MASQUERADE
ShiryuMitsuko
Gênero: AU/Yaoi/Romance/Angst/Guerra
Em Capítulos
Direitos Autorais: Saint Seiya não me pertence, mas nem por isso podem ficar pegando nossos argumentos sem citar não é mesmo? Se gostou de alguma cena especial ou de algum personagem novo, use à vontade, apenas cite de onde veio a inspiração ok?
Fanfiction de conteúdo adulto, contendo relações homoafetivas masculinas. Se você tem menos de 18 anos, ou não suporta yaoi e relacionamentos entre homens, procure algo mais adequado à sua faixa etária e gosto. Aviso dado, nos poupem de flammers mal educados que temos mais o que fazer. Quanto aos casais que costumamos retratar, são do gosto pessoal das ficwriters. Se não gostar de algum, por gentileza não desmereça todo o nosso trabalho por isso. Todos têm direito a seus gostos e preferências. Boa leitura.
Obrigada a todos pelos reviews. Estou com alguns problemas e nem sempre respondo com a agilidade necessária, mas prometo tentar responder a todos em breve. Abraços da ShiryuForever94
Capítulo QUATRO
Radamanthys acordou bem disposto. Olhou-se no espelho.
- "Ah, Valentine, será que vou vê-lo?" Pensava no motivo por que se importava tanto.
Longos e penteados cabelos ruivos. Roupa adequada. Era bem cedo. Ignorou as perguntas do cocheiro sobre o motivo do Duque de Wyvern ter vindo fazer uma visita e seguiu para o castelo do rei. Apesar de ser apenas um cortesão, lhe eram passados alguns trabalhos burocráticos. Durante parte do dia ficou pensando se iria realmente até o castelo do duque quando, no fim da tarde, ficou sabendo que não iria. O rei havia exigido sua presença para a noite. Que ótimo. Suspirou e, na hora dita, foi para os aposentos de Hades, não podia desobedecer à ordem alguma. Foi como de costume: doloroso, rápido e humilhante.
Final da tarde. Radamanthys fizera todos os seus trabalhos. Tivera um dia cansativo, desagradável, inútil para dizer a verdade. Como tantos outros. Chegou ao castelo tão tarde que se Valentine tivesse ido lá, não o teria visto. Perguntou aos empregados. Ele não aparecera. Não ia sequer se preocupar, vai ver não agradara ao outro. Ou talvez... Mandou um mensageiro para Hades querendo vê-lo. Ao receber a resposta de que somente no dia seguinte, tirou algumas conclusões e suspirou. Chamou o mensageiro e discretamente ficou sabendo que Valentine estava no castelo. Droga. Era o trabalho dele, afinal. E, no que pensava? Tirar o cortesão do rei? Queria Valentine ou não? Queria alguém? O que queria? Devia estar louco.
Madrugada alta quando finalmente o rei deixou que Valentine se fosse. O ruivo vestiu-se, tentando manter um pouco de sua dignidade. Chegou a sua casa, dormiu um tanto, mas logo acordou, sempre acordava cedo, costume. Banhou-se e vestiu outra roupa, mais simples do que o normal, não precisaria ir ao castelo naquele dia, e ia procurar ler um dos poucos livros que um dos membros do clero lhe dera.
Monges copistas. Era assim que chamavam. Eram em latim e grego, as línguas dos livros daquela época. O ensino era algo próprio dos nobres, o conhecimento era da Igreja. Não havia como um reles cortesão como ele obter livros se não por cessão de algum membro do poderoso clero. Ouviu baterem à porta. Estranhou um pouco, mas podia ser algum mensageiro do rei, era só o que faltava. Já "trabalhara" a noite toda. Estava cansado. Foi até a porta, abrindo-a e surpreendeu-se com quem via. Ele era maluco ou o que?
- "Venha, vamos andar um pouco." Apontou o coche do ducado e sorriu, quase nunca sorria.
- "Hum? Andar? Para onde?" E mais essa agora. Passeios com o Duque de Wyvern? Quem o nobre pensava que era para aparecer do nada e ir chamando-o para dar voltas?
- "Para minha casa de campo. Sei que não tem compromissos com Hades no dia de hoje. Também sei sobre ontem. Sem maiores explicações. Estás bem?"
- "Mas..." E ia dizer o que? Casa de campo? O que ele pretendia? Como ele sabia? Abaixou os olhos por momentos, envergonhado. Sentia-se uma meretriz barata, mas voltou a olhá-lo ao ouvir a pergunta. Hunf, como se ele se importasse. Acabou por concordar com a proposta. O que faria? – "Podemos ir."
Entraram no coche em silêncio, o nobre inglês baixou as cortinas, não perdeu tempo e puxou o cipriota para si, acariciando o rosto bonito. – "Eu vou roubá-lo do rei."
- "O que?" Arregalou os olhos. Ele não estava falando sério. Estava?
- "Por enquanto, apenas por hoje, mas, futuramente... A idéia o atrai?" Orbes dourados brilhantes fixos nos verdes.
- "Por que faz isso? Gosta de se divertir com os outros?" Estreitou os olhos por um momento, pensando no que ele dissera.
- "Não vou dar respostas se não as tenho."
- "Se não sabe, eu muito menos. E, se não sabe, não deve ser sério." Valentine suspirou sentindo-se péssimo, as mãos sobre as pernas. Virara diversão do duque, pelo visto. - "Não sou um objeto qualquer que pode pegar, usar e jogar fora." - Estava se arriscando, mas ainda tinha algum orgulho.
- "Não o forcei, não o usei e não joguei fora. Pelo menos que eu saiba. E, diga se está vindo comigo porque quer ou por eu ser um duque." Que homem complicado. Se bem que, dada a história dele, era bem compreensível.
- "Acha por acaso que fiz aquilo no baile só por você ser um duque?" Ergueu uma sobrancelha e olhou para ele um pouco decepcionado. Não iam se entender nunca? Radamanthys não ia entender que ele não era como os outros?
- "Você não me explicou direito. Disse que fez porque queria. Acontece que ainda estou querendo descobrir se me queria ou queria apenas diversão de uma noite. Talvez um pouco de influência para tirar você da sua atual situação." Radamanthys tinha olhos frios como gelo. Estava tão acostumado a ser usado que queria saber de uma vez. Se fosse o caso, seria bem mais simples.
- "Se fosse apenas para me 'tirar da atual situação', por que eu teria resistido quando tentou... Bem, quando você quis... Ah, droga, aquela noite... E quando o vi, tinha me interessado por você, não por seu título." Pelo visto a impressão que causara era péssima.
- "Interessou-se por mim? Por quê? Atração física? Eu também tenho, por você. Não se ofenda. Vivemos num reino em que até paredes querem algo em troca. Eu, de você, gostaria ao menos de um sorriso. Consegue?" Seus olhos amainaram, será que podia acreditar naquilo?
A mente do ruivo ia em voltas confusas. Atração física? Um pouco, não, bastante talvez, mas não era tudo. E não ia falar naquilo. Sorrir? Pra que? Forçou um leve sorriso, sem lá grande sucesso.
- "Está bom para começar. Sabe cavalgar? Gosta de animais? Tenho galgos." E Radamanthys vira o quão triste aquele sorriso tinha sido. Não era sincero, claro que não.
- "Cavalgo sim e adoro animais. Galgos?" Seus olhos brilharam um pouco mais, interessou-se de imediato, Gostava de animais, costumava cuidar de alguns em seu país natal e conhecia galgos. Lindos cães de corrida, de porte longilíneo.
- "Você parece um garotinho que ganhou um doce gostoso." Olhou-o com um riso querendo aparecer. Suspirou levemente. Por que Valentine tinha que parecer tão inocente e doce? - "Ora, deixa-me fazer o que quero desde que saímos? Deixa?" - E desde quando precisava pedir algo? Chegou bem perto e acariciou os lábios dele com dedos sensuais.
- "O que? O que você quer? Isto é, Senhor Duque e..." As palavras morreram na sua garganta ao ver os olhos do outro e ao sentir aqueles toques nos lábios. Tão suave.
- "Que você consiga sentir algo além de submissão. Beije-me e prove, tente descobrir que há sabor e não humilhação." Encarava-o sentindo seu pulso acelerar.
O ruivo corou bastante, hesitando com as palavras e, por impulso refez o que fizera na outra noite, colando os lábios aos do duque por momentos.
Wyvern permaneceu sério e deixou-o beijá-lo, entreabriu os lábios e procurou pela boca do outro, entrelaçando bem devagar as línguas, suas mãos o acariciaram com cuidado e afastou mechas do cabelo vermelho do rosto bem feito. Segurou por fim os ombros dele e aprofundou o beijo em suaves carícias e toques.
Tremor.
Valentine estremeceu um tanto com os leves carinhos no rosto e deixou que o beijo se aprofundasse, percebeu que gostara daquilo. Se o rei descobrisse estava morto. Não que ele se importasse, mas já vira o que poderia acontecer. Uma vez um outro cortesão do rei ousara trair o soberano. Ao mesmo tempo, pelo menos uma vez, uma única vez, não era obrigação. Estava gostando. Estava valendo à pena. Suspirou.
Lábios doces. Valentine tinha lábios doces. No começo parecia que o cortesão reagia automaticamente, mas logo ambos se perdiam em sensações melhores. Mais e mais sensações. Radamanthys apartou o beijo com um quê de sorriso nos olhos. - "E então, como se sentiu?"
- "F-foi diferente." De onde viera aquele titubeio? Estranhara o contato, tão passional e, ao mesmo tempo, não era agressivo. Demorara-se ainda um tanto para abrir os olhos depois que o toque foi partido, mas enfim o fizera ao ouvir a voz do outro.
- "Melhor que não ter sentido nada." E agora, o que diria? Recostou-se sério no coche. - "Não quero sexo com você, simples assim. Só quando for bom para nós dois. Quando você estiver pronto, me diga. Desse jeito quebramos logo esse clima de coisas não ditas e você pode relaxar. De acordo? Ou seja, não se preocupe em entrar em pânico que não vou agarrar você e forçá-lo. Não preciso forçar ninguém para ter sexo, garanto a você."
Valentine emudeceu, parecia em choque. Ninguém no mundo podia ser tão direto. Ou podia? Falar de sexo assim, no meio da conversa? Estranhou absolutamente aquilo. Era como se ele se importasse. Mas por que se importaria? Mal se conheciam.
- "Concorda ou não? Apenas quando estiver pronto. Estou, não sei o motivo, com vontade de mostrar a você que pode haver alegria e prazer no sexo. Entende? E fale ao invés de gesticular porque estou de olhos fechados." Continuou recostado rindo internamente. O jeito de fazer aquele ruivo falar era esse. Ficar de olhos fechados.
- "Alegria? Não, eu não entendo. E por quê? Por que está fazendo isso?" Alegria? Até parecia. Foi sincero ao negar. Nem entendia o que o outro queria e nem qual o motivo de tudo aquilo.
- "Como você pode ser tão desconfiado?" O duque abriu os olhos e pensou por momentos - "Está bem. Digamos que estou cansado de ser usado para obterem vantagens e não quero mais relacionamentos baseados nisso. Podemos ser amigos. Quem sabe algo mais. Eu apenas queria alguém que não se tivesse aproximado por interesse e acho que você é assim."
- "Obrigado." Surpreendeu-se ao perceber que sorria levemente ao escutar o que ele falara e logo voltou a ficar sério. Tinha gostado de saber que alguém o considerava algo mais que um corpo.
- "Não me agradeça." Olhou para o outro com um amplo sorriso – "E você é lindo. Ruivo, belo corpo, inteligente, e, que eu saiba, o seu local de origem é um bom lugar para irmos dia desses, gostaria?"
- "Hum. Voltar lá? Sim, mas..." Escutava o que ele dizia e realmente olhou-o assustado com a última frase. Seu local de origem? Pelo que sabia, seus pais, aqueles que o haviam entregado ao rei por dívidas, ainda moravam lá. Se bem que era uma ilha relativamente grande, não precisava vê-los. Queria vê-los? Uma confusão de imagens. Nem todas eram boas.
- "Você foi vendido e tem medo de voltar lá. Não se preocupe. Tenho ouro suficiente para comprar toda a sua família. Não se ofenda, pois apenas constato a verdade. Ninguém o magoará. Não em minha presença. Apenas terá que aprender a confiar em mim."
O mais jovem escutou as palavras e baixou os olhos, fechando as mãos com certa força ao ouvir aquilo. Não que se ofendesse. No entanto, mesmo que fosse normal naquela sociedade... – "Ainda não entendo como podem vender pessoas."
- "Eu não acho que possam vender pessoas. Apenas são ordens de países com os quais temos tratados. Ordens, não. Pedidos. O problema é, se alguém vende, é porque há quem compre."
Valentine suspirou, murmurando que sabia aquilo e apoiou as costas um tanto mais no encosto da carruagem, ainda sem observar o outro.
- "Logo chegaremos. Tomei a liberdade de avisar ao rei que você estava doente por hoje e amanhã e que eu, como fiel seguidor dele, tomaria as devidas providências."
- "Avisou? Como assim avisou? Tinha tanta certeza assim que eu viria?" Aquele... Aquele... Ora, como ele era tão... Seguro. Metido. Lindo.
- "Assim poderás ficar comigo por dois dias inteiros."
- "Mas... Mas... Dois dias?" Val olhou-o meio surpreso, não esperava por aquilo.
- "Isso. Descansar, ver que a vida pode ser mais que servir ao rei." Um olhar de canto. Ele era tão lindo.
- "Sei." Não acreditava realmente que aquilo faria diferença, mas podia tentar.
- "Tenho certeza que vou conseguir animá-lo. Chegamos." Era um castelo branco. Com torres negras e um lindo lago prateado. Galgos correram e Rada os apresentou a Val. – "Sombra, Escuridão, Luz e Vida. Meus galgos. Seja bem vindo à residência Wyvern-Specter de verão."
