Milo e Shaina trocavam beijos cada vez mais lascivos. Para quem via a cena parecia um casal apaixonado com a libido a flor da pele. Para Shaina estava uma delicia, além de lindo e gostoso, Milo beijava deliciosamente bem e a fazia sentir coisas nunca antes sentidas; mas para Milo aquilo tudo era superficial, não sentiu emoção alguma em beijar a morena, e só estava conseguindo continuar com aquilo por que pensava em Camus.
Camus. Que saudade Milo estava sentindo dele. Nenhuma boca Jamais teria o sabor doce e mentolado da boca de seu ruivo, ninguém jamais o faria estremecer com um único toque como Camus fazia. Será que um dia conseguiria esquecê-lo?
Ficaram juntos a noite inteira no clube entre dança, beijos e amassos, mas não passou disso. Em certo momento Milo deu uma desculpa esfarrapada aos amigos e foi embora deixando para trás uma Shaina frustrada, pois esperava terminar a noite em uma cama com o loiro.
Milo Pensava se jamais conseguiria desejar outra pessoa. Shaina era linda e mesmo assim não sentiu vontade de ir pra cama com ela. Talvez fosse por ser mulher. E se tentasse ficar com outro homem? Talvez fosse mais fácil. Até o momento Camus havia sido o único homem com quem havia se envolvido, bem como ele também havia sido o único homem do ruivo.
Estava decidido a esquecer o ruivo de qualquer forma e se para isso fosse necessário ficar com metade de Atenas até encontrar alguém que o fizesse esquecer o francês, não hesitaria.
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Não passava das oito da manhã e Camus estava nervoso, não havia dormido direito nos últimos dias, precisava saber onde Milo estava de qualquer jeito. Se Aiolos não falasse por bem ele o obrigaria a falar por mal.
Adentrou o prédio da empresa em que Milo e Aiolos eram sócios, trabalhavam com construção civil, Milo arquiteto e Aiolos engenheiro. Eram amigos desde a infância e vieram para Paris juntos.
Não esperou ser anunciado pela secretária, invadiu a sala de Aiolos sem ao menos bater na porta.
– Aiolos! Eu preciso saber onde o Milo está. Você não pode me negar isso.
– Desculpa senhor, mas não pode entrar assim. – a secretária dizia atrás de Camus - Senhor Aiolos eu tentei evitar, mas ele não me ouviu, quer que eu chame a segurança?
– Pode sair Dominique, não se preocupe. - A moça pediu licença se retirando em seguida.
– Sente-se Camus. Acalme-se. Me diz o que houve para você estar assim desesperado e com essas olheiras horríveis?
– Não é do seu interesse, eu só preciso saber onde ele está. – Camus estava com o semblante impassível.
– Se você não me disser o que houve eu não te conto onde ele está. – Aiolos não seria subjugado por Camus.
– Chantagista! Você não entende, eu preciso falar com ele, eu preciso dele!
– Precisa é? Sinto lhe informar que ele não precisa de você. Já te disse que Milo me pediu para não te contar nada a respeito dele.
– Aiolos, por Deus, eu preciso saber, preciso falar com ele – Camus deixou-se cair na cadeia em frente à mesa de Aiolos, o grego estava sendo duro consigo, mas sabia que ele só queria defender o amigo.
– Acalme-se Camus, quer beber alguma coisa, uma água, um café?
– Eu quero o Milo, me diz onde ele está... Por favor.
Aiolos sorriu internamente, ver aquele ruivo arrogante baixar a guarda daquele jeito lhe causava certo contentamento. Mas podia perceber que o rapaz estava sofrendo, e Milo também estava.
– O que você quer do Milo? – precisava saber quais eram as intenções do ruivo para com seu amigo, sabia do relacionamento dos dois e não concordava nem um pouco com aquilo, seu amigo merecia coisa melhor.
– Já disse que não é da sua conta – ao perceber o olhar irritado de Aiolos resolveu amenizar o tom ríspido – Aiolos eu sei que você não concorda com meu relacionamento com Milo, e eu sei que você tem razão... eu... o machuquei muito, mas preciso falar com ele, lhe explicar algumas coisas. Eu não posso perdê-lo.
– E sua noiva? Milo está decidido meu caro, ele não vai continuar nessa relação.
– Não se preocupe com isso, queria contar para Milo primeiro mas... eu e June terminamos.
– Bem, nesse caso, eu te falo onde ele está. Mas escute bem francês, se você magoar o Milo mais uma vez vai se arrepender amargamente, por que dessa vez você vai ter que se entender comigo. Milo pra mim é como um irmão mais novo, o conheço desde criança e não permitirei que ele sofra mais do já sofreu em suas mãos.
– Obrigado e eu prometo que no que depender de mim meu Milo jamais derramará uma única lagrima, não mais.
– Assim espero, para o seu bem. – Aiolos falava num tom sério, mas por dentro estava contente, Milo ficaria muito feliz em saber que o ruivo rompera com a noiva por ele – Ele foi para Londres, passou uma semana lá a trabalho e partiu para Atenas. Está com os pais.
– Obrigado.
Camus despede-se de Aiolos e sai com as esperanças renovadas, finalmente sabia onde estava seu loiro e iria atrás dele. Só precisava comprar a passagem e arrumar as malas.
oOoOoOo
Fim de tarde em Atenas, Milo havia dormido até o meio dia e quando acordara foi para a praia andar um pouco, perdeu a noção do tempo sentado nas pedras observando as ondas quebrarem.
Pensava nos acontecimentos da noite anterior, ficar com Shaina não resolveu muita coisa, pelo contrário, não parara de pensar em Camus nem por um segundo, quando beijava a morena imaginava que estava com Camus em seus braços. Amaldiçoava-se por esses pensamentos, afinal o ruivo devia estar muito bem na companhia da noiva e provavelmente nem lembrava mais dele.
Teria que voltar para Paris em uma semana e não se sentia preparado para reencontrar o ruivo. Frequentavam os mesmos ambientes, tinham alguns amigos em comum e suas empresas tinham negócios juntas. Não havia como fugir, conviver com Camus era inevitável.
Decidiu ir para casa, queria o colo de sua mãe. Ela sabia os motivos que o trouxe a Grécia, conhecia Camus e gostava do francês. Ficou triste em saber do quanto os dois estavam sofrendo. Ela entendia os motivos de Camus para não querer assumir o romance com Milo e entendia a dor do filho em ser rejeitado por aquele que amava. Mas também lamentava pela moça, noiva de Camus, que estava no meio do fogo cruzado entre os dois.
Milo chegou em casa procurando pela mãe, que o recebeu com um sorriso estranho.
– Oi mamãe, desculpa ter saído sem avisar é que a senhora estava no banho. Viu meu bilhete?
– Vi sim meu anjo, tudo bem, eu imaginei que você queria ficar sozinho e não queria me incomodar.
– Mãe, que sorrisinho é esse? Aconteceu alguma coisa? – Milo olhava desconfiado para a mulher a sua frente, uma senhora de meia idade, loira e com um sorriso enigmático nos lábios.
– Você tem visita Milo, está em seu quarto te esperando.
– Visita? É o Aiolia?
– Não, não é o Olia, mas eu acho que você vai gostar. – dona Aurora se retirou antes que o filho fizesse mais perguntas sobre a visita, preferia que ele visse com os próprios olhos.
oOoOoOo
Camus estava nervoso, o dia foi corrido, estava cansado. Quando saiu do escritório de Aiolos foi direto comprar a passagem para Atenas, por sorte conseguiu um vôo que saia ao meio dia, só deu tempo de arrumar as malas e partir, ligou para Shaka do aeroporto informando que precisava ir ao encontro de Milo e recebeu todo o apoio do amigo.
Chegou ao hotel no meio da tarde, tomou um banho demorado e relaxante e foi para a casa de Milo, onde foi recebido pela mãe do grego.
– Boa tarde dona Aurora, como vai à senhora? – Camus estava apreensivo, queria perguntar logo por Milo, mas sua boa educação exigia que cumprimentasse educadamente a senhora a sua frente antes de qualquer coisa.
– Eu estou bem meu filho, mas e você, como está? E não me chame de dona, só Aurora. - ela notou que o ruivo estava abatido, lindo como sempre, mas abatido.
– Tudo bem... Aurora. Eu vou ficar melhor depois que falar com Milo. Ele está?
– Não. Ele saiu faz algumas horas, deixou um bilhete informando que ia dar uma volta. – viu o semblante do ruivo entristecer mais ainda.
– Hunn, sei. – o ruivo sentiu uma pontada de ciúme... Com quem será que Milo havia saído? O loiro não era de andar sozinho, estava sempre acompanhado de algum amigo. - Será que ele demora? Eu posso esperar por ele aqui?
– Eu acho que ele não demora, pode esperar no quarto dele se preferir.
– Obrigado.
– Vem comigo, eu o acompanho até lá. – mesmo sabendo que o ruivo conhecia muito bem o caminho, Aurora fez questão de acompanhá-lo, queria ser simpática e transmitir segurança ao rapaz, afinal se ele veio da França a procura de seu filho era por que tinha algo importante a dizer, e queria que ele se sentisse bem e o mais seguro possível para cumprir seu intento. Deixou o rapaz no quarto do filho para que se sentisse mais a vontade e se retirou.
Ao ficar sozinho Camus sentiu um arrepio em sua espinha, lembrou-se que já havia feito amor com o grego naquele quarto. Estavam juntos há alguns meses e Camus precisava ir para a Grécia a negócios, precisava fazer uma compra de artigos de decoração para um projeto em que a empresa estava engajada e Milo aproveitou para ir junto, visitar os pais e passar um tempo sozinho com o ruivo. Olhou para a cama de casal e lembrou-se dos beijos trocados e da noite de amor que compartilhou com o loiro. Sacudiu levemente a cabeça na intenção de afastar as lembranças, não era momento para isso. Precisava manter o foco na conversa que teria com Milo.
Estava olhando pela janela há alguns minutos e viu o loiro chegar andando e sozinho, seu coração acelerou tanto que parecia que ia sair pela boca. Sua vontade era sair correndo e se jogar nos braços do grego, provar aquela boca deliciosa que ele esperava que ainda fosse só sua, e matar todas as saudades. Precisou de todo o seu autocontrole para permanecer lá, olhando a rua pela janela a espera de Milo.
Alguns minutos se passaram e o loiro não apareceu, seu nervosismo só aumentava, estava tão entretido com sua ansiedade que não ouviu a porta atrás de si abrindo e uma figura loira de longos cabelos cacheados entrar no quarto.
Continua...
