Ian sentou-se na cama sonolento, ainda estava escuro, mas as luzes de seu quarto estavam acessar e o barulho era forte o suficiente para retirá-lo de seu estupor.
— Sebastian? – chamou o rapaz incerto.
— Bochan volte a dormir, estamos quase acabando – informou a voz de Sebastian em algum lugar do quarto, a visão borrada de sono do rapaz ainda o impedia de focar.
Ele e Sebastian havia começado a partilhar o mesmo quarto no dia em que se mudaram, apesar de Ian ter protestado cruelmente sobre o quão inapropriado seria, o demônio garantiu que nada demais aconteceria, e ele seria encarregado de manter o que restou da inocência do rapaz intacta, mas passado alguns anos o próprio Ian estava desesperado por perder essa inocência, já que Sebastian era tão difícil de corromper quanto um monge.
— Já estou acordado mesmo – resmungou o rapaz saindo da cama, ele puxou o robe e começou a caminhar pelo quarto para encontrar Sebastian terminado sua mala com a ajuda de Mey Rin – que horas são?
— Três da madrugada – disse o demônio – temos que sair agora se quisermos respeitar o meu cronograma.
— Entendi – disse o menor sem paciência para lutar – a essa altura Snake e Baldroy já partiram no trem.
— Acredito que sim – respondeu fechando finalmente a mala – Mey, eu vou descer daqui a pouco, me espere na entrada.
— Certo – disse a moça se aproximando de Ian e lhe dando um forte abraço – tenha cuidado, não faça nada perigoso.
— Eu terei – disse o rapaz, ela soltou-se dele e saiu do quarto deixando os dois a sós – não vai me dar um beijo de despedida?
— Daqui a pouco – disse o homem pegando o rapaz pelo pulso o conduzindo de volta para cama – primeiro vamos voltar a dormir.
— Mas já estou acordado, quero ver você partir – insistiu, mas Sebastian sou inflexível o colocando na cama novamente, quando ele repousou o menino entre as almofadas ele se curvou sobre sua corpo plantando um beijo em sua testa – Sebast...
— Qual o nosso acordo Boochan? – perguntou ainda com os lábios em sua testa. Ian fez uma careta revirando os olhos, mas mesmo assim respondeu.
— Eu não posso te ver partir.
— Por que?
— Porque assim vai parecer que você está sempre aqui – respondeu o rapaz mordendo os lábios, o demônio sorriu baixando sua face para encarar os olhos heterocromático do menino – eu não quero que vá.
— Também não quero ir – sussurrou o demônio – mas minha partida é bem mais fácil quando eu não tenho que olhar esse rosto triste nos portões pedindo que eu fique – Ian sorriu levemente para ele como se estivesse à beira de implorar que ele ficasse, ele não gostava quando Sebastian tinha que ir, mesmo com a promessa ele sempre se esgueirava no último minuto e corria para a porta para ver a carruagem sumir no horizonte, doía tanto vê-lo partir, mas era quase uma dor necessária. Faziam anos que ele (tecnicamente) estava à frente dos negócios da Família Michaelis, sempre indo a reuniões, encontros de negócios, chá com a rainha entre outras obrigações e toda vez que ele partia, era um martírio.
Ian ajudava nos negócios tanto quando podia, ele tinha uma ótima visão de mercado e aprendera bastante no decorrer dos anos, no entanto, após de anos sendo subestimado pela sua pouca idade ele preferiu deixar a figura dominante de Sebastian cuidando de tudo, afinal de contas o demônio tinha uma ótima aparência e todos, pareciam gostar dele.
Isso incomodou um pouco o rapaz no início, mas apenas no início, pois a vida que levavam agora era totalmente diferente da vida na mansão Phantonhive, era uma vida calma onde ele podia ser quem ele quisesse, longe dos olhares de desaprovação de qualquer um.
— Não durma com ninguém enquanto estiver lá – disse o rapaz tentando quebrar o clima de despedida.
— Como?
— Você me ouviu seu tratante, toda vez que você sai em uma dessas missões da rainha você usa de seus meios para conseguir informação – resmungou o menino irritado – eu não gosto de você se deitando com metade da Europa enquanto eu tenho que esperar completar 18 anos para me aliviar.
— Não me deito com metade da Europa – defendeu-se – para sua informação eu quase não faço mais isso.
— No mês passado Finnin disse que você foram a um bar...
— Finnin fala demais – resmungou Sebastian.
— Mas ele me diz a verdade, já que você não está mais obrigado a fazê-lo.
— Pela decima vez, tivemos que anular essa clausula do contrato – tentou novamente – se não, como eu te chamaria de Ian?
— Desculpas e desculpas é só o que tenho – resmungou trazendo o cobertor para perto de si e virando-se na cama – vá embora Sebastian, são três da manhã e tenho que voltar a dormir.
— Não sem o meu beijo de despedida – insistiu não tem resposta do outro – vamos pequeno olhe para mim - sussurrou suavemente. O menino abriu os olhos um pouco antes de olhar para cima. Sebastian aproveitou a oportunidade para pressionar os lábios juntos. No início, Ian não o beijou de volta por puro desafio, mas isso não durou muito e logo suas línguas dançaram brincando até que os olhos de Ian se abriram em choque.
Ele fez um som de perplexidade quando sentiu algo em sua língua e quebrou o beijo imediatamente. O garoto começou a tossir sentindo a coisa presa na sua garganta, logo Sebastian lhe servia um copo de agua fazendo a coisa descer.
— O que diabos foi isso? – um sorridente Sebastian se ergueu da cama para colocar o copo vazia de agua na cabeceira.
— Um sedativo de efeito rápido – disse com uma tranquilidade que apenas os psicopatas tinham – você não vai me enganar dessa vez.
— Sebastian!
— Nada de Sebastian! – rebateu o outro voltando para sua posição na cama – eu não quero que me veja partir, as criadas dizem que você fica mais triste quando faz isso, então estou cuidando disse desta vez.
— Isso é trapaça! – retorquiu.
— Demônio – disse Sebastian apontando o obvio – agora deite-se, vou ficar com você até você apagar.
— O que será em trinta segundo – disse Ian fechando os olhos com força – o que exatamente você me... – e não terminou sua sentença, pois logo estava apagado na cama como um morto.
Mestre Ian
Ian desceu as escadas em direção a cozinha ainda irritadíssimo, ele sabia que já passava do meio dia e provavelmente já haviam servido o almoço, a droga que Sebastian lhe deu era forte.
— Boa tarde – disse o rapaz entrando na expansiva cozinha onde as senhoras andavam para todos os lados. O casarão era bem menor que a mansão Phantonhive, mas não era nem um pouco pequeno. A cozinha, por exemplo, era maior do que a que Baldroy tinha e a dispensa também, afinal de contas existia mais de um mestre e por mais que o menino não fizesse mais questão de comer a mesa, as refeições ainda eram dignamente preparadas pela equipe.
A quantidade de funcionários também era inegavelmente maior, parecia que era preciso ter o triplo de gente para fazer tudo o que Sebastian conseguia fazer em um dia.
— Mestre Michaelis – disse uma das criadas olhando para o relógio no canto da cozinha – ainda são 12:20, faltam algumas horas para o seu despertar – e foi quando o queixo de Ian caiu.
— Vocês sabiam que Sebastian ia fazer isso comigo! – retorquiu furioso – por que ninguém me alertou?
— Ele tinha que nos avisar – continuou a criada separando o peixe que seria cozido – se você não despertasse pensaríamos que estava morto.
— Ele me drogou!
— Lorde Michaelis fez o que achou mais seguro – disse uma delas muitíssimo convicta de suas palavras – ele é um homem muito atencioso e sensível, ele não poderia suportar deixa-lo para trás, por isso fez o que fez.
Ian olhou para as demais criadas que pareciam concordar com a afirmação, ele não tinha argumentos, todos eram fãs convictas de Sebastian.
— URGGG – resmungou esfregando os olhos frustrado – parece que Satanás jogou aquele maldito demônio em uma poça de mel quando estava fazendo ele.
— Mestre Ian!
— Que linguajar é esse?
— Não deve falar de Lorde Michaelis assim.
E o esquadrão de defesa a Sebastian tomou conta da cozinha, o que fez com que o mais novo tivesse vontade de atirar na cabeça de cada uma dela.
— Pelos céus parem de defender aquele idiota! – berrou o rapaz calando-as – onde está Finnin?
— Mestre Finnian desceu até a Vila de Mey – informou a cozinheira – ele não disse o que aconteceu, mas parece que foi um problema com a tear principal.
— Certo – disse o rapaz pensativo – vou descer até lá e gostaria do meu almoço quando voltar.
Então o silêncio se fez na cozinha, o rapaz ainda deu as costas para ignorá-las, mas um rugido de garganta chamou a sua atenção.
— Vocês tem algo a dizer, então digam logo – falou o rapaz sem se dar ao menos o trabalho de voltar-se para elas.
— Lorde Michaelis pediu para que o senhor não saísse do casarão enquanto...
— Eu sei o que Sebastian disse – cortou fazendo uma careta e esfregando os olhos tentando conter sua raiva – mas vocês não esperam que eu fique aqui todos esses dias até ele voltar de Paris?
— Ele disse que sua leitura está atrasada e o senhor pode aproveitar os dias na biblioteca colocando-a em dia – confirmou uma moça que amassava a massa do pão. Essa declaração fez Ian voltar-se para elas novamente descrente que estava tendo essa conversa com a criadagem.
— É verão, eu vou surtar se for estudar na biblioteca – disse em tom de quem ensina algo a uma criança de cinco anos – eu vou apenas a vila, volto em poucos minutos.
— Mas Lorde Michaelis...
— Que seja – vociferou o rapaz verdadeiramente irritado – eu vou para a biblioteca e não se atrevam e vir me incomodar – e saiu fumegando da cozinha.
Os dias que se seguiram foram basicamente assim, Ian completamente irritado com o fato de estar preso dentro de casa, sendo permitido apenas sair quando Finnin o acompanhava. O rapaz estava muito ocupado cobrindo Mey e Baldroy em suas tarefas, ele sentia falta do barulho da casa de todos conversando e até das cobras de Snake, sim Wordsworth, Emily, Goethe, Oscar, Wilde, Bronte, Dahn e Keats faziam falta, principalmente por que Webster ficou para trás, ela insistiu em ficar cuidando de Ian, o que era uma situação chata, pois a cobra caminhava pela casa discretamente e como Snake era o único que a entendia Ian era obrigado a falar sozinho enquanto tentava adivinhar o que a cobra queria responder.
No final da quinta noite ele estava deitado na enorme cama terminado seu quinto livro seguido, as luzes do casarão já estavam apagadas, a chuva de verão batia forte lá fora e ele simplesmente não conseguia dormir, a cama que ele e Sebastian partilhavam era e enorme, então sem o demônio ao seu lado ele se sentia menor do que já era.
Não que ele fosse pequeno, hoje o rapaz tinha 1,75 de altura, mas mesmo assim ainda era uma altura irrisória perto dos quase 1,89 de Sebastian. Ele estava quase adormecido quando ouviu um barulho, na casa tinham muitos criados, mas nenhum deles estava transitando pelos corredores às duas da manhã.
Cautelosamente ele apagou a vela do lado de sua cama, e esgueirou-se para fora dela, sua arma já não ficava embaixo dos travesseiros então ele nem se preocupou em busca-la, andando até a porta ele plantou o ouvido nela tendo certeza que não havia ninguém no corredor e era seguro sair, ele ainda usava o blusão de dormir, mas trocar de roupa nessas condições era quase impossível.
Devagar como se sua vida dependesse disso ele abriu a porta e saiu para o corredor, o casarão era grande o chão ainda fazia barulho quando andávamos por ele, no entanto, Sebastian havia marcado os lugares em que ele poderia caminhar sem fazer barulho. À medida que ele se aproximava da escada ele conseguia ouvir vozes no andar de baixo, estava sussurrando.
"As criadas estão presas no dormitório, parece que só tem o garoto" – disse um deles.
"Ótimo, vamos nos separar para cobrir mais área" – disse um dos homens e Ian se atentou aos passos, não podiam ser muitos, se não a segurança da vila veria, provavelmente eram cinco, seu raciocínio foi tomado quando ele ouviu passos se aproximando, antes que ele conseguisse pensar em alguma coisa uma mão agarrou seu braço no meio da escuridão.
"Olha o que temos aqui..." começou o homem não imaginando que a pior decisão de sua vida fora tomada hoje.
Dois anos atrás
— Para que demônios eu preciso saber disso? – perguntou o rapaz olhando Sebastian e Baldroy alinhados em um ringue de luta – tenho vocês, não preciso saber disso.
— Eu nem sempre estarei lá jovem mestre – disse Baldroy, o rapaz ergueu a sobrancelha olhando para Sebastian.
— Qual a sua desculpa?
— Não tenho uma, apenas quero que você aprenda e ponto final – disse jogando as bandagens para o menino – coloque nas mão e punhos, vamos te mostrar o básico.
— Eu não quero fazer isso – repetiu e mesmo assim começou e envolver os pulsos e o punho com as bandagens – é perda de tempo.
— Assim como suas queixas – rebateu Sebastian – agora seja um bom menino e vamos começar – Ian terminou de colocar as bandagens e se posicionou da forma que ele conhecia para lutar boxe, pelo menos nas lutas que ele viu um o seu pai certa vez. Sebastian teve de rir, ver a figura magra e raquítica do menino em posição de ataque era quase hilária.
— Pare de rir de mim – disse irritado – se vai me ensinar faça isso direito.
— Ok – disse o demônio se controlando – a sua primeira lição é como levar um soco – e antes que Ian conseguisse fazer alguma coisa um soco forte foi deferido na sua face e ele apagou.
Dias atuais
Antes que o homem conseguisse gritar o rapaz o girou o pulso o libertando agarrou o antebraço do homem o trazendo para mais perto e como Sebastian havia ensinado deferiu um soco na garganta do homem o fazendo perder a respiração, o homem caiu de joelhos com a mão na garganta tentando recobrar o ar, mas o menino foi mais rápido e com as pernas fortalecidas da cavalgada e do treinamento deferiu um chute certeiro deixando o intruso inconsciente.
Um já foi, ele retirou a arma do homem e começou a caminhar para o andar de baixo, um segundo homem estava logo próximo ao pé da escada, o rapaz pendurou-se pela parte de trás do corrimão escondendo-se até chegar por trás e dar uma coronhada segura fazendo o segundo cair no chão.
Recolhendo a segunda arma, ele caminhou até o que seria a biblioteca ainda ouvindo os passos, armou a pistola e antes de abrir a porta ele sentiu a lamina de um punhal em seu pescoço.
— Calma aí garoto – disse uma voz grossa e maliciosa – não queremos fazer mal, só precisamos que venha conosco.
— Quem são vocês? – perguntou Ian sem se mover – o que querem?
— Viemos aqui dar cabo do Cão de Guarda da Rainha – disse um dos homens - me diga onde ele está e quem sabe eu posso deixa-lo viver... – antes de terminar a sentença Ian agarrou o pulso do homem, afastando o punhal de seu pescoço e com o cotovelo quebrou o nariz do homem, ele afastou-se irritado grunhindo de dor, provavelmente chamando a atenção dos demais companheiros.
Sem opção com o seu anonimato revelado o rapaz pegou a pistola que ainda estava em suas mãos e atirou na cabeça do intruso, logo ele ouviu passos se aproximando, ele pegou o punhal do homem e respirou fundo, a casa estava totalmente escura, ele tinha uma vantagem, ele estava em casa e estar e casa iria salvá-lo.
Três dias depois
A carruagem de Sebastian parou em frente ao casarão no início da manhã, Mey-Rin e ele foram recebidos com boas vindas por todos, no entanto, após atravessar as portas da entrada principal seus olhos se depararam com o salão de entrada onde parecia estar passando por reforma.
Alguém estava recolocando o lustre na entrada, o corrimão da escada principal estava sendo restaurado e mais algumas pessoas estava trocando parte do piso, só quando um Ian entrou na cena que ele se viu com cabeça para perguntar.
— O que aconteceu aqui? - perguntou se aproximando vendo agora uma mancha roxa embaixo do olho do rapaz – você se machucou?
— Bem vindos de volta – disse Ian sem se importar com os questionamentos do outro – fizeram boa viagem?
— Responda minha pergunta Boochan! O que aconteceu aqui? – perguntou o demônio com olhos verdadeiramente vermelhos – quem fez isso com você?
— Aparentemente fui eu – disse o rapaz respirando fundo – eu sei que está cansado, mas se quer mesmo saber é melhor vir comigo.
— O que aconteceu com a sala? – perguntou Mey Rin vendo os estragos com mais detalhes percebendo que alguns deles eram buracos de bala – você foi atacado?
— Na verdade fomos – disse o rapaz começando a andar e fazendo um gesto para Sebastian e Mey Rin o seguir – eles vieram a duas noites, renderam os guardas, drogaram Finnin quando eles estavam na aldeia, pegaram informação e entraram – ele desceu mais um lance de escadas indo em direção a porta que levava ao portão – lembre-me de lhes agradecer pelas aulas de defesa pessoal e tiro.
— Não me diga que tudo aquilo na sala foi você? – questionou Mey Rin quase orgulhosa – quantos eram?
— Contei cinco, mas era oito – disse cumprimentando um guarda que geralmente não ficava naquele posto, mas por hora estava lá – eu só sobrevivi por que conheço essa casa até o escuro, se não estaria morto.
— E porque não me chamou? – perguntou Sebastian finalmente soltando a questão que lhe assolará desde que virá o estado da sala.
— Você estava em Paris – respondeu Ian em tom baixo para não chamar a atenção de ninguém.
— Isso alguma vez me impediu? – rebateu Sebastian – você poderia ter morrido.
— Mas graças ao seu treinamento e muito ardilosidade conquistadas eu sobrevivi – disse o rapaz entrando finalmente no porão onde Finnian o esperava com uma chave na mão.
— Bem vindos de volta – disse sorridente, mas Sebastian lhe lançou um olhar de pura morte.
— Mais tarde nos dois vamos conversar sobre seus novos hábitos – soltou o demônio fazendo Finnin engolir em seco – o que tem atrás dessa porta?
— Testemunhas – disse Ian quando Finnin abriu a porta, eles entraram na salinha escura, iluminada apenas por algumas tímidas velas, em pé algemado ao teto sujo e sangrando estava um homem, ele tinha sangue na sua face, mas parecia vivo e assustado, havia uma mordaça em sua boca para abafar o grito.
Sebastian olhou ao redor da sala e conseguiu contar sete cadáveres entrando em estado de putrefação, ele pegou seu lenço no casaco e ofereceu a Mey Rin que parecia odiar o cheiro.
— Sua obra? – perguntou olhando para Ian.
— Você sempre disse que é preciso apenas um – defendeu-se caminhando até o homem que quase caiu no choro com a aproximação do seu carrasco, Sebastian sentiu uma ponta de orgulho vendo o terror nos olhos do homem, ele havia criado aquele menino bem e logo ele seria um companheiro incrível, para a eternidade – muito bem Louis, por que não repete o que me disse ao Sebastian, vamos diga quem foi que te contratou?
O homem, Louis parecia prestes a chorar quando a mordaça foi tirada, o sorriso satisfeito no olhar de Ian parecia a causa do choro quase eminente.
— Foi o senhor Conde Phantonhive, o senhor me pediu para vir aqui – disse o homem quase implorando – só fizemos o que o senhor pediu, não sabíamos que o senhor estava aqui, me deixe viver, por favor Conde... – e antes que ele conseguisse continuar coma falação Ian enfiou um pano na sua boca.
— Ainda acha que é uma boa ideia eles virem até aqui? – perguntou o rapaz puxando a arma olhando para Sebastian como se pedisse autorização, o demônio apenas acenou de leve e ele atirou na cabeça do homem sem ao menos piscar – o que fazemos agora senhor Cão de Guarda?
— Esperamos Baldroy e Snake voltar – disse Sebastian frustrado com as novas informações – nos livramos desses cadáveres e terminamos de alinhar o casarão – ele então puxou uma carta do casaco e entregou a Ian – recebemos isso na estrada dos mordomos da Rainha, ela autorizou a visita em nossa casa.
— Ele está vindo? – perguntou preocupado abrindo o envelope buscando a informação.
— Pior que isso – disse o ex-mordomo indiferente – sua tia Francis está.
