Rachel conseguiu passar o dia com a cabeça baixa e sem falar com Finn. A única vez que ela o viu, ele parecia zangado, mas ela não podia se importar menos. Ela só queria que as férias de inverno chegassem logo para que ela não tivesse que lidar com mais nada desse drama. Até mesmo Rachel se surpreendeu com aquele pensamento. Era ela geralmente que começava o drama e era a auto proclamada rainha do drama, mas esse semestre tinha a esgotado e sua relação com Finn parecia estar terminada o que causaria mais drama.
"Rachel."
A diva parou quando ouviu seu nome. Finn tinha finalmente a achado. Ela se virou e andou devagar em direção à ele, esperando que ele falasse.
"Eu decidi que estou puto com você porque você está zangada comigo," ele começou, "Nós sequer estávamos juntos quando eu dormi com Santana e você não tem razão de estar zangada comigo..."
A boca de Rachel abriu com um olhar clássico de 'oh, não, você não acabou de me culpar'. Ela cerrou os olhos, interrompendo o resto do discurso de Finn, "Você mentiu pra mim!"
"Eu estava tentando não te machucar!" Finn respondeu, um pouco mais alto do que pretendia.
"Bem, bom trabalho!" Rachel disse.
Finn correu a mão pelo cabelo frustrado, "Você mentiu pra mim! Você me disse que tinha dormido com Jesse!"
"Então eu contei a verdade porque eu não queria segredos entre nós," Rachel disse, mas falou bem baixo a última parte porque a vida de Rachel, ultimamente, não era nada além de segredos.
"Quinn estava certa," Finn disse, "Eu não devia ter dito nada."
O que ele disse chamou a atenção de Rachel imediatamente. "Você conversou com Quinn sobre nós."
Ele suspirou, sabendo que ele não devia ter dito isso também, "Nós temos Espanhol juntos. Ela senta ao meu lado e só começamos a conversar. Não é nada demais. Nós somos só amigos."
Naquelas circunstâncias, Rachel achou ligeiramente engraçado que fosse Finn a pessoa a assegurando Rachel que ele e Quinn eram apenas amigos.
Rachel perguntou baixo, temendo a resposta, "Ela disse pra você terminar comigo?"
"Ela disse que eu deveria se eu iria continuar a machucar você," Finn olhou pros sapatos e engoliu com dificuldade.
Essa era uma parte de Finn que Rachel sempre achou amável. Ele sempre tentava fazer a coisa certa e se sentia mal quando machucava outras pessoas. Rachel suspirou, sentindo a culpa começando a se formar. "Talvez... talvez nós devêssemos dar um tempo."
"Isso quer dizer terminar?" ele perguntou.
Ela sacudiu a cabeça, "Só quer dizer que não estamos juntos gora. Nós tomaremos um tempo para reavaliar nosso relacionamento e decidir o que realmente queremos."
"Então por quanto tempo?" ele perguntou.
Rachel abriu a boca pra responder, mas quando ela olhou o corredor, ela viu algo que a deixou com náuseas. Quinn estava inclinada sobre os armário e Sam tinha o antebraço no armário acima dela enquanto se inclinava para beijá-la.
Essa era a última gota. O dia dela já tinha sido o pior da vida dela e agora Sam e Quinn estavam se beijando na frente dela. Ela verificou o corredor e bolou um plano.
Rachel passou direto por Finn e disse, "Ei Karofsky!"
Todos os olhos no corredor se arregalaram quando o jogador se virou para olhar pra gleek, com um slush na mão. Quinn empurrou Sam pra longe dela para que ela pudesse ver o espetáculo. Ela precisou de todo autocontrole para não correr até Rachel e perguntar o que diabos ela estava pensando.
"O que você quer, anã?" ele perguntou enquanto andava até ela.
Rachel se colocou na posição que queria estar e cerrou os olhos, "Eu sei o motivo pelo qual você provocou o Kurt."
Os olhos de Karofsky se arregalarm, "Porque ele é gay."
"E você ficou intimidado por aquilo," Rachel usou o dedo para empurrar o jogador de futebol no peito, "Estudos mostram que os homofóbicos mais maliciosos são gays." Ela parou e assistiu o slush ser colocado em posição de ser arremessado na cara dela.
Ela deu um passo pro lado e se abaixou enquanto a mistura voava, atingindo alguém atrás dela.
"Que merda, cara?" Sam tirou slush dos olhos.
"Cara," Karofsky jogou as mãos pra cima, "Eu estava tentando acertar..." ele apontou pro local onde Rachel estava mas ela não estava mais lá. Ele olhou ao redor do corredor e não achou ela em lugar nenhum. "Sério. Uma das suas amiguinhas do coral estava tirando uma com a minha cara."
Sam encarou-o e empurrou o valentão no armário atrás dele, "Você está cheio de desculpinha! Você está zangado desde que eu disse a Treinadora Beiste que você é uma droga na formação."
"Sam!" Quinn explodiu, "Já chega." Ela andou até onde os dois garotos estavam pra ficar no meio deles. "Escute e escute com atenção. Todos no corredor estão olhando pra você. Se você lutar agora, vai transparecer que o time de futebol é estúpido e fraco." Ela virou para Karofsky, "Se você quiser continuar a ser um valentão e não ser provocado por esse corte de cabelo barato, então eu sugiro que peça desculpas ao Sam e vá embora." Então ela se virou pra sam, "Se você quiser continuar a namorar a líder de torcida então eu sugiro que você aceite a desculpa dele e vá pra casa tomar um banho. Eu não vou permitir que o futebol seja retirado do seu lugar principal. Eu me recuso a namorar um jogador de hóquei."
Sam pensou e concordou. "Okay."
Karofsky concordou também, "Okay. Desculpe cara."
"Está tudo bem," Sam concordou.
Quando Karofsky foi embora, Sam sorriu pra Quinn e se inclinou pra um beijo. Ela deu um passo pro lado e sacudiu a cabeça, "Eu disse pra você ir pra casa."
Sam usou a camiseta para enxugar o roso, "Você quer sair Sábado?"
"Talvez," Quinn deu um sorrisinho brincalhão.
Ele sorriu de volta, "Ok. Eu te ligo."
Rachel fechou os olhos e deixou o som do mix do melhor de Broadway tocar no auto falante do banheiro dela enquanto ela afundava na água quente da banheira. Seu telefone estava esquecido na cama e seus pais tinham saído. Ela só estava planejando relaxar o resto da noite. Talvez assistir Funny Girl. Isso sempre a fazia sentir melhor.
A voz que se juntou à de Julie Andrews assustou Rachel. Quando ela olhou pra porta do banheiro, ela viu Quinn escorada na moldura, a cabeça de lado, as mãos nas costas e um joelho dobrado no joelho. Sua voz mal podia ser ouvida sobre a música que estava saindo pelo som, mas ela cantava com os olhos fechados.
Quando a música acabou, Rachel escorou a cabeça na beira da banheira. "Eu não sabia que você gostava de musicais."
"Todo mundo gosta de A Noviça Rebelde," Quinn respondeu com um ligeiro sorriso.
Rachel colocou o cabelo pra trás da orelha que tinha saído do coque que ela fizera. "Como você entrou?"
"A janela," Quinn disse e foi até a banheira, sentando-se na beirada dela. Ela colocou um pé na ponta e descansou o queixo sobre o joelho dobrado, cruzando as mãos sobre o tênis.
Rachel se pegou tentando ver por debaixo da saia de Quinn então fechou os olhos, "Por que você está aqui?"
"Por que eu sempre estou aqui?" Quinn perguntou de volta.
A garota menor abriu os olhos e olhou pra loira, "Eu não sei. Por que?"
A Cheerio ficou silente com a pergunta. Ela encarou as bolhas na água antes de mover os olhos pras unhas dela. A verdade era que, ela não tinha ideia do motivo pelo qual ela sempre estava na casa de Rachel. Tudo nela a fazia sentir. Lá fora, seus sentimentos eram sobrecarregados pelas pressões da escola, da mãe, da sociedade. Aqui essa pressão não existia e ela podia sentir tudo.
"Eu esqueci minha jaqueta noite passada," Quinn disse sem muita emoção, efetivamente se esquivando da pergunta.
"Eu pendurei no meu armário," Rachel disse, sabendo que não era só isso por que Quinn vinha.
"Por que você jogou slush no Sam?" Quinn finalmente perguntou.
Rachel se inclinou pra frente e pegou a toalha da ponta da banheira. Ela levantou uma das pernas e lentamente passou a toalha pela perna. Isso não servia a nenhum outro propósito do que distrair Quinn. "Eu não o fiz. David foi o culpado."
"Você fez Karofsky fazer," Quinn se inclinou e deixou os dedos passearem pela superfície da água."
"Eu acredito que meu tamanho torna impossível com que eu faça ele fazer qualquer coisa," Rachel se fez de doida e trocou as pernas.
A loira desenhou círculos preguiçosos na água. "Você sabe que não é difícil enganar a mente Neandertal dele. Eu sei que você fez. Só não sei o motivo."
"O motivo parece ser algo que ninguém tem a resposta ultimamente," Rachel suspirou. Ela colocou a toalha de mão de lado e perguntou, "Você pode pegar a toalha ali no balcão?"
Quinn olhou e viu uma toalha roxa no balcão perto da pia. Ao redor do espelho no banheiro estavam fotos de estrelas da Broadway e citações inspiradoras. Ela levantou e pegou a toalha entregando pra garota menor. Então ela saiu do banheiro, completamente surpreendendo Rachel.
Uma vez que ela estava envolvida na toalha e sua banheira estava seca, ela foi até o quarto e achou Quinn parada na janela.
"Você vai embora?" Rachel perguntou docemente, ligeiramente desapontada.
Quinn cruzou os braços, não se afastando da janela, "Você quer que eu vá?"
Rachel não respondeu. Ela andou até o armário e colocou calças rosa choque e um top branco. Quando ela saiu, Quinn estava sentada na beirada da janela encarando o chão. Quando Rachel atravessou o quarto em direção a ela, Quinn se levantou e a encontrou no meio do caminho, envolvendo a garota menor em um beijo profundo. A urgência e a necessidade no beijo deixou Rachel sem fôlego.
As coisas progrediram daí como o habitual. Entretanto dessa vez, Rachel notou mudanças sutis no jeito que Quinn a tocou. Os toques demoraram mais e foram mais gentis do que o normal. Não é que ela estivesse reclamando, mas era diferente.
Algo que foi absolutamente normal foi a saída de Quinn. Ela se vestiu como sempre e deixou Rachel na cama.
"Não esqueça sua jaqueta," Rachel mencionou, sabendo que estaria frio lá fora para Quinn sair só com seu uniforme de Cheerio.
"Ah, sim," Quinn disse e entrou no armário. Depois ela pegar a jaqueta e vesti-la, ela abriu a janela e começou a sair. Mas dessa vez, ela fez algo que nunca fizer antes. Ela olhou de volta pra Rachel. Seus olhos se encontraram na luz tênue da lâmpada da rua e pelo mais breve segundo Rachel poderia jurar que vira os olhos de Quinn brilharem com lágrimas não derramadas.
Antes que ela pudesse falar algo, Quinn saiu pela janela e foi em direção ao carro dela. Rachel ficou de lado e abraçou o travesseiro mais perto dela. Ela tinha esse sentimento profundo em seu estômago. Estava começando a deixá-la ansiosa.
Então ela saiu da cama, se vestiu e pegou sua bolsa no caminho pra porta da frente. Ela não sabia onde ela estava indo. Ela só sabia que precisava sair.
