Capítulo 2 – Segunda parte
É preciso acreditar mais, naquilo que não se pode ver.
Seguindo o padrão pré-estabelecido pelo capítulo anterior seguem as anotações:
¹ Em ragnarok não existem rituais, isso é só na fic mesmo.
² Geralmente todos os personagens do jogo começam em um campo de treinamento e são chamados de aprendiz, visando o fato de que as personagens até agora não optaram por esse método de aprendizado, ele foi colocado só para manter conexão com a realidade do jogo. Não é necessário dizer que veio do campo, na verdade eu prefiro do jeito que estão fazendo mesmo.
³ A evolução natural do jogo é aprendiz, classe, a evolução da classe e a transclasse que é a classe de vocês. Existe uma outra evolução nova, que eu ainda não conheço, mas que é uma segunda versão da transclasse, eu preferi não mexer com elas já que eu não entendo muito bem delas.
Seu sonho havia acabado como das outras vezes, em um banho de suor quente escorrendo pelo rosto e ensopando a cama, mas diferente do que costumava acontecer, agora havia pelo menos seis pessoas ao seu redor.
Era um pouco complicado ser o cavaleiro da casa de virgem ainda mais quando seus pesadelos podem ser para seus visinhos, um verdadeiro tormento, com relação aos outros podia imaginar o que eles faziam lá.
- De novo? – O libriano perguntou com uma expressão de poucos amigos, não era um costume seu, mas às vezes ele usava essa expressão. A parte ruim é que o chinês raramente pedia explicações. – Está tendo esse sonho há quase uma semana Shaka, não vou perguntar o que está acontecendo, mas, se precisar conversar, sabe onde vou estar.
Essa era a pior parte, porque realmente ele só precisava conversar. E admitir isso era para o homem mais próximo de deus, um passo tão grande quanto o do segundo homem na lua ¹.
- Era um lugar estranho, diferente, nem sei se é realmente o nosso mundo. – Ele começou enquanto levantava-se da cama e ia até o guarda-roupa a procura de uma toalha. – Quero dizer não que eu já tenha conhecido o mundo todo, mas não era uma floresta comum. Não eram as matas da Índia, então também não era na China, não era tropical então não era Brasil. Não sei onde é aquele lugar.
Ninguém ousou quebrar o silêncio enquanto o dono da casa seguiu ao banheiro de seu quarto, era um cenário bem simples, eles sabiam que ele estava procurando por qualquer coisa que pudesse indicar que lugar pudesse ser aquele. O chuveiro foi aberto e o som da água fria correndo pelas costas do jovem foi ouvido claramente. Era a única coisa que interrompia o silêncio.
Não demorou muito para que ele retornasse, a malha de treino ensopada, a toalha no pescoço e os olhos abertos. Não era todo o dia que um sonho tirava Shaka de Virgem do sério até aquele ponto.
- Existem algumas bem pequenas que, não sei bem se podemos chamar de florestas na Oceania. – O leonino sentou-se na beirada da cama enquanto seu visinho com uma segunda toalha começava a fina arte de tentar secar os cabelos adequadamente. O balançar de cabeça indicava que não era a resposta que estava procurando. – Já descartamos três continentes Shaka e você sabe bem que a Europa não é muito fã de lugares selvagens, se não é a África, não fica no planeta.
Era definitivamente a resposta que o jovem estava tentando contornar de alguma maneira. Qualquer que fosse ela.
- O que mais? – Novamente o libriano tomou a palavra, estava escorado na porta aberta do quarto, por onde naquele momento mais três companheiros entravam, era um quarto espaçoso apesar de o jovem indiano ser minimalista, mas com certeza não se sentia muito confortável com aquele monte de gente em seus aposentos pessoais. – Além da floresta, alguma outra coisa que chamasse a atenção?
Ele ponderou por um instante, seria de mais falar da jovem que destruiu pelo menos 15 coisas, monstros, seja lá o que fosse sem usar cosmo? Ou seria o que ele estava procurando? Não queria ser tachado de louco pelos colegas, então achou melhor contornar a situação, mesmo que ele soubesse perfeitamente bem que o cavaleiro de libra, definitivamente não deixaria batida essa tentativa falha de desviar as coisas.
- Escuro, definitivamente um céu noturno sem lua, mas eu não consegui perceber muito bem se tinha ou não estrelas, a floresta era bem fechada. – Ele parou para contemplar a lembrança, fechou os olhos um instante, não se lembrava do céu, não tinha certeza de nada daquilo. – Escuro de mais para não ter certeza nem mesmo da lua. Sem, lua, sem estrelas, nada de localização.
Por um minuto ele e os outros ponderaram sobre aquela informação, exceto na Ásia e na América do Sul, poucas eram as florestas densas de mais para que não se pudesse ver se quer as estrelas.
- Bom, se era noite pelo menos podemos deduzir que deve estar desse lado do planeta. – Milo de Escorpião não era muito bom com informações detalhadas, mas de um tempo para cá desenvolveu certo talento para investigação vendo seriados policiais. – Quer dizer, suas visões sempre estiveram ligadas a fatos que aconteciam naquele momento, em concordância com o nosso próprio tempo presente, o que significa que não pode ser muito longe daqui.
Eles ponderaram por mais um instante antes que finalmente o jovem virginiano seguisse para fora do quarto, os doze já estavam dentro de sua casa, mas definitivamente não precisavam ficar dentro de seu quarto.
Ele continuou seu caminho até a sala, onde se sentou em uma das almofadas costumeiras e esperava que todos se acomodassem no sofá ou em alguma poltrona. A noite seria bem mais longa do que ele imaginava. Para completar seu azar Dohko estava sentado em uma cadeira, de frente para ele, e esperava pacientemente pelas informações que ele não queria dar.
- Havia um calor estranho, quero dizer, não havia clareira e havia o calor de fogo, não era um incêndio, era mais uma fogueira, mas precisava ser feita por qualquer tipo de cosmo para que pudesse chegar até mim naquela distância. – Ele continuou enquanto permitia a contra gosto que Afrodite de Peixes secasse seu cabelo. Ele gostava daquele tipo de coisa, e sinceramente não estava muito feliz em brigar com seu cabelo naquele momento.
- E deixe-me adivinhar, não tinha cosmo nenhum. – O colega a suas costas pronunciou-se enquanto secava o cabelo loiro do companheiro. Odiava quando Shaka tinha aquelas crises, principalmente porque ele ficava rebelde com o cabelo e uma das coisas que tinha de confessar era que o indiano tinha a raiz melhor que a sua. – Mas, você foi atrás e encontrou a fonte do calor não é?
O rapaz apenas concordou com a cabeça, podia senti o sorriso de seu visinho alargar-se com a chegada da melhor parte da história, ou pelo menos uma das.
- Tinha uma pessoa sim, mas fiquei cerca de meia hora para encontrá-la. – Ele não queria entrar em detalhes, não queria repetir o que ela disse, tão pouco queria ouvir o que os outros diriam, em sua grande maioria esmagadora, que precisava de uma namorada.
Ainda tentava raciocinar para si mesmo o que ela disse ritual, procura-lo, deuses, isso explicaria parte das coisas, mas ela não disse que tipos de deuses estavam enfrentando ou representando.
- Os trajes eram estranhos, bem antigos, mas nada do que pudesse me lembrar a Grécia ou a China Imperial. – Ele continuou chamando a atenção do libriano mais fortemente, era uma das especialidades dele e do grande mestre, até o momento esse segundo não havia dado o ar da graça. – Na verdade pareciam um pouco europeus sim, mas uma data bem distante da nossa realidade.
- O quanto distante? Império Romano? – O chinês começava sua chuva de perguntas. O comentário sobre o império romano gerou uma careta por parte do rapaz, que naturalmente significava não. – Você disse distante, isso é distante. Para mim pelo menos.
A parte negativa de se ter alguém tão antigo é que quase sempre as distâncias não eram compreendidas adequadamente.
- Certo, descreva, vamos ver no que dá. Alguns santuários tinham armaduras distintas naquela época. – Naturalmente santuários diferentes tinham armaduras diferentes, mas novamente eles tentaram ignorar aquele comentário. – Eu não conheço todas, mas é bem provável que o Shion sim. Na verdade é uma certeza, mas em todo caso continue.
Ele tentou lembrar-se de todos os detalhes, possíveis que não pudessem comprometer o gênero da pessoa que vira no sonho, alguns detalhes eram muito claros e com a presença enfim confirmada pelo cosmo do grande mestre era uma questão de tempo até finalmente saber de onde era. E ter certeza de que não estava louco.
- Uma capa longa e azul. – Ele começou reabrindo os olhos. – Na verdade muitos detalhes são azuis na vestimenta, me recuso a acreditar que aquilo seja uma armadura. – Ele continuou ignorando o olhar critico de ambos os homens sobre si. – Alguns poucos detalhes em dourado, algo no pescoço, têm cruzes por todos os lados, vermelhas principalmente.
Ele reabriu os olhos tentando perceber alguma mudança na expressão dos dois mais velhos, mas nada havia mudado muito. Ficou irritado com aquilo e isso gerou certa graça para ambos. Quando o mestre havia dado um leve sinal para que ele continuasse ponderou novamente sobre o que dizer.
- A luva é diferente, acho que deve ser uma manopla, amarrada em cintas azuis do mesmo tom da capa. – O som de manoplas invés de 'luvas' acabou por chamar a atenção, mas ele continuou mesmo sem entender do que se referiam os olhares sobre si. – Uma espécie de couro envolvendo a cintura, talvez um sobre peles.
Os olhares por parte da grande maioria já o estava deixando nervoso, não sabia exatamente o que eles queriam que dissesse, explodiu.
- O que foi que eu disse afinal de tão engraçado assim. – Ele gritou fazendo com que até mesmo o rapaz a suas costas levantasse junto com ele mediante o fato de que ainda o mantinha seguro pelos cabelos.
- Muita calma nessa hora ai campeão. – O rapaz a suas costas disse por fim, enquanto seus colegas ainda tentavam manter a compostura. – Ou a garota da tal 'luva' mexeu com você, ou simplesmente está tentando esconder o fato de que era uma donzela que você encontrou.
Ficou fulo da vida, naturalmente, mais do que já estava. Estava tentando encontrar uma forma racional de se chegar a o motivo central de tudo aquilo, e eles não cooperavam com sua condição de narrador dos fatos, e o fato de ser uma jovem ou não, não era um fator aceitável para a narração em sua opinião.
Afrodite terminou por fim enquanto o colega tentava se recompor, havia dado um trabalhão deixar o cabelo loiro e comprido de Shaka arrumado, mas por fim havia conseguido deixa-lo apresentável.
- Garota, cara, homem ou mulher qual é a diferença. – Ele resmungou por fim sentando-se ainda irritado. – Não vou dizer então que ela carregava uma lança, bem porque não dizer do meu tamanho e...
Ele não precisou continuar para chamar a atenção de Dohko de volta ao assunto, afinal de contas, armas era sua especialidade.
- Formato, comprimento, definição da lamina, cor, textura, bainha. – Ele começou com outra chuva de perguntas, uma mais estranha que a outra e uma com menor probabilidade de respostas satisfatória que a outra.
- Calma Dohko. – Puxado pela camiseta de volta a cadeira o grande mestre novamente tentava dar ao rapaz da sexta casa alguma forma de endireitar as coisas de um modo concreto. – Não acha mesmo que no escuro ele vai conseguir definir isso não é. E mais ele acabou de dizer que a lança deveria ter o comprimento dele, então isso reduz um pouco as suas buscas não.
- Bom isso é. E não é também. – Ele tentou respirar e colocar-se novamente em uma posição totalmente observadora esperando apenas pela pista certa. – Mas, sem um detalhe em especial, uma definição única fica meio difícil. Muitos cruzados usavam lanças e cruzes nas armaduras.
- Bom. – Ele recomeçou por fim. – Tinha uma cruz especial sim.
Seu rosto corou furiosamente, ocupava metade da saia que a jovem usava vermelha e redonda. Sinceramente nenhum cruzado usaria aquele tipo de inscrição a não ser que representasse algum feudo. Lembrando-se melhor de seu rosto ele pode ver um outro padrão estranho.
- Havia três tipos de cruzes distintas entre si. – Ele tentou não se importar com o que os outros cochichariam depois daquilo e enfim continuou. – Uma cruz dourada, um pingente, era a única diferente do resto da armadura, deveria estar em um cordão separado que ela carregava no pescoço.
Cruzes de cores diferentes representavam muitas vezes questões diferentes dentro de uma hierarquia, uma cruz vermelha significava que com certeza ela era leal a sua fé, uma cruz dourada poderia significar uma questão pessoal uma vez que não pertencia a armadura diretamente ².
- A terceira cruz era diferente das outras no formato. – Ele continuou tentando lembrar-se detalhadamente dela. – Vermelha, parecia muito com as outras se não fosse o fato de ter... Um sol? Sim acho que posso definir aquilo como um sol, redondo e cheio de raios, contornando a cruz.
A menção do sol em torno da cruz deixou a ambos os jovens apreensivos. Havia três tipos de guerreiros que poderiam ser altamente perigosos e que não usavam cosmo energia para lutar, mas apenas a devoção de seus deuses e a força que adquiriam das piores formas possíveis.
- Quantas eram? – Os jovens já estavam de pé, finalmente o cavaleiro conseguira chegar onde queria. – Quantas dessas com o sol eram?
- Duas. – Eles conseguiram respirar um pouco mais tranquilamente, duas não eram três, e isso era bem tranqüilizador. – Uma pequena no braço esquerdo, na altura do coração. A segunda na saia, praticamente cobria toda ela do lado direito.
- Certo. Certo. Nada de muito alarmante, provavelmente um iniciante que acabou envolvendo-se em rituais, não iniciado. – O jovem de melenas verdes pôs-se de pé e estalava as costas contente de não ter nenhum problema muito grave pela frente.
- Não. – Ele interrompeu ao patriarca assustando aos demais por tal ousadia. – Lembrei agora tinha uma terceira. Amarrada na ponta...
- Na ponta? – O outro parou de respirar, prendia a respiração na esperança de não ser o pior.
- Era um terço. – Ele respondeu por fim, ficando mais tranqüilo por si só. Era ridículo acreditar que alguém que usava um terço e era fiel a um deus seja lá qual fosse, trouxesse algum problema real. Afinal de contas ele nunca trouxe problema nenhum para ninguém, e também se enquadrava nas mesmas definições.
- Que tipo de terço. – O jovem continuou trazendo novamente a dor do peso do futuro ao peito do cavaleiro dourado. – Quantas contas, espécie de material, estavam gastas.
As perguntas novamente choviam em cima de si, ele nem mesmo havia começado a falar das bestas que vira, mas achava que talvez fosse melhor ter começado por elas.
- Calma Shion. Deixa o garoto respirar, assim você deixa todo mundo preocupado, não é para tanto, veja ele ainda está vivo. – Enquanto o libriano tentava acalmar seu colega, distraidamente ele punha o resto de doze cavaleiros em estado de alerta.
- Sei lá pode ser muito parecido com o meu, não sei que tipo de material seria o dela. – Ele continuou deixando agora a ambos os cavaleiros nervosos. – Mas, acho que não deve ser má pessoa, ela acabou me salvando de umas coisas, criaturas, sei lá o que era aquilo.
- Como é? – Estavam prestes a pular em cima dele por mais pistas quando finalmente tudo o que precisavam desde o inicio havia finalmente sido dito. – Que tipos de criaturas?
- Criaturas, e desde quando elas são importantes. – Haviam começado a brigar entre si pela resposta certa. – Como exatamente ela te salvou?
- Como é? – Haviam começado uma discussão que poderia gerar a ruína da quase terminada reestruturação da casa de virgem, se ele não fizesse alguma coisa.
- Sei lá. Tentou usar a lança, mas depois usou uma coisa estranha, um clarão que sei lá transformou aquelas coisas em pó. – Eles finalmente tinham a resposta que queriam, ou talvez não.
- Nomes Shaka. Precisamos do nome. – Foi à conclusão em que chegaram antes de começarem uma luta de mil dias.
- Gloria... – Ele realmente tentou lembrar-se do outro nome. – Sei que rima com mi...
- Gloria Domini. – O jovem de melenas mais escuras falou por fim sentando-se na poltrona seguido pelo colega que se jogou no sofá.
Aquela seria com certeza a maior de todas as aventuras já vivida por qualquer um deles ali.
