dupla personalidade. A primeira era relacionada a seu lado pessoal, e para dizer a verdade não era nem um pouco agradável! Ranzinza, explosiva, autoritária entre outras "qualidades" nenhum pouco otimistas. A segunda relacionada ao trabalho, e pouco podia-se dizer sobre esta... Ao tratar de trabalho apenas era evidente que ela parecia mais calma e racional, ponderada e considerava os melhores meios para se resolver as coisas. Uma personalidade no mínimo complicada da qual, neste pequeno diálogo Chace pode desvendar algumas partes... E mesmo assim estava claro que ainda havia muito o que descobrir.
- Bem... Acho que não é necessário! - Ele suspirou, não estava em seus planos deixar a "boa vida" para se enfurnar em uma base secreta e correr o risco de acabar como Sakura: Com ausência total de uma vida pessoal e uma dupla personalidade na qual só se era possível conviver se tratando de trabalho e mais trabalho.
- Tudo bem... Com certeza posso achar um ajudante melhor! - Ela disse em um tom aliviado jogando os papéis de qualquer jeito sobre a mesa.
- Espere! - Ele arregalou levemente os olhos - Ajudante? Seu ajudante?
- Sim - Ela sorriu de canto - Não é comum novatos pegarem cargos de tanta influência como ajudante da chefe, mas seu histórico me chamou a atenção! - Ela pareceu responder a duvida que ele tinha - De qualquer forma você não está interessado...
Chace voltou a pensar. A chefe e criadora de toda uma organização secreta com o objetivo de salvar a humanidade, lhe oferece pessoalmente um cargo como seu ajudante... E ele iria recusar? Seria uma atitude impensada! Sem contar que a tal "Haruno" lhe intrigava profundamente... Como seu ajudante teria tempo para descobrir o que levaria uma jovem tão bela a se trancar em uma base secreta e passar todo o tempo disponível em busca de uma cura para a mutação... Esquecendo sua juventude, qualquer coisa relacionada a diversão, toda sua vida social e pessoal, esquecendo praticamente todo o seu lado humano. Chace sabia que por traz da impenetrável cientista Haruno havia uma garota sonhadora... Talvez atordoada pelas responsabilidades que eram imensas! Mas ele estava disposto a descobrir o lado humano de Sakura, um que ele tinha a impressão de que era amável, dócil, frágil e romântico... Assim como seu aroma de cerejas.
- Eu aceito - Ele disse em tom firme - Quando começo?
- Agora. - Ela sorriu de canto ao ver a expressão assustada seguida de uma careta do mais novo agente da Hope. - Vai precisar de uma tatuagem!
- Tatuagem? - Ele contorceu o rosto quando um calafrio percorreu-lhe a espinha... Ele detestava tatuagens.
Era um lugar calmo e refinado, garçonetes uniformizadas passeavam de um lado para o outro com finas bandejas de prata, cada qual encarregada de atender cordialmente e atenciosamente uma única mesa para melhor agrado dos clientes. O lugar era decorado em tons pastéis estampando serenidade, as pequenas mesinhas circulares eram feitas de mognos e decoradas cada qual com um lindo arranjo floral no centro que era posto cuidadosamente sobre uma toalha circular de renda. No fundo do estabelecimento um balcão de onde as garçonetes entravam e saiam levando e trazendo pedidos.
Acomodados ao lado da grande vidraça, cada qual permanecia absorto em seus próprios devaneios. Os olhos amendoados de Aislin se concentravam no lindo arranjo floral postado no centro da mesa com um brilho indecifrável. Os raios dourados de sol que entravam pela vidraça iluminavam a tez clara, a face pintada por algumas sardas delicadas que se estendiam pelo pescoço e o colo. Os cabelos de um vermelho vibrante pareciam fumegar diante a luminosidade solar, caiam pelas costas lisos desde a raiz incorporado um leve encaracolado nas pontas a altura do quadril. As feições maduras eram amenizadas pela espessa franja que quase lhe cobria as sobrancelhas.
Já os imponentes olhos perolados de Neji, miravam o movimento pacato da rua, pessoas passeando em um dia ensolarado, tão despreocupadas, tão felizes... Tão insignificantes e indefesas. Os traços firmes marcavam a face de pele alva. A expressão misteriosa estampada no olhar vazio e apático. Os cabelos castanhos estavam penteados no costumeiro rabo-de-cavalo frouxo com alguns fios desajeitados contornando as feições rígidas.
Uma das garçonetes que viera do balcão aos fundos do estabelecimento caminhou até eles com a costumeira bandeja de prata contendo sobre esta duas xícaras de porcelana branca pintada com desenhos florais metálicos. Postando-se ao lado da mesa depositou a primeira xícara, contendo café preto, em frente ao rapaz de orbes exóticos. Logo em seguida depositou a segunda xícara, esta de chá verde, em frente a jovem ruiva se retirando logo em seguida.
Os olhos amendoados desviaram a atenção do arranjo floral para a xícara de chá e logo em seguida se ergueram para mirar a face de Neji. Era sem duvidas um rapaz atraente, mesmo estando distraída podia perceber os suspiros das mulheres a sua volta que se derretiam diante os orbes cristalinos do moreno... Este por sua vez as ignorava por completo, quieto, calado e reservado... Aislin conhecia bem! Dificilmente abria a boca para proferir algo que não fossem comentários sádicos, egoístas, amargos ou sarcásticos. Falar de si mesmo era algo que não lhe ocorria, muito menos se interessava por vidas e problemas alheios. Ainda assim era homem... E um homem até certo ponto despudoroso e luxurioso. Jamais em sua vida pertencera a uma única mulher, na verdade jamais pertencera a mulher alguma por tempo que fosse... Elas lhe pertenciam, ao anoitecer e por uma única noite, para satisfazer seus desejos carnais e então ser completamente ignorada ao nascer do sol. Este era Hyuuga Neji, ou apenas o que parecia ser.
Fora praticamente um troféu para Aislin poder enxergar através das aparências e conquistar, mesmo que em pequena quantidade, a confiança do Hyuuga. Com o passar do tempo o diálogo entre eles passou a ser mais do que palavras secas jogadas ao vento. Ela pode ver através das mascaras e até decifrar uma parte do verdadeiro Neji, conquistou a habilidade de fazê-lo se abrir e se mostrar a ela como não fazia com ninguém, ou quase ninguém. Sim, ela conquistara a habilidade de decifrar o Hyuuga e todos os seus mistérios... Mas havia algo que ela ainda almejava, conquistá-lo por completo e só para si. Sabia que no fundo ele sonhava em ter alguém ao seu lado para os dividir os momentos, fossem bons ou ruins... Apenas era cético e reservado demais para deixar-se ser explorado por este alguém, não gostava de se abrir e temia aqueles que o conheciam. Mas ela, ela já o conhecia há muito tempo e desde então a aproximação foi se fazendo por si, aos poucos... E ela sabia, ainda havia algo que a impedia de ter o coração do Hyuuga em suas mãos.
Um motivo simples: Desde que Neji se entende por gente seu coração já pertence a uma única garota e ninguém mais. Sem coragem para admitir... Sem querer admitir... O Hyuuga trancou esse sentimento em um lugar que não lhe afetasse, mas o fato é que ainda fazia parte dele e isto não mudaria. Ele sabia disso. Ela sabia disso.
- Até quando pretende ficar calado olhando para o nada, Neji? - Ele fitou-a com um olhar apático e sem demonstrar reações - Ande, diga-me... O que te perturba tanto?
- Já te disse Aislin, não há nada. - desinteressado voltou a fitar a janela.
- É a Hyuuga não é? A sua prima... Ela é o motivo, eu sei! - A garota disse com expressão séria e pode perceber que Neji suspirou pesadamente e voltou a fitá-la, calado... "Quem cala consente". Ela havia acertado novamente - Sabe que não pode esconder nada de mim, porque não me diz de uma vez?
- Eu a vi chorando. - Cruzou os braços sobre o peito se dando por vencido a insistência da garota - Soube depois que o idiota do Naruto terminou com ela...
- Não era isso que você queria? - Ela arqueou uma das sobrancelhas - Sempre disse que era um erro Hinata se envolver com ele, afinal ele é da Death!
- Eu quero que esse idiota se dane! - Disse ríspido - E é claro que foi uma idéia estúpida da Hinata engajar um namoro com um membro da seita rival! Mas...
- Você a viu chorando. - Aislin esboçou um sorriso fraco e triste, não gostava da preocupação excessiva e do sentimento amoroso e fraternal que o Hyuuga sentia, porém escondia, pela prima - O problema não foi o término do namoro, foi vê-la sofrer não é mesmo?
Neji se calou. Não havia argumentos contra a afirmação, ele odiava ver Hinata sofrer. Desde pequeno conviveu com a prima, desde que não havia guerra e nem seitas inimigas. Muitas vezes a menosprezou, magoou, fora rude... Achava injusto que a herança de seus antepassados, uma verdadeira fortuna, ficasse sobre posse somente de Hiashi, pai de Hinata. Nunca aceitou o fato de ele e seu pai, tão herdeiros quanto Hiashi e Hinata, terem que se submeter a ser meros empregados para não viver na miséria. Mas Hinata sempre pagara seu ódio com o mais puro e inocente amor. A cada palavra rude que proferia contra ela, ela lhe pedia perdão com uma doçura imaculada. Com o tempo ele percebeu que convivia com um anjo, um anjo que fora mandado em forma de seu inimigo, mas que tinha a missão de amenizar suas dores e colorir seu mundo negro. A parir de então desenvolveu um carinho e instinto protetor para com a prima, que nunca tivera por nenhuma outra pessoa. As palavras rudes foram substituídas por consoladoras, a vontade de fazê-la sofrer se transformou em necessidade de protegê-la das amarguras e o ódio se converteu o amor. Seu coração passou a pertencer unicamente e exclusivamente a Hinata, ninguém mais... Mesmo que ele jamais admitisse isso pra ninguém, nem para si mesmo.
Aislin era a única que tinha conhecimento desse sentimento que até mesmo a própria Hinata desconhecia e até mesmo Neji insistia em negar. Isso a incomodava. De que lhe adiantava conhecer o Hyuuga de todos os ângulos se ele nunca seria seu nem jamais estaria ao seu lado e sentiria por ela ao menos uma parte do que nutria por Hinata? Se sentia desolada a cada vez que percebia o sentimento incondicional dele para com a prima... Mas ainda tinha esperanças de que poderia mudar isso e iria mudar! Desde que passara a trabalhar com o Hyuuga sentira por ele uma atração quase magnética. Depois de anos de convivência ela se orgulhava em saber que o conhecia melhor do que todos, até mesmo de que a própria Hinata. Ele também a conhecia, sabia de seus comportamentos e sentimentos melhor do que ninguém, mas ainda não o suficiente para perceber que por traz de sua forma impassível de agir ela nutria um sentimento, que não chamaria de amor pois é um termo forte demais, ela poderia intitular como desejo... De estar ao lado do Hyuuga e de saber como seria ser tocada por aquelas mãos e o gosto que continham aqueles lábios. Aislin apenas queria descobrir mais sobre os mistérios de Neji, ela sempre gostou de mistérios.
O silencio se instalou entre eles novamente, cada qual voltou a seus pensamentos anteriores. Neji pegou a xícara de café tomando um gole, então mirou os orbes amendoados... Impassíveis, como sempre. Ele se perguntava o que ela escondia por de traz da indiferença, ele a conhecia, mas nunca conseguia decifrar os sentimentos por traz daqueles olhos. Por outro lado ela sabia do seu sentimento por Hinata mais do que ele gostaria que soubesse. Mesmo não compreendendo aqueles olhos jurou por um minuto poder ver um brilho de mágoa. Seus devaneios foram interrompidos pelo celular que tocava. Pegou o aparelho no bolso da calça e arregalou levemente os olhos ao ver o nome escrito na tela luminosa. Rapidamente levou o celular ao ouvido.
- N-Neji... - A voz feminina era fraca e fora abruptamente acometida por um crise violenta de tosses, do outro lado da linha respirou fundo, Neji pode ouvir o chiar arranhado da respiração, logo ela recuperou o fôlego - Neji-kun... E-eu encontrei com um agente da Rubi...
- Um agente da Rubi? - O tom de voz se elevou preocupado, imediatamente Lin fez uma careta emburrada, sabia exatamente quem estava do outro lado da linha - Céus, Hinata! Aonde você está?
- Em um bosque... - A voz embargada parecia cada vez mais difícil de se pronunciar, novamente tossiu algumas vezes e voltou a falar - N-não sei ao certo onde.
- Eu sei. - Lembrou-se de que vira a prima correr desesperada em direção ao bosque, mas provavelmente ela não o vira - Estou indo te buscar, não se mexa.
- Mesmo que quisesse... Não conseguiria. - Ela disse em um soluço, Neji sentiu um leve desespero percorrer-lhe o corpo, mas logo recuperou a razão - V-venha rápido por favor Neji-kun!
- Fique tranqüila... Vai ficar tudo bem Hinata. - Assim ele esperava.
Desligou o telefone e percebeu o olhar curioso de Lin sobre si. Suspirou pesadamente, sabia que a jovem ruiva odiava quando ele tinha que ir embora de repente para livrar Hinata de alguma roubada. "Você por um acaso é guarda costas da sua prima, Neji?" era algo que ela dizia freqüentemente, mas ela sempre entendia e já nem contestava mais apesar de ficar emburrada.
- O que houve? - Ela perguntou já tendo consciência da resposta.
- Hinata está com problemas, parece estar ferida... Eu vou buscá-la.
- Ah... - A ruiva abriu a boca em um protesto fraco, mas se calou antes mesmo de dizer algo - Tudo bem... Nos vemos depois.
Aislin levantou-se e caminhou em direção a saída sem dizer mais nada, era melhor assim, Neji não precisava saber o quanto o afetava levando em conta que ele ainda não havia percebido isto. Ele por sua vez massageou as têmporas... Sabia que Lin havia se irritado, mas ao seu ver era por causa da amizade dos dois que andava um tanto vaga ultimamente. Havia muito mais entre eles do que indiferença, e ele gostava disso, apenas não sabia que Lin ainda queria mais.
Estava sentado sob a maca. A expressão séria até mesmo arredia. No tórax desnudo eram pregados sensores de temperatura. Olhou a pequena tela na parede."-2º e baixando" analisou o termômetro ambiente. Respirou fundo, se concentrou, odiava tudo aquilo e queria que acabasse rápido... E para isso acontecer ele tinha que mostrar a eles o que eles queriam ver. Sentiu as mãos tremerem, não era um bom sinal... "Controle, Controle". Suas habilidades eram bastante instáveis, com o tempo ele adquiriu controle sobre elas, mas não era algo fácil de se manter. O nervosismo subiu-lhe a pele, ele podia sentir a temperatura cada vez mais baixa. " -5º... -10º... -13º e baixando".
Os cientistas a sua volta, que já fazia algum tempo o observavam, se entreolharam como se pudessem comunicar-se por telepatia. Todos voltaram o olhar ao termômetro " - 15º e baixando". Todos dentro da sala sentiam as conseqüências do frio, a cabeça doía o corpo tremia e a respiração se tornava difícil... Apenas Alexander parecia não ser afetado.
- Tente voltar a temperatura nula Alex. - Um dos cientistas se dirigiu a ele percebendo que a temperatura apenas baixava.
- Estou tentando... - Respondeu entre dentes estreitando os olhos.
Odiava tudo aquilo. Ser analisado como um animal de circo. Sim, era difícil controlar seus poderes, mas isso não deveria ser um problema... Ele poderia simplesmente desligá-los quando quisesse! Mas não... Eles tinham que complicar, tinham que fazê-lo "controlar seus magníficos dons mutantes". Ele queria que o maldito controle fosse por inferno, só queria sair dali e parar de ser observado como um bicho extinto.
A porta foi aberta mais uma vez, Alex franziu o cenho , só poderia ser mais um daqueles cientistas irritantes que veio para lhe fazer perguntas e mandá-lo alterar a temperatura como se ele fosse um ar condicionado ambulante. O homem tremeu ao entrar em choque com a temperatura baixa, logo respirou fundo e esfregando as mãos para aquecê-las passou a observar a sala atentamente.
Uma fina película glacial recobriu as paredes metálicas, os cientistas observavam sensores de temperatura e calor além de maquinas cujos fios estavam ligados ao peito de Alex, fazendo anotações em seu cadernos, computadores ou agendas eletrônicas. Alex estava sentado em uma espécie de maca recostada a parede do fundo da sala, sua aparência era um tanto mórbida e alguém que não soubesse de seus "dons" diria que estava morto... A pele extremamente albina mesclava-se aos cabelos completamente brancos que por sua vez contrastavam com os olhos vermelhos rubros. O homem que entrara na sala, após analisar cada ponto da mesma, caminhou até um dos cientistas, disse algo em voz baixa, logo depois se retirou.
- Alex... Parece que a Daimmond enviou duas garotas para buscar-lhe. - Disse um deles se olhando por cima dos óculos de grau.
- Isso quer dizer que vou poder sair daqui? - ele arqueou uma sobrancelha.
- Aguarde apenas mais um instante... - O homem voltou para a frente dos computadores.
- Mais um instante... - Alex disse em voz baixa para si mesmo revirando os olhos, adquiria um temperamento irritadiço quando tinha que se submeter a pesquisas, temperamento este que não era característico seu... Mas ele queria estar entre iguais e não ser tratado como uma aberração, a melhor forma de fazer isso era entrando em uma seita, e como sempre preferira o lado do bem resolveu se unir a Daimmond, e para isso precisava passar por aquela terrível "análise mutante".
Os cientistas até então faziam as ultimas anotações sobre o mutante antes intitulado como 0.12, olhando no termômetro podia ver que a temperatura havia estacionado em "-15º", considerando isto ele ainda não tinha pleno controle dos poderes já que o objetivo era manter "0º". Isso os preocupava pois mesmo que ele pudesse desativar esses poderes, havia o risco de haver uma falha e se ele não os pudesse controlar poderiam acabar acontecendo alguns episódios trágicos, semelhantes ao que já acontecera antes. O irmão de Alex adoeceu porque a temperatura a sua volta nunca era estável, e por isso Alex fora separado da família... Esperavam que depois de todo este tempo ele já pudesse controlar seus poderes.
- Muito bem Zero, está liberado - Um deles proferiu por fim.
- Já não era sem tempo!
Alex saltou da maca arrancando os fios de sensores em uma puxada só, relaxou o corpo e respirou fundo, então fechou os olhos por um instante e a aparência antes totalmente albina adquiriu uma leve pigmentação deixando o aspecto "anormal", os cabelos passaram para o tom loiro-pálido e os olhos vermelhos foram tingidos por uma mancha azul que ao se mesclar completamente a cor anterior deu lugar a uma tonalidade lilás. Logo a temperatura saltou em uma velocidade anormal de -15º para 22º Celsius. Logo Alex vestiu a regata branca e saiu apressado em direção a porta, queria sair o mais rápido dali, mas então se lembrou de algo e voltou.
- Bem, aonde exatamente devo ir agora? - Disse com um sorriso encabulado.
- As garotas estão no saguão de entrada, siga esse corredor até o final, então vire a direita, suba as escadas e depois pergunte alguém.
Seguindo as instruções ele voltou a caminhar pelo extenso corredor. Olhou para os lados, nada de máquinas ou sensores, nada de cientistas escrevendo em seus caderninhos, apenas alguns membros da seita caminhando de um lado para o outro... Realmente se sentia muito melhor fora daquela sala e logo estava estampado em seu rosto o largo sorriso habitual. Chegando ao fim do corredor virou a direita e subiu rapidamente as escadas como fora instruído e passou o olhar pelo amplo corredor procurando alguém que pudesse lhe informar aonde era o "saguão de entrada". Viu um pouco a frente uma silhueta feminina de cabelos loiros presos em um rabo de cavalo, então caminhou até ela.
- Com licença... - Ele tocou-lhe o ombro.
A loira virou-se e o analisou, então colocou no rosto uma expressão irritada e cruzou os braços de forma atiçada.
- Eu...
- Calado! - A loira o cortou em timbre irritado, Alex imediatamente arregalou os olhos. - Não pense que pode chegar com "Com licença" e tudo ficará bem...
- Mas o que...
- Aliás é um milagre que não esteja enfurnado na frente daquelas malditas maquinas!
- Não faço idéia do que está falando! Olha eu só quero...
- O que? - Ele já começava a se irritar com as interrupções da loira - Que eu finja que nada aconteceu e vá ao seu apartamento esta noite? Pode esquecer!
Alex respirou fundo e tentou associar as informações. Aquela loira falava com ele como se o conhecesse, devia ser somente um engano. Arregalou os olhos quando a loira segurou seu queixo com uma das mãos e olhou no fundo de seu olhos, criando uma aproximação perigosa.
- Seus olhos... - Ela parecia analisá-los - Parecem um tanto... Avermelhados!
- Eles costumam ser assim - Segurou o pulso da mulher a sua frente afastando-a delicadamente.
- Não, não costumam.
Ele começava a achar que aquela mulher estava ficando louca, ela voltou a falar qualquer coisa, algo como "era um bom começo deixar o trabalho para falar com ela, mas isso não bastava" e depois disso ele deixou de dar atenção a loira ao escutar dois outros agentes que passavam por ali falarem qualquer coisa sobre entregar papéis no saguão de entrada, então sem dar explicações a mulher que tagarelava a sua frente, se virou e passou a segui-los.
- Alphonse! Al... Aonde pensa que vai? - a loira dizia em protesto, mas ele não dava atenção - Não pode me deixar falando sozinha! Arrr... Idiota!
A loira saiu bufando e batendo os pés na direção oposta, Alex ficou com duvidas sobre o estranho acontecimento de alguns instantes atrás, mas resolveu ignorar por um tempo, precisava achar as garotas que lhe levariam até seu novo local de trabalho... A Daimmond. Ele mal podia esperar. Depois de alguns corredores e escadas chegou em frente ao saguão de entrada.
Logo avistou duas garotas sentadas em um sofá um pouco distante dali, como eram as únicas que não vestiam roupas brancas e jalecos como a maioria dos cientistas que passavam por ali, ele reconheceu como sendo as que ele procurava. A primeira tinha um belo sorriso discreto nos lábios e permanecia folheando uma revista qualquer... Esta possuía cabelos intensamente alaranjados que contrastavam com a pele alva e caiam até pouco abaixo dos ombros com uma franja rala sobre a testa, seus olhos mais pareciam réplicas do sol de meio-dia e as feições infantis se mesclavam ao corpo bem formado de uma mulher. Já de longe se percebia que ela irradiava animação, assim como ele próprio, e parecia ser bem sociável também.
Já a segunda parecia a imagem reversa, mesmo tendo uma beleza admirável e diferente assim como a primeira. Esta permanecia imóvel fitando a janela. Poderia ser comparada a um anjo caído com a pele acinzentada, lisa e fria como mármore, grandes asas de penas negras e brilhantes, cabelos castanhos volumosos caindo até a cintura, olhos intensamente negros com íris violeta e unhas que mais pareciam garras afiadas. Ao contrário da ruiva esta parecia emanar um certo humor negro e ser uma pessoa difícil de lidar.
Ele atravessou o saguão um pouco apreensivo pela expectativa, chegou até elas e abriu um largo sorriso no rosto.
- Olá... - Road desviou a atenção da janela enquanto Isabela olhou por cima da revista - Sou Alexander Walken... Vocês devem ser as...
- Sim, nós mesmas. - Respondeu Road friamente de levantando - Podemos ir?
- Não seja tão antipática! - Isabela repreendeu com o cenho franzido, logo se virou para o novato que olhava espantado para Road diante a reação nada amistosa da mesma - Não ligue pra ela... - Estampou um sorriso amistoso - Ela é a Road... Uma boa pessoa quando se conhece melhor, mas teve uma vida difícil. Eu sou Isabela - Disse estendendo uma das mãos que logo foi recebida em um cumprimento.
- Muito prazer, eu sou...
- Alexander Walken - ela sorriu - Você acabou de dizer.
- Bem, é... Mas pode me chamar de Alex, se quiser.
- Hey vocês dois, acho que já fomos muito bem apresentados - Road disse mal humorada - O carro está nos esperando.
- Tudo bem... Vamos Alex...
A garota se virou em direção a porta de saída alcançando Road que estava um pouco adiantada e sendo seguida por Alex... Logo se encontravam em frente a um grande aparelho eletrônico com várias luzes circulares no chão. Era um aparelho de tele-transporte, os únicos de todo o mundo se encontravam na Hope e eram o único acesso a mesma, já que era uma base subterrânea. Logo cada um se posicionou sobre uma das luzes circulares e um instante depois estavam sobre o mesmo aparelho, só que em um lugar completamente diferente. Era uma sala totalmente branca e tirando a grande máquina de tele-transporte permanecia vazia. Road caminhou até uma grande porta de metal sendo seguida pelos outros dois, inseriu um cartão em um dos compartimentos o que fez a porta se abrir, logo os três passaram chegando a um corredor movimentado e a porta que se fechara atrás deles se camuflou na parede em um holograma se tronando invisível. Estavam em um hospital, onde deviam se encontrar pelo menos vinte salas como aquela com uma máquina de tele-transporte que levavam a Hope, considerando que o hospital não passava de uma "fachada" para encobrir a entrada da seita e que os "médicos" que ali circulavam eram nada menos que seus agentes. Os três atravessaram a porta de saída e logo encontraram o carro que os levaria a Daimmond e entraram.
- Bem, como você ainda não conhece ninguém Alex, poderíamos ir a algum lugar a noite... Road, eu e você - Isabela disse animada recebendo um sorriso largo do loiro.
- Seria bom... Mas, ela não está com cara de quem quer ir - Disse baixo para que só Isabella Isabela ouvisse enquanto apontava discretamente para Road, que por sinal havia escutado e lhe olhou raivosa enquanto Isabela riu divertida.
- Pode deixar isso comigo, ok? - Disse em tom baixo enviando-lhe uma piscadela.
- Nem pense nisso Isabela, sabe que odeio lugares com muita gente. - Road disse ríspida antes mesmo que qualquer palavra lhe fosse dirigida.
- Por favor Road, vai ser legal... Vai ser a noite, você ama a noite!
- Você sempre me faz ir a lugares abafados, como aquelas boates com luzes irritantes... Sabe que eu odeio.
- Alex pode dar um jeito nisso, abaixar um pouco o clima... O que acha? - Ela olhou para Alex fazendo um gesto para que concordasse com ela.
- É... Eu posso... - Disse meio inseguro - Espero... - suspirou pra si mesmo.
- Esqueça. - Road retrucou.
- Por favor Road... - Isabela disse com olhos de cachorrinho sem dono - Quero que esteja consciente de que eu posso ser bem irritante... Alex também. - Ela novamente olhou para Alex pedindo para que concordasse.
- É... Eu... Posso ser BEM irritante. - Ele sorriu.
- Sei disso - Road respondeu mal humorada recebendo em troca uma careta de Alex.
- E então... Você vai. - A garota não perguntou, e sim afirmou com um sorriso vitorioso nos lábios.
Road soltou um rosnado, logo revirou os olhos e cruzando os braços passou a fitar o movimento na rua.
Estava novamente nos corredores da Rubi... Não tinha em mãos a arma que deveria ter apreendido nem qualquer notícia sobre matar um membro da Death, mas pelo menos o erro não fora dela desta vez. Fizera tudo conforme estava planejado, desde a cópia exata da aparência do militar seqüestrado até servir de isca, coisa que em nada lhe agradara... Mas ela cumprira sua parte. Ela nem ao menos se importava mais! A maior expectativa que tinha sobre aquela missão era, quem sabe, encontrar novamente aquele par de olhos ônix que há tanto tempo habitavam seus sonhos. Não tivera tanta sorte e naquele momento se convencia a esquecer de vez o moreno que encontrara naquele dia.
- Vocês deveriam ser mais cuidadosas e imaginar que talvez eles pudessem chamar reforços - A garota de cabelos turquesa que caminhava ao lado de Naomi se pronunciou pela primeira vez desde que deixara Haruma no centro de tratamento da base - Poderiam ter morrido se...
- Você não aparecesse? - Naomi completou com tom de escárnio - Corta essa May... Acha mesmo que eu precisava de alguém pra me salvar? - Completou em tom incrédulo e logo depois deixou ecoar uma gargalhada.
- Considerando que se não fosse por mim você provavelmente teria levado um tiro ou até mesmo estaria morta... Sim eu acho! - Fria e séria may proferiu as palavras fazendo Naomi parar de rir.
- Então você com certeza não faz idéia do que eu posso fazer... Meclower! - Naomi disse ríspida.
Detestava acima de tudo ser subestimada, ela podia muito mais do que servir de isca e se manter na defesa, Naomi tem poder suficiente pra destruir uma cidade toda fazendo-a arder em chamas... Mas para fazer isso ela precisava de algo que não tinha desde de o encontro com o moreno dos olhos ônix. Ela precisava de ódio.
- Não estou duvidando de você, muito menos da sua capacidade, Naomi. - Disse em tom sério, mas logo estampou no rosto um sorriso de canto - Mas já deveria ter aceitado que nunca será melhor que alguém como eu.
- Oras sua vadia.
Naomi estreitou os olhos logo enlaçou os dedos na gola da blusa de May e a empurrou com força contra a parede. May gritou ao sentir as costas em choque com a parede de metal, mas logo sentiu o sangue ferver e os olhos âmbar escureceram até tomar um tom completamente negro, olhos esse que imediatamente miraram os orbes vermelhos de Naomi com um brilho maligno. O corredor permanecia deserto, as garotas já tinham desavenças a muito tempo e tudo indicava que se resolveriam naquele momento. Logo se formou um circulo de sombras na parede semelhante a um portal e ela afundou fazendo com que Naomi a soltasse. As sombras sumiram e reapareceram na parede ao lado e May retornou com suas longas asas negras. Naomi tomou a forma de uma tigresa branca, de presas e garras afiadas e olhos escarlates. As duas já se preparavam para atacar uma a outra com unhas, dentes e sombras até que finalmente fosse provado qual das duas era a melhor mutante, mas uma parede de areia se formou entre as duas impedindo que tal coisa acontecesse. Um pouco a diante puderam ver a figura de traços firmes e maduros, cabelos ruivos incandescentes em contraste com os olhos verdes opacos como vidro, pele alva e uma estranha, porém charmosa Tatuagem na testa.
- Não se mete ruivo enxerido! - Disse Naomi já de volta a forma normal.
- E deixar vocês duas se atacarem até a morte? - Gaara se aproximava a passos lentos.
- Quer tanto proteger essa coisa? - Naomi apontou para May que apenas observava impassível - Pode ficar com ela...
Logo saiu batendo os pés em uma direção qualquer. Os olhos de May voltaram a coloração âmbar e as longas asas passaram a ser engolidas pelas costas até voltar a estatura de uma garota normal. Gaara deixou que a parede de areia se desfizesse e logo esta corria pelo chão rumo a capaça que ele carregava nas costas. O ruivo se encostou a parede e cruzou os braços sobre o peito enquanto observava May andar a passos firmes em sua direção e parar a sua frente com uma expressão aborrecida.
- Eu e Naomi já somos maduras o suficiente pra acertarmos nossas contas sozinhas... Gaara!
- Não é o que me parece. Pessoas maduras não atacam umas as outras em local de trabalho apenas pelo capricho de provar que são melhores.
- Porque você não faz um grande favor e cuida da sua vida?
Logo a garota passou por ele e continuou andando enquanto por sua vez o ruivo apenas sorriu de canto observando o movimento do avantajado quadril feminino que desfilava pelo corredor e logo que ela sumiu de sua vista passou a caminhar no sentido contrário.
E lá estava ele... Os braços apoiados sobre o balcão cor de tabaco possuindo um cheiro forte de álcool, a cabeça reclinada fazia com que os cabelos loiros rebeldes caíssem sobre a face e cobrissem os olhos azuis cristalinos. O local era iluminado apenas pelos feixes de luz coloridos que se movimentavam e piscavam por toda parte. A batida alta de uma musica eletrônica qualquer preenchia cada canto, quase chegando a ser ensurdecedor. Um pouco mais a frente jovens dançavam e se esfregavam uns aos outros na pista de dança e ao lado homens ofereciam bebidas ás mulheres que tivessem menos pano cobrindo o corpo com o único intuito de levá-las pra cama. Para ele tudo isso não passava de um simples plano de fundo para seus pensamentos... Dentro de sua cabeça a musica era baixa e não havia ninguém mais ali além dele mesmo e um copo de uma bebida qualquer adicionada de um grande teor de álcool.
Com os olhos cerrados, ele ignorava qualquer coisa a sua volta e pensava. Para a felicidade de seu chefe que também era seu melhor amigo, havia terminado o namoro de três anos com Hyuuga Hinata, uma das mais importantes pesquisadoras da Hope. O fato de ter terminado não era o verdadeiro motivo por se sentir tão desolado, afinal, fora ele quem quisera que fosse assim... Era ele quem não a amava mais, ou talvez nunca tenha amado sinceramente. O que realmente o levara até aquele lugar em busca de se afogar em um copo de álcool fora o peso em sua consciência que parecia que não o perdoaria jamais por ter feito sofrer alguém como Hinata. Sim, ele sabia o quanto a havia ferido e ainda mais sabia que iludi-la apenas havia piorado as coisas. Agora ele não sabia a onde ela estava e nem se estava bem, sentia que algo não estava certo desde a manhã, quando naquela praça ele disse que não a amava e a viu correr para longe. Depois disso tentara a encontrar de todas as maneiras, ligou, foi até sua casa e rodou toda a cidade, sem sucesso. Ele não queria que tivesse acabado assim, ele apenas queria abraçá-la e dizer que a queria por perto, para protegê-la como faz um irmão... Era assim que ele a via, como uma irmã mais nova a quem queria proteger, a pequena e frágil Hinata, frágil demais para alguém intenso como ele. Algo martelava em sua mente, dizendo a si mesmo que se algo acontecesse a Hinata, ele jamais se perdoaria... E aquele peso só sairia de suas costas quando a visse a sua frente, a salva.
- Hey, baka... O que faz por aqui? - A voz firme e masculina se dirigiu a ele.
O garoto moreno se aproximou e sentou-se na cadeira ao lado. O loiro não respondeu, nem ao menos chegou a abrir os olhos. Os olhos ônix pararam sobre o copo de whisky que exalava cheiro de álcool. Pegou o copo e estendeu na direção do barman e olhou-o em um gesto mudo para que levasse aquilo dali. O loiro cerrou os dentes e abrindo os olhos, olhou de canto para Sasuke.
- Sei que terminou com a garota, mas se afogar em bebidas em uma boate não vai ajudar
- Não enche dobe... - disse em um rosnado baixo e franzindo o cenho cerrou os olhos novamente - Eu não a encontro em lugar algum...
- A garota deve estar bem... Aonde ela poderia ir? Aposto que correu para o priminho mutante... - Disse despreocupado - Sabe que não ia dar certo...
- Que fique claro que não fiz isso por causa da rivalidade entre as seitas... Quero mesmo que isso se dane. - A voz do loiro continha um timbre irritado.
- Eu sei...
O silencio se instalou novamente. Sasuke não poderia dizer que se sentia mal pelo término do namoro do amigo, afinal a garota pertencia a uma seita que apesar de não declarada, era rival a Death. Porém Naruto sempre lhe disse que o único motivo de entrar para a Death era eliminar apenas os agentes da Rubi, organização culpada pela morte de seus pais quando ele ainda era muito jovem. Deixava claro também que não via nada contra pessoas que tentam achar curas para mutação ou usam seus poderes para o bem, por isso se recusava a participar em missões que tivessem como objetivo fazer qualquer mal a Hope ou a Daimmond, da mesma forma que tratava os agentes das mesmas como qualquer outra pessoa. Por outro lado, mesmo com tantas divergências de pontos de vista, o loiro e o moreno respeitavam a opinião de cada um, e não apenas conviviam com isso como se consideravam quase irmãos. Sasuke achara boa a notícia de que o melhor amigo tinha terminado com a cientista... Mas ninguém se sentiria bem ao ver um irmão em tal estado. Suspirando um pouco mal humorado Sasuke pegou um celular do bolso e o ligou.
- Quer que eu mande alguns agentes para procurar a garota? - Suspirou vencido, talvez assim ele deixasse aquele ar de enterro.
- Não... - O loiro ergueu a cabeça e abriu os olhos. Sasuke se surpreendeu um pouco com a resposta, mas não muito... Uma das características de Naruto sempre fora ser imprevisível. - Se eu não a encontrei... Nenhum de seus agentes encontrará.
- Entendo... - Sasuke murmurou com uma sobrancelha arqueada.
- Não precisa ficar aqui no meu pé como um cachorro preocupado Sasuke... Porque não faz o que veio fazer? Aquelas ali estão praticamente se jogando no seu pé - Naruto sorriu sacana enquanto indicava com um movimento do queixo um grupo de três belas jovens em uma mesa próxima que não paravam de olhar e soltar risinhos. - A ruiva é a mais bonita.
- Obrigado pela sugestão... - O moreno sorriu de canto enquanto os olhos fitaram as garotas que entre risinhos acenaram e receberam em troca um aceno de cabeça - Mas acho que prefiro a morena.
Chamando o garçom, o moreno pediu duas taças de Martini. Deu dois tapinhas no ombro do loiro em despedida e seguiu em direção a garota morena, a qual ofereceu uma das bebidas que ela prontamente aceitou e se enganchou ao seu braço. Logo sumiram no meio da multidão.
O loiro riu-se ao lembrar de quando eram mais jovens e brigavam pela mesma mulher. Mulher que atualmente permanecia esquecida pelo loiro e era odiada pelo moreno. Mulher que fundou a seita na qual ele tinha mais esperança que pudesse salvar a humanidade mesmo que não fizesse parte dela. Mulher que se chamava Haruno Sakura. Sacudiu levemente a cabeça ao perceber o rumo de seus pensamentos, e afastando-os não pode deixar de pensar novamente em Hinata e sentir a culpa voltar-lhe a garganta.
- Vamos Road, não vai aproveitar nada sentada aí - Seus pensamentos foram interrompidos pela voz feminina que se destacava entre as outras de um forma que chegava a ser irritante - Alex, faça alguma coisa!
- Eu não posso fazer nada. - Pode ouvir agora uma voz masculina com timbre despreocupado - Ela não quer sair daí.
- Eu nem sei por que vim. - Uma segunda voz feminina perceptivelmente irritada surgiu, a discussão sem sentido começava a irritá-lo, deste modo passou a massagear têmporas e cerrando os olhos tentou ignorar.
- Tudo bem, eu desisto, pode ficar aí... Eu vou buscar alguma coisa pra beber. - disse a garota tomando a direção do bar. - Garçom, gim com tônica por favor.
A garota se sentou no banco ao seu lado enquanto aguardava a bebida e tudo parecia mais silencioso. Abriu os olhos novamente e olhou de canto para a garota ao seu lado, se espantou ao perceber dois orbes intensamente amarelos lhe fitando com um brilho que ele decifrou rapidamente como pura curiosidade, a face jovem e bela ao contrário dos olhos expressivos, não deixava transparecer muita coisa. A garota piscou os olhos duas vezes e em silencio desviou o olhar.
- Com licença, aqui esta sua bebida. - Disse o garçom colocando a taça sobre o balcão.
- Obrigada.
A garota pegou a taça e se virou rapidamente como se quisesse sair logo dali, mas um de seus pés enroscou na banqueta e se desequilibrando ameaçou derrubá-la. O loiro se apressou o segurar sua mão para dar-lhe apoio, impedindo que caísse. Ao firmar novamente os pés no chão a garota não soltou a sua mão, apenas arregalou os olhos e permaneceu imóvel. Em um instante, com um único toque ela pode sentir... Tudo aquilo que o afligia e sentiu o corpo tremer tamanha a angustia que sentiu com um único toque.
- Está tudo bem? - O loiro perguntou confuso ao fitar os intensos olhos dourados levemente arregalados.
- Sim... - Ela desviou o olhar rapidamente e soltou sua mão.
Ele não entendeu quando, em movimentos delicados ela se sentou novamente aonde estava antes e passou a fitar o balcão... Há um segundo atrás ela parecia ter tanta pressa em sair dali. Resolveu ignorar...
- Você não tem culpa... Não a amava - A voz feminina soou quase como um sussurro, apreensivo, mas ele pode ouvir claramente a intensidade das palavras. De repente os olhos intensos estavam sobre si novamente, esperando uma reação talvez... Mas ele não fez nada além de suspirar.
- Ótimo, por um acaso você é vidente? - Ele sorriu irônico, mas então desfez o sorriso... As vezes se esquecia de que havia pessoas andando por aí com dons impossíveis de se imaginar - Não me diga que...
- Não, eu...- Ela apertou os olhos e balançou a cabeça - Esqueça, está bem?
Novamente a garota se levantou e desta vez, antes que ele pudesse associar os fatos ela já estava fora de seu campo de visão. "Você não tem culpa... Não a amava" a frase ecoava em sua mente. Ele se levantou, algo lhe dizia para ir atrás da garota dos olhos intensos, mas ele ignorou. Seria estúpido seguir alguém a quem mal conhecia para então não ter o que dizer... Simplesmente porque ela lhe chamou a atenção. Resolveu, por fim, voltar pra casa.
Continua...
Oláá pessoal! (Leitores jogam ovos na autora)
Gente, realmente pesso desculpas pela demora, mas é que em época de férias eu dificilmente paro em casa ou tenho tempo de escrever.
E também, essa fic. é complexa e com muitos personagens eu fasso o melhor possivel para agradar aos leitores... Sei como é chato quando você trabalha muito em uma ficha para então se decepcionar com a qualidade da fic. por isso eu não vou baixar o nivel para postar em menos tempo, espero que compreendam.
Acho que já citei todos os personagens que faltavam, os que não apareceram nesse capítulo aparecerão no próximo, são muitos personagens e não consigo encaixar todos em um único capítulo.
Quero dizer também, que aqueles que não mostrarem interece pela fic. não terão seus personagens retirados, mas perderão importancia... Não vou tentar imprecionar a leitores que nem ao menos leêm.
Tenho muitos planos pra essa fic. e vou me empenhar para que o próximo capítulo saia mais rápido.
Sem respostas de reviews hoje, não queremos mais atrasos não é?
Mas quero dizer que qualquer critica, sugestão ou comentário será muito bem vindo, lido e considerado.
Não se esqueçam que são as reviews de vocês que motivam o nosso trabalho, por isso, Deêm "Go" e façam uma autora feliz sim?
Obrigada de verdade a todos que acompanham a fic.
Kisses... :*
